Panturrilhas fortes podem evitar trombose: 8 dicas para potencializar o treino.

 27 jan 2022

Musculatura é fundamental para o retorno venoso do organismo e funciona como um segundo coração. 

Saiba como ganhar panturrilhas.

As panturrilhas, popularmente conhecidas como "batatas da perna" também recebem o carinhoso e importante apelido de "segundo coração". Isso porque ela é a musculatura responsável por bombear o sangue das pernas de volta para o coração, atuando contra a gravidade.


Dessa maneira, ter panturrilhas fracas e pouco estimuladas pode ser algo extremamente perigoso. Afinal, isso pode comprometer o sistema vascular do organismo e provocar inúmeros problemas de saúde, como dores, inchaço, varizes e trombose. Além disso, uma musculatura bem trabalhada nessa região também gera um ganho estético considerável, evitando aquela típica sensação de canela fina.


Por isso, com a ajuda do treinador Leandro Twin, separamos oito dicas simples e importantes para ganhar panturrilhas na academia. 


Confira:


1 - Fazer dezenas de repetições não vai ajudar

"Não treine diferente de outros grupos musculares em termos de repetições. A hipertrofia vai acontecer muito bem fazendo em torno de 6 a 12 movimentos. Eu vejo pessoas fazendo 50 repetições em exercícios de panturrilha, esse ácido láctico não vai gerar hipertrofia a mais", afirma Twin.


2 - Faça movimentos completos

"Você não faz um meio supino e espera uma boa hipertrofia do peitoral. Portanto, faça o movimento de panturrilha o mais completo possível. Sinta-a alongar bastante", recomenda.


3 - Execute os exercícios com cadência e sem pressa

"Não faça o treinamento de panturrilha em uma velocidade rápida. Nada se treina assim. Ou, pelo menos, não deveria. Portanto, faça o movimento lento. Você pode usar o movimento explosivo na fase concêntrica [quando o músculo contrai], e dois ou três segundos na fase excêntrica [quando a musculatura é alongada]", explica o treinador.


4 - Certifique-se de que as panturrilhas estão devidamente alongadas

"Muitas pessoas não conseguem fazer o movimento completo - o movimento da panturrilha já é mais curto - simplesmente por falta de flexibilidade, o que não acontece em outros músculos, então trabalhe flexibilidade com séries de alongamento". Nesse caso, vale a pena consultar um profissional de educação física, para que ele analise o seu movimento e indique um trabalho personalizado.


5 - Aumente a frequência sem exagerar

Nem muito, nem pouco. Tenha equilíbrio. De acordo com Twin, o ideal é trabalhar as panturrilhas duas vezes por semana. "Não precisa mais do que isso em um treinamento bem executado", afirma.


6 - Intercale exercícios de pé e sentado

Quando trabalhamos as panturrilhas com o corpo sentado, acontece um estímulo mais elevado para um músculo interno que, apesar de não ser visível, também é importante. "Ele pressiona os outros [músculos] que estão mais próximo da superfície, aumentando o seu diâmetro", revela Twin.


7 - Priorize as panturrilhas

"Faça panturrilha primeiro no seu treinamento. Nessa fase da periodização nós queremos priorizá-las, então comece por elas", recomenda o treinador.


8 - Consulte seu professor e faça técnicas avançadas

"Uma delas é o FST-7, que consiste em realizar um alongamento do músculo trabalhando entre as séries. Dessa forma, você mantém uma pausa ativa. Essa técnica vai focar hipertrofia e flexibilidade (como sugeri no item 4)", finaliza Twin.

Mulher descobre doença ao "ficar cega" toda vez que toma banho quente

   11/01/2022 

Esse distúrbio visual foi o primeiro sinal de ESCLEROSE MÚLTIPLA.

Samantha Stevens, de 37 anos, diagnosticada com ESCLEROSE MÚLTIPLA.


Uma mulher perdia a visão sempre que tomava banho e esse distúrbio visual foi o primeiro sinal de esclerose múltipla.


Samantha Stevens, 37 anos, mora em Newton-le-Willins, no Reino Unido. Ela descobriu ter esclerose múltipla redicivante, uma condição neurológica incurável que envolve o sistema imunológico e ataca os nervos do cérebro e da medula espinhal.


A doença geralmente causa cansaço, problemas de visão e problemas de equilíbrio ou caminhada.

 Mas, no caso de Samantha, manifestou-se com cegueira sempre que sua temperatura corporal subia muito. 

Ela perdia completamente a visão de um olho sempre que tomava um banho quente e durante os dias quentes de verão.


Em entrevista ao jornal Liverpool Echo, a britânica contou que a doença já havia sido diagnosticada em outro membro de sua família, o que a deixou ainda mais apreensiva.


"Minha filha tinha um ano quando eu descobri a perda de visão em um dos meus olhos, e a esclerose múltipla passou apresentar distúrbios visuais com bastante frequência", relembrou. "Minha tia lutou com esclerose múltipla por um longo tempo e ela chegou ao ponto em que perdeu a mobilidade em seus braços e pernas e eu vi isso crescendo. Então, meu primeiro pensamento foi 'oh não, eu vou acabar de cama' como muitas outras pessoas".


Fazendo tratamento há dez anos, Samantha está aprendendo a lidar com os efeitos da doença. "Fiz uma ressonância magnética e uma punção lombar para confirmar o diagnóstico. Ainda há muitos sintomas invisíveis. Se tomo banho quente, perco a visão. No verão, se estiver muito quente, também deixo de enxergar", explicou.


 "Tenho sorte que quando minha temperatura central volta ao normal eu recupero minha visão".


Samantha também enfrenta o desafio de cuidar de suas duas filhas sozinha, apesar de sua condição progredir ainda mais, exigindo que ela use uma bengala. "Na maioria das vezes, com as recaídas, o sistema imunológico se regenerava de qualquer problema, mas agora que estou no estágio progressivo da minha doença, não há nenhum reparo", lamentou.

FONTE:https://glamour.globo.com/lifestyle/noticia/2022/01/mulher-descobre-doenca-ao-ficar-cega-toda-vez-que-toma-banho-quente.ghtml




Ela correu São Silvestre após ouvir “que só ficaria pior” com a Esclerose

04/01/2022
Michelle ouviu que “ficaria cada vez pior com a doença”, mas escolheu viver um dia de cada vez e ser feliz
Michelle agradecendo durante corrida na São Silvestre 2021, em São Paulo. 

