TRATAR ESCLEROSE MÚLTIPLA COM CÉLULAS-TRONCO É MAIS EFICAZ QUE MEDICAÇÃO...

28/05/2018 

Dos transplantados acompanhados por pesquisa, apenas três (6%) reativaram a doença após o transplante. No outro grupo, tratado com a medicação disponível no País, 33 (60%) –
Transplante de células da medula óssea do próprio paciente também custa menos do que usar medicação

O transplante com células-tronco da medula óssea do próprio paciente para combater a esclerose múltipla é mais eficaz do que a medicação disponível no mercado. Esta é a conclusão de estudo feito por pesquisadores do Brasil, Suécia, Inglaterra e Estados Unidos.

Os resultados foram apresentados em março no encontro anual da European Society for Blood and Marrow Transplantation e publicados na Neurology. uma revista científica de alto impacto. 

“Os resultados comprovam que os transplantes apresentam melhores resultados do que as medicações utilizadas para o tratamento da esclerose múltipla”, afirma a professora Maria Carolina de Oliveira, pesquisadora do Centro de Terapia Celular (CTC) da USP e da Divisão de Imunologia Clínica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

De acordo com ela, “parte da pesquisa ainda continua e os pacientes serão acompanhados por mais tempo e novos resultados devem ser apresentados em dois ou três anos. O objetivo é ver como a resposta ao transplante se sustenta em acompanhamento mais prolongado”, explica.

Ao todo, nos quatro países, participaram 110 voluntários, dos quais 55 foram transplantados e 55 receberam tratamento convencional. “Dos transplantados, apenas três (6%) reativaram a doença após o transplante. No outro grupo, tratado com a medicação disponível no País, 33 (60%)”, afirma Maria Carolina.

Professora Maria Carolina de Oliveira 

No entanto, o transplante deve ser aplicado apenas aos pacientes que estejam na fase de surto remissiva da doença. 

“É a fase em que o paciente tem surtos de perda neurológica súbita. Passa a ter dificuldade para andar e mexer os membros. Esses surtos acumulam incapacidades neurológicas e o transplante tem que ser realizado antes que chegue à fase progressiva”, explica.

Para identificar a possibilidade de transplante, os médicos utilizam a escala neurológica EDSS para medir o grau de comprometimento que a doença já provocou no paciente. Se estiver entre 2,5 e 5,5, o paciente pode ser transplantado. Fora desse parâmetro, não. O paciente não pode estar em cadeira de roda ou acamado, situações que acontecem nas fases mais avançadas da doença.

Experiência

O Hospital das Clínicas da FMRP tem experiência de 16 anos em transplante de medula óssea para pacientes com esclerose múltipla. Começou, em 2002, com o professor Júlio Voltarelli. Esses procedimentos não são pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A verba utilizada é de projetos de pesquisas. “Pretendemos, com esses resultados, convencer as autoridades a incluir este tipo de transplante na lista do SUS”, afirma Maria Carolina.
Entre os 90 transplantes realizados no HC-FMRP, “2/3 melhoraram. Sendo que deste total, metade manteve a doença controlada e na outra metade houve progressão ao longo do tempo. Isso porque a maioria desses pacientes foi transplantada na fase tardia, já degenerativa, da doença. O transplante funciona melhor nas fases mais precoces, inflamatórias da doença”, explica.

Custo

O estudo não levantou custos comparativos entre o transplante e a medicação, mas a reportagem apurou que o transplante tem custo estimado de R$ 22 mil, considerando o uso de instrumental e a medicação usada durante o procedimento (não fazem parte deste valor os custos de salários da equipe e internação). Já a medicação tem preço aproximado de R$ 12 mil ao mês.

Um estudo de pesquisadores poloneses, apresentado também no encontro da European Society for Blood and Marrow Transplantation, comparou os gastos médios de 102 pacientes com esclerose múltipla no ano anterior ao transplante àqueles de um ano após o procedimento. A média de gastos anuais caiu de 4.520 euros para 810 euros.


DOENÇA DE CROHN E COLITE ULCEROSA: DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS AUTOIMUNES

As doenças inflamatórias intestinais resultam da inflamação crónica do intestino e podem ser divididas em dois grupos: Doença de Crohn e Colite Ulcerosa...

Ambas são doenças autoimunes e representam um grupo heterogéneo de patologias crónicas, de evolução variável e etiologia desconhecida.

É possível que exista uma tendência genética que, ao interagir com fatores ambientais, desencadeia uma resposta imunológica descontrolada que provoca o processo inflamatório crónico intestinal.

A doença inflamatória intestinal afeta cerca de 7000 a 15000 portugueses e estima-se que a sua incidência ronde os 1,2/10.000 habitantes por ano para a Colite Ulcerosa e 4,7/ 10.000 para a Doença de Crohn.

A faixa etária de maior incidência é entre os 15 e os 30 anos, e entre os 60 e os 80 anos é mais frequente a Doença de Crohn.

A Doença de Crohn afeta qualquer parte da parede do trato gastrointestinal desde a boca até ao ânus e os doentes apresentam sintomas:

Gastrointestinais
Cólica abdominal
Diarreia (podendo ser sanguinolenta)
Obstipação
Náuseas e vómitos
Fissuras anais, incontinência fecal
Úlceras aftosas
Sistémicos
Atraso no crescimento (crianças e adolescentes)
Febre (38,5 °C)
Perda ou ganho de peso
Sintomas Extraintestinais
Eritema nodoso
Fotofobia, Uveitis, Episcleritis
Espondiloartropartia seronegativa
Espondilite anquilosante, Sacroileitis
Trombose Venosa Profunda, Tromboembolismo Pulmonar
Anemia Hemolítica Autoimune
Osteoporose e fraturas ósseas
Sintomas Neurológicos (cefaleias, depressão, neuropatias, miopatias)


A Colite Ulcerosa localiza-se especificamente no cólon e os doentes apresentam sintomas:

Gastrointestinais
Diarreia muco-sanguinolenta
Cólica abdominal
Obstipação/Tenesmo
Sistémicos
Perda de peso
Anemia
Taquicardia
Febre (38ºC-39ºC)
Sintomas Extraintestinais
Úlceras aftosas na boca, lábios, palato e faringe
Iritis, Uveite, Episclerite
Artrite seronegativa
Espondilite Anquilosante
Sacroileite
Eritema nodoso
Pioderma gangrenoso
Trombose Venosa Profunda
Tromboembolismo pulmonar
Colangite Esclerosante Primária
O diagnóstico é realizado com recurso a exames endoscópicos, (endoscopia e colonoscopia), imagiológicos (tomografias e radiografias do intestino) e laboratoriais (análises clínicas sanguíneas e às fezes).

