UMA VIDA DE CUIDADOS...RS LIDERA RANKING DE DIAGNÓSTICO DE FIBROSE CÍSTICA

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24/09/2016

Ativa, a pequena Helena, cinco anos, conta com a ajuda da mãe, Luciana, para enfrentar o tratamento

No Brasil, a expectativa de vida de pessoas com a fibrose cística é de 38 anos
Os pais de Martin Degrazia Fernandes Lima, 23 anos, descobriram que ele tinha uma doença genética rara pouco tempo depois de ele ter nascido. E foi graças à insistência da avó. A mãe e o pai de primeira viagem estranharam o emagrecimento rápido e o choro constante do menino, e foi ela que fez com que buscassem atendimento médico especializado. Como a mãe de Martin é de Porto Alegre, foi para a Capital que a família viajou. Lá, após uma série de exames, foi confirmado o diagnóstico: Martin tinha fibrose cística. É a mesma doença do casal que inspirou o livro A Culpa é das Estrelas, de John Green.


Conforme a Associação Gaúcha de Assistência à Mucoviscidose (Agam), a doença é genética e atinge principalmente caucasianos e faz com que o corpo produza um muco mais espesso que o normal no pulmão.

 A eliminação se torna difícil, e, com o acúmulo, há proliferação de bactérias, o que causa problemas, como diabetes, infertilidade, doenças do fígado e fragilidade óssea, além de baixar a imunidade. Além disso, pâncreas e intestino não cumprem suas funções, o que exige medicação constante. Caso contrário, a digestão dos alimentos não é feita.

– Se eu não tomar os remédios e fizer o tratamento, eu não duro muito – explica Martin.

No Brasil, a expectativa de vida de pessoas com a fibrose cística é de 38 anos. A morte, geralmente, ocorre por insuficiência respiratória. Por isso, a família de Martin sofreu com o diagnóstico, mas não titubeou e partiu logo para o tratamento, que precisa ser ininterrupto e por toda a vida. Fisioterapia, fonoaudiologia e suplementação alimentar são previstos.

Apesar dos pesares, Martin diz que leva uma vida quase normal. Seus pais continuam dando suporte de sempre e nunca fizeram com que se sentisse inapto a nada, mesmo com os cuidados necessários.

Luiza, 19 anos, não tem o gene da doença que foi descoberta quando Martin, 23, era bebê. O engenheiro agrônomo tem uma vida quase normal, mas desenvolveu cirrose e, hoje, aguarda um transplante de fígado

– Restrição, eu nunca tive. Ou eu não me considero restrito a nada. Minha família nunca foi paranoica, e eu agradeço por isso. Não escondo meu problema. Acontece de algumas pessoas precisarem de antidepressivos. Eu nunca precisei – diz, olhando para a irmã Luiza, 19 anos, que não tem a doença nem é portadora do gene.

Encarando a doença

A professora Luciana Pötter é mãe da Helena, cinco anos, que tem fibrose cística. A família descobriu que a pequena tinha a doença quando ela tinha cinco dias de vida. A menina permaneceu internada por 62 dias em um hospital e passou por cinco cirurgias antes do primeiro ano de vida. Ela também não frequentou a escola durante os primeiros anos, por orientação médica, devido ao risco de contato com colegas por conta da imunidade baixa. A família se reorganizou para poder atendê-la. Hoje, tirando o cuidado que precisa e atenção ao tratamento, Helena é uma criança normal e muito ativa.

Já Martin está prestes a entrar na lista de transplante de fígado. Ele desenvolveu cirrose hepática por causa da fibrose. Devido a isso, precisa ficar próximo de Porto Alegre. Ele se formou este ano em Agronomia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e, como sua família tem uma propriedade rural em Itaqui, pretendia trabalhar lá. O plano precisou ser adiado, já que a cidade fica distante 720 km da Capital. O tempo vai ser crucial quando surgir um doador.

