RISO OU CHORO INVOLUNTÁRIO PODE SER UMA DOENÇA...

2019-01-18

Trata-se de um transtorno de incontinência emocional mais comum em pacientes portadores de certas doenças neurológicas: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Esclerose Múltipla e Doença de Alzheimer, por exemplo. Ou que já sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Conforme a dra. Jerusa Smid, do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o afeto pseudobulbar pode ocorrer em lesões tronco-cerebrais, lesões do lobo frontal, sistema límbico, e em lesões subcortiais bilateriais e é  particularmente encontrada em indivíduos com quadros demenciais.

Não existe cura. 

Portanto, se você convive com um portador, não se assuste ao vê-lo rir por horas de qualquer situação que não tem a menor graça ou chorando copiosamente sem razão plausível.

Contudo, há tratamento que possibilita certo equilíbrio nas emoções. 

O mais comum é o medicamentoso. O problema é que o remédio ideal para controle do afeto pseudobulbar ainda não está liberado para a comercialização no Brasil.

“É possível também o uso de antidepressivos, antidepressivos tricíclicos ou antidepressivos inibidores seletivos de receptação de serotonina”, pontua dra. Jerusa.

Ela ressalta que, diferentemente do que se pode pensar, o distúrbio provoca bastante desconforto ao paciente e desgaste aos seus cuidadores por se tratar de situação incomum e, por vezes, constrangedora socialmente.

Fato é que as pessoas que sofrem desse mal, às vezes até sem saber, vivem um quadro emocional anormal, não habitual. Por ser pouco conhecido, a taxa de diagnóstico ainda não é a ideal, assim, quem é acometido pelo afeto pseudobulbar muitas vezes, em vez de receber tratamento adequado, ganha o rótulo de estranho ou inquieto.

Aposentadoria por invalidez...Tudo o que você precisa saber...

11 de janeiro de 2019

Quando uma pessoa sofre um acidente de trabalho ou uma doença grave, ela fica incapacitada de trabalhar e sendo assim, não consegue o dinheiro para sustentar sua família. Se isso acontece, caracteriza-se como invalidez. Quando isso acontece, muitas vezes é de maneira inesperada deixando a dúvida e insegurança financeira, então é preciso recorrer ao pedido de aposentadoria por invalidez.

Entenda como solicitar esse direito e quais os passos a seguir.

Quem tem direito?

Se a pessoa for considerada incapaz de trabalhar para trazer o seu sustento e de sua família, ela tem direito a aposentadoria por invalidez. Porém, precisa ser assegurado da Previdência Social. Não existe uma lista de doenças que restringe o direito a aposentadoria por invalidez, cada caso deve ser avaliado por um perito médico que irá avaliar e examinar o caso a afirmar a impossibilidade de uma rápida recuperação. Não existe restrição se a pessoa já estiver recebendo algum tipo de auxílio doença. Se ao se inscrever na Previdência Social o indivíduo já apresentar a doença, ela pode não ter direito ao benefício de aposentadoria por invalidez. A menos que a pessoa se torne incapaz devido ao agravamento da enfermidade.

Tempo de carência ou contribuição

Para ter direito a aposentadoria por invalidez, a pessoa precisa ter contribuído por pelo menos 12 meses com a Previdência Social, que é o tempo de carência. Há alguns requisitos que não necessita desse tempo de contribuição, como nos casos de acidente de trabalho, ESCLEROSE MÚLTIPLA, paralisia irreversível, doença de Parkinson, cegueira entre outras doenças que são listadas pelo Ministério de trabalho, Previdência Social e Ministério da Saúde. Outro caso é se a pessoa sofre acidente de qualquer tipo ou doença adquirida pela atividade laboral que realizada.

Enquanto permanecer impossibilitada de exercer qualquer trabalho que garantia o sustento, a pessoa tem direito a receber o benefício. A aposentadoria por invalidez não é vitalícia. É preciso passar por uma avaliação a cada dois anos (perícia do INSS), o que irá comprovar se a pessoa ainda se encontra incapacitada, se for comprovada a recuperação, o indivíduo deixa de receber a aposentadoria.

Valores pagos

A Previdência Social calcula como será realizado o pagamento, é uma média dos 80% maiores salários de contribuição, levando em consideração todo o período contributivo. 

Se houver necessidade de ajuda de um cuidador, enfermeiro permanente, é possível solicitar o aumento de 25% sobre esse valor.

Autorizado no Brasil, remédio de maconha é pouco prescrito por médicos...

30/12/2018

Canabidiol, a maconha medicinal...

