VEJA QUAIS SÃO OS PROBLEMAS OCULARES QUE PODEM AFETAR SUA SAÚDE...

10/01/2018

Sempre que notar algo diferente, lembre-se de procurar um oftalmologista...
A nossa visão é essencial para o nosso dia a dia, não é? Portanto, fique atento quais são os problemas que, além da vista, podem afetar a sua saúde.

1- Moscas volantes: O termo se refere à visualização de manchas (em forma de minhocas ou pontinhos) que aparecem especialmente quando se observa uma parede ou uma folha de papel em branco. Essas manchas são, na verdade, sombras dentro do olho, relacionadas à degeneração do humor vítreo (substância incolor e gelatinosa que preenche o globo ocular). 

Embora se trate de um processo natural que, geralmente, não traz maiores complicações, a avaliação médica é indicada. Isso porque existe um risco, ainda que baixo, de a degeneração do vítreo afetar a retina.

2- Olhos amarelados: A alteração da cor é observada em pacientes com problemas no pâncreas ou no fígado. Os olhos amarelados são um dos sintomas de quem, por exemplo, tem hepatite --inflamação do fígado por agentes infecciosos. O quadro também pode estar presente em pessoas com cirrose ou câncer no pâncreas. Alterações nesses órgãos levam a um aumento da bilirrubina circulante no sangue [substância alaranjada que, normalmente, é descartada nas fezes] e esse acúmulo gera a icterícia [coloração amarelada na pele e outros órgãos].

3- Pterígio: Essa formação de aparência carnosa, que surge no canto do olho, atinge especialmente aquelas pessoas mais expostas aos raios ultravioleta --como surfistas e pescadores. Trata-se de uma alteração fibrovascular da conjuntiva, que reveste o olho, e, a princípio, não interfere na qualidade da visão nem precisa gerar maiores preocupações. Ainda assim, o acompanhamento oftalmológico é importante, já que, se o pterígio avançar muito e afetar a córnea, o paciente pode desenvolver astigmatismo (comprometimento visual em que tudo parece meio borrado). Nesse estágio, pode ser necessário fazer uma intervenção cirúrgica. De modo geral, recomenda-se que quem tem pterígio use regularmente óculos com filtro UV e evite expor os olhos a poeira, vento e água do mar, além de ter cuidado com piscinas com muito cloro.

4- Visão em túnel: Esse problema costuma estar relacionado ao glaucoma. No entanto, na fase inicial, o paciente não apresenta sintomas dessa patologia, caracterizada por danos progressivos ao nervo ótico. Se a doença for negligenciada, o paciente só vai perceber quando perder o campo periférico da visão. E, nesse momento, não há mais como regredir o quadro. Também é possível que a visão em túnel tenha como causa outras patologias graves, como retinose pigmentar (que inclui ainda a perda da visão à noite), AVC (acidente vascular cerebral) e tumores intracranianos. Portanto, é fundamental investigar a origem do problema o quanto antes.

5- Fotofobia: Quem tem olhos claros costuma apresentar maior sensibilidade à luz, já que sua íris tem menos melanina (o que resulta em maior exposição da retina aos raios ultravioletas). Trata-se, portanto, de uma questão congênita, que acompanha a pessoa por toda vida. Mas quando a fotofobia aparece de repente, vale a pena investigar o porquê da mudança. O oftalmologista vai verificar, por exemplo, se existe alguma alteração na superfície da córnea, se a película lacrimal está adequada ou se há carência de vitamina E, entre outras alterações. 

6- Visão duplicada: Também conhecido como diplopia, esse problema afeta muito a qualidade de vida do paciente e pode envolver ambos os olhos (quando o alinhamento entre eles é comprometido) ou ser monocular (quando o paciente vê em dobro mesmo fechando um dos olhos). No primeiro caso, uma das causas mais comuns é o diabetes. A doença pode gerar lesões isquêmicas --ou seja, ligadas à falta de irrigação sanguínea. E essas lesões, por sua vez, afetam a musculatura ligada ao alinhamento perfeito dos olhos. Outras possíveis causas são aneurismas, traumatismos e doenças desmielinizantes (COMO A ESCLEROSE MÚLTIPLA). 