Depois, Martin vai precisar usar uma medicação para que o organismo não rejeite o órgão, um remédio que diminui a imunidade do paciente, situação que é agravada por conta de ele ser uma pessoa com fibrose, disse a pneumologista Elenara Procianoy da Fonseca, que o acompanha desde que nasceu. Há casos de pessoas com a doença que morreram dois anos depois do procedimento. O risco vale a pena, de acordo com Martin, porque a sua qualidade de vida vai melhorar. Martin nunca desanimou e já deu início, neste ano, a uma pós-graduação.

– Eu quero trabalhar. Meu maior desejo é poder contribuir. Eu quero ter uma vida – afirma.

Diagnóstico difícil, tratamento também

A presidente da Associação Gaúcha de Assistência à Mucoviscidose (Agam), Cleci Furian Muller, que tem uma neta com fibrose cística, conta que a cada 25 nascidos, um é portador do gene da doença. Quando dois portadores têm um filho, há 25% de chance de ele nascer com o mal. A estatística aponta uma taxa de nascimento de uma pessoa com fibrose a cada 1,6 mil. Na associação, há 400 pessoas cadastradas. No mundo, a estimativa é que haja 70 mil pessoas com a doença.

– O número pode não parecer alto, mas faz com que seja a doença rara mais comum no Brasil e coloca o Estado em primeiro lugar no ranking – explica.

E o número pode ser maior devido à dificuldade do diagnóstico. De acordo com o biólogo Cristiano Silveira, pai de um menino com a doença e representante do Instituto Unidos pela Vida, muitas vezes, os sintomas são confundidos com outras doenças. Há falta de informação e, inclusive, despreparo dos médicos.

– Imagine que há casos de famílias que descobrem a doença quando os filhos têm 8 anos. Viveram com todas essas dificuldades todo esse tempo – diz.

Até o primeiro semestre deste ano, só três hospitais no Rio Grande do Sul estavam aptos a fazer o diagnóstico completo, o que acrescenta dificuldade de confirmar a doença. Recentemente, o Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) começou a fazer o diagnóstico a partir da segunda etapa (veja abaixo).

Outra dificuldade é o custo. Para tratar o pâncreas, um dos medicamentos usados, o Creon, deve ser consumido cápsulas toda vez que o paciente se alimenta. Três cartelas com 10 comprimidos custam R$ 200. Em média, esse é o valor gasto pelos doentes a cada dois dias, a menos que entrem com ação junto ao governo do Estado para conseguir o remédio de graça. Outra questão é que a doença não escolhe classe social, e nem todos os doentes podem pagar fisioterapeutas e médicos particulares.

A esperança que surgiu para o tratamento foi o medicamento ORcAmb, ainda não disponível no Brasil. Ele deve deixar o muco formado menos espesso, o que facilita a eliminação e resolve boa parte dos problemas de pacientes. A Agam prepara uma ação coletiva para que o Estado faça o fornecimento. No próximo dia 28, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve apreciar o processo que permitirá a entrada do remédio em território nacional.

DERMATITE ATÓPICA...CAUSAS...TRATAMENTOS E PREVENÇÃO

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17/09/2016 

Doença é caracterizada pela formação de lesões avermelhadas, coceira e descamação do tecido cutâneo

Conhecida por ser uma doença inflamatória da pele, a dermatite atópica é caracterizada pela formação de lesões avermelhadas, coceira e descamação do tecido cutâneo. 

Ela acomete crianças a partir dos três meses, tem o ápice entre quatro e cinco anos, e pode provocar crises até a adolescência, quando é esperada a sua remissão espontânea. Em raros casos, a doença se manifesta na fase adulta, podendo estar acompanhada de episódios de asma ou rinite.

O que é atopia? 

É tendência hereditária a apresentar reações de hipersensibilidade imediata a antígenos ambientais comuns. As mais frequentes destas reações são a rinite alérgica, a asma brônquica e a dermatite atópica.

