MAIS DE 90% DOS BRASILEIROS DESCONHECEM A SEPSE...DIZ ESTUDO...

25 de maio de 2015 

Todo paciente com sepse é tratado nas UTIs...


Embora seja conhecida erroneamente como infecção generalizada ou falência múltipla dos órgãos, a sepse é desconhecida por 93% da população brasileira. 

Os dados foram revelados por uma pesquisa encomendada pelo Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas), com sede no Brasil, ao Datafolha. 

O levantamento teve como objetivo traçar ações para a conscientização da população sobre o problema. 

Dos 2.126 entrevistados, apenas 7% já haviam ouvido falar sobre a sepse. 

Desse universo, 42% responderam corretamente o que era a síndrome: “resposta grave do organismo a uma infecção”.

Esses e outros dados serão apresentados durante o 12º Fórum Internacional de Sepse, que acontece nos dias 28 e 29 deste mês, no Caesar Business Vila Olímpia, em São Paulo. 

“A sepse é um importante problema de saúde pública no mundo, com estimativa de 400 mil casos por ano no Brasil. 

Esse total de casos acarreta cerca de 200 mil óbitos e elevados custos financeiros para o País”, diz o médico infectologista Reinaldo Salomão, presidente do Ilas.

“Infelizmente nosso país tem uma das maiores mortalidades de sepse do mundo. 

Alguns estudos epidemiológicos mostraram que a mortalidade brasileira por sepse é maior do que a de países economicamente semelhantes, como a Índia e a Argentina”, lamenta o médico intensivista Luciano Azevedo, membro da diretoria do Ilas.

Ele ressalta que não se sabe bem os motivos pelos quais as taxas no País são tão altas, mas se acredita que uma das razões seja devido ao pouco conhecimento da população sobre a síndrome, o que faz com que os pacientes com sepse sejam admitidos para tratamento em fases mais avançadas, quando o risco de óbito é maior.

“Além disso, os profissionais de saúde que atendem os pacientes com sepse nos prontos-socorros, enfermarias ou unidades de terapia intensiva também têm dificuldades no reconhecimento rápido da síndrome e de suas disfunções orgânicas”, acrescenta Luciano. 

Dessa maneira, segundo ele, o diagnóstico de sepse é feito de forma atrasada, e as horas iniciais são importantes para o tratamento.

A sepse na unidade de terapia intensiva (UTI)

Todo paciente com sepse é tratado nas UTIs e, segundo os recentes dados de uma pesquisa realizada pelo Ilas, 25% da ocupação de leitos em UTIs são com pacientes acometidos pela síndrome. 

“Atualmente é a principal causa de morte nas UTIs”, diz Reinaldo Salomão.

A pesquisa acompanhou durante 60 dias 794 pacientes internados em 277 UTIs espalhadas em todo território nacional e revelou uma prevalência de 29,6% – ou seja, 1/3 dos leitos de UTI do País estão ocupados com pacientes com sepse grave e choque. “Isso demonstra a pesada carga que a sepse representa para o Brasil, em termos de recursos alocados, incluindo disponibilidade de leitos”, diz a médica intensivista Flávia Machado, vice-presidente do Ilas.

O estudo mostrou que o aumento da mortalidade está ligado à gravidade dos pacientes, ao fato de terem adquirido infecção quando já estavam internados na UTI (infecção hospitalar) e à inadequação do tratamento, principalmente devido ao atraso para administração da primeira dose de antibióticos. Além disso, instituições com menor disponibilidade de recursos tiveram maior mortalidade.

E mais: o levantamento revelou que a prevalência e mortalidade por sepse no Brasil continuam alta e não há diferenças entre instituições públicas, privadas, hospitais universitários e não universitários ou entre as regiões. “O que confirma que nem a população está consciente e nem os médicos ao detectar rapidamente o quadro”, alerta Flávia Machado.

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