7- Ardência: Esse sintoma pode ser causado por alergias, exposição a substâncias químicas, síndrome do olho seco (quando a produção lacrimal é insuficiente) ou por processos inflamatórios nas glândulas que existem na parte interna da pálpebra. Além disso, o uso de eletrônicos também pode levar à sensação de secura, já que, quando estamos muito atentos ao que se passa na tela, piscamos menos, o que faz com que o olho seja menos lubrificado. Quem tem o problema não deve recorrer por conta própria ao uso de colírios, pois o uso indiscriminado pode acabar levando ao desenvolvimento de mecanismos alérgicos a alguns dos componentes da fórmula.

8- Olhos saltados: A proptose ocular pode ter diversas causas, mas, frequentemente, decorre de alguma disfunção na tireoide (glândula localizada no pescoço, responsável pela produção de hormônios que regulam diversas funções do corpo). Por isso, o problema costuma ser acompanhado por endocrinologistas e, muitas vezes, envolve o uso de corticoides. Quando o paciente é diagnosticado precocemente e recebe o tratamento adequado, é esperada uma retração do olho. Mas quando o problema só é identificado em uma fase mais tardia nem sempre o tratamento hormonal é suficiente para reverter a proptose ocular. Nesses casos, pode ser indicada uma cirurgia estética para que o globo volte à posição normal.


UNIMES VAI OFERECER TRATAMENTO AQUÀTICO PARA PESSOAS COM ESCLEROSE MÚLTIPLA...

09/01/2018

Tratamento aquático terá duração 
de 12 semanas
Instituição fará uma seleção no dia 20 de janeiro; programa gratuito dura 12 semanas

A Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) vai oferecer um programa gratuito de treinamento aquático para ajudar a promover qualidade de vida para pessoas diagnosticadas com esclerose múltipla. 

Para isso, a instituição fará uma seleção no dia 20 de janeiro, das 10h às 16h, no Campus Rosinha Viegas, que fica na Avenida Conselheiro Nébias, nº 536, Encruzilhada.

De acordo com a universidade, os candidatos, durante a seleção, participarão de testes motores e físicos e os resultados serão entregues no mesmo dia. 

Em seguida, será feita a triagem.

''Queremos investigar se um treinamento de força num meio aquático pode melhorar aspectos como a locomoção, fadiga muscular e até a capacidade neurológica daqueles que convivem com a doença”, explica o professor do curso de Educação Física Cláudio Scorcine.

O treinamento será destinado a todas as pessoas diagnosticadas com ESCLEROSE MÚLTIPLA e que residam na Baixada Santista, com condições de se locomover até a Universidade para realizar as atividades.

O programa dura 12 semanas e os interessados devem entrar em contato pelo telefone (13)99627-2816

UM TREINO CONTRA A ESCLEROSE MÚLTIPLA...

Quinta - Feira, 21 de Dezembro

Exercícios de resistência, como os da musculação, podem atrasar a progressão da doença...

Pesquisadores capitaneados pela Universidade de Aarhus, na Dinamarca, constataram que a musculação e outras atividades de força beneficiam diretamente o cérebro de quem tem esclerose múltipla. 

Essa doença autoimune afeta o sistema nervoso, culminando em sintomas como fraqueza e dificuldades de locomoção.

“O efeito positivo dos exercícios no cérebro é conhecido, mas ainda não sabemos como ocorre”, conta a educadora física brasileira Jéssica Garcia, que trabalha com doenças neurodegenerativas na Universidade de Coimbra, em Portugal.

O que não se discute é a importância de aderir às sessões de ginástica. “Quem é ativo consegue manter a autonomia”, diz Jéssica. O educador físico Otávio Furtado, cujo mestrado foi focado na doença, concorda: “Há melhora no cansaço, no equilíbrio e na força muscular”.