As análises ao sangue revelam a presença de anticorpos nos pacientes com Doença de Crohn, ajudando a distingui-la da Colite Ulcerosa. 

Cerca de 4 a 5 dos doentes com Doenças Inflamatórias Intestinais podem ser diagnosticados apenas pela pesquisa da presença de autoanticorpos no soro.

No que respeita à cultura das fezes, esta inclui a pesquisa de sangue oculto, permitindo detetar a presença de pequenas quantidades devido à irritação dos intestinos e assegura que os sintomas não são causados por uma infeção.

Outra metodologia de diagnóstico é a Biópsia. 

Realiza-se a partir da remoção de uma pequena amostra de tecido do revestimento do intestino e o material é examinado para identificar a presença de sinais de inflamação. É muito útil para confirmar a Doença de Crohn e excluir outras doenças.

Por Maria José Rego de Sousa, Médica, Doutorada em Medicina, Especialista em Patologia Clínica.

FDA AMPLIA APROVAÇÃO DE GILENYA PARA TRATAR ESCLEROSE MÚLTIPLA EM PACIENTES PEDIÁTRICOS...

11 de maio de 2018

Comunicado de imprensa da FDA
A Food and Drug Administration dos EUA aprovou hoje Gilenya (fingolimod) para tratar a esclerose múltipla (EM) recidivante em crianças e adolescentes com 10 anos ou mais. Esta é a primeira aprovação da FDA de um medicamento para tratar a esclerose múltipla em pacientes pediátricos.

"Pela primeira vez, temos um tratamento aprovado pela FDA especificamente para crianças e adolescentes com esclerose múltipla", disse Billy Dunn, MD, diretor da Divisão de Produtos de Neurologia do Centro de Avaliação e Pesquisa de Drogas do FDA. 

A esclerose múltipla pode ter um impacto profundo na vida da criança. Essa aprovação representa um avanço importante e necessário no atendimento de pacientes pediátricos com esclerose múltipla ”.

Gilenya foi aprovado pela primeira vez pela FDA em 2010 para tratar adultos com EM recidivante.

A MS é uma doença autoimune, inflamatória e crônica do sistema nervoso central que interrompe a comunicação entre o cérebro e outras partes do corpo. Está entre as causas mais comuns de incapacidade neurológica em adultos jovens e ocorre mais frequentemente em mulheres do que em homens. Para a maioria das pessoas com EM, episódios de piora da função e aparecimento de novos sintomas, chamados recidivas ou surtos, são inicialmente seguidos por períodos de recuperação (remissões). Com o tempo, a recuperação pode ser incompleta, levando a um declínio progressivo da função e aumento da incapacidade. A maioria das pessoas com EM experimenta seus primeiros sintomas, como problemas de visão ou fraqueza muscular, entre 20 e 40 anos.

Dois a cinco por cento das pessoas com EM têm início dos sintomas antes dos 18 anos e estimativas sugerem que 8.000 a 10.000 crianças e adolescentes na região. EUA tem MS.

O ensaio clínico que avaliou a eficácia do Gilenya no tratamento de doentes pediátricos com EM incluiu 214 doentes avaliados com idades entre os 10 e os 17 anos e comparou o Gilenya com outro fármaco da EM, o interferão beta-1a. No estudo, 86 por cento dos pacientes que receberam Gilenya permaneceram livres de recidiva após 24 meses de tratamento, em comparação com 46 por cento daqueles que receberam interferão beta-1a.

Os efeitos colaterais de Gilenya em participantes de ensaios pediátricos foram semelhantes aos observados em adultos. 

Os efeitos colaterais mais comuns foram cefaléia, elevação das enzimas hepáticas, diarréia, tosse, gripe, sinusite, dor nas costas, dor abdominal e dor nas extremidades.

Gilenya deve ser dispensado de um Guia de Medicação do paciente que descreva informações importantes sobre os usos e riscos do medicamento. 

Riscos sérios incluem lentidão da frequência cardíaca, especialmente após a primeira dose.

 Gilenya pode aumentar o risco de infecções graves. Os pacientes devem ser monitorados quanto à infecção durante o tratamento e por dois meses após a descontinuação do tratamento. Uma infecção cerebral rara que geralmente leva à morte ou deficiência grave, chamada leucoencefalopatia multifocal progressiva (PML) foi relatada em pacientes em tratamento com Gilenya. Os casos de LMP geralmente ocorrem em pacientes com sistema imunológico enfraquecido. Gilenya pode causar problemas de visão. Gilenya pode aumentar o risco de inchaço e estreitamento dos vasos sanguíneos no cérebro (síndrome de encefalopatia reversível posterior). 

Outros riscos graves incluem problemas respiratórios, lesão hepática, aumento da pressão arterial e câncer de pele. Gilenya pode causar danos a um feto em desenvolvimento; As mulheres em idade fértil devem ser avisadas do risco potencial para o feto e usar métodos contraceptivos eficazes.

A FDA concedeu a designação Priority Review and Breakthrough Therapy para essa indicação.

A FDA concedeu a aprovação de Gilenya à Novartis.