COMO IDENTIFICAR

A manifestação mais comum é a formação de placas vermelhas, descamativas e com coceira intensa, especialmente nas dobras do corpo como dos cotovelos, joelhos, punhos e axilas. Também há uma grande sensibilização da pele, que fica irritada e ressecada. Se a criança apresentar algum desses sintomas, a orientação é procurar um pediatra ou dermatologista.

A dermatite atópica pode ocorrer qualquer cor de pele

Causas

Embora sua origem não esteja bem esclarecida, sabe-se que a patologia está relacionada a fatores genéticos e externos – como exposição a produtos industrializados e alérgenos como ácaros e perfumes. 

Filhos de pais com histórico de dermatite atópica grave podem ter crises com mais frequência. Durante o inverno, o quadro também tende a se agravar em função do ressecamento da pele. Alimentos como nozes e derivados do leite e do ovo podem servir de gatilho para as crises.

COMO PREVENIR

Consumir probióticos, que são lactobacilos vivos, durante a gestação e a amamentação pode ajudar na prevenção, pois auxiliam no restabelecimento da flora intestinal, responsável pela imunidade. 

Depois disso, as únicas medidas preventivas servem para evitar as crises. São elas: utilizar hidratante todos os dias após o banho para repor a hidratação perdida, tomar banho rapidamente e com água morna – nunca quente – e manter-se longe de cortinas, tapetes e carpetes, que acumulam muitos ácaros. 

Também é preciso optar por sabonetes sem perfume, hipoalergênicos e que não agridam a pele sensível. Por fim, é bom evitar roupas de materiais sintéticos, uso de amaciantes e produtos com muitas fragrâncias.

COMO TRATAR

Usar hidratantes e emolientes é o primeiro passo do tratamento. 

Durante as crises, além dessa medida, o médico pode prescrever um corticoide tópico. 

Quando o paciente tiver muita coceira, pode-se receitar um antialérgico via oral. Para casos mais graves, outras substâncias podem ser recomendadas.

Fontes: Aline Magalhães, gerente médica da Galderma e Leandra Metsavaht, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia


CÁRIES...CAUSAS...TRATAMENTO E PREVENÇÃO...

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10/09/2016

Doença geralmente está relacionada a uma dieta rica em carboidratos e açúcares, associada à falta de cuidados com a higiene da boca


Caracterizada pelo ataque de bactérias ao esmalte do dente — o tecido mais resistente e com mais minerais do corpo —, a cárie é uma doença provocada por um desequilíbrio na flora bucal. Geralmente está relacionada a uma dieta rica em carboidratos e açúcares, associada à falta de cuidados com a higiene da boca. Em casos extremos, pode acarretar na perda dos dentes.

COMO IDENTIFICAR



Pequenas manchas brancas são o primeiro sinal, indicando que o esmalte dentário está sendo atacado. Consulte um dentista caso perceba algo diferente. A cárie pode evoluir e se aprofundar entre as camadas do dente: primeiro ataca a dentina e, posteriormente, a polpa. Nesse estágio, o paciente pode sentir dor e sensibilidade ao frio ou a doces. Quando muito evoluída, mesmo sem estímulo algum, ela provoca dores.



Como fazer uma higiene bucal adequada

COMO PREVENIR

Manter uma boa higiene bucal e uma dieta com consumo moderado de açúcares e carboidratos é a melhor forma de evitar as cáries. É necessário escovar os dentes após todas as refeições usando escova adequada, creme e fio dental. Utilizar flúor também é uma medida que fortalece o esmalte, mas deve ser orientada por um profissional. Consultas com um cirurgião-dentista também devem ser rotineiras.

Formação da cárie

COMO TRATAR

Quando a cárie já está instalada, é necessário fazer a remoção do tecido afetado. Se houver cavidades, o profissional precisa fazer restaurações. Casos graves podem exigir a remoção completa do dente


Quando a cárie já está instalada, é necessário fazer a remoção do tecido afetado. Se houver cavidades, o profissional precisa fazer restaurações. Casos graves podem exigir a remoção completa do dente.