Orientações para quem tem esclerose múltipla malhar em segurança

#Comece devagar

#Não era superativo antes? Então nada de virar atleta de repente.

#Fuja do sol forte

#O calor aumenta o risco de surtos. Lembre-se de manter a hidratação.

#Faça natação em água morna

#A temperatura adequada gira em torno de 26 a 30 °C. Nem fria nem quente.

#Evite pancadas na cabeça

#Modalidades como boxe e muay thai podem trazer mais prejuízos ao cérebro.

#Avalie o melhor horário

#Contorne a fadiga. Em geral, de manhã temos mais energia.

#Como identificar um bom professor

É essencial buscar um profissional que se dedique a conhecer a doença e as limitações que ela impõe a cada pessoa. 

Um indivíduo com equilíbrio abalado terá necessidades diferentes das de alguém com enrijecimento muscular, por exemplo.


HORA DE FECHAR A TORNEIRA...

16 dez 2017

Entenda os motivos e os principais tratamentos para esse perrengue. 
O primeiro levantamento nacional sobre incontinência urinária revela uma epidemia de vazamentos entre brasileiros. 

Saiba o que podemos fazer diante disso

Não dá para tampar todos os vazamentos do prédio sem conhecer a sua tubulação. Analogias à parte, a falta de dados sobre as taxas de incontinência urinária no país fazia os experts daqui enfrentarem o problema no escuro. 

“Nós baseávamos as diretrizes de tratamento em estudos internacionais, que não necessariamente refletem a nossa realidade”, atesta o médico Carlos Bellucci, chefe do Departamento de Urologia Feminina da Sociedade Brasileira de Urologia.

Daí porque a primeira pesquisa de âmbito nacional sobre sintomas do trato urinário inferior – que vão da sensação de esvaziamento incompleto da bexiga ao escape de xixi – virou destaque no último Congresso Brasileiro de Urologia.

Ao englobar 5 184 homens e mulheres acima dos 40 anos de todas as regiões do Brasil, o levantamento desenha um cenário preocupante. “Confirmamos uma alta prevalência dessas condições em brasileiros. E mostramos que elas afetam bastante o bem-estar”, resume Cristiano Mendes Gomes, um dos autores do trabalho e urologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Como era de esperar, as mulheres sofrem mais com a perda de xixi: 45,5% reportaram o quadro, ante 14,7% dos marmanjos. 

Entre elas, a versão mais comum é a incontinência urinária de esforço. “Pelo enfraquecimento da musculatura pélvica, gotas escapam quando a pessoa tosse, espirra, exercita-se, carrega peso…”, diz Gomes. Entre as causas estão o envelhecimento, múltiplos partos e cirurgias na região. Já na ala masculina, o pênis serve como uma barreira extra para segurar o líquido amarelo. Neles, o desconforto está ligado sobretudo a operações na próstata, embora esse efeito colateral dos procedimentos não seja frequente.


O tipo mais usual de incontinência entre os homens é o de urgência – e, mesmo nesse caso, as mulheres lideram o ranking. 

Trata-se de uma vontade repentina de fazer xixi, que às vezes não dá pra segurar até achar um banheiro. 

Ela pode, por exemplo, surgir em decorrência de distúrbios neurológicos como Parkinson, esclerose múltipla ou AVC. Porém, essa emergência sem aviso prévio costuma ser fruto de uma condição denominada bexiga hiperativa.

 Já ouviu falar dela?

Depois de ser produzido pelos rins, o xixi vai parar na bexiga. 

E, conforme ela enche, a musculatura que a envolve começa a contrair, disparando a vontade de tirar a água do joelho. 

Até aí tudo bem. Agora, quando esses músculos comprimem o órgão a todo momento, mesmo sem um acúmulo considerável de líquido, estamos diante da tal bexiga hiperativa.

“A pessoa de repente fica com uma vontade intensa de urinar. Ela sai correndo para o banheiro sem nem esperar uns minutos até a reunião do trabalho terminar”, exemplifica Gomes.