A FDA, uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, protege a saúde pública garantindo a segurança, a eficácia e a segurança de medicamentos humanos e veterinários, vacinas e outros produtos biológicos para uso humano e dispositivos médicos. A agência também é responsável pela segurança e proteção do suprimento alimentar de nossos países, cosméticos, suplementos dietéticos, produtos que emitem radiação eletrônica e regulam os produtos de tabaco.

FOI USADO TRADUTOR GOOGLE NESTA POSTAGEM...

NÃO DEMORE A TOMAR REMÉDIO PARA TRATAR A ESCLEROSE MÚLTIPLA...

11 de maio de 2018

Quanto mais cedo você começar a tomar medicamentos contra o MS, melhor, diz novas diretrizes...

Para a maioria das pessoas, é melhor usar drogas para a esclerose múltipla (EM) mais cedo do que deixar a doença seguir seu curso, de acordo com as novas diretrizes de tratamento da Academia Americana de Neurologia.

A EM é uma condição inflamatória crônica que afeta o sistema nervoso central. 

Pode causar sintomas como fraqueza muscular, problemas de visão e problemas emocionais, bem como dificuldades de coordenação e raciocínio. MS afeta cerca de 400.000 americanos e é uma das principais causas de incapacidade entre os jovens adultos.

Cedo é melhor que mais tarde

As diretrizes anteriores foram publicadas em 2002. Um novo desenvolvimento desde então é uma pesquisa recente mostrando que o uso de uma droga MS tão cedo quanto possível pode ser melhor do que deixar a doença seguir seu curso, diz Alexander Rae-Grant, MD, principal autor das diretrizes. e um neurologista da Cleveland Clinic. Isso ocorre porque a doença geralmente piora com o tempo.

Danos ao sistema nervoso central como resultado da esclerose múltipla não podem ser desfeitos. Mas uma pesquisa mais recente mostra que as pessoas podem retardar a progressão de sua doença tomando remédios contra MS mais cedo do que tarde, diz o Dr. Rae-Grant.

Novos medicamentos

Também desde 2002, novos medicamentos importantes surgiram, diz o Dr. Rae-Grant.

Essas drogas modificadoras da doença podem alterar ou alterar o curso da EM para os pacientes, ao contrário dos tratamentos que simplesmente gerenciam os sintomas. 

Embora essas drogas não sejam uma cura, elas podem reduzir o número de recaídas que uma pessoa tem e retardar a progressão da doença.

"A orientação anterior que tivemos foi em 2002, e naquela época tínhamos apenas uma pequena variedade de medicamentos para pessoas com esclerose múltipla", diz a Dra. Rae-Grant.

 "Agora temos 17 medicamentos aprovados pela FDA e é muito mais complicado, mas muito mais emocionante, em termos do que podemos fazer para pessoas com esclerose múltipla".

Se isso não funcionar, mude

Outro novo aspecto das diretrizes aconselha a mudança para outro medicamento quando uma pessoa que já está tomando medicamentos para a esclerose múltipla experimenta um retorno da doença.

"Nossas novas diretrizes levam os médicos a tratar as pessoas mais cedo e a monitorá-las com mais cuidado em busca de mudanças em sua condição, para que possamos mudar os remédios conforme eles precisarem", diz Rae-Grant. "Sabemos que não podemos eliminar qualquer lesão que tenha ocorrido no período da doença, por isso, quanto mais pudermos prevenir as coisas, melhor poderemos fazer isso".

A Dra. Rae-Grant disse que é importante para qualquer pessoa com EM conversar com seu médico sobre os riscos e benefícios dos medicamentos MS antes de iniciar um plano de tratamento.

"O cenário de tratamento para pessoas com EM mudou drasticamente na última década", diz ele. "Agora temos uma série de terapias modificadoras da doença para escolher, que podem ajudar a tratar a EM, mudando a forma como a doença afeta as pessoas ao longo do tempo, retardando o processo da doença."

As novas diretrizes aparecem on-line em Neurology , a revista médica da Academia Americana de Neurologia.

FOI USADO TRADUTOR GOOGLE NESTA POSTAGEM...


Tudo sobre a gripe: 15 perguntas e respostas sobre a doença...

20 abr 2018

Objetivo do governo é imunizar 54 milhões de pessoas na campanha de vacinação pública...
Governo inicia campanha para vacinar 54 milhões de pessoas na rede pública; saiba quem pode ser imunizado, quais vírus circulam no país e como se proteger...

Por ser muito comum, a gripe parece uma doença inofensiva. Mas ela pode ser grave e até matar. Só neste ano, 62 pessoas já morreram no Brasil em decorrência da infecção pelo vírus Influenza – isso porque a temporada outono-inverno mal começou.

No mundo, são até 650 mil mortes por ano, dado divulgado recentemente pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e que se mostrou mais elevado do que as estimativas anteriores, que ficavam entre 250 mil e 500 mil.

Na segunda-feira (23), a rede pública brasileira começa a oferecer a vacina contra a doença. Até 1º de junho, quando termina a campanha, o governo pretende imunizar 54 milhões de pessoas – 2 milhões a mais do que no ano passado.

Especialistas esperam que não se repita no Brasil o que ocorreu nos Estados Unidos nesta última temporada. Entre o fim de 2017 e o início de 2018, o país registrou um alto número de hospitalizações e mortes por gripe, principalmente devido ao H3N2, um subtipo do vírus Influenza A.

Ao contrário do que vem sendo propagado, o H3N2 não é um vírus novo. “Ele circula na espécie humana desde 1968, mas tem um potencial de mutação grande e por isso existe uma dificuldade de fazer uma vacina que seja muito adequada para ele”, explica a infectologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Como a vacina que será dada no Brasil é diferente da que foi aplicada no Hemisfério Norte, pode ser que por aqui o quadro seja outro. Mas, para isso, os médicos alertam que os brasileiros precisam se imunizar – especialmente aqueles que estão nos grupos de risco. “A gripe é uma doença que atinge 10% da população e é potencialmente grave. A vacina é o principal método de prevenção”, afirma Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Por que houve um surto grave de gripe nos Estados Unidos?

