PARA VENCER O CÂNCER

26 de novembro de 2011


Gianecchini será submetido a autotransplante de medula para recuperar sistema imunológico.


Ao ser entrevistado pela apresentadora Patrícia Poeta, no último domingo, no programa Fantástico, da Rede Globo, Reynaldo Gianecchini citou a palavra “autotransplante de medula óssea” quando perguntado sobre os próximos passos do seu tratamento. Aos 39 anos, o ator tenta vencer um câncer no sistema linfático, diagnosticado em agosto. Ele deve dar entrada no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, na próxima semana, onde poderá ficar internado por cerca de um mês.

A técnica, bastante usual, retira células sadias da medula e as reimplanta depois de uma alta dose de quimioterapia. A superdosagem é muito eficaz no combate ao câncer, porém, mata tanto as células cancerosas quanto as consideradas saudáveis.

– A palavra “transplante” pode confundir. Mas o autotransplante, ou transplante autólogo, é, na verdade, uma forma de fazer quimioterapia com doses mais altas, sem que se “mate” toda a medula – diz o médico hematologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre Marcelo Capra.

O procedimento consiste em retirar células-tronco sadias do paciente e congelá-las. Após a aplicação da dose alta de quimioterapia, que objetiva “varrer” as células tumorais ainda presentes no paciente, as células-tronco armazenadas são recolocadas na corrente sanguínea por meio de uma transfusão.

– Elas circulam e reconhecem o ambiente da medula, aderindo sozinhas. Com isso, é possível alcançar melhores resultados no tratamento de determinados tumores – explica.

Técnica desenvolvida há mais de 20 anos, inclusive disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o autotransplante é indicado em três situações: para complementar o tratamento com quimioterapia convencional (espécie de reforço), quando o tratamento não surte o efeito esperado ou quando a doença reincide. Segundo ele, as células-tronco fazem uma espécie de backup da medula.

– Essas células circulam na corrente sanguínea, mas param exatamente onde deveriam e se juntam à medula óssea, como se soubessem o endereço de casa – diz Yana Novis, coordenadora de onco-hematologia do Hospital Sírio-Libanês e uma das responsáveis por tratar o ator.

Atualmente, a maior parte dos transplantes é feita dessa maneira. No método mais comum, o paciente toma uma medicação para fazer com que as células-tronco da medula passem para o sangue. Em um procedimento similar à hemodiálise, o sangue passa por uma máquina que “filtra” essas células. Yana explica que as chances de rejeição são baixas, mas o sucesso varia bastante com o subtipo de câncer.

Ator, que descobriu linfoma em agosto, afirmou que se sente preparado para encarar fase delicada do tratamento


O que é o linfoma
O linfoma é resultado de uma mutação em uma célula do sistema linfático, ligado à defesa do organismo. Essa célula passa a se multiplicar de maneira descontrolada, formando tumores. Isso pode acontecer nos diferentes tipos de células encontradas no sistema, principalmente nas células B e células T.
As células T, afetadas no caso de Gianecchini, são responsáveis pela defesa celular. São elas que regulam o funcionamento do sistema imunológico.
O linfoma de células T angioimunoblástico acomete primeiro os gânglios, pequenos órgãos espalhados pelo corpo que fazem parte do sistema linfático, produzindo anticorpos. Em seguida, pode atingir outras partes do organismo, como a medula óssea, o fígado, o intestino e a pele.
Este é o mesmo tipo de câncer enfrentado pela presidente Dilma Rousseff, que descobriu o problema em 2009.


2 comentários:

Carla disse...

muito boa essa reportagem de transplantes.
esclarece de maneira muito facil o que acontece com o procedimento.
Parabéns

André Ponce disse...

Também achei Carla,facíl de compreender!

Abraço.