Permitido pelo Conselho Federal de Medicina desde 2014 e com importação legalizada em 2015 pela Anvisa, o canabidiol, um componente da maconha, ainda é pouco prescrito pelos médicos no Brasil -- mesmo com evidências científicas de eficácia em alguns tratamentos. 

Em 2015, quando a prescrição passou a ser permitida, contabilizaram-se 321 pedidos médicos. Em 2018, o número de receitas cresceu 62% (520 prescrições até novembro), mas um valor ainda muito baixo, para um país de mais de 200 milhões de habitantes.... 

"Os médicos sentem-se inseguros em prescrever, principalmente pela dificuldade em encontrar informações, a falta de estudos clínicos robustos e de medicamentos em farmácias. Mas muitos ainda não acreditam no benefício terapêutico", diz a médica especialista em medicina funcional Paula Dall Stella, coordenadora científica da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal. 

Há três anos, a Anvisa transferiu o canabidiol da lista de substâncias proscritas (proibidos) para a de controladas, isto é, pode ser vendida apenas com receita médica especial. 

Com efeito comprovado pela ciência no tratamento de epilepsia, em muitos casos o canabidiol é a única substância conhecida capaz de controlar crises graves de convulsão em crianças e adolescentes. As receitas médicas são necessárias para que as famílias de pacientes consigam entrar na Anvisa com pedido especial de importação de medicamentos que contêm a substância, nenhum deles produzidos no Brasil. 

A maioria desses medicamentos são óleos purificados, feitos de variedades da planta que contêm alta concentração de canabidiol e muito baixa de THC - outro componente principal da planta, responsável pelos efeitos psíquicos característicos do uso recreativo de maconha.

Divergências no Brasil Uma explicação para a pouca quantidade de médicos que receita remédios derivados de cannabis no Brasil são as restrições do Conselho Federal de Medicina, que só autoriza neurologistas, psiquiatras e neurocirurgiões a prescreverem o componente para casos específicos de epilepsia.

Pacientes com outras doenças que poderiam se beneficiar de efeitos terapêuticos da cannabis - como dores crônicas, sintomas do câncer, esclerose múltipla - enfrentam dificuldades para obter prescrição.

 Isso acontece porque os medicamentos que atendem essas outras condições têm quantidades de THC que ultrapassam as de canabidiol, mesmo que ligeiramente. É o caso do Sativex, indicado para controlar espasmos da esclerose múltipla, único remédio de cannabis registrado pela Anvisa no Brasil, como Mevatyl.

Homem leva caixa com "cannabis" à empresa que trabalha com maconha medicinal na Califórnia.

Apesar de a Anvisa ter registrado esse medicamento e receber pedidos de importação especial de remédios que contenham mais THC, com laudo médico, o Conselho Federal de Medicina mantém as restrições quanto ao THC.

Segundo o psiquiatra Salomão Rodrigues, conselheiro do CFM, se de um lado existem evidências que comprovam o uso seguro do canabidiol, de outro não há estudos que comprovem segurança do THC, que "mesmo em doses mais baixas pode causar danos graves e irreversíveis". Ele fala do risco de crises psicóticas de natureza esquizofrênica e de problemas de desempenho cognitivo, no caso de uso crônico e precoce (antes dos 15 anos de idade).

Em 2017 o Conselho se manifestou contra a decisão da Anvisa de incluir a Cannabis na relação de plantas medicinais.

"Nenhuma planta medicinal deve ser utilizada in natura. Este uso não traz segurança ao paciente quanto à dose da substância que está sendo administrada e seguramente cada tomada do 'remédio' terá uma dose diferente. Por outro lado, o paciente não estará usando apenas a substância que deseja, mas sim estará ingerindo muitas outras substâncias e corre o risco de ingerir uma ou mais que cause mal", diz Rodrigues.

Segundo Dall Stella, apesar de a maconha ser usada com fins medicinais há milhares de anos, a compreensão do sistema cerebral no qual atua - conhecido como sistema endocanabinoide - ainda é recente.

"O entendimento do sistema endocanabinoide é relativamente novo, e os medicamentos existentes não são utilizados na prática clínica. Hoje, existem pouquíssimas empresas farmacêuticas com medicamentos registrados e aprovados por órgãos regulatórios internacionais. Temos, de um lado, pouco conhecimento técnico tanto dos medicamentos como do sistema endocanabinoide; de outro, pouco incentivo da indústria em apoiar protocolos que utilizem a cannabis", diz.

Para Paula Dall Stella, "o Brasil é um país conservador, e ainda existe um tabu muito grande em relação à planta. A ignorância e o preconceito sobre o assunto dificultam muito o avanço".

