SUPER COMPUTADOR WATSON DA IBM SE SOMA A 14 CENTROS NA LUTA CONTRA O CÂNCER...

 06/05/2015

A IBM introduziu o Watson na medicina genômica há pouco mais de um ano. 
Enquanto os médicos passariam semanas estudando cada mutação e a literatura científica existente, o computador Watson é capaz de obter resultados em alguns minutos.


A gigante da informática norte-americana IBM anunciou uma parceria com 14 clínicas e centros de saúde especializados no tratamento de câncer, que começarão a utilizar o supercomputador Watson para acelerar a análise de DNA e determinar tratamentos personalizados para os pacientes.

Quando a medicina genômica é usada para tratar o câncer, "tomamos um pedaço do tumor e o sequenciamos" geneticamente, explicou Norman Sharpless, diretor do centro de câncer Lineberger Comprehensive da Universidade da Carolina do Norte, que participa no programa.

O problema, então, está em "extrair um significado a partir destes dados" para determinar mudanças importantes e é aí "onde Watson nos ajuda", acrescentou.

Enquanto os médicos passariam semanas estudando cada mutação e a literatura científica existente, o computador Watson é capaz de obter resultados em "alguns minutos", segundo a IBM, destacando que poderia permitir que um maior número de pacientes tenha acesso ao tratamento adequado.

A IBM introduziu o Watson na medicina genômica há pouco mais de um ano com um programa lançado inicialmente no Genome Center de Nova York (NYGC) por uma forma particular de câncer no cérebro.

O número de centros participantes agora é muito maior, e outros mais devem se juntar ao projeto ainda este ano. 

As instituições estão planejando usar o Watson para todos os tipos de câncer: linfoma, melanoma, pâncreas, ovário, cérebro, pulmão, mama e câncer colorretal.

O anúncio foi feito no âmbito da conferência "World of Watson", organizada pela IBM nesta terça e quarta-feira em Nova York para destacar as habilidades de seu supercomputador e as oportunidades.

PROGRAMA DE EXERCÍCIOS MOSTRA RESULTADOS PROMISSORES PARA PACIENTES DE ESCLEROSE MÚLTIPLA...

06 DE MAIO DE 2015
Pesquisadores australianos dizem que um novo programa de exercícios está mostrando resultados promissores em pessoas com esclerose múltipla.

Como muitas pessoas com esclerose múltipla (MS), Sharryn McMillan sofreram quedas freqüentes nos piores momentos possíveis.




O medo de cair foi tão intensa que a fez relutante em deixar a casa.

"É chocante porque você não pode levantar-se. E se você está fora em algum lugar, você tem que ter alguém para ajudá-lo, e as pessoas não percebem o que está errado", disse ela.

Sharryn participaram de ensaio piloto de um programa de exercícios personalizados por Neuroscience Research Austrália (neura).

O programa inclui um tapete eletromagnético - ligado a um console - e uma tela de TV.

Projetado como um jogo, ele fornece feedback, e fornece um incentivo para melhorar a sua própria pontuação.

Sharryn disse que notou uma melhora e passou de queda de 3 a 4 vezes por mês, quase nunca.

Dr. Lisa Melton de MS Research Australia disse que os resultados preliminares foram promissores e sugeriu melhorias em outras áreas também.

"As taxas de quedas pessoas estão experimentando ter ido para baixo", disse ela. "Não só têm que melhorar a mobilidade equilíbrio, mas eles também mudou algumas das habilidades de pensamento -. A velocidade de processamento no cérebro"

MS é uma desordem neurológica ao longo da vida, o que afeta as pessoas de forma diferente, mas pode afetar a visão, a pé, fala, memória e escrita.

O distúrbio mais comumente afeta adultos jovens com idade entre 20 e 40 anos, com as mulheres três vezes mais probabilidades de ser diagnosticada. Os tratamentos estão disponíveis para ajudar a gerenciar MS, mas não há cura,

Pesquisadores em breve será lançando um ensaio clínico em grande escala, e eles estão procurando voluntários para participar.

Você pode descobrir mais sobre o site neura .

CIENTISTAS DESCOBREM NOVA LIGAÇÃO ENTRE DIABETES E ALZHEIMER...

05/05/2015

Aumento da glicose causou alteração em ratos.


Uma ligação única entre diabetes e Alzheimer, que fornece mais evidências de que uma doença que tira a memória das pessoas pode estar relacionada a taxas elevadas de açúcar no sangue, foi descoberta por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Washington em St. Louis, nos Estados Unidos. 

O estudo foi publicado na segunda-feira no Journal of Clinical Investigation.

Enquanto muitos estudos anteriores apontaram o diabetes como um possível contribuinte para a doença, a nova pesquisa em camundongos mostra que a glicose elevada no sangue pode aumentar rapidamente os níveis de beta amilóide, um componente-chave para a formação de placas cerebrais em pacientes com Alzheimer. 

A constituição dessas placas é considerada um condutor inicial do conjunto complexo de mudanças que causa a doença de Alzheimer no cérebro.

Nossos resultados sugerem que o diabetes, ou outras condições que tornam difícil controlar os níveis de açúcar no sangue, pode ter efeitos nocivos sobre a função cerebral e agravar doenças neurológicas, como o Alzheimer — disse a autora do estudo, Shannon Macauley. 

O elo que descobrimos pode nos levar a metas futuras de tratamento que reduzam esses efeitos.

Para entender como a elevada taxa de açúcar no sangue pode afetar o risco de Alzheimer, os pesquisadores infundiram glicose nas correntes sanguíneas de ratos criados para desenvolver uma condição da demência. 

Nos jovens sem placas no cérebro, duplicar os níveis de glicose no sangue aumentou os níveis de beta amilóide no órgão em 20%. 