Como lidar com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

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09/09/2016

Quem sofre com a doença fica preso em rituais para aliviar a ansiedade diante de algo que parece estar errado


"Comecei a perceber algumas manias por volta dos 30 anos, mas achava que era uma coisa normal. No meu caso, é muito forte a questão da conferência: conto várias vezes para ver se a porta de casa está fechada e já quebrei a manivela do vidro do carro de tanto forçar. 

No início, parecia só um sistema de conferência, mas me cansava. Hoje, com 46 anos, vejo com clareza que tenho transtorno obsessivo-compulsivo. Percebi quando procurei a terapia para melhorar o convívio com as pessoas. O TOC é algo forte, do qual não se tem domínio. Criei fórmulas para reduzir os sintomas e diminuir a ansiedade.

Pensando agora, acho que é uma coisa que me acompanhou a vida toda. Quando era guri, tinha o guarda-roupas todo alinhado, e diziam que era porque sou virginiano. Ao escrever, se borrava, jogava o papel fora e fazia desde o início. Não consigo fixar nada na parede — de tanto apertar o parafuso, cansei de estourá-lo. Parece besteira, mas no dia a dia é bem desgastante. O TOC te consome.

Usei medicamento por dois anos, hoje mantenho só a terapia. Estou bem melhor. Quando saio de casa, ainda preciso conferir se está tudo fechado, mas faço isso só uma vez.


E tento utilizar isso para o lado positivo. Sou administrador de empresas e faço consultoria empresarial. Em transações de negócios, por ser muito detalhista e observador, enxergo as falhas rapidamente. É cansativo, mas não tenho retrabalho por conferir de forma supercriteriosa desde o início.

Na vida pessoal, tu acabas te isolando um pouco, e às vezes as pessoas não conseguem entender que tu não tens domínio. Por outro lado, gostam de comprar telefone e carro meus, porque sou muito cuidadoso. Gostaria de conseguir colocar um celular junto com as chaves e não me preocupar em arranha-lo. mas não dá."

O relato que abre esta reportagem é do administrador de empresas Jorge Ângelo Rodrigues, que sofre de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). A doença, caracterizada por sintomas como necessidade de enxergar objetos organizados de forma simétrica, medo de contaminação e revisão excessiva de tarefas já realizadas, tem causas e efeitos bastante variados.

É o que explica o professor Ygor Arzeno Ferrão, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). O especialista afirma que a ocorrência está ligada à interação entre base neurobiológica bem estabelecida, questões genéticas e fatores ambientais.

— Não basta ter uma tendência genética. 

Há necessidade de fatores ambientais, como algum trauma ou estresse agudo ou crônico. Assim, se uma pessoa tem uma carga genética muito forte (e, por consequência, certa fragilidade neurobiológica), basta um pequeno evento para desencadear a doença. Por outro lado, se não há herança genética, é preciso um fator ambiental bem maior — relata Ferrão, que coordena o Ambulatório de Transtornos de Ansiedade e TOC do Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas.

Professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Aristides Volpato Cordioli relata que a probabilidade de uma pessoa com TOC ter um familiar com o transtorno é de quatro a cinco vezes maior do que uma que não sofre da doença. Se um dos gêmeos tem TOC, o risco de o outro também ter é de quase 50%, ressalta o psiquiatra.

— É bastante evidente que, no TOC, a pessoa aprende a lidar de maneira errada com seus medos. Ela descobre que fazer um ritual e evitar tocar em coisas de que tem medo lhe deixa mais tranquila, e passa a repetir — diz Cordioli, autor e organizador de livros sobre o tema.

Os sintomas não se apresentam, necessariamente, com a predominância de um tipo. De acordo com a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Roseli Gedanke Shavitt, pessoas com o transtorno podem ter mais de um ao mesmo tempo:

— Estudamos bastante a questão do tipo de sintoma, de qual é mais grave numa determinada pessoa e em um determinado momento. O que a gente vê é que, tanto pode ter um grupo de sintomas mais importantes, como pode ter empate entre, por exemplo, contaminação e simetria ou medo de provocar um dano para alguém e escrupulosidade. Há várias combinações possíveis.

