CÉLULAS-TRONCO SÃO NOVA ESPERANÇA CONTRA ESCLEROSE MÚLTIPLA


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13 jun 2016

Jennifer Molson foi uma das pacientes com esclerose múltipla grave e recidiva que se recuperaram após o tratamento inovador com células tronco 

Médicos canadenses conseguiram reverter forma grave da doença em 23 pacientes com um tratamento inovador que utiliza células-tronco


Pessoas incapacitadas devido à esclerose múltipla grave têm uma nova esperança de cura. De acordo com um estudo publicado recentemente no periódico científico The Lancet, 23 pacientes voltaram a andar, trabalhar e até mesmo esquiar após serem submetidos a um tratamento inovador com células-tronco.

A terapia, desenvolvida por pesquisadores canadenses, primeiro destrói completamente o sistema imunológico com a ajuda de uma quimioterapia, para então reconstruí-lo com a transfusão de células-tronco da medula óssea. 

Dos 24 pacientes submetidos ao tratamento, 70% tiveram a progressão da doença interrompida ou revertida e 40% apresentaram a reversão de sintomas graves como a perda da visão, fraqueza muscular e perda de equilíbrio.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica incurável e com efeitos devastadores que atinge cerca de 2,3 milhões de pessoas no mundo, dentre elas 35 000 brasileiros. De causa desconhecida, a doença se manifesta de uma hora para outra, quando o sistema imunológico ataca a mielina, substância que protege as fibras nervosas do cérebro, da medula espinal e do nervo óptico. 

A cada surto, as lesões formam áreas de cicatrização, ou escleroses, que causam danos irreversíveis e podem deixar sequelas como cegueira, paralisia, lapso de memória e dificuldades na fala e na deglutição. 

Os medicamentos disponíveis atualmente para conter a moléstia não são 100% eficazes e podem proporcionar fortes efeitos adversos ao paciente.

O estudo canadense é o primeiro a trazer esperança de cura para portadores de esclerose múltipla grave, que não respondem aos tratamentos disponíveis atualmente, e é o primeiro que conseguiu parar e reverter a doença em longo prazo sem a necessidade de outros medicamentos. 

Todos os pacientes do estudo tinham esclerose agressiva, recidiva e foram acompanhados por até 13 anos após o tratamento. 

De acordo com o jornal britânico The Telegraph, seus resultados foram considerados ’emocionantes’ e ‘sem precedentes’ por especialistas.

“Nosso estudo é o primeiro a mostrar a supressão completa, em longo prazo de toda a atividade inflamatória em pessoas com esclerose múltipla. Uma variação deste procedimento tem sido utilizada para tratar a leucemia há décadas, mas a sua utilização para doenças autoimunes é relativamente nova. No entanto, é importante notar que esta terapia pode ter riscos e efeitos colaterais graves e só seria apropriada para uma pequena porção de pessoas que têm esclerose múltipla severa”, disse Harold Atkins, professor na Universidade de Ottawa, no Canadá e um dos autores da pesquisa, ao Telegraph.

Durante o estudo, um participante morreu de insuficiência hepática e outro precisou de tratamento intensivo devido a complicações hepáticas. Apesar dos riscos, para cerca de 5% dos portadores da forma grave e recidiva da doença, essa nova terapia talvez seja a única esperança.

Como funciona — Inicialmente, o paciente é submetido a um curto ciclo de quimioterapia que estimula a produção de células-tronco hematopoiéticas – que regeneram o sistema imunológico – no sangue. 

Em seguida, estas células estaminais são recolhidas, purificadas de qualquer sinal da doença e congeladas para depois serem reinseridas no corpo da pessoa por meio de uma transfusão. 

Mas, antes disso, o paciente precisa ser submetido a 10 dias de quimioterapia. Essa fase do tratamento, considerada o “inferno” pelos pacientes, tem o objetivo de matar o sistema imunológico doente. 

Então, as células estaminais congelados são descongeladas e transplantadas para o corpo da pessoa, de modo que elas possam originar um novo sistema imunológico livre da memória anterior de atacar o sistema nervoso central.

O problema é que, ao matar o sistema imunológico do paciente, o corpo não só fica livre da doença, mas também está mais vulnerável a infecções e precisa reaprender a se defender de bactérias e vírus.

Jennifer Molson, uma das participantes do estudo, foi diagnosticada com esclerose múltipla em 1996, aos 21 anos. 

Apenas cinco anos depois, em 2001, ela vivia em um hospital sob 24h de cuidados, pois não conseguia fazer nada sozinha. “Eu não tinha sensação do peito para baixo. 

Eu poderia tocar alguma coisa fervendo no fogão e me queimar. Eu podia tocar algum tecido sem saber se é uma lixa”, contou ao site de notícias americano Vox. Jennifer foi submetida ao novo tratamento em 2002 e dois anos depois ela já conseguiu entrar na igreja e dançar em seu casamento.


Atualmente, 15 anos após o procedimento, Jennifer trabalha como assistente de pesquisa no Hospital Ottawa, no Canadá e gosta de esquiar e andar de caiaque aos finais de semana. “Agora eu sou capaz de caminhar de forma independente, viver na minha própria casa e trabalhar em tempo integral. 

Eu também fui capaz de me casar, caminhar até o altar com meu pai e dançar com meu marido. Graças a esta pesquisa eu tive uma segunda chance na vida.”, disse.

No entanto, nem tudo são flores. Após o transplante, Jennifer precisou tomar todas as vacinas novamente e, por estar mais vulnerável a infecções, acabou desenvolvendo uma infecção no sangue, herpes e graves infecções da bexiga.


ESPECIALISTA FALA SOBRE DOENÇA CELÍACA NO NOTICIA DA MANHÃ

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14/06/16

O Notícia da Manhã, desta terça(14), falou sobre a doença celíaca no quadro Saúde. 

