Terapia com vitamina D pode actuar como quimioterapia natural

Matéria publicada em: 30/04/2010

Um trabalho desenvolvido pela Universidade de Guelph, no Canadá, mostra que a acção anticancerígena da vitamina D pode ser útil no desenvolvimento de uma “quimioterapia natural”, avança o site Ciência Diária.

A diminuição da actividade de uma proteína chamada MARRS, um receptor para a sinalização da vitamina D, faz com que a célula cancerosa se torne hipersensível ao nutriente, tornando-se mais frágil. A manipulação destes níveis pode modificar a forma como as células de tumor se dividem, tornando-as alvos fáceis para tratamentos.

“Parece que a diminuição da MARRS traz benefícios terapêuticos no cancro da mama quando usamos a vitamina D”, explica Kelly Meckling, envolvida no trabalho.

“Tumores com queda da MARRS crescem mais rápido do que os tumores que têm índices normais. Mas quando se inicia a terapia de vitamina D como agente anti-tumoral, as células tumorais morrem muito rapidamente”, acrescenta.

A vitamina D, um nutriente essencial para a saúde dos ossos, também está associada a uma protecção maior contra a esclerose múltipla.

O estudo actual mostra que a MARRS desempenha realmente um papel fundamental na determinação do destino das células, podendo ser usada como uma terapia não somente para o cancro, mas também em doenças como o Alzheimer, Parkinson e psoríase.
 

Sequênciado pela primeira vez genoma de anfíbio

Matéria publicada em: 30/04/2010

Rã africana foi o primeiro anfíbio a ter a sequência genética desvendada

Pela primeira vez um grupo de investigadores conseguiu sequenciar o genoma de um anfíbio. Trata-se de uma espécie de rã africana, a Xenopus tropicalis, uma das mais utilizadas em laboratório e que se junta à lista de mais de 175 organismos, desde a mosca da fruta ao ser humano, cujo mapa genético foi quase totalmente desvendado.

O animal tem até 21 mil genes − quase tanto como o ser humano. A descoberta pode dar lugar a avanços importantes no estudo da saúde humana, já que o batráquio comparte connosco 1700 genes relacionados com doenças como o cancro, a asma ou patologias coronárias.


O estudo, publicado na Science, poderá ainda ajudar a compreender as causas da grande mortalidade de anfíbios em todo o mundo.


A sequência do genoma do Xenopus tropicalis é resultado do esforço conjunto de investigadores de vinte instituições científicas de todo o mundo, dirigidos por Uffe Hellsten, do Joint Genome Institute em Walnut Creek, na Califórnia.

O genoma desta rã, que vive nos charcos da África subsariana, é composto por mais de 1,7 mil milhões de bases químicas implantadas em dez cromossomas. Tem entre 20 e 21 mil genes, quase tanto como os humanos, cuja sequência é composta por 23 mil.

Rã partilha 1700 genes com o ser humano
As descobertas baseiam-se no DNA de apenas uma rã africana. Este material foi dividido em pequenas partes que multiplicaram muitas vezes para serem enviadas para os laboratórios de todo o mundo.

“É um grande avanço. Agora começa o verdadeiro trabalho: compreender como e quando os genes são activados e como funcionam durante o desenvolvimento de uma doença”, explica Jacques Robert, investigador de imunologia da Universidade do Rochester Medical Center. A equipa identificou as regiões do genoma da rã onde os genes estão ispostos quase do mesmo modo que no ser humano e na galinha.


Genoma ancestral

Estas zonas comuns são essencialmente fragmentos de um genoma antigo que o homem e a rã compartilharam nas primeiras etapas do desenvolvimento, que remonta ao tempo anterior em que tomaram caminhos distintos − há 360 milhões de anos – o último antepassado comum de todos os mamíferos, aves, rãs, salamandras e dinossauros que alguma vez viveram no planeta.

Já que os cientistas tentam compreender como funcionam os grupos de genes, esta investigação pode dar resposta a muitas dúvidas sobre o desenvolvimento de doenças cardíacas ou do cancro. Também poderá avançar com o conhecimento acerca do sistema imunológico e ajudar milhões de pessoas com asma, lúpus, esclerose múltipla, artrite reumatóide, cancro ou Alzheimer.

Esclerose Múltipla pode estar mais relacionada com fatores externos do que genéticos






Matéria publicada em: 28/04/2010



Cientistas americanos investigaram origem da doença em gêmeos


Um novo estudo financiado pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos EUA sugere que a Esclerose Múltipla, doença auto-imune que ataca o sistema nervoso central, pode estar muito mais associada ao ambiente do que características genéticas.

Os investigadores analisaram gêmeos idênticos para procurar pistas que expliquem por que razão gêmeos verdadeiros - formados a partir de um único óvulo - podem possuir grandes diferenças genéticas.

Embora se saiba que gêmeos verdadeiros podem apresentar diferenças genéticas subtis, já foi comprovado que o risco de um deles desenvolver determinada doença, se o outro já a desenvolveu, é 25 por cento maior, percentagem que indica um forte componente genético.
Entretanto, há também espaço para fatores ambientais de risco, sendo que os resultados da investigação foram incapazes de mostrar uma causa genética para o problema.
Análises do genoma mostraram que os gêmeos podem possuir diferenças surpreendentes, embora nenhuma delas esteja relacionada com a Esclerose Múltipla. “Encontramos muitos casos em que um desequilíbrio alélico [situação em que um membro – alelo - de um par de genes está perdido ou amplificado] foi maior num dos gêmeos do que no outro”, ressalta Sergio Barazinan, da Universidade da Califórnia, acrescentando que “estas diferenças foram inesperadas e é provável que sejam de interesse em estudos futuros com gêmeos, se o foco for a Esclerose Múltipla ou outras doenças”.

De acordo com Ursula Ult, directora do programa de desordens neurológicas do NIH,  
“até agora, isto representa a análise mais completa do genoma de gêmeos com a doença auto-imune”, explica, revelando que os resultados são “interessantes” não só para a Esclerose Múltipla, mas para todos os estudos que dependem de gêmeos para investigar o que é inato e o que é adquirido em doenças complexas.

Outra teoria bastante discutida atualmente é a de que a Esclerose Múltipla pode ser desencadeada por uma infecção viral, causando reações imunológicas exageradas do corpo.
Como cada pessoa apresenta um código genético único, algumas pessoas podem estar mais propensas ao problema.