Quando os cientistas repetiram o experimento em ratos mais velhos que já tinham desenvolvido placas no cérebro, os níveis de beta amilóide aumentaram em 40%.

Os pesquisadores também estão investigando como as mudanças causadas pela elevação dos níveis de glicose afetam a capacidade de regiões do cérebro para trabalhar em rede uma com as outras e para executarem tarefas cognitivas.

SINTOMAS ATÍPICOS COMO SUOR EXCESSIVO E AZIA PODEM INDICAR INFARTO...

03/05/2015 

Apenas 2% dos brasileiros sabem identificar os sinais que vão desde fadiga a suor excessivo.


A falta de informação relacionada à doenças cardiovasculares pode ser fatal e, portanto, reconhecer os sintomas de um infarto é fundamental. O principal sinal é a dor aguda no peito, mas ele também pode se manifestar por meio de outros sintomas atípicos e igualmente importantes como fadiga, azia, suor excessivo, dores nas costas e no pescoço, indigestão e sensação de obstrução na garganta. Ou seja, além da sensação de que algo aperta o coração, a pessoa que está enfartando pode sentir dores e desconforto em toda a região torácica.

Isso acontece porque os órgãos e os tecidos do corpo são interligados e interdependentes. O músculo cardíaco não funciona sozinho, ele precisa de uma boa oxigenação promovida pelos pulmões e uma pressão sanguínea eficiente e constante. Além de um sistema circulatório sadio, livre de placas de gordura ou coágulos que impeçam a chegada do sangue e do oxigênio aos diversos órgãos — esclarece Ricardo Pavanello, supervisor de cardiologia do Hospital do Coração, de São Paulo.

O infarto agudo do miocárdio é a morte das células do coração por falta de oxigenação adequada. Pavanello explica que para o coração funcionar é preciso que as artérias coronárias levem o oxigênio até o músculo cardíaco. Segundo o médico, quando uma dessas artérias está obstruída, esse fornecimento é interrompido, e nada for feito para frear essa obstrução as células cardíacas morrem.

Dependendo de qual artéria estiver obstruída, o paciente pode apresentar um conjunto de sintomas diferentes. A dor de infarto costuma durar poucos minutos e pode vir acompanhada de palidez, mal-estar e dificuldade para respirar — acrescenta o especialista, ao afirmar que os sintomas do infarto são agudos.

Os sintomas atípicos são mais comuns em três grupos de pacientes: idosos, diabéticos e mulheres. Nessas pessoas, a dor deve ser olhada com mais atenção. O quadro clássico de dor no peito, que irradia para o braço esquerdo, é muito comum até os 60 anos, mas 50% dos idosos, diabéticos e mulheres podem apresentar sintomas menos comuns.

Isto faz com que o paciente leve mais tempo para pensar que tem um problema cardíaco e demora mais para procurar ajuda. O ideal é não esperar sentir dor para procurar atendimento. No cenário ideal, todos deveriam procurar saber se têm fatores de riscos e se cuidar para prevenir algo mais grave — comenta Pavanello.

Especialistas recomendam que as pessoas fiquem atentas aos casos de sintomas específicos, pois a falta de informação pode ser fatal principalmente nesses casos. Quem tem antecedente familiar com doenças cardíacas, por exemplo, entra no grupo de risco e não deve menosprezar até mesmo os sintomas mais leves e aparentemente insignificantes. Diabéticos, em especial, podem sofrer diminuição da sensibilidade à dor. Idosos e mulheres muitas vezes atribuem as dores a outras causas não cardíacas, o que não pode acontecer.

Quem não se enquadra nos casos anteriores também deve ficar atento se ocorrer, por exemplo, azia ou queimação com vômitos e náuseas persistentes ou falta de ar súbita e limitante, pois esses sintomas devem ser avaliados por um médico. Nos casos de infarto que não são atendidos adequadamente, podem ocorrer complicações graves e até óbitos, que com abordagem precoce certamente seriam evitados — finaliza Pavanello.

ALÉM DO SOFRIMENTO FÍSICO, PACIENTES COM FIBROMIALGIA ENFRENTAM A DESCONFIANÇA DE FAMILIARES E ATÉ DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE...

03/05/2015

Em seu autorretrato 'A coluna quebrada', de 1944, a artista mexicana Frida Kahlo expressa sua dor por meio dos pregos espalhados por todo o corpo.


As sobrancelhas, o vermelho das vestes, as flores no cabelo e a experiência de dor são marcas indissociáveis de Frida Kahlo. Seu autorretrato com pregos perfurando todo o corpo, A coluna quebrada, um dos seus quadros mais famosos, é também indício de que a artista mexicana sofria de fibromialgia. Na tentativa de explicar os motivos para a dor crônica que acompanhou a artista durante anos, alguns autores sugerem que Frida sofria de fibromialgia pós-traumática, caracterizada por dor generalizada persistente, fadiga crônica, distúrbios do sono e pontos dolorosos em regiões anatômicas bem definidas. Esse conceito de fibromialgia, tal como entendido atualmente, provavelmente não era disseminado entre os médicos do século 20.




Quando Frida pintou A coluna quebrada, em 1944, a associação de pontos dolorosos com reumatismo já tinha sido citada há pelo menos 120 anos. Em 1824, o cirurgião escocês William Balfour foi o primeiro a descrever pacientes com pontos musculares hipersensíveis à palpação e passíveis de desencadear uma dor irradiada. A fibromialgia não é uma doença nova, como muitos imaginam. Historicamente, ela vem sendo apresentada com diferentes nomes: fibrosite (1904), miofibrosite (1929), síndrome fibrosítica (1952), síndrome fibromiálgica e, por fim, fibromialgia (1981). Com este nome, em 1992, foi reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença reumática. Mas, mesmo tanto tempo depois, segue sendo questionada pela sociedade, pelos familiares dos pacientes e mesmo por alguns profissionais de saúde.