Se há dois anos alguém falasse sobre a esclerose múltipla ou questionasse a doença de Michelle Chiarello, certamente ela responderia com a voz embargada ou chorando. Hoje, é com sorriso no rosto que ela fala e acolhe pessoas que vivem o mesmo desafio: o de ser feliz após o diagnóstico.

Campo-grandense de coração, que viveu aqui durante 28 anos, ela narra a superação vivida no dia 31 de dezembro, quando conseguiu correr 15 km da tradicional São Silvestre em São Paulo. O trajeto cumprido representou não só a força que ela busca diariamente, mas também a chance que ela deu para a vida sem levar em consideração as tristes palavras que ouviu pelo caminho.

O diagnóstico de esclerose foi em 2015 quando Michele cursava Enfermagem. 

Os sintomas apareceram com a dificuldade para enxergar. “Eu enxergava tudo duplo. Fui ao oftalmologista ele me disse que na parte ocular não tinha nada e fui encaminhada ao neurologista. Com a ressonância magnética foi identificada as lesões”.

Daquele momento em diante Michelle viveu um período de susto. “Imagina como é receber um diagnóstico sendo mãe de dois filhos, que tinham 12 e 9 anos na época. 

Eu tinha medo de perder os movimentos, afinal, é uma doença que a gente não sabe o que pode acontecer”. 
Michelle correu com balões que levavam nomes de pessoas especiais.

Michelle iniciou o tratamento com as primeiras injeções. Na primeira tentativa houve perda de força no braço e foi necessário trocar medicação. Ela tinha consciência que remédio algum traria a cura, mas seria possível estabilizar a doença.

Em uma nova troca de medicações, Michelle sofreu com um período longo de efeitos colaterais, que iam de náuseas a convulsões. “Apesar das reações adversas, meu médico autorizou o pilates. Comecei a fazer atividade física e parti para a caminhada, musculação, até que fui chamada para participar de um grupo de corrida”.

O que ela suspeitava que fossem poucos metros virou 15 quilômetros, conquistado na última São Silvestre. Michele correu com balões amarrados no corpo. Em um deles ela agradecia à família e os amigos que a ajudaram durante todo o processo. Outro era um agradecimento a Deus e também à associação que faz parte.

Ao tentar descrever a emoção vivida, Michelle fica com a voz embargada de felicidade, não só pela corrida, mas por ter vencido quando um dia ouviu que não iria tão longe.

“Quando tive algumas complicações e fui aposentada, eu ouvi de um médico que eu ficaria cada vez pior. Eu não melhorei da doença, mas estou estabilizada. Então durante a corrida lembrei muito desse médico e de como não estou pior como ele mencionou”, diz.

Por isso, além da atividade física e dos tratamentos com medicações, Michelle faz acompanhamento psicológico e se dedica hoje a falar com  pessoas recém-diagnosticadas ou que vivem com a doença há tempo.

Como presidente da Associação de Esclerose Múltipla de Florianópolis, ajudamos e orientamos pacientes que estão no começo da doença. E falar hoje me fortalece muito. 

A doença traz um medo gigantesco do futuro e eu tiro muitos mitos para que todos possam continuam vivendo”.

Retrospectiva 2021: a saúde mental no foco das atenções.

22/12/2021

Piora da pandemia causada pelo alastramento da Gama, que chegou ao pico em março, intensificou sentimentos como medo e solidão

Pandemia ampliou sentimentos de ansiedade, mas não levou à elevação generalizada nos diagnósticos de problemas mentais


Ainda no começo de 2021, quando a população já apresentava sinais de desgaste em razão dos meses de limitações provocadas pela pandemia surgida no ano anterior, uma nova onda de coronavírus impôs ainda mais pressão sobre o equilíbrio psicológico dos brasileiros. Depois de quase um ano de distanciamento e restrições de atividades, a disseminação da variante Gama — que seria seguida pela Delta e agora pela Ômicron — e o aprofundamento da crise econômica seguiram testando os nervos de qualquer um e exigem a adoção de cuidados com a saúde mental.


A piora da pandemia causada pelo alastramento da Gama, que chegou ao pico em março no Rio Grande do Sul, intensificou sentimentos como medo e solidão. Análises indicam, porém, que o impacto desse sofrimento adicional foi bastante variado entre diferentes perfis demográficos — os profissionais de saúde estiveram entre os mais afetados por distúrbios.


Psiquiatra, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro de um grupo de pesquisa que desenvolveu estudos sobre o impacto do vírus, Ives Cavalcante Passos afirma que o prolongamento da pandemia ampliou sentimentos de ansiedade entre a população, mas não chegou a ser detectada uma elevação generalizada nos diagnósticos de problemas mentais. 


— Pode aumentar o nível de ansiedade, mas não necessariamente desenvolver uma doença. Quem estava sob risco de perder o emprego, população de baixa renda, idosos e profissionais de saúde é que foi mais impactado — observa Passos. 


Um estudo publicado em abril na revista Lancet Psichyatry, com dados do ano anterior, mostrou que nos meses iniciais da pandemia não houve aumento em taxas de suicídio em um conjunto de 21 países pesquisados (incluído o Brasil) — embora o trabalho alerte que alguns efeitos do sofrimento provocado pelo coronavírus podem ser percebidos apenas em prazo mais longo. 


Até o momento, o cenário varia conforme as características da população analisada. Um trabalho assinado por Passos e outros pesquisadores aponta que um dos grupos mais afetados foi o de profissionais da saúde. Entre eles, o choque de testemunhar em primeira mão os efeitos do vírus duplicou os casos de pessoas que cogitaram tirar a própria vida. Outro trabalho, publicado nos EUA, indicou maior dano psicológico aos negros possivelmente por apresentarem, em média, piores condições socioeconômicas.