A epidemia do último inverno americano foi considerada a mais grave desde a pandemia pelo H1N1 em 2009. O vírus mais dominante entre os infectados foi o H3N2, um subtipo do Influenza A que já circula na espécie humana há 50 anos, mas tem um grande potencial de mutação. Neste ano, a vacina usada no Hemisfério Norte foi pouco eficaz contra a variação do H3N2 que circulou por lá: a proteção foi de apenas 25%. Isso gerou uma alta taxa de hospitalização e de mortalidade, principalmente de idosos.

O vírus H3N2 está no Brasil?
Sim. Assim como em outros anos, ele já foi detectado nesta temporada. Isso não significa que teremos uma epidemia forte como a dos Estados Unidos, já que a vacina usada no Hemisfério Sul é diferente e ela pode ser mais eficaz contra esse subtipo do Influenza.

Como deve ser a epidemia deste ano no Brasil?
Não dá para prever como vai ser: vai depender das mutações sofridas pelos vírus Influenza, da quantidade de pessoas que se vacinarem, das temperaturas e da umidade relativa do ar, entre outros fatores. 

Quais são os sintomas da gripe e como diferenciar de um resfriado?

A febre alta é o sintoma mais importante da gripe e dura em torno de três dias. Outros sintomas são tosse, coriza, dor de garganta, dor muscular e dor de cabeça. O quadro geral dura, em média, uma semana. Na forma grave, a gripe causa falta de ar, febre por mais de três dias, dor muscular intensa e prostração.

Já os resfriados são causados por outros vírus e têm alguns sintomas parecidos com os da gripe (como tosse, coriza, dor de garganta), mas são mais leves e duram menos tempo: entre dois e quatro dias. É menos comum ter febre e, quando ocorre, costuma ser baixa.

Como a gripe é transmitida?

Principalmente pelo contato com secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao falar, tossir ou espirrar – ela pode transmitir o vírus a quem está a até 1,5 metro de distância. Ambientes fechados favorecem essa disseminação. Também pode ocorrer contaminação indireta, quando alguém coloca a mão em superfícies recentemente contaminadas por secreções respiratórias de uma pessoa doente.

O período em que alguém gripado pode transmitir o vírus vai de um dia antes do início dos sintomas até sete dias depois. Mas quem não está com febre há mais de 24 horas não oferece risco importante de transmissão.

Como se prevenir?
A vacinação é a principal maneira, mas também se recomenda lavar as mãos frequentemente com água e sabão, não manipular lenços ou objetos usados por alguém doente, manter os ambientes bem ventilados e evitar a proximidade de pessoas que tenham sinais de gripe.

O Ministério da Saúde faz uma recomendação especial para os cuidadores em creches, onde há várias crianças convivendo juntas e mais vulneráveis à doença. Esses profissionais devem lavar periodicamente as mãos e os brinquedos com água e sabão, usar lenços descartáveis para limpar o nariz das crianças e avisar os pais caso algum aluno tenha sintomas de gripe. Crianças doentes devem ficar em casa até pelo menos 24 horas após o desaparecimento da febre.

Quem tem direito à vacina na rede pública?
Idosos acima de 60 anos, crianças de seis meses a quatro anos, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), indígenas e pessoas com comorbidades (diabetes e hipertensão, por exemplo). Profissionais de saúde, professores de escolas públicas e privadas, detentos e profissionais do sistema prisional também têm direito à vacina gratuita. Quem não está nesse grupo e desejar se vacinar pode procurar uma clínica privada.

A vacina das clínicas particulares é a mesma da rede pública? Quanto custa?
A vacina ofertada pelo SUS é trivalente, ou seja, protege contra três tipos de vírus (H1N1, H3N2 e um tipo de Influenza B). Na rede particular é possível tomar também a vacina quadrivalente, que protege ainda contra um segundo tipo de Influenza B.

O preço da tetravalente varia entre R$ 100 e R$ 150 e da trivalente, entre R$ 80 e R$ 100, de acordo com a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas.

Quem não pode tomar a vacina?
Praticamente não há contraindicações – apenas quem já teve choque anafilático devido à própria vacina de gripe não deve tomar. Costumava-se recomendar que pessoas com alergia severa a ovo não se vacinassem. “Mas vários estudos internacionais mostraram que não tem problema porque a quantidade de proteína de ovo usada na vacina é muito pouca. No exterior essa orientação já foi tirada. Nós vamos caminhar para isso também”, diz Nancy Bellei, da Unifesp. No Brasil, o Ministério da Saúde pede que pacientes com o problema procurem um médico para orientações.

Quem está gripado pode tomar a vacina?

Sim. A única recomendação é que quem está com febre espere a temperatura normalizar. “Esse cuidado é apenas porque, se a febre aumentar, ficará a dúvida se foi ou não reação à vacina”, diz Isabella Ballalai, da SBIm.

A vacina provoca gripe? Quais são os efeitos colaterais?
A vacina não causa gripe, já que é composta apenas por vírus inativado (morto). Os possíveis efeitos colaterais são raros e leves: desconforto, vermelhidão ou dor no local da aplicação e mal-estar.

Qual é a eficácia da vacina?
Em média, de 50% a 85% – o grau de proteção depende de vários fatores, como a idade do paciente e a correspondência da vacina com os vírus da temporada. “Quando a vacina coincide com os vírus que estão circulando e nenhuma mutação de última hora nos pega desprevenidos, a média é de 70% a 80%”, diz Isabella Ballalai, da SBIm, acrescentando que normalmente o efeito é melhor nas crianças e pior nos idosos. Mesmo quando não impede de desenvolver a doença, a vacina pode reduzir sua gravidade e o risco de complicações.