ASSOCIAÇÃO

Para os fibromiálgicos, pessoas mais sensíveis à dor que a população em geral, tamanha desconfiança e descrença também dói. A aposentada Sandra Santos, de 53 anos, foi diagnosticada em 2005 e, em uma atitude positiva frente ao sofrimento, fundou a Associação Brasileira dos Fibromiálgicos (Abrafibro) com outros pacientes. Para tratar um problema de coluna, foi encaminhada para um tratamento que não conseguiu levar adiante. “Entrava andando e saía de cadeira de rodas. Insisti até a oitava sessão, mas a médica responsável estranhou meu limiar de dor ser tão pequeno. A especialista que me acompanhava desconfiou que pudesse ser fibromialgia e, no exame clínico, identificou que eu tinha 11 dos 18 pontos de dor. Já tinha fibromialgia, mas, provavelmente, ela estava sendo mascarada pelo problema de coluna”, lembra Sandra.


O reumatologista Luiz Severiano Ribeiro, do Serviço de Reumatologia do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), lembra de um tempo em que os próprios pacientes não acreditavam no diagnóstico, mesmo que ele justificasse a dor, que consideravam “inexplicável”, tamanho era seu incômodo. “Chegavam reclamando de dor e cansaço, mas não levavam a sério o diagnóstico. Primeiro, não entendiam o nome. Além disso, os exames clínicos não apontavam nada e receitávamos antidepressivo. Achavam que fibromialgia era coisa de doido e, quando procuravam outro médico e contavam o que o reumatologista tinha dito, ouviam que precisavam mesmo era de psiquiatra. Essa era a clássica trajetória de um fibromiálgico 20 anos atrás. Pulavam de um médico para outro sem uma explicação e, quando recebiam o diagnóstico, não acreditavam”.



Sensibilidade aumentada




Nos últimos anos, houve um grande avanço na compreensão da fibromialgia, que é considerada uma síndrome por englobar uma série de manifestações clínicas, como dor, fadiga, distúrbio do sono. Segundo Eduardo Paiva, chefe da Comissão de Dor e Fibromialgia da Sociedade Brasileira de Reumatologia, professor assistente da Universidade Federal do Paraná e chefe do Ambulatório de Fibromialgia do Hospital das Clínicas da UFPR, está cada vez mais estabelecido que a fibromialgia é um problema de sensibilização do sistema nervoso, que estaria programado para sentir mais dor. Exames como a ressonância magnética funcional, capazes de mostrar o funcionamento do cérebro em tempo real, revelam a intensidade amplificada da dor, tal como relatada pelos pacientes. “O sistema nervoso pode ser modulado, amplificado. Na fibromialgia essa modulação é para mais. Como se tivéssemos um botão de volume capaz de aumentar a sensibilidade à dor.



As pessoas que sofrem de fibromialgia têm um limiar de dor rebaixado. Estímulos que normalmente não causam dor em outras pessoas, como um carinho, podem ser dolorosos para o fibromiálgico. Segundo Roberto Heymann, reumatologista do Hospital Albert Einstein e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), isso ocorre devido a um desarranjo dos mecanismos que controlam a dor no sistema nervoso central. “As causas desse controle inadequado dos mecanismos da dor são desconhecidas. Acredita-se numa predisposição genética que, quando exposta a alguns fatores ambientais, gere o quadro de fibromialgia. O que sabemos é que os mecanismos do sistema nervoso central associados à sensação e transmissão da dor encontram-se exacerbados e os mecanismos que deveriam inibir ou filtrar essas sensações estão diminuídos, permitindo uma transmissão anormal de estímulos de dor ao cérebro”, explica.



Além disso, há fatores externos que influenciam a transmissão e a sensação de dor. O estado emocional e o frio são alguns deles. A depressão, por exemplo, pode ser uma das consequências da fibriomilgia, como em tantas outras doenças crônicas, mas também o gatilho que faltava para desencadear um quadro de fibromialgia na pessoa geneticamente predisposta. Segundo Heymann, a saúde emocional tem influência direta em todas as doenças, não só na fibromialgia. “Quantas pessoas têm picos de hipertensão porque ficaram nervosos e ansiosos, por exemplo? Mas na fibromialgia, pelo fato da dor ser subjetiva, a influência que a emoção exerce na sua intensidade muitas vezes gera preconceito. O fato é que uma pessoa deprimida efetivamente sente mais dor que a população normal, pois sua sensibilidade dolorosa encontra-se exacerbada. Dessa forma, fica fácil entender que a depressão piora os quadros de fibromialgia”, explica.



Qualquer quadro de dor crônica também prejudica o sono, pois frequentemente o paciente acorda pela dor. Mas na fibromialgia alterações hormonais e de neurotransmissores também são responsáveis pela superficialização do sono e pela sensação de fadiga. A maioria das pessoas que sofre de fibromialgia, portanto, tem um sono superficial e leve em que não descansam, e por consequência ficam fatigados e sem energia. Dor generalizada, dificuldades para dormir ou despertar com cansaço e sensação de cansaço ou fadiga durante todo o dia são os principais sintomas da doença. Aos 84 anos, Maria Joana das Mercês chegou a duvidar de tinha realmente dormido durante a noite, ou se era um sonho. Frequentadora do grupo de educação do paciente fibromiálgico, realizado há mais de 20 anos no Ipsemg, hoje ela sabe lidar melhor com os sintomas, mas eles não deixaram de incomodar. “Durmo e levanto pensando se realmente dormi. E a dor é insuportável. Ninguém merece”, lamenta.