Saúde retomará fornecimento de remédios de alto custo

Matéria publicada em: 28/04/2010





O secretário da Saúde, Telmo Mesquita, anunciou que será resolvido dentro de 15 dias o problema da interrupção no fornecimento de alguns medicamentos de alto custo. A informação foi transmitida na noite dessa terça-feira, 27, durante reunião do secretário com vários vereadores da Câmara Municipal de Teresina. Telmo Mesquita garantiu que os medicamentos estarão disponíveis aos pacientes com a máxima urgência.



Segundo o secretário, o Governo do Estado já tomou as providências para adquirir os medicamentos em falta, inclusive preparando os respectivos processos burocráticos. Telmo Mesquita acrescentou que estão prontos os empenhos dos recursos necessários à aquisição desses remédios. Ele assegurou ainda que vai trabalhar para que não ocorram novas interrupções no fornecimento dos medicamentos, principalmente para transplantados e doentes renais crônicos.

Nesse sentido, o governador Wilson Martins e o secretário da Fazenda, Antônio Silvano Alencar, terão um encontro com Telmo Mesquita para discutir o assunto e encontrar solução cabível no sentido de manter um estoque regulador, evitando a repetição do problema. A Secretaria da Saúde cadastrou 14.506 pacientes na Farmácia de Medicamentos de Alto Custo, mas enfrenta dificuldades no sentido de dispor de todos os remédios demandados pelos pacientes.

Remédios em falta

O órgão informou que quatro tipos de medicamentos para transplantados renais estão sendo fornecidos regularmente - Azatioprina, Micofenolato de Mofetila, Micofenolato de Sódio e Tacrolimo. Os medicamentos Ciclosporina e Mofetil, indicados para patologias renais crônicas, não estão sendo fornecidos porque não constam na lista de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Anteriormente, esses remédios eram autorizados e fornecidos por demanda administrativa.

A Secretaria da Saúde divulgou ainda que, por recomendação do Conselho Nacional de Secretários de Saúde e do Ministério Público, a Portaria 005/10 impede ao gestor autorizar esses medicamentos. Para que os pacientes possam recebê-los é necessário ingressar no Ministério Público, de modo a serem fornecidos por determinação judicial ou recomendação do Ministério Público.

A Secretaria da Saúde informou que outros 13 remédios estão em falta na Farmácia de Medicamentos de Alto Custo. São psicotrópicos para pacientes com Alzheimer, Parkinson, Esclerose Múltipla, Neutropenia, Epilepsia e Acne. Isso ocorre devido a problemas relacionados aos fornecedores e que já estão sendo equacionados pelo Governo do Estado, afirmou Telmo Mesquita durante a reunião com a comissão de vereadores teresinenses.

Comissão da Câmara

Participaram do encontro os vereadores Teresa Brito, Edvaldo Marques, Rodrigo Martins e José Pessoa Leal, o Dr. Pessoa, e ainda o presidente da Associação dos Pacientes Renais Crônicos, Ozias Lima.

Incontinência urinária tem tratamento.

Matéria publicada em: 28/04/2010

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a Incontinência Urinária afeta 1 em cada 25 pessoas no Brasil. 

O problema, caracterizado pela perda involuntária de urina, prejudica a qualidade de vida e o convívio social, além de alterar significantemente a rotina diária dos portadores da doença. 

No entanto, dos milhões de brasileiros que sofrem diariamente com os sintomas da Incontinência Urinária, poucos procuram orientação médica, muitas vezes por vergonha.

O programa Saúde em Destaque na Web entrevistou o especialista em urologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Dr. José Carlos Truzzi. 

Ele destaca que o tratamento deve ser individualizado para cada tipo de incontinência, e conforme o diagnóstico apresentado por cada paciente. 

Opções como fisioterapia pélvica, terapia comportamental e medicamentos podem ser utilizadas como medidas iniciais.

Uma alternativa a essas medidas é a aplicação de Toxina Botulínica Tipo A, como opção eficaz e segura para o tratamento da Incontinência Urinária causada pela Bexiga Hiperativa. 

"Aprovada pela ANVISA há um ano, essa opção de tratamento tem ganhado importante aderência pelos urologistas, graças aos resultados muito favoráveis que tem apresentado", acrescenta Dr. Truzzi.

Aposentados portadores de doenças graves estão isentos de pagar IR

Matéria Publicada em: 26/04/2010

A 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou que aposentados e pensionistas que sofrem de doenças graves, como o câncer, estão isentos do pagamento do Imposto de Renda (IR) sobre as aposentadorias e pensões, mesmo que não haja a manifestação de sintomas recentes da moléstia.


A decisão está amparada na Lei 7.713, de dezembro de 1988 (alterada em 2004), que estabelece a isenção do IR dos proventos resultantes de aposentadoria ou reforma pagos a portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), mesmo quando a doença tenha sido contraída após a aposentadoria ou reforma.
Ao julgar um recurso especial apresentado pela Procuradoria do Distrito Federal contra uma decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), o STJ determinou não ser necessária a indicação de data de validade do laudo pericial com o diagnóstico da doença do aposentado ou pensionista.
O governo do DF questionou uma decisão do TJDFT que reconheceu o direito à isenção do IR para um militar da reserva diagnosticado com câncer após deixar o serviço ativo.
A ministra relatora do processo, Eliana Calmon, ressaltou o entendimento do STJ de que, em casos de neoplasia maligna, para que o doente tenha direito à isenção do imposto, não é exigida a demonstração da presença de sintomas, a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação de recaída do paciente.
Para obter a isenção do IR, o portador de uma das doenças citadas na lei deve apresentar o requerimento fornecido pela Receita Federal ao órgão pagador da aposentadoria ou pensão.
A doença deve ser comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, estados ou municípios.

Cladribina como opção terapêutica inovadora no tratamento da Esclerose Múltipla

Matéria publicada em: 27/04/2010 

A Merck Serono, uma divisão da Merck KGaA, Darmstadt, Alemanha, anunciou que foram apresentados novos dados sobre a Cladribina em comprimidos. Conhecimentos inovadores foram acrescentados à potencial nova opção terapêutica para as formas recidivantes-remitentes da esclerose múltipla (EM-RR) na 62ª Reunião Anual da American Academy of Neurology (AAN), que decorreu entre 10 a 17 de Abril, em Toronto, avança a companhia, em comunicado.

A Cladribina, na formulação oral, patenteada pela Merck Serono, está actualmente a ser analisada pelas autoridades reguladoras de vários países.