O mal é uma reação do sistema imunológico a ingestão do glúten, proteína encontrada, principalmente, no trigo, que está presente em vários alimentos.

No Brasil, a cada ano são diagnosticadas 150 mil pessoas com a doença, que não tem cura e o tratamento consiste, basicamente, na retirada total do glúten na alimentação.

No estúdio do telejornal, a médica gastroenterologista, Josêlda Duarte, explicou que a doença celíaca pode aparecer em qualquer fase da vida e acomete mais pessoas brancas. 

Segundo ela, o problema pode manifestar-se em uma fase tardia da vida, aos 60 ou 70 anos.

A especialista ressaltou que os sintomas da doença são inespecíficos e busca-se o diagnóstico quando há uma suspeita, que podem ser dores abdominais, gases e diarréia frequentes e após alimentação.

Doutora Josêlda frisou que a retirada do glúten para pacientes com a doença celíaca tem de ser completa. 

Ela alertou que até o uso de um utensílio, não lavado corretamente após preparo com trigo, por exemplo, pode sensibilizar o paciente.

A doença celíaca será um dos temas do Congresso Norte e Nordeste de Gastroenterologia, que começa no próximo dia 16, em Teresina. 

Segundo Josêlda Duarte, é o segundo maior evento da área no País. Ela informou que os maiores nomes da gastroenterologia no Brasil estarão presentes. 

Também lembrou que durante o Congresso haverá mutirões de colonoscopia para rastreio do câncer do cólon do intestino grosso.

Assista na íntegra o quadro Saúde!


CIENTISTAS DESENVOLVEM PRIMEIRO TRATAMENTO EFICAZ PARA SÍNDROME DE DOWN

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Quinta-Feira, 09 de Junho de 2016

Um dos principais dogmas da medicina, o de que a síndrome de Down não tem tratamento, começa a ser derrubado. Pesquisadores espanhóis acabam de demonstrar que um composto do presente no chá verde, acompanhado por um protocolo de estimulação cognitiva, pode melhorar as capacidades intelectuais de pessoas com síndrome de Down.

É a primeira vez que um tratamento demonstra eficácia num estudo confiável em termos científicos”, diz Mara Dierssen, neurocientista do Centro de Regulação Genômica de Barcelona e uma das líderes da pesquisa. 

O ensaio clínico ainda está longe da cura, mas “abre novas vias ao tratamento farmacológico da síndrome de Down”, afirma a cientista.


A síndrome é um transtorno genético em que a pessoa tem 47 cromossomos, em vez dos 46 habituais. Essa cópia extra altera a formação do corpo e do cérebro. 

As crianças podem ter um atraso no desenvolvimento mental e sinais físicos muito reconhecíveis, como nariz achatado e uma única prega na palma da mão. 

Através de estudos com roedores, a equipe de Dierssen identificou um gene, o DYRK1A, relacionado com a formação do cérebro e superativado pelo cromossomo extra. 

O gene produzia um excesso de proteínas associadas às alterações cognitivas. O composto do chá verde – epigalocatequina galato – retorna as proteínas aos níveis normais.

No ensaio participaram 84 pessoas com síndrome de Down, com idades entre 16 e 34 anos. 

Cerca da metade tomou o tratamento durante um ano, enquanto os demais recebiam placebo (substância sem ação terapêutica) para a comparação. Dierssen reconhece que “as mudanças observadas não são muito importantes”, mas foram suficientes para que quase todos os pais adivinhassem, no final do estudo, se seu filho havia tomado um tratamento real ou um placebo.

O extrato de chá verde melhorou de maneira moderada a memória de curto prazo e a capacidade de organização na vida diária, além de inibir a impulsividade dos pacientes. 

As imagens do cérebro mostram mudanças no córtex relacionadas com essas melhoras. Os resultados foram publicados nesta terça-feira na revista médica The Lancet Neurology. 

Há anos Dierssen lamenta a falta de apoio da indústria farmacêutica às suas pesquisas. “É um composto presente num produto natural e não pode ser patenteado. 

Não interessa à indústria”, afirma. A neurocientista já fez concertos com seu grupo de rock, Lost to The River, para arrecadar dinheiro para seus trabalhos. 

O último ensaio clínico, que custou 750.000 euros (2,9 milhões de reais), teve a colaboração do farmacologista Rafael de la Torre, diretor do Instituto Hospital del Mar de Pesquisas Médicas, em Barcelona, e da fundação francesa Jérôme Lejeune, que arcou com a maior parte dos recursos.

Agora Dierssen pretende organizar um novo ensaio clínico, mas com uma quantidade muito maior de pacientes em diversas cidades, para ter uma amostra representativa da população com síndrome de Down. 

Um estudo assim, de fase 3, é caríssimo e costuma exigir investimento privado. “O custo é muito elevado. Ou as instituições se envolvem ou não poderemos fazer”, diz a pesquisadora. De la Torre estima que custaria cerca de 3 milhões de euros (8,8 milhões de reais). 

No momento, com um “pequeno financiamento” da Fundação Mútua Madrilenha, ambos preparam um ensaio pediátrico para analisar a segurança do extrato de chá verde em crianças com síndrome de Down.

De la Torre reconhece que há famílias que, por sua conta e graças ao boca a boca, administram extrato de chá verde a seus filhos com o transtorno. 

O pesquisador desaconselha essa prática com menores de 16 anos, já que o perfil de segurança da substância não foi comprovado e poderiam aparecer efeitos colaterais. “Em adultos, tampouco fazemos uma promoção ativa. Nem aconselhamos nem desaconselhamos”, diz.