Não posso ver nada desalinhado. Tenho TOC?

Organizar o guarda-roupa por cor, tamanho e virar todos os cabides para o mesmo lado. Alinhar simetricamente todos os quadros (inclusive em uma parede que não é da sua casa). Contar os passos enquanto caminha. Somar os números das placas de todos os automóveis que vê na rua. Quem faz coisas assim tem TOC?

— São sintomas. Mas um sintoma isolado é muito frequente na população em geral. Isso pode não ter significado clínico. Se isso não faz a pessoa perder mais tempo do que ela precisa no dia dela, se ela não sofre por causa disso, se ela não vive em função disso, é só um hábito ou necessidade para se sentir bem. É problemático quando ela se atrasa no trabalho ou falta para ficar organizando o guarda-roupa, por exemplo, ou quando quer parar e não consegue, pois sente um desconforto muito grande quando tenta parar — explica Roseli Gedanke Shavitt, da USP.

Para se diagnosticar o TOC, não basta a confirmação de obsessões e compulsões (veja a diferença abaixo). É preciso observar alguns aspectos como o tempo que os rituais tomam da pessoa e se há sofrimento ou desconforto.

O diagnóstico é feito por meio da avaliação de um especialista, normalmente um psiquiatra ou um psicólogo. Muitas vezes, os sintomas são negligenciados por quem tem a doença, fazendo com que o tratamento se inicie com quase 20 anos de atraso, salienta Ygor Arzeno Ferrão, professor da UFCSPA:

— Isso significa que já houve muitas perdas no meio do caminho: quadros depressivos associados, perdas de oportunidade acadêmicas e profissionais, perda de relacionamentos etc. Elas, provavelmente, dificultarão a vida do paciente e de seus familiares, tornando a resposta aos tratamentos bem mais difícil.

A gravidade da doença, conforme o professor aposentado da UFRGS Aristides Volpato Cordioli, pode atingir níveis extremos:

— Entre os pacientes com TOC, 10% tem uma incapacidade grave. Neste ponto, se compara com outras doenças mentais como esquizofrenia. As pessoas passam o dia todo fazendo rituais, não conseguem interromper, não conseguem trabalhar, ter vida, desenvolver autonomia, e acabam sobrecarregando a família.

Há dois tipos de tratamento, e os especialistas recomendam que sejam combinados: a terapia cognitivo-comportamental e a utilização de medicamentos conhecidos como inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). Mas evita-se falar em cura.

— A gente não fala em cura porque a regra no tratamento é ser mais comum a pessoa manter alguns sintomas residuais do que zerar. A diferença é que esses sintomas residuais nem interferem na vida da pessoa, não trazem sofrimento, mas estão ali — pondera Roseli.

Medo de ferir ou ser ferido
Pessoas com obsessão de que possam se ferir com algum objeto (como garfo ou faca), que têm medo de segurar ou estar perto de coisas pontiagudas. Também pode ser obsessão de que alguém a fira por não estar sendo cuidadoso o suficiente.

Entenda a diferença

Obsessão: pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que invadem a consciência e causam ansiedade, medo ou desconforto.

Compulsão: comportamentos repetitivos ou atos mentais para diminuir ou eliminar a ansiedade ou o desconforto decorrente das obsessões. Relacionam-se com regras que devem ser seguidas rigidamente.

TOC também é coisa de criança

Os sintomas do TOC podem começar ainda na infância. Em geral, manifestam-se primeiro nos meninos e, no que avança a idade, o índice de meninas com a doença aumenta até se equipararem na vida adulta. A ciência ainda não sabe dizer por que há essa diferenciação por gênero, mas isso também é uma verdade para outros transtornos psiquiátricos.