Confira vídeo com o relato de pacientes sobre fibromialgia:


A COLUNA QUEBRADA



No artigo Arte e dor em Frida Kahlo, de 2014, Rodrigo Siqueira Batista e coautores buscam, na biografia e obra da artista mexicana, interseções entre sua arte e experiências de dor. Para os autores, em A coluna quebrada, na qual ela se retrata usando o colete de aço para controle do quadro de dor, os pregos encravados em seu corpo nu traduzem um infindável martírio. “O corpo de Frida está dividido, sangrando, pregado e isolado, transparecendo pois, o suplício físico que nunca a abandonou ao longo da vida.” No filme Frida, de 2003, em um dos diálogos, ela chega a dizer: “Nem lembro como era antes da dor”. A solidão, metaforizada pela paisagem desértica, reforça o sofrimento. O corpo aberto é uma referência às várias cirurgias às quais se submeteu para reparar a coluna, sem melhoria de suas queixas. Já os pregos fincados sugerem os típicos pontos dolorosos da fibromialgia. Para os pesquisadores, essa hipótese explicaria a dor crônica e a fadiga profunda experimentadas pela pintora.



A pintora Frida Kahlo sofria significativas dores, tanto de origem física (orgânicas), quanto de cunho emocional. De fato, uma das maiores tristezas da artista está ligada à relação com seu companheiro, o pintor Diego Rivera, por quem foi profundamente apaixonada. O casal nutria imenso carinho mútuo; entretanto, viviam igualmente em meio a brigas e traições, o que muito entristecia Frida. Uma dessas brigas foi fruto da traição de Diego com a irmã de Frida, Adriana. Frida também padecia muito com o fato de não conseguir engravidar ou de sofrer abortamentos espontâneos quando a gestação ocorria. Um famoso quadro, chamado Henry Ford Hospital (La cama volando), retrata, de forma bastante marcante e forte, um episódio no qual Frida necessitou de internação devido a um abortamento. Em vida não há relatos de que tenha sido diagnosticada com fibromialgia, mesmo porque, na época, não existia a denominação “fibromialgia” (esta é bem posterior, remontando aos anos 1970). Essa hipótese diagnóstica foi levantada após sua morte, sendo sugerido por seu quadro clínico de dor crônica, conforme proposto no artigo Fibromyalgia in Frida Kahlo’s life and art (artigo de Manuel Martinez-Lavín, Mary-Carmen Amigo, Javier Coindreau e Juan Canoso publicado na revista Arthritis & Rheumatism, em março de 2000).



O artigo Art and pain in Frida Kahlo*, fala de uma possível relação dos pregos pelo corpo em A coluna quebrada com os pontos dolorosos da fibromialgia. Esse quadro pode ser considerado uma clara evidência de sua experiência com a fibromialgia? Por que?



O quadro A coluna quebrada – no qual se observam pregos espetados pelo corpo da artista – retrata a relação de Frida com as sequelas – múltiplas fraturas na coluna – do acidente sofrido na juventude, assim como sua relação com a dor. Em relação aos pontos dolorosos da fibromialgia, parece ser uma hipótese plausível, mas certamente não se constitui em uma “clara evidência”, especialmente ao se considerar uma pintora da categoria e intensidade de Frida Kahlo.



Qual a "importância" da dor para a obra da artista latina?



Frida Kahlo pintou muitos autorretratos, por considerar-se bastante conhecedora de si mesma. Presume-se que a artista retratou em suas telas muitos momentos de dor – tanto de origem física, quanto emocional –, os quais fizeram parte de sua existência. Deste modo, é possível conjecturar que Frida, de algum modo, encontro na arte o sentido para a própria dor.



*O artigo de autoria de Rodrigo Siqueira-Batista, Plínio Duarte Mendes, Julia de Oliveira Fonseca e Marina de Souza Maciel foi publicado em 2014, na Revista Dor.



Sem estigmas

Para conviver com a síndrome e manter a qualidade de vida, é essencial que a pessoa acometida por fibromialgia a encare com seriedade e se trate com profissionais conhecedores do assunto

Jorge Luiz Dutra, de 59, foi várias vezes questionado por sentir dores


No dia 12, celebra-se o Dia Mundial da Fibromialgia. A data reforça a luta de pacientes por mais acesso aos tratamentos e, principalmente, por mais visibilidade para a síndrome. Só a conscientização da população pode mudar o panorama de descrença em torno do quadro de dor crônica que marca o problema. O pedreiro aposentado Jorge Luiz Dutra, de 59 anos, tem o diagnóstico desde 2004 e ainda hoje convive com a desconfiança. Morador da zona rural, já está cansado de ouvir que a fibromialgia é só uma desculpa. “Muita gente fala que não tenho nada, que não quero é trabalhar. Eles olham pra mim e dizem que, se estou gordo, estou ótimo de saúde”, conta. Mas é Jorge quem conhece o sofrimento de viver na iminência de sentir dor, sintoma influenciado por questões sociais, culturais, emocionais e religiosas.



Para Roberto Heymann, reumatologista do Hospital Albert Einstein e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a avaliação da dor é complexa por não existirem medidas precisas de mensuração, como na hipertensão arterial e no diabetes.Assim, a avaliação da dor depende da informação do paciente, do profissional ou familiar. “Se faltam informações adequadas, certamente haverá um erro de avaliação. E é por isso que, frequentemente, observamos familiares, colegas de trabalho ou até profissionais de saúde descrentes com o sofrimento desses pacientes. Isso eleva o grau de padecimento do fibromiálgico, influenciando, inclusive, a evolução do seu quadro clínico. “A falta de conhecimento adequado sobre essa síndrome na sociedade muitas vezes cria preconceitos absurdos. O apoio familiar e da sociedade é imprescindível”, defende.