Segundo o estudo brasileiro, a prevalência da encrenca é similar entre os sexos. A maior diferença está em suas consequências. Enquanto “só” 38% dos homens deixam escapar umas gotinhas em virtude do desejo súbito de urinar, 61% das mulheres acabam molhando as roupas íntimas por não controlarem esse ímpeto antes de encontrar um sanitário. A explicação para tamanha discrepância recai, de novo, na musculatura pélvica mais frágil e no fato de elas não contarem com um pênis para barrar a saída do xixi. “Mas a urgência por si só já pode piorar a qualidade de vida”, avisa o ginecologista Rodrigo de Aquino Castro, chefe do Setor de Uroginecologia da Universidade Federal de São Paulo. Aí que está: a incontinência não é, nem de perto, o único chabu das partes baixas a bagunçar o cotidiano.

Nenhum incômodo é normal

A lista de possíveis sintomas do trato urinário inferior (conhecidos pela sigla Luts, que vêm da expressão em inglês lower urinary tract symptoms) é grande. Além dos diferentes tipos de incontinência, encaixam-se nesse grupo de aborrecimentos: jato fraco ou espalhado, necessidade de acordar várias vezes à noite para se aliviar, sensação de esvaziamento incompleto, esforço excessivo para abrir as comportas do canal vaginal ou peniano…

E, dependendo da intensidade, as repercussões são inquietantes. “Alguns indivíduos se isolam por medo de fazer xixi na calça durante eventos sociais. 

Tanto que os sintomas urinários são associados a uma maior taxa de depressão“, observa Gomes. Já Bellucci lembra que, ao invadirem o período noturno, esses quadros prejudicam o sono, destrambelhando o organismo. “Há inclusive uma relação entre incontinência e fratura do fêmur, porque o idoso se apressa até o banheiro na madrugada, tropeça e cai no chão”, relata o urologista. Em resumo, não dá pra menosprezar esses perrengues.

Nem toda manifestação urinária exige tratamento médico. “Intervimos de forma aguda só nos cenários com um impacto negativo no bem-estar”, afirma Castro. Isso, contudo, não significa que você pode ignorar os escapes ou outros sintomas sob a alegação de que eles não incomodam. 

Embora a maioria dos sintomas venha de situações que não ameaçam a vida, existe uma pequena probabilidade de um problema sério desencadeá-los. 

Câncer, infecções ou, como dissemos, males neurológicos às vezes incitam o aparecimento dessas chateações. Até por isso o ideal é marcar uma consulta ao reparar em qualquer alteração do tipo. “Mas poucos brasileiros fazem isso”, lamenta Bellucci.

Uma vez excluída a presença de enfermidades graves, o tratamento começa com medidas comportamentais. A vítima da incontinência aprende a evitar bebidas diuréticas, como café e cerveja, a antecipar as idas ao banheiro e por aí vai. Eventualmente, ela recorre a fraldas, absorventes ou roupas íntimas descartáveis. E já pode agendar sessões de fisioterapia. “Usamos técnicas para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico, responsável por fechar a uretra”, explica Dalila Duarte, fisioterapeuta do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

A meta também é ensinar o sujeito a contrair essa parte do corpo em tarefas do dia a dia que ocasionariam o gotejamento. Se não pular os encontros com o físio e cumprir as lições de casa, a chance de sucesso beira os 80%. Contudo, em pleno século 21 precisamos lidar com um tabu por trás do método. “Como ele envolve tocar nas partes íntimas, há quem se recuse afazê-lo. Fora que nem todo local oferece profissionais especializados em fisioterapia pélvica”, pondera Dalila.


O próximo passo terapêutico, no caso da incontinência de urgência, em geral é lançar mão de medicamentos que regulam as contrações da bexiga. 

“O número de remédios cresceu e chegaram opções com menos reações adversas”, comemora Castro. Isso é digno de nota se considerarmos que os fármacos antigos elevam mais o risco de boca seca e alterações cognitivas ou intestinais, que não raro inviabilizam a estratégia no longo prazo.

Se isso acontece ou se eles não dão conta do recado, o doutor tem à disposição a aplicação de toxina botulínica para impedir que a musculatura ao redor da bexiga a comprima. Ou um aparelhinho batizado de neuromodulador sacral, que é implantado na base das costas e emite sinais capazes de atenuar  involuntária desse órgão.

Já para a incontinência de esforço, há múltiplas técnicas cirúrgicas.

A mais comum em mulheres envolve passar uma espécie de fita ao redor da uretra para reposicioná-la – com uma taxa de sucesso acima de 85%. Diante disso tudo, Bellucci dá um ótimo recado final: “O tratamento melhorou demais. O desafio, hoje, é garantir acesso a esses métodos para a população. E a nova pesquisa nos ajuda a colocar tais condições em foco e cobrar as autoridades”. Ufa!

Três motivos inusitados que levam à incontinência

Embora deixados de lado, eles contribuem para os vazamentos

Obesidade: a gordura de sobra pode acabar pressionando o reservatório de urina, o que eleva a possibilidade de escoamentos indesejados.
Constipação: trechos do intestino ficam bem próximos da bexiga. Logo, se estão repletos de fezes, prensam esse órgão ou nervos que disparam as contrações responsáveis pela incontinência.
Tosse crônica: problemas como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) culminam em acessos de “cof cof” que comprimem, lá embaixo, a musculatura do assoalho pélvico. E isso promove a saída da urina.

O atendimento entre quem tem sintomas

Só 30,6% dos homens e 36,8% das mulheres procuram o profissional.

Desses, 22,3% dos homens e 28,4% das mulheres recebem tratamento.

E, desses, 30,5% dos homens e 28,1% das mulheres reclamam da terapia utilizada.

Medidas antiescape

Controle a ingestão de água

Não é para viver na secura, porém o pessoal com incontinência precisa regular a quantidade de líquidos bebidos ao longo do dia. Isso é definido com o médico.

Evite diuréticos

O café e as bebidas alcoólicas estimulam a produção e a expulsão da urina.

Veja a bula dos remédios

Certas medicações para a pressão, por exemplo, instigam a liberação de xixi. Converse com um médico sobre esse possível efeito colateral e se daria para trocar de comprimido.

Programe as idas ao banheiro

Se sente a urgência de duas em duas horas, o indivíduo pode planejar visitas ao toalete a cada 90 minutos.


Doença genética que mais mata crianças não tem protocolo público no Brasil...

11 Dezembro 2017 

No começo do século 21 não havia tratamento e o diagnóstico de Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) significava uma condenação à morte em 100% dos casos...

Distrofia Muscular de Duchenne, quando não é tratada, leva 75% dos pacientes ao óbito antes dos 20 anos. 

Em entrevista ao #blogVencerLimites, especialista fala sobre custos, remédios, representação de pacientes, primeiros sinais da doença, importância do diagnóstico precoce e a atuação da Aliança Distrofia Brasil para melhorar a qualidade de vida...

A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é uma doença muscular progressiva causada pela falta da distrofina, proteína que fica na membrana da célula muscular. 

Afeta principalmente homens. É uma condição crítica para a estabilidade estrutural do esqueleto, do diafragma e do músculo cardíaco.

Pacientes com DMD, geralmente, perdem a capacidade de andar entre 10 e 12 anos de idade, têm restrições respiratórias e complicações cardíacas com risco de morte na adolescência. 

É a doença genética letal mais comum da infância e também a mais severa, com incidência de 1 para 3.500 nascimentos do sexo masculino”, explica a médica pediatra Ana Lúcia Langer, presidente da Associação Paulista de Distrofia Muscular, que integra a Aliança Distrofia Brasil.

A especialista destaca que a criança começa a apresentar sinais mais evidentes por volta dos dois anos de idade. Meninos têm aumento do tamanho do músculo da panturrilha, retardo no início dos primeiros passos, além de dificuldades para correr, saltar ou subir escadas.