Os dados apresentados na AAN derivam de análises pré-especificadas e post-hoc do estudo clínico de Fase III, CLARITY, as quais demonstram que a administração da formulação oral da Cladribina nos participantes no estudo resultou em:

- 43% e 44% dos doentes tratados com Cladribina ficaram livres de actividade da doença, quando comparados com o grupo de placebo, durante todo o período de 96 semanas do estudo, para a dose total de 3,5 mg/kg e 5,25 mg/kg, respectivamente, vs 16% dos doentes que receberam placebo - p<0,001. - Logo às 24 semanas, 67% e 70% dos doentes tratados com Cladribina, ficaram livres de actividade da doença, na dose total de 3,5 mg/kg e 5,25 mg/kg, respectivamente, em comparação com 39% dos doentes que receberam placebo – p<0,001 style="text-align: justify;">- O estadio livre de doença foi definido como inexistência de actividade clínica (sem surtos e sem progressão sustentada da incapacidade) e ausência de actividade radiológica (sem lesões T1 Gd+ e sem lesões activas T2) ao longo das 96 semanas do estudo.
- Redução significativa no número médio de surtos ao longo de um ano, em comparação com o grupo tratado com placebo: menos 58%, no caso dos doentes tratados com 3,5 mg/kg, e 55%, nas situações de doses mais elevadas, corrigida para as características demográficas na linha basal.
- A proporção de doentes que se mantiveram livres de surtos foi de 80%, no tratamento com 3,5 mg/kg.
- Menor consumo dos recursos de saúde, uma necessidade menor de apoio social, melhoria da produtividade dos doentes e redução das despesas totais não farmacológicas, comparado com placebo, conforme avaliado pelos dados recolhidos no estudo CLARITY3.
- Diminuição da proporção de células CD4+ T circulantes em relação ao número total de linfócitos no final dos períodos de tratamento, comparado com a linha basal, ao mesmo tempo que a proporção de outros subtipos de linfócitos (CD8+ T, B e células NK) era preservada ou aumentada relativamente aos linfócitos totais.

Globalmente, a frequência de eventos adversos por Classe de Órgãos do Sistema MedDRA (Medical Dictionary for Regulatory Activities) nos dois grupos de tratamento com Cladribina do estudo CLARITY foram comparáveis aos observados no grupo de placebo. Os eventos adversos reportados com maior frequência foram cefaleia, infecção do tracto respiratório superior, nasofaringite e náuseas. Ocorreu linfopenia (diminuição do número de linfócitos no sangue), um evento esperado tendo em conta o mecanismo de acção presumido da Cladribina. A taxa e incidência globais de infecções nos doentes tratados com Cladribina e placebo foram semelhantes. Foram reportadas infecções por Herpes Zoster em 2,3% dos doentes tratados com Cladribina. Estas infecções por herpes foram localizadas na pele e responderam apropriadamente ao tratamento.

“A relevância do estudo CLARITY continua a ser substanciada por análises complementares apresentadas na AAN”, afirmou Bernhard Kirschbaum, Director da Investigação e Desenvolvimento Global da Merck Serono. “Temos o compromisso de continuar a cooperar com as autoridades reguladoras para fazer chegar o mais rápido possível aos doentes a Cladribina em comprimido".

Um embrião com três pais

Matéria Publicada em: 19/04/2010


Duas mulheres e um homem envolvidos na concepção podem ajudar a evitar doenças

A última descoberta da fecundação in vitro é o transplante de DNA − uma técnica que utiliza óvulos de duas mulheres e esperma de um homem para conceber embriões sem doenças graves.

Para ter um filho saudável pode não bastar apenas um óvulo e um espermatozóide.
Nas famílias em que há incapacidades como a Distrofia Muscular ou a Ataxia Cerebral, de geração em geração, a solução poderia passar por submeter-se a um novo procedimento que permite eliminar essa herança imperfeita em laboratório.

Cientistas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, demonstraram que é possível criar embriões humanos saudáveis a partir de material genético de duas mulheres e um homem. A investigação, publicada na mais recente edição da Nature, poderá estar disponível nas clínicas de reprodução assistida dentro de três anos.

A técnica foi pensada para evitar a transmissão de doenças mitocondriais, um grupo de 150 patologias não muito frequentes, mas devastadoras. São doenças que causam demência, cegueira, distúrbios no sistema nervoso e nos órgãos vitais como no coração ou nos rins. Transmitem-se por via materna, através do DNA que existe nas mitocôndrias, fora do núcleo do óvulo.

Estas estruturas estão em todas as células do organismo, excepto no sangue. As mitocôndrias são responsáveis pela produção da energia necessária à vida. Uma característica única destes organelos celulares é que o seu próprio DNA é procedente da mãe.
 
Para evitar a transmissão dessa carga genética, que pode transportar doenças, a nova técnica baseia-se num “transplante de mitocôndrias” ao embrião. Através da fecundação in vitro, extraem-se os núcleos dos espermatozóides do pai e o óvulo da mãe, que contêm o DNA dos pais, onde as mitocôndrias defeituosas não entram. Os núcleos são implantados posteriormente no óvulo de uma mulher saudável, sem o núcleo mas com as suas mitocôndrias.


Mudar a bateria

"O que fazemos é como mudar a bateria de um computador. Com a entrada de energia necessária, funciona correctamente e a informação do disco duro não se altera”, explica Doug Turnbull, responsável pela investigação.

As mitocôndrias não levam informação genética que define as características de uma pessoa. Deste modo, os bebés que nasçam através deste procedimento vão ser parecidos com os seus pais ‘reais’. Na sua concepção tiveram elementos genéticos de três pessoas, mas apenas o DNA nuclear dos seus pais terá influência na sua aparência física e noutras características gerais.

Com este processo, já se criaram 80 embriões viáveis que não se implantaram em nenhuma mulher. Mantiveram-se com vida em laboratório durante oito dias, até que alcançaram o estágio blastócito. Entretanto foram destruídos, como manda a legislação britânica.

A técnica não deixa de ser polémica porque supõe a manipulação do embrião e contém genes de três progenitores: do pai, da mãe mais um pequena adição de DNA mitocôndrial da doadora.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=41791&op=all#cont

Estudos revelam benefícios do Tysabri® no tratamento da Esclerose Múltipla.


Matéria publicada em: 21/04/2010

A Biogen Idec e a Elan Corporation apresentaram um recorde de 15 comunicações e posters no 62.º Congresso Anual da Academia Americana de Neurologia (AAN), a maior reunião de neurologistas em todo o mundo, que decorreu de 10 a 17 de Abril, avança comunicado de imprensa. Os dados apresentados, baseados em estudos e análises post-hoc envolvendo doentes com esclerose múltipla (EM), destacaram as capacidades do Tysabri® (natalizumab), em melhorar de forma sustentada as funções visuais, a incapacidade, a qualidade de vida, a função cognitiva e a fadiga.