A dor da fibromialgia pode gerar muito sofrimento, o suficiente para atrapalhar suas atividades diárias e usuais. Mas, apesar de pacientes e entidades lutarem para a possibilidade de licença ou mesmo aposentadoria, o afastamento do trabalho é uma questão complexa, na opinião de Heymann. “Não há dados que comprovem que gere algum benefício, e o afastamento do trabalho geralmente é seguido de piora do quadro”, explica. Para o especialista, na maioria dos casos, é perfeitamente possível conviver com a síndrome e manter a qualidade de vida. Para isso, é essencial que a pessoa acometida por fibromialgia a encare com seriedade e se trate com profissionais preparados e conhecedores do assunto. “O paciente deve encarar o tratamento como o de qualquer outra doença, sem estigmas”, defende.



REAÇÃO 


A personal trainer Michele Barreto, de 42, teve o diagnóstico 14 anos atrás. Medicamentos, terapia, mudanças nos hábitos alimentares e atividade física regular permitem que ela conviva com a fibromialgia sem grandes problemas. “Hoje, estou ótima, mas, na época do diagnóstico, teve vez de eu sentar no chão e chorar. Mas tinha duas opções: ou aquilo acabava comigo ou eu reagia. O paciente precisa entender que o quadro melhora quando se adere ao tratamento”, afirma. Ex-atleta de vôlei, Michele estranhava as pessoas contarem os benefícios do relaxamento de uma massagem. “Porque eu gritava de dor, em vez de relaxar. Também tinha parado de dormir e já acordava cansada”, lembra. Foi essa experiência que a levou a um reumatologista, que deu o diagnóstico da fibromialgia.

A personal trainer Michele Barreto, de 42 anos, encarou a fibromialgia e insistiu na atividade física mesmo nos dias de muita dor

Nos tempos de vôlei, Michele tinha lesões que demoravam mais a melhorar. Na época, isso chegou a ser um motivo de desconfiança, porque algumas pessoas imaginavam que ela estivesse fazendo “corpo mole” para jogar. Mas é comum que os fibromiálgicos sejam pacientes com um histórico de dor que antecede o diagnóstico. Segundo Eduardo Paiva, chefe da Comissão de Dor e Fibromialgia da Sociedade Brasileira de Reumatologia, há vários caminhos para se chegar à fibromialgia. “Pode ser, por exemplo, resultado de uma dor localizada mal tratada. Pode, também, começar depois de um trauma físico ou psíquico. Mas o mais comum é ela ser o resultado de uma dor localizada, que vai se cronificando e tomando todo o corpo”, explica o especialista, professor assistente da Universidade Federal do Paraná e chefe do Ambulatório de Fibromialgia do Hospital das Clínicas da UFPR.

E foi exatamente um trauma que funcionou como gatilho para a fibromialgia de Michele. Ela dirigia, quando sofreu um grave acidente de carro, em que duas amigas se machucaram muito. “Fiquei com culpa. No início, achei que as dores nas costas eram consequência do acidente. Cheguei a usar colar cervical por um tempo, mas a dor continuou”, conta. A primeira reação depois da constatação da fibromialgia foi buscar todo tipo de recurso para lidar com a doença: massagens, acupuntura, homeopatia, terapia. Essa última foi essencial para que ela mudasse seu jeito de encarar a doença. “Aprendi que, se somatizasse, iria piorar as coisas.” A atividade física também foi essencial. “Já ouvi muito médico dizer que ela é mais que 50% do tratamento. Às vezes, é tanta dor, que a gente não quer fazer nada. Mas é preciso ter persistência.”

A experiência pessoal com a fibromialgia faz a profissional ser bastante procurada por pessoas que querem aproveitar dos benefícios da atividade física para o controle dos sintomas. “Acho que eles têm confiança de treinar comigo porque sei o que eles sentem na pele. Além disso, a atividade física para fibromiálgicos tem que ser específica e muito bem orientada”, alerta. Para Paulo Paiva, a atividade física pode ser mais eficiente que o medicamento em alguns casos. Se não tratada, a fibromialgia pode levar a uma considerável perda de qualidade de vida. Além de medicações (neuromoduladores e antidepressivos duais são os mais indicados) e atividade física, o tratamento envolve educação do paciente e familiares. A terapia comportamental cognitiva (TCC) também tem mostrado benefícios. Acupuntura e shiatsu também já tiveram benefícios cientificamente comprovados.

Terapias alternativas e complementares

Uma revisão de estudos controlados que avaliaram a efetividade de massagens na abordagem da fibromialgia mostrou que cinco semanas do recurso foram capazes de promover benefícios imediatos, tais como melhoria da dor, ansiedade e depressão. Para a fisioterapeuta Susan Lee King Yuan, mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e pesquisadora da área, a massagem terapêutica pode ser um dos possíveis tratamentos complementares e alternativos para fibromialgia.

A liberação miofascial melhora a fadiga, a rigidez e a qualidade de vida, enquanto a massagem do tecido conjuntivo melhora a depressão e, consequentemente, a qualidade de vida. Já a drenagem linfática manual é superior à massagem do tecido conjuntivo em relação à rigidez, depressão e qualidade de vida. O shiatsu melhora o limiar de dor, a fadiga, o sono e a qualidade de vida. “No geral, a maioria dos estilos de massagem terapêutica melhoram a qualidade de vida de pacientes com fibromialgia”, afirma.

Ressonância magnética funcional permite comparar a atividade cerebral de uma pessoa normal com um paciente com fibromialgia. Ambos foram submetidos a um estímulo de 4Kg de peso capaz de provocar dor

Em teoria, falando de massagem de um modo geral, o alívio da dor pode ser decorrente do aumento da circulação sanguínea, que promove a oxigenação, a remoção de toxinas dos músculos, o relaxamento, a liberação de endorfinas e a analgesia. “Dificilmente, a dor desaparecerá completamente. O mais adequado é utilizar a massagem como complemento a outros recursos terapêuticos em um tratamento multidisciplinar para controlar os sintomas da síndrome”, explica.