O geneticisma Roger Reeves, da Universidade Johns Hopkins (EUA), é mais cauteloso e alerta quanto a possíveis efeitos da epigalocatequina galato em outras proteínas, além da codificada pelo gene DYRK1A. Também diz que as doses do composto nos extratos de chá verde disponíveis nas lojas varia muito. “É importante que as pessoas sejam conscientes das limitações de nosso conhecimento sobre potenciais efeitos e efeitos secundários de um tratamento sem supervisão com epigalocatequina galato”, afirmou Reeves, alheio ao novo trabalho, ao portal especializado Science Media Centre.

David Nutt, diretor do Centro de Neuropsicofarmacologia da Faculdade Imperial de Londres (Imperial College London), é mais otimista. “É emocionante ver que o entendimento da neurobiologia genética da síndrome de Down possibilita tratamentos específicos”, diz. 

“Esperamos que a promessa desse estudo experimental seja confirmada nos ensaios de grande escala e que outros sigam o enfoque.”

Fonte: El País Brasil

MULHERES E JOVENS COM MENOS DE 35 ANOS SÃO MAIS PROPENSAS AO TRANSTORNO DE ANSIEDADE

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08/06/2016 

Estudo revelou que esses dois grupos de risco têm o dobro de chances de desenvolver o distúrbio


Mulheres e jovens com menos de 35 anos têm duas vezes mais chances de ter ansiedade do que homens, de acordo com um estudo feito na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. 

O estudo foi publicado na revista científica Brain and Behavior.

Os pesquisadores também descobriram que além das mulheres, pessoas (de ambos os gêneros) com menos de 35 anos também estão mais propensos a desenvolverem o transtorno. 

Além disso, o estudo mostra que a condição de saúde pode fazer a ansiedade ser um problema. Eles descobriram, por exemplo, que 10,9% dos britânicos diagnosticados com doenças cardiovasculares tiveram o transtorno, assim como 32% de quem vive com esclerose múltipla. 


– Transtorno de ansiedade podem tornar extremamente difícil a vida de quem sofre com isso. 

É importante que os serviços de saúde entendam como quais são os grupos de risco mais comuns – explicou uma das autoras da pesquisa, a professora Olivia Remes, do Departamento de Saúde Pública da universidade.

Ela destaca que 60 milhões de pessoas são afetadas por transtornos da ansiedade na União Europeia.

Grávidas e mulheres no puerpério têm o dobro de chances de ter TOC

Uma em cada cem pessoas, na população geral, são afetadas pelo Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), um distúrbio de ansiedade. 

No estudo, os pesquisadores da Universidade de Cambridge perceberam que mulheres grávidas e no período do puerpério têm o dobro de chance de desenvolver o problema.

– Os transtornos de ansiedade precisam ser levados mais a sério porque estão afetando cada vez mais pessoas e isso as torna incapazes para tomar decisões ou fazer atividades importantes e ela ainda correm risco de cometer suicídio – explicou Olivia.

EXAME DE SANGUE PODERÁ AJUDAR NO TRATAMENTO CONTRA DEPRESSÃO

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08/06/2016

Estudo apontou que pessoas que apresentam concentrações elevadas de dois marcadores biológicos têm mais resistência a antidepressivos comuns


Um novo tipo de exame de sangue poderá mudar o tratamento contra um dos problemas que mais crescem no mundo e preocupa órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS): a depressão.

Liderado pela pesquisadora Annamaria Cattaneo, professora do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College de Londres, o estudo se concentrou em analisar dois marcadores biológicos que medem níveis de inflamação sanguínea e indicam como uma pessoa vai reagir a antidepressivos comuns. 

Os resultados foram publicados nesta terça-feira na revista científica International Journal of Neuropsychopharmacology.

De acordo com o estudo, mais da metade dos pacientes diagnosticados com depressão não mostra resposta adequada aos antidepressivos chamados de primeira linha, e um terço deles é resistente a todos os medicamentos disponíveis. 

O artigo diz ainda que pessoas deprimidas tendem a apresentar concentrações elevadas de dois marcadores, por isso os pesquisadores se concentraram em medi-los e detectá-los.

Annamaria já vem pesquisando o tema há alguns anos e, em estudos anteriores, já havia identificado que altos níveis de inflamação no sangue tinham relação com o resultado de antidepressivos tradicionalmente prescritos. 

O teste publicado agora conseguiu identificar dois marcadores que predizem a resposta ao tratamento. 

No documento, a especialista e a equipe que participou da pesquisa apontam que, sabendo da resistência, os médicos poderão prescrever tratamentos menos comuns ou até fazer combinações de medicamentos.

Segundo a OMS, a depressão é uma das formas mais comuns de problemas mentais e atinge 350 milhões de pessoas em todo o mundo. 

Estima-se que, só no Brasil, 17 milhões de pessoas tenham o transtorno. 

De acordo com órgão, o problema custa US$ 1 trilhão à economia mundial a cada ano e, em 2020, deverá ser a doença mais incapacitante no mundo. 

CAMINHADAS LEVES PODEM REDUZIR EFEITO COLATERAL COMUM NA QUIMIOTERAPIA

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07/06/2016

Segundo estudo, pacientes que realizam o exercício apresentam melhora na neuropatia, problema gerado pelo tratamento e que causa dores


Uma pesquisa realizada no Instituto do Câncer da Universidade Rochester Wilmot, nos Estados Unidos, descobriu que atividades físicas podem reduzir as dores nos pés e mãos — um problema muito comum entre quem está passando por tratamento com quimioterapia e chamado de neuropatia.

O estudo foi feito com 300 pacientes com câncer, que foram divididos em dois grupos: 

um não tinha atividades físicas na rotina e o outro realizou, durante seis semanas, um treinamento de caminhada leve.

Ao fim do período, os pesquisadores examinaram os participantes e identificaram que quem se exercitou durante o tratamento com quimioterapia teve os sintomas de neuropatia significativamente reduzidos.