— Os sintomas são muito semelhantes tanto em adultos quanto em crianças e adolescentes. O que muda é que, na infância, alguns sinais são mais frequentes e mais fáceis de aparecer do que outros — analisa Maria Conceição do Rosário, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A psiquiatra, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (Upia) da instituição, explica que, quanto mais novas as crianças, mais comum é a presença de compulsões sem obsessões. Um exemplo é a alta frequência com que alguns meninos e meninas lavam as mãos, checam se alguma coisa está do jeito que imaginam que tem de estar ou caminham desviando da linha da lajota.

— Existem algumas fases em que ter sintomas obsessivos- compulsivos é absolutamente normal. Dos dois aos cinco anos, é muito frequente que as crianças tenham rituais, como querer que os pais contem histórias sempre do mesmo jeito ou que os alimentos não toquem uns nos outros dentro do prato. Algumas pessoas têm esses rituais e depois não desenvolvem TOC — relata Maria Conceição.

Aristides Volpato Cordioli, professor aposentado da UFRGS, ressalta que, quando o TOC se apresenta muito cedo, o fator genético fica mais evidente. Segundo ele, o mais comum é que se inicie durante a adolescência:

— Dificilmente começa depois dos 25 anos ou em pessoas mais velhas. Muitas vezes, compulsões e obsessões podem ser sintomas de doenças neurológicas. Quando começa depois dos 40 ou 50 anos, essa pessoa pode estar tendo tumor cerebral ou outras doenças neurológicas nas quais possa fazer parte uma compulsão.

Quando os pais querem ajudar, mas atrapalham

Quanto mais nova for a criança, mais difícil é fazer o diagnóstico, pois os sintomas são muito parecidos com comportamentos normais para a idade. Para se chegar a uma conclusão, não é considerado apenas se há rituais ou pensamentos obsessivos: é importante, como nos adultos, verificar a frequência com que eles acontecem, a intensidade e o quanto eles causam incômodos, desconforto ou ansiedade.

— Os sintomas precisam ser investigados e, caso sejam confirmados, encaminhar para tratamento o mais rápido possível. Quanto menor o tempo de duração da doença, mais eficaz é o tratamento — afirma Maria Conceição, acrescentando que o tratamento não será, necessariamente, com medicamento:

— Quando os quadros são muito leves, só fazendo psicoeducação e orientando a família para lidar melhor com os sintomas, a criança já melhora, principalmente as muito novas.

A especialista alerta para um comportamento chamado de acomodação familiar. Por exemplo: quando a criança demora muito no banho, a mãe entra junto para que ela leve menos tempo, ou o pai escreve a lição para deixar a letra como o filho imaginou.

— Os pais querem ajudar, mas isso aumenta a possibilidade de as compulsões continuarem. A terapia comportamental é baseada em ter a vontade ou impulso de fazer o ritual e tentar se controlar o máximo. Se os pais vão lá e fazem, a criança não passa pelo momento de tentar resistir — diz a professora.

Sinais de alerta

— Os rituais são considerados normais em crianças pequenas. Então, há outros aspectos que tem de ser analisados: eles causam incômodo ou sofrimento? Ajudam ou atrapalham? Isso pode ser visto, por exemplo, em um dia em que a criança vá dormir na casa de um colega: se ficar muito ansiosa por não realizar o ritual, é um sinal de alerta.

— A criança deixa de fazer alguma coisa por causa de seus rituais? Se algum acontecimento como viagem ou festa de aniversário interfere no dia a dia, a criança fica muito ansiosa ou não sente falta? Esses são sinais que podem dizer se ela precisa de ajuda ou se está tudo bem.

— Muitas vezes, as crianças escondem dos pais os sintomas. Se elas começam a ter rachaduras ou irritação na pele por causa da frequência de lavagem das mãos e se o tempo no banheiro é maior do que o comum, tem-se um indicativo.