Não existe um estudo que determine conclusivamente uma frequência ideal de aplicação de massagem na fibromialgia. Alguns pesquisadores sugerem um tempo de tratamento superior a cinco semanas. Para Susan, as terapias alternativas e complementares (TAC) preconizam a visão holística do paciente e valorizam o vínculo terapeuta-paciente. O importante é que essa massagem respeite o limiar da sensibilidade dolorosa do paciente à palpação. “O uso das TAC como complemento em um tratamento multidisciplinar é o ideal: é especialmente importante que esse tratamento inclua a educação do paciente, alguma técnica psicoterapêutica e o exercício terapêutico, que possui as evidências mais fortes de eficácia no tratamento da fibromialgia.”

EPIDEMIOLOGIA

A prevalência de fibromialgia no mundo varia de 0,7 a 5% considerando a população geral.
No Brasil é provavelmente a segunda doença reumatológica mais frequente, com prevalência em torno de 2,5%
Pode acometer desde crianças a idosos, mas geralmente seus sintomas iniciam-se entre os 25 e 65 anos, com idade média de 49 anos.
Acomete mais mulheres que homens, em uma proporção de 8:1, quando utilizados os critérios do American College of Rheumatology de 1990

ENTREVISTA

Manuel Martinez-Lavín, médico reumatologista e mestre do American College of Rheumatology

A dor da fibromialgia se irradiar pelo corpo seria explicada por esse funcionamento do sistema nervoso autônomo?
Precisamente. Nossa teoria explica o motivo da dor generalizada, já que as fibras nervosas pequenas estão em todo o corpo. Confirmamos que pacientes com fibromialgia têm as fibras nervosas da pele e dos olhos prejudicadas, o que, na medicina, chamamos de neuropatia das fibras pequenas. É preciso entender que a fibromialgia é uma verdadeira neuropatia e produz tanta dor quanto a neuropatia dos diabéticos e dos pacientes com herpes-zóster.

E quais os avanços no entendimento das causas da fibromialgia?
O principal avanço é a explicação de como diferentes tipos de estresse (físico, infeccioso e emocional) podem se converter em uma verdadeira dor neuropática. Temos obtido evidências que sugerem que um estresse constante pode danificar os chamados gânglios da raiz dorsal, centrais nervosas que se localizam ao longo da coluna vertebral. Depois de um traumatismo físico ou infeccioso se estabelecem curto-circuitos entre o sistema nervoso autônomo e as fibras que transmitem dor. As alterações do sistema nervoso autônomo explicam as múltiplas moléstias sofridas pelas pessoas que têm fibromialgia, caso da fadiga, insônia e problemas intestinais.

Em que consiste o tratamento holístico que defende? Por que é mais eficiente?
Primeiro, quero explicar que é um tratamento holístico, porém, baseado nas ciências da complexidade. Há um novo paradigma científico denominado “complexidade”, muito distante do modelo linear e reducionista que vem dominando a medicina atualmente. A complexidade nos obriga a estudar, de uma maneira integral, o funcionamento dos sistemas de adaptação do corpo humano ao meio ambiente. No caso da fibromialgia, o tratamento holístico baseado na ciência demanda, primeiramente, que os pacientes e seus familiares conheçam as rações das múltiplas moléstias da síndrome. Por meio de técnicas de retroalimentação, é possível harmonizar o funcionamento do sistema nervoso autônomo. A alimentação também é importante: deve-se investigar se há intolerância a alguma substância em particular e seguir uma dieta predominantemente vegetariana. Técnicas orientais de exercícios como ioga e tai chi também podem ajudar. Por último, o tratamento envolve o uso criterioso de medicamentos.

Medicamentos como a pregabalina representam um avanço considerável? Há perspectiva de uma nova classe de medicamento?
A pregabalina é um avanço. Trata-se de um medicamento antineuropático, que funciona em certos casos, mas temos que reconhecer que é um medicamento primitivo. Temos demonstrado que certos canais de sódio que se ligam aos gânglios das raízes dorsais podem desempenhar papel primordial na dor da fibromialgia. Estão em vias de desenvolvimento medicamentos muito específicos para bloquear esses canais de sódio. Logo teremos também analgésicos mais eficazes para a fibromialgia, mas sempre será necessário um tratamento integral.

No Brasil, existe a oferta de massagens corporais desenvolvidas exclusivamente para fibromialgia, que prometem acabar com os sintomas. Massagens seriam capazes de mudar o curso da síndrome?
Não estou familiarizado com esse tipo de terapia, mas antes de recomendar qualquer tratamento esse deve ter demonstrado efetividade por meio de estudos científicos controlados. No meu livro, falo de medicina alternativa, de efeito placebo e também de charlatanismo. Uma massagem suave pode ajudar. No entanto, algumas pessoas com fibromialgia sentem dor mesmo com uma pressão suave sobre a pele.

DICAS PARA CUIDAR DO CÉREBRO...

02/05/2015 

Devemos agir desde cedo para manter a memória íntegra por mais tempo


Nem todo esquecimento é sinal de demência. Por isso, é importante entender quais falhas nossa memória está sujeita a apresentar ao passo em que envelhecemos e algumas situações específicas em que os lapsos são naturais.

No paciente mais idoso, a gente avalia para ver se não foi por causa de um medicamento, como tranquilizantes, antidepressivos. Também há doenças que, quando não controladas, provocam esquecimento. Hipotireoidismo é uma delas — ressalta João Senger, especialista em neuropsiquiatria geriátrica. 

Quadros de ansiedade e estresse também nos fazem acreditar que esquecemos, quando, na verdade, simplesmente não gravamos porque não estávamos prestando atenção. Outras vezes, é questão de que a pessoa mais velha começa a se preocupar mais com a memória com o passar dos anos, ou seja, presta mais atenção nela. Se aos 20 esquecer o que foi buscar na despensa pode ser normal, aos 70 isso vira um monstro preocupante.