– Os benefícios pareceram ser ainda maiores nos pacientes idosos – explicou o autor do estudo, Ian Kleckner, biofísico e professor de controle do câncer. 


Pelo estudo, o pesquisador recebeu um importante prêmio na American Society of Clinical Oncology (Asco) e foi convidado para dar uma palestra sobre o trabalho no encontro anual da instituição.

A neuropatia gera efeitos como queimação, formigamento, dormência e sensibilidade ao frio. 

Até hoje, não foi desenvolvido algum medicamento capaz de prevenir ou tratar o problema induzido por alguns tipos de quimioterapia.

Kleckner afirmou que está empenhado em compreender ainda mais os benefícios do exercícios para quem têm câncer:

– Atividades físicas afeta caminhos biológicos e psicossociais ao mesmo tempo. Seus efeitos passam por circuitos cerebrais, inflamações e até por interações sociais, enquanto drogas têm um alvo específico.

Nosso próximo estudo é sobre os efeitos dos exercícios no cérebro e no corpo do paciente diagnosticado com câncer.

DIABETES NÃO TRATADA PODE LEVAR A PROBLEMAS DE INFERTILIDADE

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Junho 7, 2016

Doença pode comprometer a fertilidade, tanto do homem quanto da mulher

Para que o sistema reprodutivo de homens e mulheres funcione bem, é necessário equilíbrio hormonal e desempenho adequado dos órgãos reprodutores. 

No entanto, doenças crônicas, como o diabetes, podem comprometer a fertilidade, resultando na dificuldade para engravidar. 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 240 milhões de pessoas sejam diabéticas em todo o mundo.



Segundo o ginecologista responsável pela área de Reprodução Humana da Criogênesis, Renato de Oliveira, o fato de ter diabetes nem sempre interfere na fertilidade, mas o diabético deve tomar certos cuidados. 

“Controlar a doença é importante para evitar complicações que poderiam, inclusive, diminuir as chances de gravidez. No caso de mulheres diabéticas que já estão grávidas, não controlar o índice glicêmico nas primeiras semanas de gestação pode gerar má formação do embrião. Além disso, as futuras mamães estão mais sujeitas a partos prematuros”, alerta.

No caso das mulheres, o diabetes pode comprometer a fertilidade na medida em que aumenta a intolerância à insulina. 

“O diabetes tipo 2 geralmente está associado a obesidade e resistência à insulina. Essas duas condições podem causar deficiência hormonal, assim como ciclo menstrual irregular e infertilidade”, explica. Já o diabetes tipo 1, ocorre quando as células no pâncreas, que produzem insulina, são destruídas por anticorpos. “Esse processo também pode afetar outros órgãos endócrinos, incluindo os ovários, e impossibilitar a gravidez”, complementa o especialista.

Mas, engana-se quem pensa que apenas mulheres diabéticas têm problemas em relação à fertilidade. Os homens também são afetados pela doença. 

“Devido a alta taxa de glicose, a produção de radicais livres aumenta, o que pode resultar em problemas no material genético. 

No caso de diabetes tipo 2, os pacientes podem desenvolver ejaculação retrógrada, que ocorre quando o sêmen, que normalmente sai através da uretra, flui em direção à bexiga urinária. Dessa forma, não há espermatozoides para fecundar o óvulo”, diz Dr. Renato.

Para evitar que a fertilidade seja afetada pela doença, é necessário acompanhamento médico e controle dos índices glicêmicos. 

Geralmente, com a doença controlada, os diabéticos têm as mesmas chances de engravidar que uma pessoa que não tenha a doença. 

Vale lembrar que nem sempre é o diabetes a causa de infertilidade. Por isso, é necessário consultar um especialista”, finaliza.

ESCLEROSE MÚLTIPLA, TRATAMENTO E HÁBITOS CONTRIBUEM PARA MELHORAR A QUALIDADE DE VIDA O PACIENTE

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07/06/2016

Ainda pouco conhecida pela população, a esclerose múltipla (EM) é uma doença neurológica que afeta 2,5 milhões de pessoas, das quais 30 mil são brasileiras, de acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. 

Quando não tratada da forma correta, a doença – crônica e ainda sem cura –, afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.

Mas, de fato, quais são os principais sintomas da EM? 

Alguns dos sinais mais comuns são: 

fadiga, falta de energia, fraqueza, sensação de adormecimento de partes do corpo, formigamento, falta de equilíbrio e coordenação ao caminhar, tontura, visão embaçada, fala arrastada, complicações na bexiga, problemas intestinais, depressão, perda de memória e dificuldade de concentração e/ou dificuldade para resolver problemas.

Cada paciente vivencia os sintomas de maneira diferente e a doença pode progredir com mais velocidade em uns do que em outros. 

Por isso é importante a avaliação médica para a indicação do tratamento mais adequado ao paciente. O mais importante é entender que é possível ter uma vida normal, desde que sejam tomadas as devidas providências de prevenção dos surtos e controle da doença”, informa o Dra. Yara Fragoso (CRM 41313), especialista no assunto.

Os cientistas ainda desconhecem a causa da EM, mas é consenso na classe médica que atualmente o portador pode controlar ou amenizar os sintomas e manter uma boa qualidade de vida. 

Uma das atitudes importantes para isso é reduzir o estresse e priorizar um tempo para descansar, já que a fadiga é uma queixa muito frequente dos pacientes de EM. 

Cerca de 75% dos portadores da doença sentem falta de energia na maior parte do tempo e quase todos os pacientes vão sentir esse cansaço em algum momento.

Entendendo a EM

O tipo mais comum de esclerose múltipla é a recidivante-remissiva, quando ocorrem surtos seguidos por períodos de remissão com a recuperação parcial ou completa do funcionamento neurológico. 