Quem tomou a vacina no ano passado deve se vacinar de novo?
Sim, por dois motivos. Primeiro, porque a vacina protege por no máximo um ano – em seis meses, essa proteção já diminui bastante. Segundo, porque a composição dela é atualizada a cada ano, de acordo com os tipos de vírus Influenza que mais circulam naquela época.

Grávidas e mulheres que amamentam podem tomar?

Podem e devem. Gestantes têm imunidade mais baixa e, por isso, maior risco de complicações devido à gripe. Além disso, a grávida que se vacina passa os anticorpos para o bebê que está na barriga, que já nasce com essa proteção. Quem está amamentando também pode tomar.  

Como tratar a gripe?
Na maioria dos casos, a doença melhora sozinha em uma semana. A recomendação é beber bastante água, descansar e, se for preciso, tomar alguns remédios para aliviar os sintomas. Existem também medicamentos antivirais, mas eles são indicados em casos específicos, principalmente para grupos de alto risco.

Para não contaminar as pessoas em volta, o doente deve cobrir o nariz e a boca e usar lenço descartável ao espirrar ou tossir, lavar as mãos com frequência e evitar ir ao trabalho, à escola ou a ambientes com aglomerações.

Fontes: Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações; Ministério da Saúde; Nancy Bellei, professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia; “Influenza – abril de 2018” (publicação da Sociedade Brasileira de Infectologia)

Osteoporose: quando devo me preocupar com isso?

18 abr 2018

A prevalência da osteoporose em mulheres é duas vezes maior que em homens, assim como na raça branca e após a menopausa.
Na osteoporose, o osso fica fraco e frágil, favorecendo fraturas. A condição se torna um problema sério após os 55 anos de idade.

A osteoporose é uma condição de perda de massa óssea e alteração da microarquitetura do osso, favorecendo as fraturas em mínimos traumas. Isto é, o osso fica fraco e frágil! A osteoporose é um problema sério após os 55 anos de idade. Em torno de 50% dos homens e mulheres têm osteopenia ou osteoporose nessa faixa etária, com alto risco de fraturas. No Estados Unidos chegam a 1,5 milhões de fraturas por ano.

A prevalência em mulheres é duas vezes maior que em homens, assim como na raça branca e após a menopausa. Uma a cada seis mulheres caucasianas sofre de fratura de fêmur e a mortalidade chega a 20% no primeiro ano. A maior causa de mortalidade é a embolia de pulmão, mas muitas sofrem pelas limitações ortopédicas pós trauma.

A fratura mais frequente é a do fêmur, ocasionando uma qualidade ruim de vida, com dependência física e dores

Como formar um bom osso?
A história natural dos ossos é o ganho de massa óssea até o fim da adolescência e início da fase adulta. Uma alimentação balanceada e atividade física são fundamentais para maior atividade das células formadoras de osso (osteoblastos).

Depois vamos gradativamente deteriorando o osso com o envelhecimento, sendo que esse quadro piora na falta dos hormônios sexuais (mais comum no período da menopausa e andropausa) e maior atividade das células que absorvem o osso (osteoclastos).

O que propicia a perda óssea?

Algumas causas secundárias de perda óssea como: doenças endócrinas (hipertireoidismo, prolactinoma, hiperparatireoidismo), doenças gastrointestinais (deficiência vitamina D, doença celíaca, síndrome má absorção), medicamentos (corticoides, antivirais, anticonvulsivantes), alcoolismo, anorexia nervosa, cirurgia bariátrica e mieloma, dentre outras, devem ser lembradas.

Essas condições, sem dúvida, fragilizam o osso do indivíduo por causarem um desbalanço entre a atividade das células formadoras do osso (osteoblasto) e das células de reabsorção óssea (osteoclastos) favorecendo o aparecimento da osteoporose.

Apesar disso, sem dúvida nenhuma, o risco de fraturas está muito mais associado a história familiar e ao estilo de vida do indivíduo do que uma doença em si e alguns fatores são relevantes: idade maior que 50 anos, tabagismo, baixo peso corpóreo (IMC menor 18kg/m2), baixa ingesta de cálcio, deficiência de vitamina D, inatividade, menopausa precoce, demência, alcoolismo e excesso de cafeína.

O diagnóstico pode ser feito por meio de um exame de densitometria óssea, que mede a massa óssea do indivíduo e compara com os indivíduos jovens para quantificar essa perda. Se o paciente não tem os fatores de risco citados acima e nem história familiar, o exame só está indicado após os 50 anos.

Como prevenir?
O tratamento deve ser específico para cada causa, mas a prevenção é a maior arma, visto que hoje a expectativa de vida ultrapassa os 80 anos.

Quem não está sujeito a um escorregão ou uma queda ocasional? 

Por isso, exercícios físicos de fortalecimento para manter massa muscular e óssea, como musculação, natação e pilates são fundamentais após os 40 anos de idade.

A alimentação deve atentar as exigências de uma ingesta de cálcio em torno de 1.000 mg/dia (equivalente a 3-4 iogurtes ou copos de leite/dia) para mulheres acima dos 50 anos e homens acima 70 anos, pouca cafeína e suplementação de vitamina D.

Medicamentos mais específicos e reposição hormonal ficam a critério de cada caso específico.

Vírus da ‘doença do beijo’ pode causar outros 6 problemas de saúde...

17 abr 2018, 22h25 

Ao contrário dos outros vírus, o EBV consegue 'hackear' as células responsáveis por combatê-lo. 
Segundo estudo, o vírus Epstein-Barr, transmitido pela saliva, pode aumentar o risco de doenças, como o lúpus e artrite

A doença do beijo, também conhecida como mononucleose, pode aumentar o risco de desenvolvimento de outras doenças, como a ESCLEROSE MÚLTIPLA, lúpus e diabetes tipo 1. 

De acordo com um estudo publicado recentemente na revista Nature Genetics, o vírus responsável por causar a mononucleose é capaz de se ligar a partes do genoma humano, tornando a pessoa infectada mais vulnerável a essas doenças.

