FILMES VÃO MOSTRAR DOENTES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA...

  Segunda-feira, 6 de Abril de 2015 

Novartis, em parceria com o Instituto do Cinema e do Audiovisual, lançou a segunda edição do Prémio Esclerose Múltipla Curtas, dirigida a estudantes das áreas do cinema e audiovisual ou amadores entre os 18 e 35 anos.

A primeira edição do Prémio Esclerose Múltipla Curtas, promovido pela Novartis, em parceria com o Instituto do Cinema e do Audiovisual, foi um sucesso, por isso as duas entidades voltaram a dar as mãos para realizar a segunda edição que pretende dar a conhecer melhor esta doença.
No ano passado, estiveram a concurso sete curtas metragens, com a participação de 20 alunos, que aceitaram o desafio de sensibilizar a sociedade para o impacto da Esclerose Múltipla (EM) nos doentes (cerca de oito mil portugueses) e suas famílias.

«De uma forma inovadora mobilizaram-se dezenas de alunos das escolas ligadas ao cinema e audiovisual que, com a ajuda das três associações de doentes com EM, ficaram a conhecer melhor a doença e as mudanças que esta impôs na vida das pessoas. Desses contactos resultaram curtas-metragens que, ainda hoje, têm impacto e estão disponíveis no canal da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) no You Tube e, assim, ajudam a sensibilizar mais pessoas para esta temática», contou ao «barlavento» Luísa Matias, do gabinete de Marketing e Comunicação da SPEM e também portadora desta doença.

Após o sucesso da primeira edição, a organização alargou o desafio a todos os jovens que tenham entre os 18 e os 35 anos, sejam estudantes destas áreas ou amadores, havendo duas categorias a concurso. «A Escolha do Júri, para estudantes de cinema e audiovisual, e a Escolha do Público, para amadores, cujo vencedor será apurado através da votação do público em www.premioemcurtas.pt. Este website é também uma novidade e é onde estará disponível toda a informação sobre o Prémio, incluindo o regulamento e as curtas-metragens para votação», adiantou.

Por um lado, serão premiados «os jovens estudantes, através do reconhecimento dos trabalhos por um júri qualificado, conferindo um enorme prestígio e garantindo um índice de qualidade superior ao Prémio. Por outro lado, o prémio do público será, com certeza, mais emocional, pois está aberto a todos os jovens amadores que queiram apostar numa curta de não mais de 3 minutos para explicar, na sua visão, como pode ser o novo rumo da EM», o tema desta edição, justificou.

A ideia de aliar este prémio à sétima arte surgiu para dar rosto a uma doença que passa como invisível à maioria da população. 

A maioria das pessoas não sabe como é viver com a Esclerose Múltipla, sendo esta uma forma de sair da esfera da saúde, utilizando canais com outro impacto na sociedade, para chegar a mais pessoas. Os jovens realizadores acabam também por interagir com os doentes, sendo esta outra forma de sensibilizar para a doença.
Neste espaço, «os doentes vão poder contar a sua história, ou seja, ter uma voz num mundo demasiado apressado para entender uma doença que, muitas vezes, trava em silêncio e muito cedo os sonhos de quem apenas quer ter aquilo que é considerado uma vida normal, como ter uma carreira, socializar, desfrutar e formar família», afirmou Luísa Matias.

Com estas curtas-metragens nascerá um novo olhar sobre esta patologia, que ainda gera um grande estigma na sociedade, por ser desconhecida para a grande fatia dos portugueses e porque se manifesta de forma diferente em cada pessoa.

«A doença é demasiado imprevisível para se aceitar lidar com as possíveis consequências», confidenciou Luísa. O problema é que, muitas vezes, os doentes sentem que têm que esconder o diagnóstico, por medo de represálias no emprego, discriminação em lugares públicos e incompreensão das outras pessoas.

Esta iniciativa acaba por ser um grande passo para a luta destes doentes contra o desconhecimento generalizado, «dando a conhecer novas formas de convivência, adaptação e integração dos doentes e famílias, permitindo um melhor apoio e adesão da sociedade a esta causa. Será novo rumo para a Esclerose Múltipla através da compreensão», justificou.

É que para quem não sabe, são muitas as dificuldades com que estes doentes se deparam, para ainda terem que se preocupar com o que pensam as outras pessoas. Luísa conhece bem os obstáculos, pois é portadora desta doença, que afeta sobretudo jovens adultos, entre as faixas dos 20 e dos 40 anos. 

À partida, o jovem tem que lidar com a perda de autonomia numa idade em que ainda não assegurou o seu futuro e, depois, com condições como a «perda da mobilidade, desequilíbrios e tonturas, fadiga e dor crónicas (a dor do trigémeo é muito característica nas formas mais progressivas), alterações da visão, urinárias e na sexualidade, perda de sensibilidade, grande intolerância aos extremos de temperaturas (calor ou frio) e dificuldades cognitivas», enumerou Luísa Matias.

 Os sintomas não se manifestam de igual forma ou gravidade em todos os doentes, mas há um medo comum que os preocupa. «Deixar de andar, de perder ou não conseguir manter o emprego, ficar sem família e não ter autonomia», apontou.
Os sintomas advêm desta doença inflamatória e degenerativa do Sistema Nervoso Central, em que as células nervosas são atacadas pelo sistema imunitário da pessoa. A mielina (substância que protege estas células) é destruída, interrompendo a ligação com as diferentes funções do corpo. Os sintomas evoluem ou manifestam-se consoante o local das lesões.

No início da doença, a nevrite ótica (ver a dobrar, desfocado ou um tremor da retina), uma dormência que não desaparece, normalmente, em apenas um dos lados do corpo, o cansaço constante sem recuperação mesmo após repouso ou desequilíbrios, pode ser alguns dos indicadores do início desta patologia. Nesse caso há que consultar um médico de família, para que possa ser encaminhado para um especialista.

«A EM é uma doença de difícil diagnóstico, que deve ser efetuado por um neurologista experiente, após excluir outras doenças similares, através de exames de diagnóstico complementares, como a ressonância magnética», alertou.

Já há tratamentos que ajudam a travar a progressão da doença e a diminuir os surtos (momentos em que há um agravamento de um sintoma ou aparecimento de um novo, por mais que um dia), e um tratamento para a marcha, que não resulta em todos os doentes. «Outros sintomas como a dor, depressão, alterações urinárias, são tratados da mesma forma de outras patologias que têm esses sintomas em comum». Continua a haver investigação na área da regeneração da mielina e das células nervosas, mas falta descobrir as causas da doença.

Resta agora ajudar a escolher a melhor curta, estando marcada a divulgação dos vencedores da 2ª Edição do Prémio EM Curtas para o dia 27 de maio, no Dia Mundial da Esclerose Múltipla.

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