Pode aumentar o nível de ansiedade, mas não necessariamente desenvolver uma doença. Quem estava sob risco de perder o emprego, população de baixa renda, idosos e profissionais de saúde é que foi mais impactado


O texto também aponta caminhos para aliviar o fardo de conviver com o vírus. Embora o avanço da vacinação tenha reduzido em cerca de 95% a mortalidade entre o pico da pandemia e as últimas semanas no Rio Grande do Sul, e a tendência seja de retomada progressiva de uma vida mais próxima do normal em 2022, especialistas ressaltam que é improvável a erradicação da doença.


Por isso, seguirá sendo importante dar atenção especial à saúde mental. Uma das melhores formas de fazer isso é mantendo contato — mesmo que virtual — com outras pessoas.


— O nosso trabalho mostrou que não é o distanciamento físico que está associado ao aumento da ideação suicida, mas sim a solidão, que é a sensação subjetiva de estar sozinho — esclarece o psiquiatra.


Ives Passos lembra que até mesmo o processo de retomada da antiga rotina pode gerar algum nível de estresse e ansiedade. Para isso, também podem ser úteis recursos como a prática de alguma atividade física, meditação e organização da rotina com algum horário reservado exclusivamente para lazer. 


Algumas recomendações


Procure manter contato com outras pessoas, sempre respeitando as normas de segurança sanitária

Se não for possível ou seguro manter contato direto com outras pessoas, estabelecer relações por meios virtuais, como telefone, computador, redes sociais e aplicativos também tem efeito positivo sobre a saúde mental

Organize sua rotina prevendo algum tempo para atividades de lazer diariamente

Atividades como prática de esportes e meditação são úteis para reduzir os níveis de estresse e ansiedade

Tristeza e ansiedade moderada são diferentes de depressão, e podem ajudar a lidar com situações ruins que ocorreram ou que podem ocorrer. Mas, quando surgem sintomas mais intensos como falta de energia, insônia, dificuldade para se alimentar, que se prolongam por pelo menos duas semanas, é preciso buscar auxílio especializado

Dezembro Laranja: confira dicas para proteger-se do sol e prevenir o câncer de pele.

 17/12/2021

Campanha busca conscientizar sobre fatores de risco que levam ao tumor mais frequente no Brasil; cuidados devem ser mantidos durante o ano inteiro, alertam especialistas

Protetor solar é o principal aliado para a prevenção da doença


Nos últimos meses, o cirurgião Ronaldo Oliveira, do Núcleo de Oncologia Cutânea do Grupo Oncoclínicas Porto Alegre, percebeu em seu consultório não somente um aumento de diagnósticos de câncer de pele, mas também uma elevação de casos agravados. Isso porque, com medo de contrair o coronavírus, muitos pacientes já diagnosticados postergaram o procedimento médico que deveria ter sido feito ainda em 2020. E, pelo mesmo motivo, outras pessoas deixaram de realizar exames de prevenção.  


— Lido com tumores da face, então havia casos de lesões nasais e de orelha, por exemplo, que antes da pandemia eram pequenas, e, pela espera dos pacientes para o tratamento, evoluíram para tumores que levaram a uma maior mutilação local — conta o especialista, que também é diretor da DermaOnco - Cirurgia e Oncologia Cutânea.


A redução na procura por atendimentos de dermatologia preventiva citada por Oliveira já havia sido alertada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) no ano passado, quando dados mostraram uma queda de 48% entre janeiro e setembro de 2020, na comparação com 2019. Novos números divulgados pela entidade confirmam a preocupação anterior: no primeiro ano de pandemia no Brasil, foram realizados 17.227 diagnósticos a menos de câncer de pele do que em 2019 — 24,7% a menos.  


De acordo com a SBD, nos primeiros seis meses de 2021, notou-se uma retomada gradual no volume de atendimentos. Entretanto, os números seguem inferiores aos registrados antes da chegada do coronavírus. Para o cirurgião do Oncoclínicas, a diminuição nos índices da pandemia e a chegada de um verão com menos restrições têm impulsionado o retorno na procura por especialistas da área, o que também impacta na detecção de novos casos.  


Além de chamar a atenção para o problema decorrente da pandemia, os dados divulgados pela SBD marcaram o início da campanha Dezembro Laranja, organizada pela entidade desde 1999 com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos da doença e estimular hábitos de prevenção. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil, correspondendo a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. A estimativa é de que, somente no ano passado, 185.380 novos casos da doença tenham sido diagnosticados, sendo 176.930 carcinomas e 8.450 melanomas.  


Com a mensagem central "Adicione mais fator de proteção ao seu verão", a campanha deste ano tem como foco principal a prevenção ao câncer de pele, mas, segundo o dermatologista Fabiano Siviero Pacheco, coordenador do Dezembro Laranja na SBD-RS, medidas de proteção contra o coronavírus, como uso de máscara e distanciamento, também serão destacadas.  


Tipos de tumor  


Carcinomas: também chamados de não melanomas, representam cerca de 90% dos casos. Em geral, tendem a ser menos letais do que os melanomas, com baixo índice de metástase e grande chance de cura se descobertos precocemente.  

Melanomas: mais raro, é o câncer de pele que vem de pintas, manchas e sinais, podendo ser detectado em qualquer parte do corpo. É o tipo mais grave, devido ao grande potencial de provocar metástase, e que causa mais mortes. 


Radiação solar não existe só na beira da praia  


Raro em crianças e em negros, o câncer de pele é mais comum em pessoas acima dos 40 anos, de pele clara e sensíveis à ação dos raios solares — que tiveram, por exemplo, muitas queimaduras ao longo da infância e adolescência. Histórico pessoal ou familiar desses tumores, doenças cutâneas prévias e uma quantidade muito grande de pintas pelo corpo também estão entre os fatores de risco.  


O dermatologista Fabiano Siviero Pacheco explica que os indivíduos que têm os fototipos mais baixos de pele (saiba mais abaixo), com menos resistência aos raios solares, são os que apresentam maior chance proporcional de desenvolver câncer de pele no decorrer da vida, em decorrência da exposição ao principal fator determinante: o sol.  


— Sol é radiação, uma radiação que não vemos, mas existe no dia a dia das pessoas, não só quando estamos na beira da praia ou da piscina. É o sol que acumulamos a vida inteira, no deslocamento diário para a escola, para o trabalho, na caminhada de lazer. Tudo isso vai se somando, é algo progressivo. Por isso, é muito mais frequente à medida que a idade avança — destaca.  