Mononucleose

A mononucleose é uma infecção causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), transmitida pela saliva – por isso também é chamada de doença do beijo. Seus sintomas incluem dor e inflamação da garganta, febre alta, placas esbranquiçadas na garganta e ínguas no pescoço. O EBV pode provocar infecção em qualquer idade, mas é mais comum apresentar sintomas em adolescentes e adultos.

A mononucleose não tem um tratamento específico, mas é possível curá-la apenas com repouso, ingestão de líquidos e uso de remédios para aliviar os sintomas. Com essas medidas, a doença desaparece após uma ou duas semanas. No entanto, depois de infectada, a pessoa permanece com o vírus por toda a vida.

EBV e o aumento do risco de doenças
Ao longo dos anos, cientistas ligaram o EBV a algumas outras doenças raras, incluindo certos tipos de câncer do sistema linfático. Além disso, alguns dos pesquisadores já vinham estudando o vírus e fizeram conexões entre ele e o lúpus, por exemplo. 

Outras doenças relacionadas ao EBV descobertas durante a pesquisa são: 

ESCLEROSE MÚLTIPLA, artrite reumatoide e artrite idiopática juvenil, doença inflamatória intestinal, doença celíaca e diabetes tipo 1.

Segundo os resultados da pesquisa, os cientistas perceberam que os componentes produzidos pelo vírus interagem com o DNA humano nos lugares onde o risco genético da mononucleose (e de outras doenças) aumenta.

Esta descoberta é importante o  suficiente para estimular muitos outros cientistas em todo o mundo a reconsiderarem este vírus nesses distúrbios. Como consequência, e supondo que outros possam replicar nossas descobertas, isso poderia levar a terapias, formas de prevenir e antecipar doenças”, disse John Harley, um dos autores do estudo, ao Science Daily. Apesar de não existir vacina contra o EBV, outras iniciativas procuram desenvolvê-la.

Atuação do vírus no corpo

Em infecções virais e bacterianas nosso sistema imunológico recebe o comando das células B para produzir anticorpos no intuito de combater os invasores. No entanto, quando ocorrem infecções por EBV, algo incomum acontece: esse vírus é capaz de ‘hackear’ as células B, assumindo o controle de suas funções e reprogramando-as. A equipe do Cincinnati Children, responsável pela pesquisa, encontrou pistas de como o vírus faz isso.

O corpo humano tem cerca de 1.600 fatores de transcrição conhecidos no nosso genoma. Estes fatores são proteínas que ajudam a transformar genes específicos em “ligados” ou “desligados” através da conexão com o DNA para garantir que as células funcionem como esperado. No entanto, quando os fatores de transcrição são alterados, as funções normais da célula também podem mudar e isso pode levar à doença. Os cientistas suspeitam que o fator de transcrição EBNA2 do EBV esteja ajudando a mudar a maneira como as células B infectadas operam e como o corpo responde a elas.

Com base nessas informações, os cientistas descobriram que, dependendo de onde esses grupos de fatores de transcrição relacionados ao EBNA2 se ligam no código genético, aumenta o risco de algumas dessas doenças. 

Normalmente, pensamos nos fatores de transcrição que regulam a expressão do gene humano como sendo humanos. Mas, neste caso, quando este vírus infecta células, ele produz seus próprios fatores de transcrição, e estes se situam no genoma humano nas variantes de risco lúpico (e nas variantes de outras doenças) e é isso que suspeitamos estar aumentando o risco da mononucleose”, explicou Leah Kottyan, outra cientista envolvida no estudo.

Estas descobertas abrem novas linhas de estudo que podem acelerar os esforços para encontrar tratamentos que impeçam o vírus de atuar nas células, o que poderia levar a cura dessas doenças. Entretanto, os pesquisadores informam que será preciso muito tempo para alcançar esses objetivos.

FONTE:https://veja.abril.com.br/saude/virus-da-doenca-do-beijo-pode-causar-outros-6-problemas-de-saude/

NUNCA VI ATEU EM LEITO DE MORTE, DIZ MÉDICO...

01/03/2018

No hospital São Francisco, da Santa Casa de Porto Alegre, são realizadas pesquisas relacionando a fé e a cura

O Hospital São Francisco, um dos sete que compõem o complexo da Santa Casa de Porto Alegre é dirigido pelo médico cardiologista e escritor Fernando Lucchese. Em 48 anos de profissão ele já realizou mais 100 transplantes cardíacos, além de milhares de outras cirurgias. Um dos temas em que é considerado autoridade é a relação da fé com a cura. Lucchese recebeu o Ibiá, revelou a origem da sua curiosidade sobre o tema, seus estudos e os muitos “milagres” presenciados. Confira os principais trechos.

Da onde surgiu o seu interesse em pesquisar a relação entre a fé e a saúde?
Tenho formação religiosa, fui seminarista. Mas fiquei muito tempo afastado. O grande divisor de águas foi quando, numa biblioteca, na Carolina do Norte, EUA, descobri trabalhos publicados por um sujeito chamado Harold koenig e fiquei impressionado. Fui até a bibliotecária e disse: quero falar com esse homem. Koenig é neuro-cientista, psiquiatra e chefe do departamento de estudos de espiritualidade da Duke University, uma das universidades que mais contribui nessa área. Me apresentei a ele e disse estar impressionado pelo número de trabalhos. Passei um sábado na casa dele, fizemos churrasco, ficamos amigos e ele me passou uma série de informações sobre importância da oração, mudança de resultados em cirurgias com situações de alto risco. Mostrou-me, por exemplo, o que acontece quando o médico reza junto do paciente. O que acontece com indivíduos que têm vida espiritual ativa antes de uma cirurgia cardíaca. Ele tem mais de 40 livros e 300 artigos publicados.