"O Tysabri® continua a mudar a forma como os neurologistas e os doentes definem o sucesso da terapêutica para controlar a EM", referiu Alfred Sandrock, vice-presidente do Departamento de Investigação e Desenvolvimento em Neurologia da Biogen Idec. Aliás, "os dados apresentados na AAN contribuem para o fortalecimento do conjunto de evidências científicas ligadas ao elevado perfil de eficácia do Tysabri®", completou o mesmo responsável.

A EM é um dos distúrbios neurológicos mais comuns, que afecta cerca de 5 mil pessoas em Portugal. Incapacidades físicas, como a perda de visão e a dificuldade em andar, estão entre os sintomas mais comuns associados à doença e podem ter um impacto devastador na qualidade de vida de muitos doentes.

Os dados apresentados no Congresso mostram que, em alguns doentes, o Tysabri® actuou positivamente na função visual, na incapacidade, na qualidade de vida, na função cognitivas e na fadiga.

Os resultados de uma análise post-hoc do estudo de fase III, AFFIRM, demonstraram que o Tysabri® conduz a uma melhoria sustentada da função visual em algumas pessoas com EM. As dificuldades visuais são um dos primeiros sintomas nos doentes com EM, tendo um impacto considerável no seu quotidiano.

Steven L. Galetta, da Escola de Medicina da Pensilvânia e um dos autores do estudo, salientou que "os problemas de visão aumentam o nível de ansiedade" dos doentes. Mas, "felizmente, este estudo indicou que o tratamento com natalizumab pode melhor a função visual". Esta melhoria foi avaliada através do cálculo do número de letras que cada doente conseguiu identificar correctamente em diferentes testes, ao longo de 12 semanas. Os resultados mostraram que as melhorias foram mais significativas com a utilização de Tysabri® do que com placebo.

Melhoria da função física


Segundo a avaliação efectuada através da EDSS (Expanded Disability Status Scale), foram verificadas melhorias na capacidade motora e na qualidade de vida de doentes tratados com Tysabri® no estudo AFFIRM.

Esta análise mostrou uma melhoria nos aspectos físicos e mentais de qualidade de vida. A associação entre a melhoria sustentada da incapacidade verificada através da escala EDSS e as medidas de qualidade de vida identificadas por cada doente sugerem que os dados obtidos são significativos para a compreensão do impacto das terapêuticas da EM.


Células-tronco ajudam a tratar Diabetes e Esclerose Múltipla


Médicos também pesquisam a capacidade que elas teriam de regular o sistema imunológico a ponto de evitar a rejeição.




"Ele não calçava a sandália, não amarrava o tênis, não calçava meia. Mesmo a roupa, ele Não vestia, não tomava banho sozinho. Agora, não. Agora, ele fala: ?não, mãe. Agora, não. Eu já posso fazer sozinho?", conta Maria de Lurdes Marques, mãe de Diego.

O jovem não conseguia mais andar sozinho. Já a estudante de economia Tatiana Acar, quanto mais comia, mais emagrecia. "Eu estava com muita sede. Eu saía no meio da rua, tinha que parar para beber água, tomar um suco. Eu nem reparava, não sabia nada desses sintomas. Só reparava que estava emagrecendo muito."

No caso de Tatiana, era diabetes tipo 1. Diego desenvolveu esclerose múltipla, de uma hora para outra. O que os dois têm em comum é a equipe médica, um grupo de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, pioneiro na pesquisa de células-tronco para o tratamento de doenças auto-imunes.

O hematologista Júlio Voltarelli, da Universidade de São Paulo (USP), comanda vários grupos de pesquisa que os cientistas chamam de protocolos. O de Diego é desenvolvido em parceria com duas universidades fora do país: uma do Canadá e outra dos Estados Unidos.

"O Diego foi sorteado para o transplante, fez o transplante e faz dois meses e ele não está tendo surto. Vejo esse resultado extremamente positivo. É claro que a gente tem que seguir o paciente durante vários anos, mas inicialmente um paciente que está tendo surtos a cada 15 dias, faz o procedimento e para de ter surtos, a gente fica otimista", afirma Júlio Voltarelli.

Depois de muita pesquisa, os médicos já sabem que o efeito das células-tronco é mais promissor, quando a doença ainda está no começo.

"Aqueles outros que já estão na fase progressiva já têm sequelas. E esses pacientes na fase precoce não têm sequelas. Então, o transplante interrompendo o surto, leva o paciente a ter uma vida praticamente normal. Esse é o objetivo desse projeto novo", explica o hematologista.

Diego e Tatiana estão muito contentes com o resultado, mas, nem por isso esquecem como foi difícil aceitar a idéia de se tornar uma ?cobaia? humana. "Eu ficava na dúvida, mas ao mesmo tempo eu falava: ?já não tenho mais injeção, já estou na última, não tive melhora nenhuma. Então, melhor eu fazer o transplante mesmo?", declara Diego.

Para Tatiana também, era arriscar ou passar a vida sofrendo restrições alimentares e tomando altas doses de insulina diariamente. "Minha cabeça ficou fervendo. Eu não conseguia pensar em mais nada. Eu fui à minha médica de novo para saber o que ela achava, mas ninguém podia falar nada, é uma coisa muito séria para você dar uma opinião que pode mudar a sua vida completamente", conta a jovem.

E ainda tinha que escolher entre dois protocolos de pesquisa: o mais usado, com quimioterapia para zerar o sistema imunológico - o que sempre representa um risco para o paciente - e a novíssima experiência com células-tronco mesenquimais, que acabou sendo a opção de Tatiana.

"O protocolo são oito infusões, e eu já fiz essas oito. Então, eu estou em avaliação, mas eles também querem que eu faça mais, porque eles estão vendo que está tendo resultado, porque está baixando a dose. Então, se eu fizer mais, de repente vou poder baixar ainda mais as doses e parar de tomar a insulina", revela a jovem.

As células-tronco mesenquimais existem em vários tecidos como na gordura e na parede dos vasos. Além do poder de regeneração, os médicos também pesquisam a capacidade que elas teriam de regular o sistema imunológico a ponto de evitar a rejeição.