Apesar da frequência maior em pessoas mais velhas, o Inca alerta que a constante exposição de jovens aos raios solares tem diminuído a média de idade dos pacientes diagnosticados com a doença. O cirurgião Ronaldo Oliveira diz que, desde 2012, estudos vem mostrando um aumento de casos entre pessoas na faixa dos 30 anos, o que classifica como um resultado da exposição precoce de crianças e adolescentes ao sol.  


Fototipos de pele, conforme a escala Fitzpatrick 


Pele branca: sempre queima – nunca bronzeia – muito sensível ao sol; 

Pele branca: sempre queima – bronzeia muito pouco – sensível ao sol; 

Pele morena clara: queima moderadamente – bronzeia moderadamente – sensibilidade normal ao sol; 

Pele morena moderada: queima pouco – sempre bronzeia – sensibilidade normal ao sol; 

Pele morena escura: queima raramente – sempre bronzeia – pouco sensível ao sol; 

Pele negra: nunca queima – totalmente pigmentada – insensível ao sol. 


Região Sul tem índices altos  


Considerando o alto índice de câncer de pele entre brasileiros, o dermatologista Fabiano Siviero Pacheco afirma que a região sul do Brasil concentra uma grande parcela dos casos de forma proporcional. Isso ocorre, principalmente, por causa do tipo de pele mais claro que predomina entre os residentes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, uma herança da colonização europeia:  


— Geralmente, a pele mais clara é mais sensível quando comparada à pele dos residentes do nordeste e norte do país, porque a deles é mais escura e mais resistente à exposição aos raios solares. Nós temos também a exposição sazonal, devido às estações bem divididas, então a pessoa tem menos tempo para se expor ao sol e acaba se queimando mais.  


Ronaldo Oliveira acrescenta que é um hábito do gaúcho ir para o Litoral nas férias e que, no Sul, a camada de ozônio é um pouco mais tênue e, por isso, os raios ultravioletas são muito intensos durante o verão.


Cuide-se!


Os especialistas são taxativos: há sol o ano inteiro e uma pele exposta aos raios solares precisa de proteção. Portanto, os cuidados não podem ser tomados somente durante o verão.


Protetor solar  


Aplique produtos com fator de proteção solar (FPS) 30 ou superior diariamente. O produto escolhido deve proteger contra os raios UVA (indicado pelo PPD) e UVB (indicado pelo FPS). A recomendação é passá-lo 30 minutos antes da exposição solar, para que a pele absorva. Lembre-se de distribuí-lo uniformemente em todas as partes de corpo, incluindo mãos, orelhas, nuca e pés.  


A reaplicação é sempre necessária e muito importante, salienta o dermatologista Fabiano Siviero Pacheco: 


— O protetor solar não vai durar o dia inteiro. Se a pessoa colocou às 7h30min para ir ao trabalho e ao meio-dia vai almoçar e se expõe ao sol, ela já está sem uma proteção adequada. Então, a cada duas horas ou quando a pessoa fizer uma atividade física e transpirar bastante ou quando for mergulhar no mar ou na piscina, precisa fazer a reaplicação.  


Proteções físicas

  

Há barreiras físicas que podem ser adicionadas para aumentar a proteção. Entre as opções, estão as roupas que protegem dos raios solares. O indicado é dar preferência a camisetas de manga comprida e bermudas maiores, para que se tenha menos áreas expostas.  


Óculos escuros, chapéus, bonés, guarda-sóis e até mesmo sombras naturais também são aliados importantes para o momento de exposição ao sol. Entretanto, Fabiano Siviero Pacheco destaca que ficar na sombra de biquíni, por exemplo, sem protetor solar, não é o suficiente: 


— Na beira da praia, a pessoa tem uma superfície reflexiva, que é a areia. Então, o raio do sol bate na areia e acaba voltando em direção à pessoa que está embaixo do seu guarda-sol.


Além disso, mesmo que o sol esteja entre nuvens ou não apareça, não significa que a radiação não está chegando à superfície. Mormaço também queima, alerta o dermatologista.


Evite o período das 10h às 16h


A radiação ultravioleta B tem um pico de concentração entre 10h e 16h. Por isso, os especialistas recomendam que se evite exposição ao sol neste período ou se tome um cuidado ainda maior. Ronaldo Oliveira admite que, durante as férias na praia, por exemplo, é muito difícil evitar a beira neste horário. Então, é necessário adotar outras medidas para se proteger da radiação solar, como o uso de protetor, guarda-sol, óculos e chapéu. 


— Se for entrar no mar, tente não ficar muito tempo e, ao voltar para a areia, reaplique o protetor solar. Se costuma queimar mais os ombros, coloque uma camiseta para se proteger mais ou invista em um protetor com fator mais alto — orienta o cirurgião.


Autoexame e check-up

Pessoas que não apresentam fatores de risco devem realizar check-up dermatológico a partir dos 30 anos, anualmente, a fim de verificar a presença de manchas, pintas e demais sinais que podem indicar câncer de pele. Caso contrário, a procura por um especialista precisa ocorrer um pouco antes.  


Também é possível realizar o autoexame, utilizando o sistema ABCDE, que indica os sinais de perigo que precisam ser analisados em pintas, manchas e sinais que surgirem no corpo. Ronaldo Oliveira destaca que o paciente não tem obrigação de diagnosticar a doença, mas sim de desconfiar de lesões, pois é dono da própria saúde: 


— Feridas que não cicatrizam e pintas que surgiram devem ser um alerta para procurar um médico.

“ABCDE” – Regras para identificação dos sinais de perigo

      A              B              C             D                E

Assimetria 

Borda(bordas irregulares)

Cor(tons de pretos, escuro, várias colorações)

Diâmetro(maior que 5 milímetros)

Evolução(mudança de tamanho, forma e cor)

FONTE:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2021/12/dezembro-laranja-confira-dicas-para-proteger-se-do-sol-e-prevenir-o-cancer-de-pele-ckxao8isr006a015pfbtb8cdb.html


Pacientes com ESCLEROSE MÚLTIPLA terão atendimento especializado em Santos.