A médica, que entrou em contato pela primeira vez com o uso medicinal da maconha ao verificar as melhoras dos efeitos colaterais da quimioterapia em um paciente de câncer que fez uso terapêutico da erva, afirma que a questão é mais complexa - os benefícios da planta podem ser resultado da ação conjunta de THC, canabidiol e outras cerca de 120 substâncias ativas da planta.

"Não é porque a Cannabis é um fitoterápico ou um medicamento 'natural' que ela não tenha efeitos colaterais ou interações medicamentosas. Mas ainda assim, é uma substância segura, quando bem utilizada', diz Dall Stella.

"Existe uma demanda por cannabis medicinal por parte dos pacientes, mas encontrar um médico que prescreva o tratamento e enfrentar a burocracia de importação é um desafio", diz Viviane Sedola, criadora da Dr. Cannabis, plataforma que conecta médicos que prescrevem compostos da cannabis, pacientes que buscam tratamento e empresas que fornecem os remédios.

Patrocinada pelas empresas fornecedoras, a plataforma dá informações sobre os trâmites burocráticos da autorização da Anvisa e da importação. "40% dos brasileiros sofrem dores crônicas, uma condição muito beneficiada pela cannabis, por exemplo. O Brasil tem potencial de se tornar um mercado bilionário de cannabis medicinal", diz.

Experiência no Uruguai 

A falta de uma "educação médica em cannabis" não é problema exclusivo do Brasil, segundo a médica uruguaia Raquel Peyraube, coordenadora acadêmica do Curso de Cannabis Medicinal e Endocanabinologia no Uruguai, oferecido pelo governo a médicos no país.

A falta de uma "educação médica em cannabis" não é problema exclusivo do Brasil, segundo a médica uruguaia Raquel Peyraube, coordenadora acadêmica do Curso de Cannabis Medicinal e Endocanabinologia no Uruguai, oferecido pelo governo a médicos no país.

No primeiro Congresso Internacional de Medicina Canabinoide, que aconteceu em São Paulo no fim do ano passado, Peyraube relatou os resultados de uma pesquisa que avaliou o uso medicinal da planta no país, que revelou que 58% dos usuários de cannabis medicinal o faziam sem nenhuma supervisão medica e que 23% consideravam os médicos incapacitados para receitarem cannabis de forma adequada.

"Os estudantes de medicina não têm acesso em sua formação a disciplinas sobre o sistema endocanabinoide - saem da faculdade sem saber como funciona esse importante sistema relacionado a tantas funções do organismo", diz Peyraube, destacando que a experiência no Uruguai ensina sobre a necessidade de uma educação da classe medica em cannabis em paralelo às mudanças na legislação, para evitar automedicação. "Médicos precisam de ferramentas de conhecimento para assim se sentirem seguros na prescrição da cannabis. Temos um histórico de mais de 4 mil anos de uso medicinal que não deve ser ignorado", diz Peyraube.

ESCLEROSE MÚLTIPLA É COMPATÍVEL COM GRAVIDEZ SEGURA,,,

29 Dez 2018


Um estudo, publicado a 26 de dezembro e realizado em hospitais portugueses, avaliou as consequências da esclerose múltipla para a gravidez e a saúde do recém-nascido. 



Os resultados indicam a ausência de impacto negativo na gravidez, mas que o tratamento pode afetar as características biométricas do nascituro.



“Pregnancy outcomes in Portuguese women with multiple sclerosis” (PREGNIMS) foi publicado esta semana na revista científica Multiple Sclerosis and Related Disorders. 



Este é um estudo coorte multicêntrico, conduzido em hospitais do Porto, Braga, Santa Maria da Feira, Coimbra, Covilhã e Lisboa, criado com o objetivo de descrever os efeitos da esclerose múltipla (EM) na gravidez de mulheres portuguesas portadoras de EM e na saúde dos filhos.



A EM é uma doença crónica, inflamatória e degenerativa que afeta frequentemente mulheres em idade fértil, podendo comprometer o sucesso de uma possível gravidez. Em Portugal, os dados sobre esta situação são escassos e continua a haver muitas perguntas por responder.



São vários os estudos publicados sobre os efeitos das “terapêuticas modificadoras da doença” (TMD) na gravidez e o estudo português concluiu que a EM não tem efeitos negativos na gestação. No entanto, é necessário recolher mais informação, para que haja uma base de dados fidedigna.



O PREGNIMS incluiu mulheres, acompanhadas nas clínicas participantes no estudo, que tiveram pelo menos um parto entre 2011 e 2015. Foram identificadas mais de cem gravidezes, mas apenas 97 foram consideradas elegíveis para a análise pretendida. 