"O que nós fazemos é retirar da medula óssea e pode ser retirada de outros tecidos, mas no nosso projeto é da medula óssea. E a gente injeta a célula no paciente sem a quimioterapia. Essa que é a grande vantagem", explica o hematologista Júlio Voltarelli, USP.

A irmã gêmea de Tatiana, que doou a medula para a irmã, acabou ganhando destaque no grupo de pesquisa, porque a quantidade de células mesenquimais que se reproduziram em laboratório surpreendeu os médicos.

"Geralmente, quem doava era pai. Como eu sou uma pessoa mais nova, a tendência é ela se reproduzir mais. Então, a minha irmã fez oito infusões e, como sobraram bastantes células, eles pediram para eu doar para outro paciente", diz Juliana que aceitou doar mais células

É uma revolução em curso. Para ver o que acontecia no organismo de Tatiana, os médicos fizeram uma cintilografia, e essa imagem rara entrou para a história. A expectativa era ver as células-tronco concentradas no pâncreas, o órgão que mais sofre com o diabetes.

Mas elas aparecem mais nos rins e principalmente nos pulmões. É que Tatiana tem asma e a inflamação provocada pela doença pode ter atraído as células-tronco que tem uma vocação anti-inflamatória.

"É isso o que a gente está fazendo: tentando entender esses mecanismos de como a célula mesenquimal estimula outra célula para ela se diferenciar e ter a capacidade de regenerar o tecido", aponta a bióloga Maristela Orellana, da USP.

"Isso agora vai demandar um estudo muito grande, onde nós vamos comparar células-tronco de diferentes fontes, de cordão umbilical, de tecido adiposo, de polpa dentária, de sangue menstrual, e ver qual é a vocação de cada uma para formar tecido. E isso vai ser um passo importante para a gente poder usar em futuras terapias", declara a geneticista Mayana Zatz, da USP.


Epstein-Barr pode não estar relacionado com esclerose múltipla

Matéria publicada em: 16/04/2010



Embora alguns estudos tenham identificado uma ligação entre a infecção pelo vírus Epstein-Barr e o risco aumentado de Esclerose Múltipla, uma nova investigação questiona o papel do vírus no desenvolvimento da doença, avança o site Tribuna Médica Press.

Num artigo publicado no jornal Neurology, os investigadores explicam que análises ao fluido espinal e aos tecidos cerebrais de pessoas com Esclerose Múltipla não revelaram material genético do Epstein-Barr.

Esta ausência, defendem, indica que o vírus não está directamente envolvido no processo da doença.

O Epstein-Barr é um herpesvírus extremamente comum, que provoca mononucleose em algumas pessoas. Estima-se que cerca de 95% da população mundial entre em contacto com este vírus.

Alguns estudos epidemiológicos revelaram que as pessoas com níveis elevados de anticorpos para o Epstein-Barr – o que indica uma resposta imunológica mais elevada à infecção – podem ter um risco mais alto de Esclerose Múltipla.

Esta relação, contudo, não prova que o vírus contribui directamente para o desenvolvimento da doença, defendem os autores.

Novo tratamento com Ampyra será administrado para esclerose múltipla avançada

Matéria Publicada em 14/04/2010


Droga melhora funções sensoriais e motoras, oferecendo um aumento na velocidade de locomoção dos pacientes.

Droga desenvolvida pela Universidade McMaster oferece nova esperança para portadores de Esclerose Múltipla avançada. A Ampyra (dalfampridine nome genérico) foi aprovada na semana passada pelo E.U. Food and Drug Administration. Segundo Robert Hansebout, neurocirurgião e responsável pela pesquisa, a droga apresentou melhoraras nas funções sensoriais e motoras, oferecendo um aumento na velocidade de locomoção dos pacientes.

"Por mais de 30 anos minha pesquisa tem se dedicado a melhorar a qualidade de vida das pessoas com lesão da medula espinhal. Ampyra é o primeiro produto que vem para o mercado que realiza esta meta ilusória", diz Hansebout.

O médico afirma que a Ampyra irá reforçar a independência de um número significativo de pessoas em todo o mundo que sofreram danos à medula espinhal, devido à Esclerose Múltipla. Pretendendo futuramente, estender os benefícios para as pessoas com lesão medular.

"A investigação não é imediatamente gratificante, mas com perseverança, pode melhorar a vida das pessoas", disse Mo Elbestawi, vice-presidente de pesquisa e assuntos internacionais de McMaster University.




Genzyme apresenta dados positivos de estudo de fármaco para esclerose múltipla

Matéria Publicada em: 15/04/2010

Novos dados de um estudo clínico apresentados quarta-feira num encontro da American Academy of Neurology revelam que 71% dos doentes com Esclerose Múltipla a tomar o fármaco da Genzyme para a leucemia linfocítica crónica Campath® (alemtuzumab) ficaram livres da doença clinicamente activa em até três anos pós-tratamento, em comparação com 35% dos doentes tratados com Rebif® da Merck KGaA (interferon beta-1a), avança o site FirstWord.

Comentando o estudo, cujos resultados provisórios foram publicados em 2008 no NEJM, o investigador Omar Khan disse que "esses dados iniciais podem definir um novo patamar para os resultados clínicos na Esclerose Múltipla".

No ensaio de Fase II CAMMS223, 334 doentes com Esclerose Múltipla reincidente-remitente foram randomizados para receber uma de duas doses de Campath® dada em dois ou três ciclos anuais de cinco dias ou Rebif® dada três vezes por semana durante três anos.

Depois de quatro anos, 91% dos 122 doentes que tomam Campath® não experimentaram o desenvolvimento de incapacidades por doença, em comparação com 68% dos 36 doentes a tomar Rebif®.

Além disso, 77 por cento dos% que receberam Campath® permaneceram livres de recorrência, em comparação com 49% dos doentes no grupo a tomar Rebif®.

Fonte: http://www.rcmpharma.com/news/7722/51/Genzyme-apresenta-dados-positivos-de-estudo-de-farmaco-para-esclerose-multipla.html

Estatinas podem conter avanço da esclerose múltipla após primeiro surto

Matéria Publicada em: 15/04/2010

 


As estatinas parecem ter um impacto na progressão da Esclerose Múltipla, de acordo com investigadores da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos EUA. Um estudo envolvendo apenas 81 participantes revela que o fármaco redutor de colesterol também diminui a incidência de lesões cerebrais no cérebro dos doentes no início da doença, avança o site Ciência Diária.