 17/12/21

Doença autoimune acomete cerca de 400 santistas, de acordo com a Alsapem

Pacientes com esclerose múltipla terão atendimento especializado no Ambesp


A Prefeitura de Santos divulgou nesta quinta-feira (16) que a partir de janeiro, a Cidade terá um ambulatório especializado no tratamento da esclerose múltipla, que funcionará no Ambesp Nelson Teixeira (R. Dr. Manuel Tourinho, 397 - Macuco). Serão atendidos pacientes avaliados e encaminhados pelas policlínicas, cujas equipes serão preparadas para a identificação dos sinais e sintomas e encaminhamento ao neurologista, médico responsável por solicitar exames e iniciar o tratamento.


Se necessário, o paciente também será atendido por outros especialistas e será acompanhado pelo Centro Especializado em Reabilitação, unidade voltada à recuperação motora. O lançamento oficial do ambulatório fará parte das comemorações do 476º aniversário de Santos.


A Esclerose múltipla e é uma doença autoimune que acomete cerca de 400 santistas, de acordo com estimativa da Associação do Litoral Santista de Amigos e Portadores de Esclerose Múltipla (Alsapem), parceira da Prefeitura na iniciativa. Porém acredita-se que este número seja maior, uma vez que pode haver pessoas sem o diagnóstico.


O objetivo da linha de cuidado que está sendo criada pela Secretaria de Saúde é permitir o diagnóstico precoce da doença e garantir mais qualidade de vida aos pacientes, já que a esclerose múltipla não tem cura. Para controlá-la e evitar surtos, como são chamadas as crises com sintomas novos ou antigos, é necessário tomar medicamentos contínuos e fazer exames periodicamente.


“Há pessoas que, além de conviver com a esclerose múltipla, apresentam sequelas da doença e isso por vezes ocorre pelo diagnóstico tardio. Não queremos que essa situação ocorra com outras pessoas. Por isso, vamos capacitar as equipes e oferecer este atendimento diferenciado pelo SUS, com foco no diagnóstico precoce. Este ambulatório é uma grande conquista da nossa Cidade”, destaca a vice-prefeita, Renata Bravo.


O secretário de Saúde de Santos, Adriano Catapreta, recebeu representantes da Alsapem na última quarta-feira (15) para afinar os detalhes do funcionamento do serviço.


“Acreditamos em uma gestão participativa, por isso, para a criação deste serviço, ouvimos pessoas que convivem com a esclerose múltipla, que conhecem os desafios impostos pela doença e que, principalmente, entendem a necessidade deste novo serviço e colaboraram com sugestões”.


FONTE:https://www.diariodolitoral.com.br/santos/pacientes-com-esclerose-multipla-terao-atendimento-especializado-em/152059/


Esclerose Múltipla prevalece em lugares frios e os sintomas dependem de onde ocorre a lesão...

 14/12/2021

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que atinge o cérebro, os nervos ópticos e a medula espinhal.

O sistema imunológico ataca a camada protetora que envolve os neurônios, chamada mielina, e atrapalha o envio dos comandos do cérebro para o resto do corpo. Esse processo é chamado de desmielinização.


Entre os fatores de risco da esclerose múltipla, existem alguns que são genéticos e que podem estar relacionados à causa da doença. Mas há fatores de risco que são ambientais, tais como infecções virais (herpesvírus ou retrovírus); exposição ao sol insuficiente, o que leva a ter níveis baixos de vitamina D por tempo prolongado; exposição a solventes orgânicos; tabagismo; obesidade.


A doença pode apresentar os mais diversos sintomas possíveis, porque as lesões desta patologia, conhecidas como placas e desmielinização, podem ocorrer em vários níveis da medula, do tronco cerebral ou do encéfalo. Portanto, dependendo do local onde essas placas são formadas, o sintoma pode se apresentar de formas diferentes.


As pessoas portadoras de Esclerose Múltipla podem ter:


Dores locais: nos olhos


Dores circunstanciais: com o movimento dos olhos ou nas costas ao acenar com a cabeça


Nos músculos: dificuldade para caminhar, fraqueza muscular, incapacidade de mudar rapidamente os movimentos, músculos rígidos, problemas de coordenação, rigidez muscular, espasmos musculares ou reflexos hiperativos


No corpo: fadiga, falta de equilíbrio, intolerância ao calor, tontura ou vertigem


No trato urinário: desejo persistente de urinar, incontinência urinária, micção excessiva durante a noite ou retenção urinária


Sensorial: formigamento, formigamento e queimação desconfortável ou redução na sensação de tato


Na visão: perda de visão, visão dupla ou visão embaçada


Na fala: dificuldade de fala ou fala arrastada


No humor: ansiedade ou mudanças de humor


No sexo: disfunção erétil ou disfunção sexual


Também é comum: constipação, dificuldade em engolir, dificuldade em pensar e compreender, dor de cabeça, dormência na língua, dormência no rosto, movimento rápido involuntário dos olhos, privação de sono ou tremor durante movimentos precisos


Mas podemos dizer que os sintomas mais frequentes são alteração na marcha do ser humano e fraqueza muscular.


Em lugares muito frios, com pouca prevalência do sol, a esclerose múltipla é extremamente prevalente, com mais de 200 casos por 100 mil habitantes. No Brasil, estima-se 40.000 casos, uma incidência média de 15 casos por 100.000 habitantes, sendo a maioria jovens.


A população global do planeta de pacientes com esclerose múltipla é de aproximadamente 2,5 milhões de pessoas, sendo mais frequente nos jovens entre 20 e 40 anos, principalmente mulheres.


Ainda não foi encontrada a cura para a doença, mas, além dos medicamentos utilizados para o controle, também podemos aderir a outros tratamentos para o controle e preservação da qualidade de vida do ser humano.


A inteligência neuromuscular atrelada à medicina humanista e interdisciplinar, centralizada no ser humano, é uma das opções de tratamento para a doença. Este tratamento conta com a união de diversos profissionais qualificados e de áreas complementares da saúde, atuando, juntos, na reabilitação de cada paciente de acordo com o histórico, a necessidade e a patologia. São especialistas nos ramos da psiquiatria, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, musicoterapia, educação física e terapia educacional.   