Durante um ano foram recolhidos dados relativos à saúde materna, evolução da gravidez, parto e saúde do recém-nascido.



Os resultados mostraram que 5% das gravidezes terminou em aborto, o que foi concordante com resultados de outro estudo, e foram registadas complicações como diabetes gestacional e pré-eclampsia; 64% das mulheres não teve qualquer recaída, que é a manifestação sintomática característica da EM, no primeiro ano pós-conceção, 29% teve uma recaída e as restantes tiveram duas ou três recaídas; não foram registadas mortes perinatais e as malformações congénitas foram mínimas, em apenas três recém-nascidos. Não se verificou impacto da doença no tipo de parto nem na duração da gravidez.



A exposição a TMDs, nomeadamente a fármacos imunomoduladores, durante a gravidez resultou na menor altura do recém-nascido, mas não teve impacto noutras variáveis. A exposição a TMDs também se relacionou com a maior duração das hospitalizações pós-parto, mas não com intervenções médicas diferentes.



Desta forma, o estudo demonstrou que a EM não tem impactos negativos na gravidez, mas que a exposição a TMDs durante a gestação tem alguns riscos associados para o recém-nascido. 



Contudo, continua a haver necessidade de discutir esta situação clínica, uma vez que a variabilidade existente entre as gravidezes e a escassez de dados continuam a assumir-se como problemas para a padronização de procedimentos clínicos.



MESMO COM ESTUDO TÉCNICO, ANVISA NÃO LIBERA CULTIVO MEDICINAL DA MACONHA...

23/12/201

Fischer tem autorização para importar o medicamento para a filha Anny...


Mesmo com estudo técnico concluído desde outubro de 2017, Anvisa não libera a importação de sementes e o cultivo da planta. Sem regulamentação, famílias precisam recorrer à Justiça ou a traficantes para conseguir tratamento para parentes...

Mesmo um ano e dois meses após ter concluído um estudo técnico, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não liberou a importação de sementes para o cultivo medicinal da maconha. Para se ter ideia da morosidade, o México iniciou esse processo depois da equipe brasileira e já definiu o trâmite para a compra e o semeio da planta. 

Aqui, estudos técnicos estão prontos desde outubro de 2017. A regulamentação garantiria a associações e familiares de pacientes maior facilidade para o uso terapêutico. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria são contra.

O uso medicinal da maconha tem crescido no mundo, criando alternativas de tratamento para doenças como câncer cerebral, esquizofrenia, esclerose múltipla, hidrocefalia, epilepsia e convulsões. 

No Brasil, mais de 80 mil unidades de produtos à base da planta foram importados desde janeiro de 2015, quando a Anvisa liberou o uso médico-hospitalar de canabidiol. 

Quase 3 mil brasileiros conseguiram a licença para a compra neste período.

Importar esses produtos é complicado e caro. Alguns medicamentos podem custar R$ 3 mil por frasco. O primeiro passo para quem tem interesse no tratamento é conseguir uma receita especial com o médico. Depois disso, terá de enfrentar diversas etapas de autorização na Anvisa para a importação. Com a liberação em mãos, é possível comprar os produtos em sites internacionais e encaminhar a permissão de entrada no país para a Receita Federal. Em alguns casos, o prazo se arrasta por mais de um ano.

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Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Holanda, França, Espanha, Itália, Suíça, Israel e Austrália são nações que apostaram no uso científico e na potencialidade de cura do uso da maconha e seus derivados. Na Califórnia, o uso foi autorizado em 1996 por meio de uma proposição de iniciativa popular. Há três anos, a Anvisa possui um grupo de trabalho com o objetivo de esclarecer os requisitos de segurança e de controle para o cultivo da planta e propor uma regulamentação para esse tipo de atividade. Contudo, poucos avanços foram implementados e recorrer ao Judiciário é o caminho para maioria das famílias.

Pai da primeira brasileira autorizada judicialmente a importar um derivado da cannabis para uso medicinal, Norberto Fischer enfrentou até 80 crises convulsivas por semana de sua filha Anny, diagnosticada com uma rara síndrome sem cura, a CDKL5. O medicamento deu à menina qualidade de vida. Ancorado em sua experiência, ele pede celeridade nos processos. “O prejuízo para as famílias ocorre em todos os sentidos. O Brasil perde em ganho de impostos, em avanços científicos e em desenvolvimento. Vamos continuar dependentes de outros países”, critica.