Ao longo de 12 meses, 55,3% dos doentes que sofreram o primeiro ataque e imediatamente começaram o tratamento com doses diárias de 80 miligramas de atorvastatina (comercializada pelo laboratório Pfizer como Lipitor®) não desenvolveram nenhuma nova lesão cerebral, ao passo que 27,6% do grupo placebo tiveram algum novo dano cerebral.

“Os nossos dados são preliminares, e precisamos de um estudo maior para confirmar os efeitos do fármaco e da sua magnitude.
É importante entendermos o impacto das estatinas na progressão da Esclerose Múltipla para melhor informar os médicos e doentes sobre os efeitos, uma vez que esses fármacos são muito usados nos EUA e no mundo, além de saber se eles podem ser usados como uma terapia oral relativamente barata para conter o avanço da doença”.

A Esclerose Múltipla é considerada uma doença auto-imune em que células imunológicas atacam o sistema nervoso central.
Os nervos são feitos de axónios (fibras neurais) circundados por uma bainha de mielina.
A doença ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar esse local, deixando cicatrizes ou lesões nas áreas de desmielinização do cérebro e medula espinhal.
O dano causado à mielina interrompe a habilidade dos nervos de transmitirem informações às células nervosas, resultando em deficiência neurológica.


Vacina que não dói tem entre 100 e 300 microagulhas

Matéria publicada em 12/04/2010


Criação de japoneses evita contato com terminações nervosas.


Remédio solidificado fica na forma da ponta da agulha e se dissolve.

A Universidade Farmacêutica de Kyoto, no Japão, está desenvolvendo uma injeção que não dói. Para quem tem medo, pode parecer assustador: em vez de uma agulha, são usadas de cem a trezentas, conforme o remédio injetado. Mas são tão pequenas que não atingem as terminações nervosas, portanto não causam dor. Elas ficam presas a um disco, do tamanho de uma moeda. O método também não usa seringa.


As microagulhas desenvolvidas pela equipe do professor Kanji Takada tem meio milímetro de altura. A metade superior é formada pelo remédio solidificado, que fica na forma da ponta da agulha. Quando elas são injetadas, o remédio se dissolve e penetra no organismo.
Cientistas conseguem produzir vacina que não precisa de refrigeração


Os pesquisadores garantem que não dói. Então, a reportagem do Jornal Nacional se submeteu a um teste. O disco precisa ficar grudado à pele de 1 a 3 minutos. De fato, não se sente nada. A sensação é como se houvesse uma lixa bem fina sobre a pele. Fica apenas uma pequena marca.

Nos testes com um corante azul, a pele do voluntário ficou cheia de pontinhos. Aos poucos o corante foi se dissolvendo e, 24 horas depois, não havia mais nenhum vestígio.

Segundo os pesquisadores, ainda não foram injetados medicamentos em humanos – isso começa a ser feito até o ano que vem. Mas nos testes em animais, a agulha se mostrou eficiente para injetar insulina e remédios para câncer.

Teoricamente, a agulha pode ser usada para quase todos os remédios e vacinas, com exceção daqueles que precisam ser aplicados em grande quantidade e de uma vez só. Há outra vantagem: o disco não entra em contato com o sangue e é feito de material biodegradável. Pode ser jogado no lixo comum sem o risco de contaminação.

Arranca Fase III de novo estudo comparativo entre tratamentos para Esclerose Múltipla

Matéria Publicada em: 06/04/2010


A Biogen Idec e a Elan Corporation plc anunciaram no início do mês o arranque da fase III b SURPASS, um ensaio aleatorizado, com ocultação para o avaliador, controlado e desenhado para avaliar a mudança do tratamento com acetato de glatirâmero ou com (interferão beta-1a sc) para o Tysabri® (natalizumab), em pessoas com esclerose múltipla (EM), avançam as companhias em comunicado. 
Prevê-se que o estudo SURPASS envolva 1800 doentes de 27 países, incluindo Portugal, e forneça dados comparativos em relação a diferentes opções de tratamento para doentes que apresentam actividade da doença apesar do tratamento.

“Apesar de medicados, muitos doentes com EM acabam por ver a sua doença progredir, o que resulta numa perda de capacidade física e danos permanentes ao nível do sistema nervoso central”, declarou Richard Rudick, presidente do comité executivo do SURPASS e director do Centro Mellen para o Tratamento e Investigação da Esclerose Múltipla da Cleveland Clinic. 

“Actualmente, há poucos dados para sustentar as decisões de mudança de tratamento nas pessoas que, mesmo sob medicação, apresentam actividade da doença. Por isso, o objectivo do estudo SURPASS é o de fornecer dados para que os médicos possam afinar as suas decisões e melhorar os resultados nos doentes com EM”, completou, justificando, assim, a importância do estudo.

Um número significativo de doentes com EM continua a ter surtos e a ver a sua doença progredir, apesar do tratamento com imunomoduladores, tais como o acetato de glatirâmero e o interferão beta 1a sc. O estudo SURPASS, um ensaio clínico de grandes dimensões, controlado, irá avaliar a mudança para Tysabri®, comparando-a com a manutenção da terapêutica com acetato de glatirâmero ou com o interferão beta 1a sc ou a mudança entre estes dois tratamentos. O objectivo é determinar se a utilização precoce de Tysabri® no algoritmo terapêutico acaba por conduzir a melhores resultados.

Para Alfred Sandrock, vice-presidente sénior do Departamento de Investigação e Desenvolvimento de Neurologia na Biogen Idec, “o Tysabri® é uma opção terapêutica interessante, que representa um sentimento de esperança para muitos doentes com EM”.

“Ao avaliar o Tysabri® em relação a outros tratamentos para esta patologia, o nosso objectivo é fornecer os dados necessários para que se possam tomar melhores decisões clínicas e aumentar a qualidade de vida dos doentes”, acrescentou o mesmo responsável.

“Acreditamos que o estudo SURPASS tem potencial para melhorar o modo como temos vindo a abordar esta doença”, afirmou Carlos Paya, presidente da Elan. É que, “apesar dos avanços científicos no tratamento da EM, ainda há muitas necessidades clínicas sem resposta nesta área e o estudo apoia o compromisso de continuar a avançar na abordagem da EM”.

O Tysabri® está aprovado em mais de 45 países. Nos EUA, foi aprovado para formas específicas de esclerose múltipla e, na União Europeia, para a EM do tipo surto-remissão.