* Dr. Beny Schmidt.Beny Schmidt é médico patologista neuromuscular, fundador do centro de reabilitação Brazilian Medical Partners e chefe do Laboratório de Patologia Neuromuscular e professor adjunto de Patologia Cirúrgica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).


FONTE:https://www.odebate.com.br/saude-beleza/esclerose-multipla-prevalece-em-lugares-frios-e-os-sintomas-dependem-de-onde-ocorre-a-lesao.html?fbclid=IwAR0tZCMQ3yBWerKSM0PHH8sfQhAMn0sgW6sqrZnMbgAbQmGHKDYVEFbqSWk

Medicamento teriflunomida mostra benefícios em crianças com Esclerose Múltipla

 30 Novembro 2021 

Existem poucas opções para tratamento da esclerose múltipla e a maioria das terapias para a doença não foi testada em crianças. 

Uma condição de saúde em que o sistema imunológico ataca a cobertura protetora dos nervos no cérebro e na medula espinhal.

Medicamento teriflunomida mostra benefícios em crianças com esclerose múltipla

Uma equipa internacional de investigadores, incluindo investigadores do Massachusetts General Hospital (MGH), conduziu um ensaio clínico de fase 3, randomizado e duplo-cego para examinar a segurança e eficácia da teriflunomida, um medicamento imunomodulador oral aprovado em mais de 80 países para o tratamento de formas recorrentes de esclerose múltipla em adultos. 

Os resultados do ensaio que já foram publicados na revista científica Lancet Neurology, conduziram que a teriflunomida tenha sido aprovada pela Comissão Europeia para crianças de 10 a 17 anos com diagnóstico de esclerose múltipla recorrente remitente.


No ensaio, 109 crianças receberam teriflunomida e 57 um placebo durante quase dois anos. A entrada precoce numa fase de extensão aberta (onde os pacientes tinham garantia de receber teriflunomida) foi possível antes do final do período duplo-cego para pacientes que tiveram uma recaída ou demonstraram alta atividade da doença em testes de imagem de ressonância magnética. Mais de metade dos pacientes no grupo de placebo entraram na fase de extensão aberta (por causa da alta atividade de ressonância magnética) do que o previsto, com 26% dos pacientes a mudar de placebo para teriflunomida antes das 96 semanas.


Após 96 semanas, não houve diferença no tempo até a primeira recidiva clínica da esclerose múltipla com teriflunomida em comparação com o placebo. A teriflunomida foi bem tolerada – eventos adversos graves ocorreram em 11% dos pacientes no grupo da teriflunomida e 11% dos pacientes no grupo do placebo. Inflamação nasal, infeção do trato respiratório superior, perda de cabelo, sensação de formigamento, dor abdominal e aumento da creatina fosfoquinase (um marcador de lesão muscular) foram mais frequentes com a teriflunomida do que com o placebo.


“O estudo não atingiu seu objetivo primário – atrasar o tempo até a próxima recaída clínica – possivelmente por causa de mudanças mais frequentes para o braço aberto devido à alta atividade de ressonância magnética. 


No entanto, o estudo atendeu a vários desfechos secundários importantes relacionados à capacidade da teriflunomida de reduzir o número de novas lesões ou aumentadas detetadas por meio de ressonância magnética, sugerindo que a medicação pode ter efeitos benéficos em crianças com formas recorrentes de esclerose múltipla ”, disse Tanuja Chitnis, autora principal do estudo e investigadora no MGH.


FONTE:https://www.tveuropa.pt/noticias/medicamento-teriflunomida-mostra-beneficios-em-criancas-com-esclerose-multipla/

Argentina entrega primeiros lotes de óleo de canabidiol produzidos no país.

 05/10/2021

A empresa argentina Cannava, estatal da província de Jujuy, entregou nesta segunda-feira os 50 primeiros frascos de óleo de canabidiol produzidos no país, que serão destinados a um grupo de pacientes neurológicos do Hospital Zavala, na cidade de Perico. 

Este óleo de canabidiol, também chamado de CBD 10, será vendido em todas as farmácias da província sob receita médica a partir de novembro. Os primeiros 50 pacientes a receber este remédio fazem parte de um programa inventivado pelo Ministério da Saúde provincial em 2017, quando Jujuy sancionou sua própria lei de maconha medicinal.

Todos os integrantes do programa sofrem de epilepsia refratária e outras doenças neurológicas, como ESCLEROSE MÚLTIPLA, motivo pelo qual receberão óleo de canabidiol gratuitamente pelo resto da vida com "acompanhamento médico permanente" do Hospital Zabala. 

No ato de entrega deste primeiro lote de óleo de canabidiol, o governador da província de Jujuy, Gerardo Morales, afirmou que a províncial comercializará o CBD, por todo o país entre março e abril de 2022, quando conseguir as autorizações dos órgãos reguladores.

"Todos os processos que temos do nosso laboratório piloto foram autorizados pela Anmat (Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica). 

Não há tiro no escuro ou improvisação, há um trabalho científico e tecnológico maduro, que está nos melhores níveis de produção de medicamentos do mundo", disse Morales. 

Segundo o governador, o canabidiol "cumpre todos os regulamentos da União Europeia", por isso começará a ser exportado tanto para a Europa como para outros países da região "quando houver uma produção maior". O chefe do governo provincial disse que dentro de poucos dias terá as licenças para expandir de 35 para 600 hectares de cultivo, o que gerará cerca de 2.000 empregos adicionais.

"A agenda da maconha para fins medicinais é também uma agenda global, é uma agenda que tem a ver com o desenvolvimento científico e tecnológico, e é aí que estamos na linha da frente", destacou Morales. 

LEGISLAÇÃO NA ARGENTINA. 

Em 3 de junho, o governo do presidente Alberto Fernández apresentou ao Congresso um projeto de lei para fornecer um marco regulatório para o desenvolvimento da indústria de maconha medicinal e cânhamo industrial, com o objetivo de impulsionar a produção, emprego e exportações no setor.

A lei visa fornecer um marco regulatório para o investimento público e privado em toda a cadeia médica da cannabis e complementar a Lei 27.350, aprovada em 2017, que já autoriza o uso terapêutico e paliativo da maconha no país. 

No dia 12 de novembro, o governo argentino oficializou o regulamento que permite o autocultivo da maconha medicinal em todo o país, assim como a produção e distribuição em farmácias de óleos e cremes. 

Segundo o governo, o potencial econômico da maconha medicinal e do cânhamo industrial até 2025 é de 10 mil novos empregos (20% deles em pesquisa, desenvolvimento e inovação), US$ 500 milhões em vendas internas anuais e US$ 50 milhões em exportações anuais. EF.

FONTE:https://economia.uol.com.br/noticias/efe/2021/10/05/argentina-entrega-primeiros-lotes-de-oleo-de-canabidiol-produzidos-no-pais.htm

Os benefícios da caminhada, exercício acessível capaz de reduzir o risco de morte

 01/10/2021

Além de prazerosa, a atividade traz uma infinidade de benefícios à saúde global

Caminhada é traço fundamental no processo evolutivo


Para economizar energia ao percorrer distâncias maiores, os seres humanos passaram a andar sobre os dois pés, com as pernas estendidas e a coluna ereta. O que, hoje, soa óbvio, não era tão lógico assim há cerca de 3,6 milhões de anos, época na qual, segundo estudos, apareceram os primeiros bípedes que se tem conhecimento.  


Graças a essa evolução, os seres humanos passaram a poupar muita energia.   

O segredo desta economia está na postura ereta e bipedal que adotamos ao caminhar, oscilando o corpo para cima e para baixo e, assim, otimizando o mecanismo pendular. Dessa forma, poupamos até 70% de energia. 


 —  A caminhada é um traço comportamental fundamental no processo evolutivo. É altamente funcional, pois, durante milhões de anos nosso organismo se adaptou para realizar esse tipo de movimento. Simplificando: é algo que somos preparados evolutivamente para fazer, por isso é tão prazeroso  —  diz Leonardo Tartaruga, professor da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Esefid/ UFRGS). 


Nesse trajeto de milhões de anos, a caminhada também se desenvolveu: foi deixando para trás o aspecto exclusivo de sobrevivência e, mais recentemente, ganhou ares de exercício físico. A partir dessa nova percepção, cresceu o interesse em investigar a atividade e seus benefícios para a saúde, resultando em inúmeros estudos. 


Um dos mais recentes, publicado no começo de setembro, associou a quantidade de passos por dia à mortalidade. Mas esse não é o único. Pelas bibliotecas virtuais, há uma infinidade de pesquisas que analisam os mais diversos pontos dessa atividade básica, simples e essencial na existência humana.  

O que melhora? 

Acessível e democrática, a caminhada oferece diversos benefícios para a saúde física: melhora o transporte de oxigênio pelo corpo, a força do coração e o fluxo sanguíneo cerebral. Também ajuda na osteoporose, reduz a chance de trombose venosa profunda, o risco de infarto, de acidente vascular cerebral, controla a pressão e melhora o diabetes, enumera o médico Glauber Signorini, diretor-técnico do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul.  


 —  O corpo humano não foi feito para ficar parado. O movimento faz a máquina ser funcionante. É como um carro que não é ligado: começam os problemas  —  compara Signorini. 


De lambuja, o exercício dá uma força para a saúde mental, diminuindo a ansiedade, a depressão e melhorando a autoimagem. 


Para além de tudo isso, a caminhada tem impacto social importante na vida de seus praticantes. À frente de diversos projetos da Esefid, Tartaruga observa que grandes repercussões em grupos de maior vulnerabilidade, como em indivíduos com Parkinson, por exemplo: 


 —  O Parkinson é uma doença degenerativa que aparece em pessoas de meia idade que já têm a vida estabelecida. Então, começa esse desligamento com as relações sociais. Aí, vem o exercício como uma coisa incrível. Os familiares vêm nos agradecer. Temos alunos que voltaram a patinar, a dirigir e a caminhar para cumprir distâncias mínimas que impactam muito socialmente. 

Quantos passos devo dar? 

Bastante popular, a recomendação de dar 10 mil passos por dia não é uma diretriz científica. Conforme pesquisadores, a ideia de quantificar os passos diários surgiu na década de 1960, quando uma empresa japonesa lançou um pedômetro batizado justamente de manpo-kei, que significa “medidor de 10 mil passos”.  


Agora, uma pesquisa realizada pela University of Massachusetts, nos Estados Unidos, avaliou se o número de passos diário e a intensidade deles tinha associação com o risco de morte prematura em homens e mulheres de meia idade. Publicado no The Journal of the American Medical Association, o trabalho acompanhou 2.110 adultos por 10 anos e conseguiu evidenciar que aqueles que deram ao menos 7 mil passos por dia tiveram risco de mortalidade 50% a 70% menor na comparação com aqueles que caminharam menos.  


A intensidade, por sua vez, não teve efeito negativo e nem positivo. “Nossos achados apoiam os de estudos anteriores, sugerindo que o aumento de passos por dia entre a parte menos ativa da população pode fornecer benefícios de mortalidade”, escreveram os autores. 


Apesar dessa medida, o médico do esporte do corpo clínico do Hospital Mãe de Deus, Felix Albuquerque Drummond, que também é diretor do Instituto de Medicina do Esporte, explica que andar entre 5 mil e 7 mil já trariam vantagens aos seus praticantes. 


 —  Isso varia conforme a idade, a condição de saúde dessa pessoa, se tem doença associada, se é obeso. O fundamental é que devam se mexer dia sim e dia não, ou diariamente, se estiver acostumada. Mas podemos dizer que, de 4 mil a 8 mil passos por dia, é uma recomendação razoável. 

Antes de começar 

Simples, a caminhada está a um par de tênis de distância daqueles interessados em praticá-la. Contudo, antes de sair por aí batendo perna, a recomendação é fazer uma revisão médica, orienta Signorini. Segundo o cardiologista, no Brasil, menos de 5% da população investe da medicina preventiva. 


 —  Todo o indivíduo que vai iniciar a atividade deveria, após os 30 anos, fazer avaliação para saber se está apto. Não é colocar tênis e sair  —  argumenta, fazendo uma analogia aos cuidados tomados antes de fazer uma cirurgia: ninguém passa por um procedimento desse porte sem antes passar por uma revisão. 


Esse cuidado deve ser redobrado no caso de pessoas com doenças prévias, como hipertensão, por exemplo. 