Agenda

O governo brasileiro tem uma agenda regulatória para o período 2017-2020. Antes de deixar o cargo, o diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, tentou avançar na regulamentação. Pediu celeridade ao processo que considera lento e ressaltou, por meio de procedimento interno, a urgência de as propostas serem avaliadas pela direção colegiada do órgão. Barbosa deixou o cargo em julho. No lugar dele, assumiu William Dib. O Correio procurou a Anvisa, que não comentou o caso.

Fischer está descrente com a agenda regulatória 2017-2020. “Espero que com o próximo governo tenhamos mais visibilidade política para esse processo. Vamos avançar, sem dúvidas, independentemente do governo. O mundo está caminhando para isso. Está provado cientificamente que traz benefícios. Não há mais dúvidas”, adverte. O pai de Anny emenda. “Se houvesse a descriminalização e a regulamentação, famílias não precisariam recorrer ao tráfico para tratarem os doentes. Pessoas de má-fé já produzem drogas e vendem no mercado para fins recreativos. A situação para fim terapêutico é outra”, conclui.

Na Anvisa, duas regulamentações, uma de cultivo da maconha e plantas controladas para pesquisa, e outra específica da droga para fins comerciais são debatidas. As propostas foram elaboradas pela área técnica da agência. As normas permitiriam que instituições públicas e privadas cultivem e desenvolvam medicação à base da planta no Brasil. A pesquisa com maconha e seus derivados é permitida no país. Contudo, os cientistas dependem de importações e os estudos precisam de autorização do órgão.

Sabrina, com a família, recebe canabidiol pela Secretaria de Saúde, mas às vezes falta...

Incerteza para pacientes
Sabrina Azevedo Filgueira, 11 anos, é autista em grau elevado e tem epilepsia. Ela faz uso do canabidiol — medicamento derivado da maconha. A menina foi a primeira a obter na Justiça, em 2013, a garantia de compra do remédio pela Secretaria de Saúde. Mesmo com a conquista, o tratamento é delicado. O pai dela, o analista de licitações Fábio Filgueira Virgulino de Sousa, 37, cobra a autorização para o plantio e o cultivo da planta. “Não houve avanços por parte da Anvisa em termos de políticas públicas. As conquistas estão na Justiça que se sensibiliza com a situação das famílias e concede a liberação. Ainda assim é um processo desgastante”, reclama.



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Para ele, a questão é de garantir oportunidade de tratamento e qualidade de vida aos pacientes. “Existe um lobby da indústria farmacêutica contra a produção artesanal, sobretudo pelo valor dos medicamentos comercializados. Outro ponto é o preconceito que ainda é muito forte”, conclui. Para se ter ideia dos custos, a renda média da família é de R$ 2,5 mil mensais. Quando a distribuição falha, eles têm de desembolsar R$ 1,2 mil por ampola.





Famílias têm se organizado para pressionar o governo para mudar as regras. Numa pesquisa na internet, aparecem mais de 50 grupos espalhados pelo país. Uma das mais atuantes, a Associação Cannab apoia o uso do óleo extraído da maconha como tratamento médico. A entidade almeja conseguir autorização para realizar o plantio, estudo e pesquisa para fins medicinais e científicos.

 Posição contrária

O Conselho Federal de Medicina (CFM) é contrário à flexibilização das regras e à modificação da lei. “A categoria profissional médica, por não legislar, pode se manifestar e denunciar a falta de necessidade do projeto pelo risco da utilização de produtos não padronizados de qualquer natureza”, alega em manifesto. Na mesma linha, a Associação Brasileira de Psiquiatria pede mais cautela. “Feitos de forma caseira, sem nenhum controle de teores de canabidiol, podem colocar em risco a vida dos pacientes, uma vez que não existirá padrão farmacológico garantido, que possa direcionar dosagens seguras”, critica.



O uso de maconha e de seus derivados para fins medicinais ou científicos pode ser autorizado por um projeto de lei. O texto defendido pela senadora Marta Suplicy (MDB-SP) altera a Lei de Drogas. No início de dezembro, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou o relatório que libera a importação de plantas e sementes, o plantio, a cultura e a colheita da cannabis sativa, exclusivamente para tratamentos de saúde, em local e prazo predeterminados e mediante fiscalização. A quantidade deve obedecer à prescrição médica.



A senadora defende que o fundamental do projeto é descriminalizar a pessoa responsável — a mãe, o pai, ou o familiar — que necessita fazer uso artesanal do óleo da maconha para cuidar de pacientes que receberam prescrição médica para tratar dessa forma a doença. “São pessoas que, na maioria das vezes, não têm condições de manter o tratamento de outro modo. Acentuo: o projeto é exclusivamente para quem tem prescrição médica”, explica.