Porém há também formas progressivas de EM, em que a doença provoca impacto contínuo na vida do paciente, não apenas surtos ocasionais, resultando em uma piora progressiva dos sintomas.

Durante a doença, a camada protetora (bainha de mielina) das células responsáveis por enviar os impulsos de um neurônio para outro e comandar todas as atividades conscientes e inconscientes do organismo é vista como um invasor, sendo atacada pelo sistema imunológico. 

Os motivos dos ataques à bainha de mielina ainda são desconhecidos pelos médicos especialistas.

“Quando a bainha de mielina está danificada, o funcionamento dos neurônios é afetado, causando uma perda nas funções do corpo e sua incapacitação. A mielina está presente em todo o sistema nervoso, assim qualquer região do corpo pode ser atingida”, esclarece a médica Dra. Yara Fragoso.

Apesar de não ter cura, os surtos observados durante o desenvolvimento da EM podem ser controlados e alguns sintomas amenizados em prol da qualidade de vida do paciente. 

Quanto mais cedo o paciente iniciar o tratamento com medicamentos, mais significativos serão os seus efeitos e mais se adiará o progresso da doença. O tratamento precoce também poderá evitar sequelas deixadas pelos surtos.

Para cada caso será indicado um tipo de medicação com o objetivo de evitar inflamações no sistema nervoso central e auxiliar no alívio de sintomas. 

O acetato de glatirâmer, por exemplo, não tem seu mecanismo de ação completamente compreendido, porém sabe-se que reage de forma a “enganar” o sistema imune e inibir o ataque à bainha de mielina, com importante papel no sistema imune e autoimune do organismo³.

Algumas dicas para seguir, a fim de melhorar a qualidade de vida do portador de EM:

–  Evitar banhos quentes, sauna, locais quentes e abafados – quando a temperatura do corpo aumenta, há uma piora nas falhas na mielina, podendo ocorrer uma interrupção do impulso nervoso, logo desencadeando os sintomas característicos da doença.

– Conversar com a família – é importante a abordagem da família do paciente, explicando o papel da fadiga na vida do portador de EM e suas implicações nas atividades pessoais e profissionais, com o objetivo de obter maior compreensão, apoio e tolerância por parte daqueles que o cercam.

– Praticar exercícios físicos – realizar uma atividade leve pode ser muito benéfico ao paciente para aliviar o estresse, aumentar o relaxamento e auxiliar o equilíbrio e a flexibilidade. Um médico poderá indicar o melhor tipo de exercício para cada paciente.

– Manter uma dieta equilibrada – uma alimentação equilibrada é importante para qualquer pessoa manter um corpo saudável. Para um paciente de EM, é importante consumir alimentos ricos em nutrientes e, consequentemente, manter um sistema imunológico forte, livre de outras doenças.

CIENTISTAS AVANÇAM NA CRIAÇÃO DE VACINA CONTRA O CÂNCER


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05/06/2016

Câncer...a potencial vacina ataca tumores como se eles fossem vírus


São Paulo – Cientistas deram um grande passo para a criação de uma vacina universal contra o câncer. O avanço foi descrito por pesquisadores em um artigo na renomada revista científica Natura.

De acordo com a pesquisa, a vacina incita o sistema imunológico a produzir células T, que são capazes de atacar os tumores como se eles fossem vírus. Ela torna isso possível a partir da retirada de pedaços do código genético RNA do câncer e a introdução dessas porções em nanopartículas de gordura, que em seguida são injetadas na corrente sanguínea do paciente.

Diferentemente da maioria das vacinas em que a imunização é feita em pessoas com risco de adquirir uma doença, essa seria dada a indivíduos que já têm câncer. Até agora, os pesquisadores fizeram apenas testes em ratos e em três voluntários com melanoma.

No primeiro paciente, um nódulo diminuiu de tamanho depois de ele receber a vacina. O segundo, que teve tumores removidos cirurgicamente, ficou curado sete meses depois da imunização. Já os oito tumores do terceiro voluntário continuaram “clinicamente estáveis” após a vacinação.

Apesar de os sistemas imunológicos reagirem aos tumores, não existem provas concretas de que a vacina teve algum papel na recuperação dos pacientes. O estudo explica que o objetivo não era testar a sua eficiência, mas saber se ela era segura para aplicação em humanos.

Até o momento, os efeitos colaterais foram limitados a sintomas semelhantes aos de uma gripe comum. Geralmente, pacientes em tratamento quimioterápico apresentam sintomas mais agressivos, como náusea, perda de cabelo e falta de apetite – sem contar que a imunidade geral do corpo fica tão baixa que a ocorrência de infecções é alta.

Benefícios

De acordo com a equipe, um dos principais benefícios da potencial vacina é o baixo custo de produção. Até a pesquisa atual, os cientistas realizavam um processo longo e caro que consistia na criação em laboratório de células imunes focadas no combate ao câncer, que depois eram aplicadas nos pacientes.

Agora, a vacina é feita em laboratório a partir do DNA do câncer e injetada nas células do sistema imunológico da pessoa. Além de ser menos invasiva, a técnica também pode ser ajustada para combater diferentes tipos de câncer.

“Desse modo, a abordagem de imunoterapia de RNA nanoparticulada pode ser considerada como uma nova classe de vacinas universalmente aplicáveis para a imunoterapia dos cânceres”, explica a equipe no estudo.

Contudo, se o sistema imunológico consegue atacar os tumores, porque ele não faz isso naturalmente? Segundo um comentário feito na pesquisa pelos imunologistas holandeses Jolanda de Vries e Carl Figdor, uma das razões para isso não acontecer é que as células cancerígenas são tão similares às células saudáveis que o sistema imunológico evita ataca-las.

Por isso, segundo os pesquisadores, foi preciso desenvolver uma vacina que utiliza um antígeno – uma substância que incita uma resposta imune e que não é explícita em células normais. Este reveste o RNA do câncer em uma membrana simples e a entrega uma carga elétrica negativa. Quando a vacina é injetada no paciente, a carga é liberada nas células imunes nos nódulos linfáticos, no baço e na medula óssea. Em seguida, essas células revelam o RNA do câncer para as células do tipo T do corpo e as instigam a atacar todos os tumores do paciente.

Futuro

Antes de iniciar um teste clínico maior, os cientistas precisam esperar doze meses para receber os resultados do exame de segurança feito nos três pacientes.

“Ao combinar estudos em laboratório com os frutos de um ensaio clínico em fase inicial, esta pesquisa mostra que um novo tipo de vacina poderia ser usado para tratar pacientes com melanoma, aumentando os efeitos de seus sistemas imunológicos”, disse Aine McCarthy, diretor de informação científica do Cancer Research UK, ao jornal The Telegraph.

ANSIEDADE...APRENDA A INDENTIFICAR OS SINTOMAS E COMO SE CONTROLAR

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04/06/2016 

Ter dificuldade para se concentrar e roer as unhas estão entre os sintomas mais comuns..

A ansiedade é um dos grandes problemas emocionais da vida contemporânea e se manifesta como aquela aflição de quem não tem paciência para esperar e sempre teme o pior. Caracterizada como estado emocional de apreensão e antecipação negativa de um momento futuro (sensação de que algo ruim vai acontecer), a ansiedade faz parte da vida e vai aparecer naturalmente, em diferentes circunstâncias. O desafio está em saber controlá-la. 


O problema surge quando o sentimento se torna excessivo. Nesses casos, os sintomas de ansiedade podem levar a pessoa à incapacidade de realizar tarefas cotidianas. Além disso, o transtorno pode provocar sofrimento e prejudicar o sono e as relações pessoais.

– A pessoa começa a ter perda de memória, e não cumpre os compromissos da maneira correta, pois ela não sabe lidar com as emoções e lhe falta autoconhecimento emocional. São poucas as pessoas que conseguem identificar os sintomas e reconhecer que sofrem de ansiedade em excesso. Se sentir mal é um sinal de que tem áreas da vida que precisam ser desenvolvidas – explica a psicóloga e psicanalista Lisiane Hadlich Machado. 

Os sintomas mais comuns

Nervosismo, dificuldade de concentração, preocupação exagerada em relação à realidade, descontrole sobre os próprios pensamentos, irritabilidade, agressividade, medo constante, roer as unhas, sentir tremores e falar muito rápido ou chorar sem motivo aparente. Esses são os sintomas mais comuns da ansiedade. Para Lisiane, a ansiedade deve ser amenizada para não se tornar um transtorno ou uma patologia. 

Então, o primeiro passo rumo ao equilíbrio emocional é tentar dar aos problemas e às preocupações o tamanho que de fato têm. Tirar um tempo para si, relaxar e respirar profundo são atitudes que ajudam no controle da ansiedade (veja quadro).


DOENÇAS REUMÁTICAS AUTO-IMUNES JÁ NÃO SÃO RESTIÇÃO PARA A GRAVIDEZ

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03/06/2016 

A síndrome do anticorpo antifosfolípideo (SAF) não deixou a professora de educação física Cristiane Padrão, de 36 anos, desistir do sonho de carregar um filho no colo. Daniel nasceu em 27 de abril, depois da mãe tomar duas injeções diárias de anti-coagulantes durante toda a gestação

Avanços nas técnicas diagnósticas e melhoria dos medicamentos garantiram melhor controle das patologias e beneficiaram a maternidade, mas a gestação exige cuidados e acompanhamento especiais

Existe o risco, mas ele não é mais barreira. Ainda hoje, pacientes ouvem de seus médicos que não deveriam engravidar pelo fato de terem determinadas doenças reumatológicas auto-imunes. Mas a medicina evoluiu. Carregar um filho no colo já é um sonho possível. Embora sobrem conceitos errados. E faltem informações. Por muito tempo, a reumatologia perseguiu mais anos e qualidade de vida para seus pacientes. O aprimoramento dos métodos diagnósticos permitiu identificar as patologias mais cedo, antes de maiores complicações. A descoberta de novos medicamentos revolucionou a área e ampliou as perspectivas. Essa paciente, agora, tem chances de viver mais e melhor. E com menos impacto da doença. Pode sonhar com o futuro. Sonhar com a gravidez. 

Mas não é uma gestação qualquer. “Costumo dizer às minhas pacientes que não preciso ser o primeiro a saber que querem engravidar. Mas depois do marido, preciso ser o segundo. 

A palavra de ordem é planejamento”, defende o reumatologista Roger Levy, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), vice-presidente da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro. Referência em gestação em doenças reumáticas, Levy explica que algumas patologias auto-imunes, como o lúpus eritematoso sistêmico (LES), podem piorar durante agravidez. 

A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAF) aumenta o risco de abortamento. Na artrite reumatóide (AR), alguns medicamentos são proibidos na gestação.

DOENÇAS AUTO-IMUNES

Auto-imunidade é uma condição em que o sistema imune, que é nosso sistema de defesa, passa a agredir, por “engano”, estruturas do nosso corpo, como fariam micróbios invasores. Algum grau de auto-imunidade ocorre na maioria de nós, sem, no entanto, causar uma patologia. A doença auto-imune ocorre quando essa auto-imunidade se perpetua ou se intensifica a ponto de causar danos ao nosso corpo. Há mais de 80 doenças onde a auto-imunidade tem um papel importante, muitas delas reumatológicas. Em muitas existe também um agente infeccioso desencadeando a auto-imunidade, como um vírus ou uma bactéria.

Segundo o reumatologista Boris Cruz, secretário da Sociedade Mineira de Reumatologia, diferentes trabalhos descrevem que até 50% das pacientes lúpicas, por exemplo, podem ter uma piora da doença durante a gravidez e também no período pós-parto. “Ainda que não bem esclarecido, parece haver alguma relação entre a imunidade da mãe e os níveis de hormônios femininos, caso do estrógeno, que aumenta na gravidez. Há também alterações na gestante para se adaptar ao feto, que contém carga genética do pai. Isso pode estimular as células que compõem o sistema de imunológico da mãe”, explica. Há duas décadas, isso não estava bem esclarecido. Além disso, essas doenças eram mais difíceis de serem controladas e engravidar era um problema. 

Como todas são doenças crônicas, o objetivo maior era melhorar a sobrevida e a qualidade de vida. Isso foi sendo cada vez mais alcançado. Quando uma paciente tem sua doença melhor controlada é natural que ela faça planos de vida. E entre eles, muitas vezes, está a gravidez”, explica Levy, também coordenador da Comissão de Vasculopatias da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Mas muitas ainda têm medo. 

“Trinta por cento das mulheres, no terceiro trimestre da gravidez, podem desenvolver a síndrome do túnel do carpo. 

É comum na gravidez, em todo o mundo. Mas quando isso ocorria com uma mulher com lúpus logo achavam que era decorrente da doença”, lembra. Muitas ainda ouvem, de seus próprios reumatologistas, que não é possível. 

Hoje a gente entende melhor, consegue tratar a prevenir problemas e sabe identificar os fatores de risco. Chamamos de gravidez de alto risco não porque achamos que a paciente vai ter um problema, mas para que tenha cuidados e atenção especiais. O acompanhamento multidisciplinar também é fundamental. Quando a gestante é acompanhada por uma equipe experiente o processo tende a ser mais seguro e ter bons resultados”, defende Levy. A professora de educação física Cristiane Padrão, de 36 anos, e seu marido, o engenheiro mecânico Ricardo Lemos, de 35, só tiveram coragem de enfrentar o processo quando encontraram uma equipe especializada, e que já havia colocado vários bebês no mundo.

SUPERAÇÃO Em 2011, logo após o casal de mineiros se mudar para o Rio de Janeiro, Cristiane ficou internada uma semana por causa de uma trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Depois de seis meses de tratamento, investigando a causa da trombose, foi diagnosticada com síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAF). Por toda a vida ela dependerá de anticoagulantes para prevenir novos eventos trombóticos. “Além dos medicamentos, a doença exige alguns cuidados, como alimentação equilibrada e exames de sangue periódicos. Fui desde o início bem orientada a respeito de todas as complicações, principalmente durante a gravidez, uma vez que tinha muita vontade de ser mãe”, conta. 

Sendo uma gravidez considerada de alto risco, Cristiane sabia o que poderia enfrentar, como abortos, trombose e hemorragia, e dos cuidados que deveria adotar para ter uma gravidez tranquila. “Cheguei a pensar em desistir no primeiro momento, por medo, insegurança e, principalmente, por não ter encontrado médicos que me passassem total confiança. Mas quando encontrei uma equipe especializada, a vontade, a coragem e a certeza de que queria engravidar reapareceram. Especialista em trombofilia, meu obstetra me deixou segura. Isso fez toda a diferença. Além do apoio da família e do meu marido, que esteve ao meu lado durante todo o tempo”, lembra. Mas viria outro desafio no caminho. 

O parto de Cristiane Padrão precisou ser antecipado, mas a felicidade ao lado do marido Ricardo Lemos e do recém-chegado Daniel agora é completa

Nos exames periódicos que faz para acompanhar a atividade da SAF, ela descobriu que tem o anticorpo anti-Ro positivo, o que significa uma pré-disposição ao lúpus e riscos de complicações cardiológicas para o bebê. Mais um obstáculo. Mais medo. Mais um medicamento para prevenir a doença. E mais do que nunca a gravidez precisava ser bem planejada. A paciente foi orientada a trocar o anticoagulante, já que o medicamento que usava antes está associado à má formação fetal. Ela também passou a depender de duas injeções diárias do anticoagulante, além de outros medicamentos. “Fiz ecocardiograma fetal uma vez por semana, da 16ª a 32ª semana, além de me consultar com o obstetra e fazer as ultrassonografias com mais frequência”, conta. 
Em 27 de abril, toda essa luta mostrou seu sentido. Cristiane deu a luz a Daniel. O parto estava planejado para a 38ª ou 39ª semana, para evitar o risco de hemorragia caso entrasse em trabalho de parto. No último ultrassom, já com 38 semanas, foi verificado que ela estava com pouco líquido amniótico e o bebê tinha baixo peso. “Meu parto foi antecipado para o dia seguinte do ultrassom para evitar maiores complicações. A equipe médica me passou tanta segurança que eu estava super tranquila na hora. E tudo deu certo. Segurar o Daniel no meu colo foi a melhor sensação da minha vida. Era muita emoção, muita alegria. E neste momento lindo percebi que minha coragem, minha fé e meu amor foram mais fortes que todos os meus medos. E estava certa que tudo valeu a pena”. 

Cristiane não teve complicações durante a gestação. Sentiu enjôos e cansaço, como outras gestantes, mas confessa que aplicar as injeções não era agradável. “Doía, ardia e minha barriga ficou com muitos hematomas, mas a vontade de ser mãe era mais forte e tirei isso de letra. As mulheres com o mesmo diagnóstico e desejo de engravidar devem procurar orientação especializada. Devem saber dos riscos e ter coragem para enfrentar os obstáculos. Não é fácil, requer disciplina, mas vale muito a pena”, desabafa. Todo o esforço foi celebrado com uma foto especial. Cristiane e o marido guardaram cada uma das 460 injeções. Ela pegou Daniel no colo e, envoltos pelas embalagens da medicação que protegeram os dois durante todo o processo, eternizaram essa lembrança.