Para começar 

Indivíduos sedentários e de mais idade devem começar gradualmente, isto é, caminhar o suficiente para ficar ofegante, sem preocupação com a intensidade ou duração. Drummond sugere que se pratique a caminhada acompanhado e conversando. 


 —  Quando tiver dificuldade para conversar, é o momento de parar ou reduzir  —  fala o especialista do Mãe de Deus. 


Embora o tempo para atingir esse estágio seja variável entre as pessoas, o ideal é começar com períodos menores. Por exemplo: 10 minutos em um dia, 15 minutos no seguinte, e assim, sucessivamente. No começo, diz o médico do esporte, pode-se treinar em dias intercalados, dependendo da resposta do organismo. 


Ao atingir um tempo razoável, é a vez de mexer na intensidade do exercício, que deve aumentar. 


—  Depois de um tempo, acontece de a pessoa querer correr. Para isso, é imprescindível aval médico e acompanhamento do profissional de Educação Física  —  orienta o médico do esporte. 


Não custa lembrar: durante ou após a caminhada, é preciso manter a hidratação, portanto, não deixe de tomar água. Ao terminar o exercício, alongue-se. Sempre que possível, indicam os especialistas, associe a caminhada a um exercício de força, como a musculação ou treinamento funcional. 

Momento família 

Desde janeiro, a empresária Paula Falcão, 37 anos, e o pai, o aposentado Flávio Falcão, 71, incluíram um novo hábito na rotina diária: colocam roupas confortáveis, calçam os tênis e vão até a pista do Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE), no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. A caminhada em dupla serve de estímulo para os dias em que a preguiça quer falar mais alto. 

Pai e filha adotaram nova rotina


As vantagens da incorporação da atividade são várias, diz Paula, e vão desde as mais objetivas, como emagrecimento e melhora do fôlego, até as mais subjetivas, como o contato diário com o pai. 


Para o aposentado, o momento com Paula mudou o dia a dia. Quando ainda trabalhava, limitava sua rotina à ida da casa para o emprego e do emprego de volta para casa. Depois da iniciativa, para além do fato de se manter ativo, Flávio conta que eliminou as dores nas costas e que ganhou flexibilidade. 


 —  Eu não conseguia cortar as unhas dos pés e agora consigo!  —  diverte-se. 


Saúde mental é beneficiada 


Enquanto cumpria a sétima volta na pista do CETE, a aposentada Carla Buzzacharo, 61 anos, foi interrompida pela reportagem, que a convidou a participar da matéria que você lê aqui. Depois de acenar positivamente, seguiu até completar 10 giros.  


Diabética, Carla sempre praticou exercícios, como caminhada e corrida. Em razão da contaminação pelo coronavírus, a aposentada precisou diminuir o ritmo. Percebeu que as corridas ficavam mais difíceis, então, reforçou a caminhada, intercalada com pequenos trotes.  


Como ainda não se sente confortável para frequentar academias, é assídua no Centro de Treinamento, sempre pela manhã ou no fim do dia. 


—  A caminhada ajuda no diabetes, na depressão. Eu preciso caminhar. Às vezes, venho com minhas amigas, mas elas são preguiçosas  —  dedura. 


 —  Venho conforme minha ansiedade. Perdi minha irmã com covid-19, estava entrando em depressão, e caminhar me ajudou  —  fala. 


Como Carla experiencia na prática, diversos estudos atestam que exercícios físicos, como a caminhada, podem servir como ações preventivas para desordens mentais. Publicada em 2018, uma pesquisa concluiu que o aumento da atividade física é uma estratégia eficaz na prevenção da depressão. Mais: em 2014, um trabalho da universidade de Stanford mostrou que caminhar aumento da criatividade na comparação com o ato de ficar sentado. 

Carla alivia a ansiedade na pista do CETE


Ainda que os mecanismos que atuam nessa relação entre exercícios e depressão não estejam bem esclarecidos, um artigo de 2004 sugere algumas hipóteses. A primeira, chamada de termogênica, sugere que o aumento da temperatura do corpo pode contribuir para a redução dos sintomas de depressão. Outra, já bastante difundida, credita à endorfina liberada após a prática os benefícios. Também foi levantada a hipótese da distração: ou seja, enquanto a pessoa caminha, mantém distantes os pensamentos relacionados à doença. 


 —  Somos um sistema integrado. Quando as pessoas superam o estado de preguiça e vão fazer o exercício, se sentem melhores, mais dispostas  —  argumenta Drummond. 


Embora os resultados gerais não sejam diferentes, caminhar na rua pode ser psicologicamente mais agradável, especialmente na primavera, diz Drummond. Ainda assim, é preciso ficar atento às irregularidades do solo a fim de evitar lesões. Já na esteira, há a possibilidade de manter o ritmo e controlá-lo melhor. 

Walkability 

O quanto a sua cidade é adequada para caminhar? A resposta é o que pesquisadores chamam de "walkability", que poderia ser traduzido para um bizarro "caminhabilidade", ou ainda, o potencial urbanístico e geográfico que uma cidade tem para fazer a população caminhar. Pesquisas que abordam esse tema já relacionaram essa característica urbana com qualidade de vida e até mesmo com gastos com saúde pública. 


— Há estudos que mostram os milhões investidos nisso e o quanto tu evitas de gastos em saúde pública — diz Tartaruga. 


Para se ter uma noção real disso, uma pesquisa australiana de 2013 mostrou que pessoas que vivem em bairros com melhores condições para caminhada tiveram custo médio hospitalar cerca de 26% a 37% menor do que aqueles moradores de áreas menos propícias à atividade. Isso ocorreu, sobretudo, em razão de um número mais baixo de internações. 


No Brasil, de um modo geral, problemas como pouca acessibilidade e insegurança são fatores que desestimulam as passadas diárias. 


— Tem esse dilema das pessoas que ficam uma hora dentro do carro para se deslocar até a academia, e ao chegarem lá, ficam 50 minutos na esteira — ilustra o professor da UFRGS. 


FONTE:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/10/os-beneficios-da-caminhada-exercicio-acessivel-capaz-de-reduzir-o-risco-de-morte-cku8nywpf007c017fms9f0uwe.html