Se o idoso esquece uma coisinha, já pensa: "Estou demenciando". Ele fica com uma percepção mais aguçada dos acontecimentos. É como alguém sentar do seu lado e dizer que está com sarna e você já sentir vontade de se coçar — diz Senger.

Os estereótipos sobre a velhice não colaboram com a preservação da memória, lembra Mônica Sanches Yassuda, professora da USP. Muitas pessoas, quando atingem a terceira idade, acreditam que vão sempre esquecer e nem tentam exercitar a memória. São crenças negativas também combatidas com treinos.

As alterações mais preocupantes

A situação se torna grave quando a capacidade de guardar informações novas é afetada, como repetir uma mesma pergunta várias vezes em curto espaço de tempo.

Todos nós, quando atingirmos uma certa idade, vamos ter dificuldades de memorizar uma lista de 10 nomes. Mas se tentamos três vezes, vamos conseguir. No Alzheimer, essa é a alteração principal: por mais que seja exposta àquela informação nova, a pessoa não vai guardar — explica Mônica Sanches Yassuda, professora da USP.

No envelhecimento normal, algumas memórias são estáveis.

Idosos se saem até melhor do que jovens em provas de vocabulário, nos casos de igual escolaridade, por exemplo. É o "banco de dados" que não perdemos — afirma Mônica.

Mas em quadros de demência, até essas informações se confundem.

Devemos agir em prol do nosso cérebro desde cedo para manter nossa memória íntegra por mais tempo. Além dos treinos cognitivos, que comprovadamente ajudam no envelhecimento saudável e no declínio leve, ficar de olho na alimentação, controlar doenças cardiovasculares, evitar o isolamento social e a depressão e, principalmente, fazer exercícios físicos deveriam fazer parte da rotina de todo mundo.

Cuidar do cérebro é como cuidar do nosso corpo. A gente pode envelhecer mais rápido ou mais devagar. Tem a parte genética? Tem. Mas nessa a gente não consegue mexer — lembra Senger.

Rosa Maria Medeiros Rodrigues, 62 anos, fez curso de estimulação de memória oferecido no Centro de Comunidade Parque Madepinho (Cecopam) — zona sul de Porto Alegre — por alunas da UFRGS sob supervisão da fonoaudióloga Maira Rozenfeld Olchik. Ela diz que os treinos cognitivos a ajudaram muito:

Aprendi, por exemplo, que, se a gente vai sempre ao supermercado, deve mudar o caminho — conta.

A aposentada, que trabalhou por 23 anos na área de Recursos Humanos de uma empresa, hoje procura ler muito, fazer tricô e crochê, pintar e participar de atividades físicas no Cecopam.

Esqueço ou lembro?

Tem coisas que até memória de elefante merece borrar. 

Outras devem ser até anotadas:

Apague!
Cigarro
Sedentarismo
Má alimentação
Crenças ruins sobre a memória

Anote!
Fazer exercícios
Tratar a depressão
Ler bastante
Inserir-se em grupos
Aprender novas línguas

Pratique já

A fonoaudióloga Maira Rozenfeld Olchik explica que cada paciente apresenta necessidades diferentes, mas lembra que algumas dicas gerais podem ser adotadas por todo mundo

Não fazer as coisas de maneira automática. Vai sempre no supermercado? Mude o rumo e faça rotas diferentes.

Evitar fazer duas coisas ao mesmo tempo.

— Não fazer as coisas desatentamente, como tomar um remédio sem pensar ou atender a um telefone ao mesmo tempo em que vê a novela.

Anotar compromissos, usar agenda, calendário. Fazer lista de compras. Com isso, pode-se prestar atenção em outras coisas.

Como procurar um treino cognitivo

Geriatras, neurologistas e clínicos-gerais podem indicar sessões com profissionais ou ajudar a encontrar locais onde trabalhos comunitários de exercícios de estimulação da memória são feitos

CONHEÇA A NEUROPLASTICIDADE, CAPACIDADE DO CÉREBRO QUE AJUDA NA PREVENÇÃO DE DEMÊNCIAS...

02/05/2015

Capacidade de guardar informações pode se manter preservada por mais tempo.



Não lembrar um item das compras pode acontecer aos 20, 50 ou 70 anos. Mas se não é motivo de pânico sobre a saúde da nossa memória, a lista de supermercado pode ser tema de casa para quem quer deixar a capacidade de guardar informações afiada por mais tempo.

Anotar compromissos, usar agenda, calendário, fazer lista de compras. Com isso, pode-se prestar atenção em outras coisas — enumera Maira Rozenfeld Olchik, fonoaudióloga e professora do curso de Fonoaudiologia da UFRGS.

No doutorado, Maira realizou um dos maiores estudos sobre treino cognitivo em idosos já feitos no país — 150 pessoas, divididas em 10 grupos. Constatou que as estratégias adotadas resultaram em melhora da memória tanto em quem passava por envelhecimento saudável quanto naqueles com comprometimento cognitivo leve. 

Esse tipo de treino e a forma como pode ser adotado para prevenir demências ou até mesmo preservar a memória foram um dos primeiros temas abordados nesta semana na edição 2015 do Congresso Mundial de Cérebro, Comportamento e Emoções, que se encerra hoje na Capital. Entre os principais fatores que explicam a melhora está a neuroplasticidade, capacidade que tem guiado recentes pesquisas na área.

Sabemos que algumas pessoas têm uma tremenda capacidade de autorreparação e compensação de doenças cerebrais, como o Alzheimer — explica Sylvie Belleville, professora titular de psicologia na Universidade de Montreal e diretora de pesquisa no Instituto Universitário de Geriatria de Montreal, no Canadá.

A pesquisadora, uma das palestrantes convidadas do evento, lembra que o cérebro reage continuamente e se modifica em resposta ao seu ambiente.