Fonte: http://www.rcmpharma.com/news/7567/51/Arranca-Fase-III-de-novo-estudo-comparativo-entre-tratamentos-para-Esclerose-Multipla.html

Teste identifica doentes com EM que respondem a tratamento com interferão beta

Matéria Publicada em: 30/03/2010

Uma investigação publicada online na revista Nature Medicine sugere que pode haver duas versões distintas de esclerose múltipla (EM), e que a resposta do doente à primeira linha de tratamento com interferão beta parece depender de qual versão da doença o doente sofre. O investigador principal do estudo, Lawrence Steinman disse que "muitas pessoas que estão a tomar interferão beta não o deveriam fazer porque pode mesmo tornar a sua condição pior".

No estudo, os investigadores examinaram ratos com uma desordem induzida semelhante à EM e descobriram que há dois diferentes subtipos da doença. Num dos subtipos, a doença é impulsionada pela presença de células imunes IL1, explicam os cientistas, enquanto que no outro subtipo a EM é causada pelas células IL-17. Os investigadores validaram as suas descobertas com amostras de sangue de 26 doentes com EM, e demonstraram que doentes com altos níveis de IL1 não experimentaram surtos ou necessidade de uso de esteróides quando tomavam interferão beta, enquanto que os doentes com altos níveis de IL-17 apresentaram sintomas agravados quando seguiram essa terapia.

"Se estes resultados forem confirmados em grandes estudos em seres humanos, as pessoas com EM podem algum dia serem capazes de fazer um simples exame de sangue para ver se são susceptíveis de responder ao tratamento com a terapia padrão para a EM", explicou Steinman.

Em resposta à notícia, a porta-voz da Teva Denise Bradley disse que um teste que identifica os doentes que não responderão ao tratamento com interferão beta pode impulsionar a prescrição do Copaxone®, que teve vendas de 2,4 mil milhões de dólares em 2009.

Já a porta-voz da Biogen Idec Naomi Aoki disse que a farmacêutica está "animada com a perspectiva de adoptar uma abordagem mais personalizada para identificar os doentes que têm mais probabilidade de responder a diferentes terapias". O Avonex® da Biogen gerou vendas de 2,3 mil milhões de dólares em 2009.
 

STF decide terapias que SUS deverá fornecer

Matéria Publicada em: 17/03/2010
Ações discutem inclusão de tratamentos caros no sistema público. Pacientes de leucemia, esclerose e cardíacos podem ser beneficiados

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa hoje a julgar uma série de processos que podem influenciar no tratamento de saúde de milhares de brasileiros. São processos relacionados à saúde pública que foram discutidos por meio de uma audiência pública realizada em 2009. Dependendo das decisões do STF, pacientes de várias doenças poderão ter acesso a novos medicamentos ou tratamentos via Sistema Único de Saúde (SUS).

Tramitam atualmente no STF nove agravos regimentais – recursos judiciais com o intuito de provocar a revisão das decisões do próprio tribunal. Os processos já tinham passado por todas as instâncias judiciais em favor dos requerentes – em sua maioria, pacientes em busca de serviços específicos de saúde, como o fornecimento de medicamentos, suplementos, próteses e vagas em hospitais. A saúde é um direito indivi dual e constitucional e, por isso, deve ser julgado pelo STF.

Efeito

Resultado influencia juízes
Quando uma ação é julgada diretamente pelo Supremo Tribunal Federal, ou seja, não passa por outras instâncias, a decisão tem efeito vinculante e, por isso, deve ser obedecida por todo o Poder Judiciário do Brasil. “No caso dos processos que serão julgados hoje, este efeito não existe. Cada caso é julgado individualmente”, explica o advogado Caio Márcio Eperhart, professor da Universidade Positivo.

Mas, apesar de não existir essa obrigatoriedade, o advogado Peregrino Neto acredita que as decisões tomadas hoje serão um sinal para todo o Poder Judiciário de como o STF irá se posicionar. “Eles já estão indicando como é que as demais instâncias deverão julgar este tipo de caso. Nenhum juiz quer ter a sua sentença reformada. Acredito que o posicionamento do Supremo também influenciará os cidadãos, que se sentirão mais motivados a buscar uma solução para o seu problema”, explica.

A Defensoria Pública da União apresentou uma Proposta de Súmula Vinculante para tornar expressa a responsabilidade solidária dos entes da federação sobre o fornecimento de medicamentos e tratamentos e até a possibilidade de bloqueio de valores públicos para este fim. (JK)

Suspensão
Embora já haja decisões favoráveis aos pacientes, haverá novo julgamento porque órgãos públicos pediram a suspensão dos mandados e liminares que os obrigavam a obedecer as determinações judiciais. A última instância é a votação do plenário. O STF, por meio da audiência pública convocada pelo presidente Gilmar Mendes, reuniu informações técnicas, científicas, administrativas e econômicas sobre os temas.

Durante a audiência, a judicialização da saúde – ou seja, a obtenção do atendimento médico por via judicial – foi um dos principais pontos de discussão entre os participantes. Para o defensor público geral da União Leonardo Lourea Mattar, a intervenção judicial só ocorre quando há falha do Estado, por isso é necessária sempre que a administração pública não cumprir o seu dever.

Para o ministro José Antônio Dias Toffoli, que à época da audiência ainda era advogado geral da União, essa tendência pode gerar riscos para as políticas públicas na área, por causa dos altos custos dos tratamentos. Ele afirma que é preciso escolher tratamentos e medicamentos que devem ser garantidos a toda a sociedade.

Para o especialista em direito pú blico Peregrino Dias Rosa Neto, o julgamento de hoje tem forte co no tação humanitária. “A maioria dos órgãos públicos alega que não tem condições de custear o tratamento dos pacientes, mas em tempos de superfaturamento e loteamento de cargos é difícil acreditar nesta justificativa”, argumenta.

A maioria das ações que começam a ser julgadas se refere à suspensão do fornecimento gratuito de medicamentos para o tratamento de doenças como leucemia, esclerose múltipla, doenças cardía cas e degenerativas.

Os medicamentos requeridos pelos pacientes por meio das ações ju diciais são muito caros. O mabthera (rituximabe), usado para o tratamento da leucemia, por exemplo, chega a custar R$ 90.332 (12 frascos de 500 mg ca da). Já o zavesca (miglustat), recomendado para o tratamento de doenças neurodegenerativas, custa mais de R$ 50 mil.


Botox: muito além da estética



Substância é usada como tratamento para diversas doenças

A toxina botulínica tipo A ganhou os holofotes quando demonstrou sua eficácia para amenizar rugas e linhas de expressão. 
Nem todo mundo sabe, mas a mesma substância amplamente usada em clínicas dermatológicas para deixar a testa lisinha, no Brasil, é indicada e aprovada pela ANVISA para sete diferentes tratamentos terapêuticos que ajudam no resgate da qualidade de vida.