AVANÇOS

Com vasta experiência em SAF, o reumatologista Claudio Galarza-Maldonado, da Unidad de Enfermedades Reumaticas y Autoinmunes, (Unera) do Centro de Lupus de Cuenca, no Equador, vivenciou transformações profundas na reumatologia dedicada à gestação. Segundo o especialista, nos últimos anos a SAF é diagnosticada com mais frequência, sobretudo a SAF obstétrica, que se manifesta exatamente na gestação. Isso se deve ao fato de mais reumatologistas trabalharem em conjunto com ginecologistas e também a uma maior difusão da síndrome entre a comunidade médica e a população. Outras razões para as mais mulheres com SAF estarem dando a luz a bebês saudáveis são os testes de anticorpos mais rápidos e mais baratos. 

Algumas das principais referência no assunto, Cláudio Galarza, Munther Khamashta, Eliza Chakravarty e Roger Levy participaram de um painel sobre gravidez e doenças reumáticas durante o Congresso Panamericano de Reumatologia (Panlar), realizado em abril, na Cidade do Panamá

A elaboração de protocolos de tratamento e critérios de classificação e diagnóstico e medicamentos mais acessíveis também transformaram esse cenário. O êxito, hoje, pode ser superior a 80% com esse modelo de tratamento. Sem ele, o fracasso também é superior a 80% dos casos”, comenta. Geralmente, as pacientes chegam à clínica depois de terem sofrido várias perdas gestacionais, encaminhadas pelos ginecologistas ou indicadas por outras pacientes. As perdas fetais, o atraso no crescimento ultra-uterino, a pré-eclampsia e a prematuridade do bebê são as principais complicações. Há poucos dados sobre a interferência da SAF na fertilidade. Uma das mudanças expressivas foi o uso frequente das aspirinas ou heparinas de baixo peso molecular durante a gravidez.

TRATAMENTO COM CÉLULAS-MÃE AJUDA VÍTIMAS DE AVC A ANDAR NOVAMENTE

#UnidosSomosMaisFortes

2016-06-03

Investigadores da Universidade de Medicina de Stanford injetaram células-mãe, que conseguem transformar-se em qualquer outra célula, nas zonas afetadas do cérebro de 18 pacientes, e os resultados foram surpreendentes


Cientistas da Universidade de Medicina de Stanford testaram com aparente sucesso um novo tratamento destinado a vítimas de acidentes vasculares cerebrais (AVC) que conseguiu devolver algumas das capacidades perdidas, incluindo motoras.

Os doentes que sobrevivem a um AVC vêm, muitas vezes, a sua qualidade de vida afetada. Muitos perdem a capacidade de se expressar e movimentar como antes, e em casos mais severos, podem ficar dependentes de uma cadeira de rodas.

No ensaio clínico, dirigido por Gary Steinberg, cujos resultados foram publicados na revista Stroke, foram injetadas células-mãe adultas – que têm a capacidade de se transformar em qualquer célula, consoante a parte do corpo onde são aplicadas – nas zonas afetadas do cérebro de 18 pacientes, com uma média de 61 anos, que ficaram com severas limitações motoras. Os investigadores abriram um pequeno buraco no crânio dos doentes por onde, durante seis meses, foram injetadas as células recolhidas da medula-óssea de dois dadores.

Os pacientes escolhidos tinham sofrido um AVC isquémico  - causado por um coágulo, que impede o sangue de chegar a algumas partes do cérebro - há pelo menos seis meses, e até três anos. Até agora, pensava-se que o cérebro já não conseguiria reverter os danos causados pelo acidente vascular cerebral depois de tanto tempo, porém, os resultados foram outros. Logo durante o primeiro mês do tratamento, os pacientes começaram a mostrar melhorias na fala e nos movimentos dos braços. Muitos, que dependiam de uma cadeira de rodas, voltaram a andar.

Depois de injetarmos as células-mãe no cérebro de vítimas de AVC, ficámos boquiabertos. Em apenas alguns dias alguns já levantavam os braços acima da cabeça, as pernas da cama. Alguns voltaram a andar, quando não o faziam há meses ou anos. Ficámos contentes com os resultados”, disse Steinberg ao Telegraph.

As células-mãe não sobreviveram muito tempo no cérebro, e foram desaparecendo, mas as melhorias continuaram. Os pacientes melhoraram nos três meses que se seguiram e mantinham-se ao final de um ano, em alguns casos dois anos. Mais importante, não foi registado qualquer retrocesso para o estado inicial.

Os investigadores provaram que é possível regenerar zonas afetadas do cérebro, mesmo em pacientes com idade avançada. As células-mãe basicamente rejuvenesceram aquelas partes do órgão, o que permitiu a recuperação.

De uma forma simples, as células-mãe transplantadas deixam o cérebro adulto parecido com o de um bebé, que recupera bem depois de um AVC ou outro dano.”

Como escreve o britânico Telegraph, ainda que o estudo esteja numa fase inicial, não parecem haver efeitos secundários severos depois do tratamento. Alguns pacientes queixavam-se de dores de cabeça após o procedimento, que foram depois desaparecendo.

A equipa de Steinberg ainda está a investigar de que forma tecidos que se julgavam mortos, ou irreversivelmente danificados foram “ressuscitados”, mas acredita que este tratamento pode ser usado para outras doenças, como o Alzheimer ou Parkinson.

Os investigadores vão passar agora para a segunda fase dos testes, no qual vão participar 153 pessoas.