— A neuroplasticidade se refere às alterações que ocorrem no cérebro em resposta a um dano, por exemplo, uma lesão no local, privação do sono, envelhecimento do órgão, Alzheimer. Ou em resposta a um estímulo externo, como treino cognitivo, aprendizagem, atividade física — explica Sylvie.

Neuroimagem comprova melhoras anatômicas

Mas o que são os tais treinos cognitivos? Categorização, associação e imagem mental são três estratégias criadas nesses treinos para ajudar o momento da memorização chamada episódica, enumera Mônica Sanches Yassuda, professora associada do curso de Gerontologia da Universidade de São Paulo (USP). Uma das técnicas é chamada associação monoface. Por exemplo, você tem uma amiga que se chama Melissa e tem olhos cor de mel. Ao associar a característica ao nome, fica mais fácil lembrar o nome da pessoa.

Também temos feito treinos para a memória denominada de trabalho, que envolve mais a atenção. Por exemplo, a pessoa ouve três séries de cinco palavras. Toda vez que aparece um animal, ela tem de bater a mão na mesa ou levantar a mão. Depois, tem a tarefa de memorizar a última palavra de cada série de cinco. Ao mesmo tempo em que presta atenção no animal, também tem uma demanda de memória. A Universidade de Pádova teve um resultado muito bom e agora a gente está replicando aqui — diz Mônica.

Uma das novidades nesse campo é usar a neuroimagem para comprovar as melhoras decorrentes dessas intervenções e os mecanismos cerebrais relacionados à neuroplasticidade. É o que estuda Eliane Correa Miotto, neuropsicóloga e professora da pós-graduação do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP:

Usamos (o exame de ressonância magnética funcional) para tentar entender o efeito desse tratamento. No caso de pessoas que já têm um quadro de comprometimento cognitivo leve, depois das sessões, ocorre geralmente um aumento da ativação de novas áreas cerebrais que se tornam participativas durante um processamento de memória.

Até um tempo atrás, segundo a neuropsicóloga, acreditava-se que o processo de compensação e plasticidade cerebral não ocorria nas pessoas mais idosas ou em quadros de demência. Hoje, a neuroplasticidade tem guiado os principais estudos na área.

Os investigadores podem ser incentivados a olhar para formas farmacológicas que aumentem a plasticidade cerebral como uma maneira de proteção contra os efeito de doenças como o Alzheimer — completa Sylvie.

O que é?

Cognição

Funções relacionadas ao cérebro como memória, inteligência, concentração. São essas funções que começam a se mostrar comprometidas no envelhecimento saudável ou não.

Comprometimento (ou declínio) cognitivo leve
A pessoa apresenta a rotina do dia a dia preservada, sem alterações funcionais — administra contas e remédios, por exemplo. No entanto, na testagem cognitiva ela já não está no mesmo nível de uma pessoa de igual idade e escolaridade. Pode ser um estágio pré-clínico de demência ou Alzheimer.

Memória de trabalho

Capacidade de manter informações na mente e, ao mesmo tempo, trabalhar com essas informações.

Memória episódica

Conseguir gravar lista de nomes, palavras e números de telefone novos, ou uma lista de compras.

HOSPITAL DE CLINICAS DE PORTO ALEGRE (HCPA)...

COMUNICADO AOS PORTADORES DE ESCLEROSE MÚLTIPLA DO RIO GRANDE DO SUL...


O CENTRO DE REFERÊNCIA DE ESCLEROSE MÚLTIPLA DO HOSPITAL DE CLINICAS DE PORTO ALEGRE ( HCPA ), A PARTIR DESSE MÊS DE MAIO IRÁ TER SEU ATENDIMENTO AS SEXTAS-FEIRAS A PARTIR DAS 16.00 HRS NA ZONA 13, NO MESMO CORREDOR DO HOSP. DIA, EM FRENTE AOS ELEVADORES, E NÃO MAIS NA ZONA 12...


NOITES MAL DORMIDAS PODEM DEIXAR VOCÊ MAIS SENSÍVEL À DOR...

01/05/2015

É MELHOR DORMIR MAIS...
Pesquisa mostrou que 42% das pessoas com maior sensibilidade sofriam de insônia.



Pessoas que sofrem com insônia e outros problemas relacionados ao sono podem ser mais sensíveis à dor. 

De acordo com um estudo publicado pelo jornal PAIN, da Associação Internacional para Estudo da Dor, há recursos focados em tratar, ao mesmo tempo, tanto dores crônicas quanto noites mal dormidas. 

A pesquisa foi realizada com 10,4 mil adultos, submetidos a um teste padrão para avaliar a tolerância à dor de cada um. 

Os participantes foram interrogados sobre diversos tipos de problemas durante as noites, como insônia e o tempo que eles levam para pegar no sono. 

Em seguida, os indivíduos foram convidados a manter as mãos submersas em água fria.

Em torno de 30% dos participantes conseguiram deixar as mãos na água gelada durante os cerca de 100 segundos de teste. 

Das pessoas que tiraram as mãos antes do fim da experiência, 42% sofrem com insônia.


O estudo liderado por Borge Sivertsen, do Instituto de Saúde Pública da Noruega, analisou também outros fatores, como dores crônicas persistentes e recorrentes, e problemas psicológicos, como depressão e ansiedade.

Os resultados concluíram também que a tolerância à dor está associada ao tempo que um indivíduo leva para conseguir dormir, apesar de não ser levado em consideração as horas totais de sono. 


Apesar da pesquisa ter encontrado relação entre dor e noite mal dormidas, ainda não está claro o motivo — afirma Sivertsen.

O estudo é o primeiro a encontrar essa ligação, mas pesquisadores acreditam que mais experiências são necessárias para explorar o papel de neurotransmissores. 

Enquanto isso, terapias cognitiva-comportamentais têm se mostrado eficazes para resolver problemas de dor e insônia individualmente.