Ao voltar ao Brasil eu comecei a montar um grupo para estudar esse assunto e ele sempre foi o nosso tutor. Com o crescimento das pesquisas criamos o Gemca – Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular, hoje com sócios no Brasil todo. Durante o Congresso Brasileiro de Cardiologia (CBC), o maior da América Latina, nós fazemos sessões de debate sobre o tema. Há consistência. Estamos diante de um novo paradigma: a religiosidade interfere fortemente no transcurso da doença e no desfecho. 
Religiosidade e espiritualidade conseguem inibir a evolução nefasta da doença.

Fernando Lucchese, médico cardiologista, diretor do Hospital São Francisco e escritor

A ciência vem então se abrindo para essa possibilidade?
Completamente. Inclusive há quem não acreditava, colaborador aqui da área clínica. O convidei para participar de uma reunião e ele me disse “isso é ciência e eu sou obrigado a acreditar”. Transformou-se numa linha de pesquisa respeitada. Temos salas lotadas no CBC para ver os resultados das pesquisas.

Como a importância da fé à saúde é transmitida no consultório, considerando os diferentes credos?
É uma abordagem supra-religiosa. Quando um paciente vem operar comigo eu sempre pergunto se tem alguma religião ou fé. A maior parte responde que já esteve em seu pastor, padre ou centro espírita. Eles já vêm prontos porque são cirurgias de risco. “Doutor nem me fale nisso, sou agnóstico”, é raro. Houve até um caso que antes da cirurgia a pessoa avisou que não queria nenhum envolvimento religioso. Operação correu bem e, já no quarto, houve uma arritmia. Ele se apavorou, me chamou e entregou um papel com o nome de uma pessoa. Era um pastor. Eu nunca vi ateu em leito de morte. Na hora do acerto de contas o sujeito volta atrás e acredita em algo.

E como é tratada a diferença entre religiosidade e espiritualidade?
O IBGE aponta que 95% dos brasileiros acreditam em Deus, em diversas religiões. Não importa. A crença numa divindade caracteriza a espiritualidade. E a religiosidade é a manifestação pública dessa espiritualidade. Tem quem exerça a sua espiritualidade sem religião alguma. Para nós, na pesquisa, é mais fácil medir religiosidade que espiritualidade, já que está é mais pessoal e intrínseca.

A aceitação da ciência para religiosidade inclui manifestações como benzas, imposições de mãos e cirurgias espirituais?
Sim. Tudo isso está sendo estudado, de alguma forma. A imposição de mãos já tem vários estudos e a Associação Médica Espírita é muito forte e ativa. Há estudos que mostram mudanças de comportamento após uma imposição de mãos. Existe um efeito placebo – que não tem ação real – importante. É difícil separar. Tu vai na benzedeira por conta de uma verruga e ela desaparece. Foi a benza ou o ciclo vital da verruga? É difícil de confirmar. Nós temos hoje uma atitude menos castradora sobre esses procedimentos porque na história já tivemos de engolir coisas que não acreditávamos e depois foi provado que funcionava. Existem temas muito difíceis como, por exemplo, vida após a morte. Temos pesquisas com indivíduos que tiveram paradas cardíacas, relatos do que eles viram e a sensação depois que voltaram. É complexo porque não temos certeza absoluta. Mas temos de aceitar que existe uma verdade que talvez não esteja suficientemente revelada.

A fé pode ser prejudicial? Existem casos de quem abandona tratamento médico apenas para se apoiar na espiritualidade?
Isso é uma praga. O sujeito faz uma cirurgia pelo espaço, acha que está curado e não aceita o tratamento contra o seu câncer. Um ano depois ele morre. E nesse intervalo ele propagou para todos que foi o melhor que ele fez na vida. Depois, quando o câncer volta, ele encara como se fosse Deus que o penalizou. Religião não é prescrição médica, é apoio à cura da doença. Abandono de tratamento é um erro brutal e tem sido feito em função da fé.

A visitação a doentes em hospitais por parte de religiosos auxilia?
Auxilia muito. E os hospitais deveriam ter uma estrutura melhor para isso. Digo inclusive nós aqui da Santa Casa. É difícil manter um plantão de capelães, sendo o hospital tão grande. As visitas são importantes porque trazem ânimo.

Como a fé é conduzida nos casos em que o paciente vem a óbito?
Nós somos finitos e a medicina tem suas limitações. Chega um momento em que tu perde o controle da doença. Eu insisto com meus assistentes para que, no momento em que estamos perdendo um doente se faça uma oração. “Senhor, a minha ciência trouxe esse irmão até aqui. Daqui por diante eu não tenho o que fazer. Estou entregando ele nas tuas mãos”. Fiz isso muitas vezes na minha vida.


O senhor viu casos de cura quando a ciência já não apresentava saída?
Vi as duas situações. Operei uma pessoa querida, porteiro do meu edifício, em uma cirurgia que deveria ser simples. E ele morreu. É o insucesso que te mantém humilde e mostra que não pode fazer tudo. E a outra situação, em que tu está operando e surge o momento que não tem mais o que fazer. É desligar a máquina. Mas aí o coração começa a bater e o cara fica bem. São os milagres que acontecem todos os dias. Aconteceu aqui, uma pessoa ficou cinco dias com o coração parado, só na máquina. Eu considerava que não havia o que fazer. No sexto dia o coração voltou a bater. Temos que aceitar com humildade coisas que a gente desconhece.

O senhor se sente injustiçado quando o sucesso de uma cirurgia é creditado a Deus?
Não, isso é muito comum. E existe gratidão. Eu operei uma criança muito pobre. Foi preciso pagar a passagem pra família voltar pra casa, no interior do Estado. Um mês depois, estou no corredor do hospital e vem uma criança com uma laranja na mão, diz “tio, pra ti”. Foi o melhor presente. E estou sempre aberto a uma ajuda divina na hora de operar. 
Antes da cirurgia me concentro e peço ajuda de Deus.

Esclerose múltipla... Anvisa aprova uso de droga inédita a partir de março...

04/03/2018

Esclerose Múltipla é uma doença progressiva que vai afetando músculos e algumas capacidades do paciente. 