“As crianças caem facilmente e tendem a andar na ponta dos pés, além de poderem apresentar atraso no desenvolvimento da linguagem. Um dos sinais clássicos de DMD é a manobra de ‘Gowers’, quando o menino usa suas mãos e braços para escalar seu corpo para ficar em pé”, comenta Ana Lúcia.
Meninos têm aumento do tamanho do músculo da panturrilha, retardo no início dos primeiros passos, além de dificuldades para correr, saltar ou subir escadas.

TRATAMENTO – A terapia com corticóide, diz a pediatra, consegue conter a perda da força muscular e da função motora, permitindo à criança andar de forma independente por mais tempo, com menos alterações cardíacas, respiratórias e problemas ortopédicos.

“Alguns medicamentos ainda não aprovados no Brasil, como Ataluren e Eteplirsen, atuam nos genes para formar a distrofina. 

Há também tratamentos para a restrição respiratória, para o enfraquecimento dos ossos e para a insuficiência cardíaca.

Podem ser recomendadas a cirurgia de escoliose ou para alongamento de musculatura posterior da perna e do Tendão de Aquiles”, diz a médica. 

“Pacientes com DMD precisam de diferentes profissionais para reabilitação, como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, ortesistas, nutricionistas e fonoaudiólogos”.

Ana Lúcia Langer afirma que meninos com Distrofia Muscular de Duchenne podem ter dificuldades sociais, problemas comportamentais e de aprendizagem. 

“O cuidado médico não será completo sem o suporte para um bem-estar psicossocial”, diz a pediatra e autora do livro ‘Guia para Diagnóstico e Manejo Terapêutico da Distrofia Muscular de Duchenne’, lançado em 2014.



CUSTO – O dinheiro gasto para tratar pacientes com DMD é elevado porque inclui medicamentos, reabilitação, órteses, cadeira de rodas adaptada e motorizada.

Segundo o Ministério da Saúde, não há Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) específico para Distrofia Muscular de Duchenne no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Os procedimentos disponíveis para distrofia muscular (CID 10 G710) seguem a tabela de procedimentos, medicamentos, órteses, próteses e materiais especiais do SUS”, informa a pasta.

Para ser incorporado ao sistema público de saúde, todo medicamento deve ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que atesta sua eficácia e registro de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). 

Também é necessário um pedido de avaliação da Conitec, que pode ser apresentado por qualquer pessoa.

Sobre o Eteplirsen, o Ministério da Saúde ressalta que não há solicitação de incorporação protocolado na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

NO BRASIL – A presidente da Associação Paulista de Distrofia Muscular comenta que há um protocolo internacional para DMD e outro recém-lançado pela Academia Brasileira de Neurologia.

A Portaria nº 1370 (30/12/2015 do Ministério da Saúde assegura ao paciente neuromuscular o acesso ao aparelho de suporte ventilatório e o direito ao acompanhamento clínico. 

Porém, isso é teórico em relação ao BiPAP (BI-level Positive Airway Pressure, compressor que infla as vias aéreas superiores). 

Apenas SP, MG e CE cumprem a portaria. 

Em outros Estados o paciente não consegue pelo SUS e precisa fazer pedido por meio da Justiça”, comenta Ana Lúcia Langer.

ALIANÇA – Um grupo de pais de crianças com DMD foi fundado no ano 2000, quando não havia tratamento e o diagnóstico significava uma condenação à morte em 100% dos casos. 

As famílias se uniram para salvar os pacientes.

“Muitas vitórias foram alcançadas, entre elas a portaria que dava direito ao BiPAP e ao acompanhamento ventilatório de todo paciente com distrofia muscular. 

Em 2008, essa portaria foi ampliada para todas as doenças neuromusculares pela portaria 1370. 

Há dois anos, o grupo de pais criou a Associação Paulista de Distrofia Muscular. 

No contato com associações de todo o Brasil que lutam pelas pessoas com distrofias musculares, surgiu a Aliança Distrofia Brasil”, finaliza a especialista.