— Outro sinal é a queda no rendimento escolar, provocado por idas frequentes no banheiro e demora ao fazer as lições decorrente do tempo de checagem dos exercícios. A redução no número de amigos, devido à vergonha ou medo de que descubram os sintomas, também merece atenção.


ESTUDOS CONFIRMAM EFICÁCIA E SEGURANÇA DAS ESTATINAS

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09/09/2016

Tratamento usado para reduzir o colesterol gerou discussão entre especialistas durante anos


Os tratamentos com estatinas para reduzir o colesterol diminuem o risco de acidentes cardiovasculares e apresentam efeitos colaterais adversos apenas em um número limitado de casos - de acordo com um estudo publicado nesta sexta-feira. 

Desde que o tratamento foi lançado, há três décadas, dezenas de milhões de pessoas no mundo com colesterol alto - mas sem ter necessariamente problemas cardíacos preexistentes - tomam estatinas de modo regular. Trata-se de um dos medicamentos mais vendidos pela indústria farmacêutica.

Nos últimos anos, porém, apareceram vozes acadêmicas discordantes. Publicado pela revista médica britânica The Lancet, o estudo se propôs a resolver esse debate, concluindo que os benefícios das estatinas são subestimados e que seus efeitos adversos são exagerados.

— Nossos resultados mostram que a quantidade de pessoas que evita acidentes vasculares cardíacos, ou cerebrais, graças a terapias com estatinas, é muitíssimo maior do que aqueles que sofrem efeitos colaterais — explicou Rory Collins, da Universidade de Oxford, que revisou um grande número de estudos existentes junto com outros pesquisadores.

Concretamente, cada redução de 2 mmol/l da taxa de colesterol graças a estatinas administradas durante ao menos cinco anos a 10 mil pacientes evita acidentes cardiovasculares em cerca de mil pessoas (o que representa uma taxa de 10%) que tiveram episódios cardíacos anteriores (infartos) e a cerca de 500 que apresentam apenas fatores de risco (fumantes, sedentários, histórico familiar, etc.).

Efeitos colaterais

Já os efeitos colaterais de miopatias com dores e fraqueza muscular apareceram somente em um caso entre 10 mil pacientes que tomam 40 mg de atorvastatina por dia. O risco de diabetes ocorreu em entre 10 e 20 casos.

O estudo oferece ainda respostas a dúvidas sobre outros efeitos colaterais, alimentadas pelos mitos relacionados às estatinas, entre os quais está a disfunção erétil para os homens.

A pesquisa é categórica ao concluir que essas associações - entre as quais também estão perda de memória, catarata, problemas renais, ou hepáticos, transtorno do sono, agressividade e comportamento suicida - não foram sustentadas pelos estudos de observação, que "não refletiram um efeito causal com a terapia com estatinas".

Um mercado gigantesco

A controvérsia sobre o caráter nocivo, ou a ineficácia, dos tratamentos preventivos com estatinas aumentou em alguns países recentemente, incluindo a Grã-Bretanha, onde 200 mil pacientes deixaram de tomá-las nos últimos anos, ou na França, onde representam um mercado de cerca de dois bilhões de euros anuais.

— As afirmações enganosas sobre a segurança e a eficácia dos tratamentos com estatinas representam um custo importante para a Saúde Pública — adverte o editor da The Lancet, Richard Horton, em um comentário que acompanha o estudo.

Vários especialistas independentes elogiaram o artigo.

— As estatinas têm sido injustamente demonizadas — afirma Tim Chico, especialista da Universidade de Sheffield.

Segundo David Webb, da Universidade de Edimburgo, "é provável que se tenha perdido muitas vidas, devido ao ponto de vista difundido de que as estatinas são perigosas, ou ineficazes".

— Esse estudo completo realizado por um grupo de acadêmicos internacionais de primeiro nível, com provas robustas e não tendenciosas de ensaios aleatórios e revisões sistemáticas, confirma que as estatinas são eficazes e que seus benefícios aparecem, inclusive, em tratamentos preventivos — acrescenta.