Por não ter cura, os medicamentos atuam para reduzir os surtos da doença e episódios em que os sintomas são mais agudos.

Pacientes portadores de esclerose múltipla têm o que comemorar a partir desses primeiros dias de março: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do Ocrevus (ocrelizumabe), droga inédita no País, para o tratamento da doença.

Esse medicamento é biológico, ou seja, seu princípio ativo é produzido por meio de organismos vivos. 

Também trata-se de um anticorpo monoclonal. Para produzir um anticorpo monoclonal, pesquisadores clonam uma célula de defesa, que depois é treinada para identificar e atacar agentes causadores de doenças.

“Essa noticia é considerada uma segunda vitória para os pacientes, pois em janeiro o novo rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu o medicamento natalizumabe, primeiro medicamento para esclerose múltipla a ser oferecido pelos planos de saúde”, diz Gabriela Guerra, advogada especializada em Saúde e Direito do Consumidor do escritório Porto, Guerra & Bitetti Advogados Associados.

Com a aprovação da ANVISA para este segundo medicamento, segundo Gabriela Guerra, os convênios médicos também serão obrigados a custear tal droga. 

Ela lembra, porém, que, como o rol da ANS demora 2 anos para ser atualizado, os pacientes que necessitarem do novo medicamento e receberem a negativa do convênio médico deverão ingressar com uma ação judicial para conseguir o fornecimento.

Segundo Gabriela, as chances de êxito de uma ação dessas é praticamente certa. 

“Isso porque o plano de saúde escolhe a doença que será coberta e o melhor tratamento quem escolhe é o médico”, explica a especialista.

Para aqueles pacientes que não possuem convênio médico, o medicamento também poderá ser solicitado ao Estado.

ENTENDA A ESPONDILITE ANQUILOSANTE...

20 de Fevereiro de 2018

Espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica e progressivo, que ataca primeiramente a coluna vertebral, as articulações sacroilíacas e o esqueleto axial, principalmente coluna, quadris, joelhos e ombros.

Além do mais, a espondilite anquilosante pode evoluir com rigidez e até mesmo, agregar a importante limitação funcional progressiva e comprometer qualidade de vida dos pacientes.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que mais de 80% da população mundial sofrerá ao menos um episódio de dor nas costas na vida.

Perante a alta incidência, é importante estar alerta, porque, a dor nessa região pode ser sintoma de uma doença mais grave.

A Espondilite Anquilosante é uma patologia que pode vir seguida por uma série de sinais, sintomas e umas atributos peculiares.

Alguns pesquisadores ingleses apoiaram que se juntasse dentro de um mesmo conjunto determinadas doenças, ainda então consideradas inteiramente distintas entre si, mas que, na veracidade, apresentavam diversas características comuns, conhecido por espondiloartropatias.

Este conjunto incluiu a espondilite anquilosante, a artrite psoriásica, a artrite reativa e a síndrome de Reiter. 

EPIDEMIOLOGIA

A Espondilite Anquilosante geralmente tem início no adulto jovem, na segunda ou terceira década de vida, acometendo principalmente indivíduos do gênero masculino, na razão de 3:1 (Zink et al, 2000).

Acomete ambos os sexos, porém, tem predileção pelo sexo masculino, da cor branca e que herdam um determinado grupo sanguíneo dos glóbulos brancos, em uma proporção de dois a quatro homens para cada mulher BARROS et al, 2007).

De acordo com Golding (1980), a prevalência varia conforme a população e o critério diagnóstico utilizado, sendo rara em negros, asiáticos e africanos.

Diagnóstico

Para a aprovação diagnóstica da Espondilite Anquilosante, os critérios mais empregados são os de Nova York modificados, que acordam critérios clínicos e radiográficos, segundo Barros et al. (2007).

Assim, para o diagnóstico de Espondilite Anquilosante é imprescindível a apresentação de um critério clínico e um critério radiográfico.

Os critérios clínicos são:

a) Dor lombar de mais de três meses de duração que melhora com o exercício e não é aliviada pelo repouso;
b) Limitação da coluna lombar nos planos frontal e sagital;
c) Expansibilidade torácica diminuída (corrigida para idade e sexo).


 Os critérios radiográficos são:

a) Sacroiliíte bilateral, grau 2, 3 ou 4;
b) Sacroiliíte unilateral, grau 3 ou 4.

SINAIS E SINTOMAS

Os pacientes com espondilite anquilosante costumam relatar problemas de dor, rigidez, fadiga, perda de movimentos e função, sintomas esses, que são tratados usualmente pela fisioterapia, que dispões de vários recursos para isso.

A INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA

Para a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2012), embora não exista cura para a doença, o tratamento precoce e adequado consegue tratar os sintomas (inflamação e dor), estacionar a progressão da doença, manter a mobilidade das articulações acometidas e manter uma postura ereta.

A intervenção fisioterapêutica é parte fundamental do tratamento. Atua de maneira preventiva ou retardando as complicações, com o objetivo de preservar os movimentos, manutenção de uma postura funcional e evitar incapacidades funcionais físicas, intervindo na melhora das atividades de vida diária dos portadores desse aspecto patológico (CHIARELLO,2005).

De acordo com Kisner (2005), deve-se aplicar técnicas de alongamento nas estruturas que se encontram contraídas e fortalecer os grupos musculares que estão com a flexibilidade diminuída e alongadas, extensão na coluna dorsal, rotação de tronco e pescoço.

CONCLUSÃO

Atualmente, existem evidências cientificas consistentes de que fisioterapia regular é essencial no tratamento de um paciente com espondilite anquilosante.

Sendo assim, a atuação do fisioterapeuta em pacientes portadores de espondilite anquilosante é de suma importância, visto que, a própria doença leva a um quadro clínico de dor aguda, rigidez, redução da mobilidade, levando à deformidade e incapacidade.

Fonte: Felipe Ricardo – Fisioterapeuta – CREFITO 14/235419 – http://www.frfisioterapia.com/