A toxina botulínica é produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Conhecida por seu efeito tóxico essa neurotoxina causa o botulismo, uma intoxicação que afeta o sistema nervoso e provoca a paralisia gradual dos músculos. 
O estudo dessa condição mostrou que, em doses muito pequenas, essa toxina podia ser usada com fins terapêuticos.




A substância foi empregada como uma alternativa não-cirúrgica para o estrabismo e utilizada pela primeira vez em 1989, depois da aprovação pelo FDA (Food and Drugs Administration), órgão norte-americano que aprova e controla o uso de medicamentos. Por aqui, o produto chegou três anos depois, em 1992, também para o tratamento do problema oftalmológico.




O laboratório Allergan é dono da marca Botox, nome comercial pelo qual a toxina ficou popularizada no Brasil e em todo o mundo. 
Além dele, também são comercializados no País o Dysport, do laboratório Ipsen, e o Prosigne, da Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos. Conheça os principais usos da toxina.




Bexiga hiperativa 



O que é: contrações involuntárias do músculo da bexiga, causando uma vontade súbita e urgente de urinar. A pessoa pode até perder urina sem perceber (incontinência urinária). 
A bexiga hiperativa pode ser causada por uma infecção urinária ou até por alterações nos nervos que controlam esse órgão.




Aplicação: o uso da substância nesses casos foi aprovada pela ANVISA há apenas um ano. Por via endoscópica, o médico injeta o botox na parede da bexiga, o que diminui suas contrações. O procedimento é feito com anestesia local, leva em média 30 minutos e o paciente tem alta no mesmo dia.




Em 15% dos casos, no entanto, foi observado dificuldade para urinar depois da aplicação. 
O resultado é considerado satisfatório por até nove meses, quando uma nova aplicação pode ser refeita.




Hiperidrose




O que é: excesso de transpiração que ocorre, em geral, nas palmas das mãos, planta dos pés e axilas. Não tem uma causa específica e, por isso, não tem uma cura. 
Segundo a Sociedade Internacional de Hiperidrose, mais de 176 milhões de pessoas no mundo são afetadas por esse distúrbio.




Quem sofre de hiperidrose transpira quatro a cinco vezes mais do que o normal para manter a temperatura do corpo. 
Os pacientes que apresentam o problema nas mãos, por exemplo, têm dificuldades para cumprimentar pessoas, escrever e segurar objetos.




Aplicação: após demarcar a região com maior produção de suor (onde se concentrará a aplicação da toxina) o médico aplica a substância na pele, a uma profundidade de 1,5cm ou 2cm, dependendo do local. 
O produto atua nas glândulas sudoríparas, reduzindo a produção de suor.




Se o procedimento for realizado na axila, um creme anestésico resolve. Nos pés e mãos, em geral, utiliza-se anestesia local. 
A diferença já é notada pelos pacientes nas 48 horas seguintes ao procedimento e os resultados podem durar de sete a nove meses. Não há problema em repetir a aplicação.




Estrabismo




O que é: condição em que o músculo de um olho é mais forte do que o de outro, causando desalinhamento entre os globos oculares.

Aplicação:


 nos casos em que o tratamento é indicado (só um oftalmologista pode avaliar isso), o procedimento é realizado com anestesia local. 
Um aparelho chamado eletromiógrafo injeta a toxina no músculo mais forte e o globo ocular que está desalinhado volta à posição normal. 
Assim com os demais tratamentos realizados com a toxina, é preciso refazê-lo. 
Os resultados duram, em média, quatro a seis meses, dependendo da pessoa.




Distonia




O que é: contrações involuntárias da musculatura, que podem afetar diferentes regiões do corpo.
Ainda não se sabe ao certo a causa do problema, mas acredita-se que esse distúrbio seja uma disfunção do cérebro ou alguma lesão no sistema nervoso central.




Aplicação: a toxina botulínica é aplicada na parede do músculo com problema, evitando as contrações involuntárias. 
O volume a ser utilizado varia de acordo com o tamanho do músculo afetado. 
A resposta ao tratamento vai depender do metabolismo de cada paciente, mas em geral os resultados duram de três a seis meses.




O uso do botox, no entanto, não é uma cura para o problema, é somente uma forma de controlá-lo – com o tempo o tratamento pode levar ao atrofiamento do músculo.




Blefaroespamos




O que são: movimentos involuntários da pálpebra, semelhantes a um tique nervoso. A pessoa pisca involuntariamente e constantemente. 
O problema pode impossibilitar uma vida social plena: muitos pacientes piscam tanto que chegam a ter problemas para enxergar, sendo impedidos de dirigir.




Aplicação: a doença não tem cura, o procedimento com o botox é somente uma maneira de controlá-la. Agulhas finas, semelhantes à de aplicação de insulina, injetam a toxina botulínica em determinados pontos da pálpebra. 
Os músculos responsáveis por esses movimentos são paralisados e o movimento normalizado. Os resultados podem ser percebidos até cinco dias depois. 
O procedimento tem de ser repetido entre quatro a seis meses da aplicação.




Espasticidade



O que é: rigidez excessiva da musculatura dos braços e principalmente das pernas – o que afeta a mobilidade. 
É uma sequela comum em pacientes com acidente vascular cerebral (AVC), paralisia cerebral, lesões medulares, esclerose múltipla e outras doenças ligadas ao sistema nervoso central.




Aplicação: a doença não tem cura, mas pode ser amenizada com o uso do botox. 



A toxina é aplicada no músculo e no tecido subcutâneo, relaxando a musculatura contraída.




Espasmo hemifacial




O que é: contrações involuntárias dos músculos da face, em geral, unilaterais e localizados. 
A doença é ocasionada pela compressão de uma artéria sobre o nervo facial, próxima ao tronco cerebral, ou também por lesões cerebrais como tumor ou aneurisma.




Aplicação: assim como no caso da espasticidade, agulhas injetam a toxina botulínica no músculo afetado e também no tecido subcutâneo, relaxando-o. 
O tratamento deve ser refeito a cada três ou quatro meses.




Fontes consultadas: Antonio Lúcio Teixeira, neurologista, professor da Universidade Federal de Minas Gerais; Denise Stein, dermatologista membro da Membro da Sociedade Internacional de Dermatologia; Fernando Almeida, urologista, coordenador do setor de Disfunção Miccional e Urologia Feminina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Hélcio Bessa, oftalmologista membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular.