DEPRESSÃO EM IDOSOS...OS RISCOS E AS ARMADILHAS DA DOENÇA NESTA FASE DA VIDA...

#UnidosSomosMaisFortes💪
03/06/2017 

Na velhice, alguns sintomas podem não ser expressados claramente, sendo, inclusive, confundidos com sinais de outros problemas ...

A trajetória profissional é concluída e chega a aposentadoria, percebe-se um afastamento gradual dos que antes viviam mais próximos, fica cada vez mais nítida a noção de que a vida é finita – morrem parentes e amigos, surgem doenças, o corpo não funciona como antes. Envelhecer, como o dia a dia insiste em comprovar, é conviver com perdas, que são gatilhos para um mal muito frequente na terceira idade: a depressão.

Com o avançar da idade, as dificuldades podem se acumular ou se apresentar a intervalos curtos de tempo. Imagine uma pessoa que acabou de se aposentar e tem de lidar com uma queda substancial nos rendimentos e o excesso de tempo ocioso a ser preenchido. Ao mesmo tempo, ela descobre um problema crônico de saúde – em média, um idoso apresenta quatro enfermidades simultâneas – e, de repente, recebe a notícia da perda de um amigo de longa data. O psiquiatra Eduardo Hostyn Sabbi, coordenador do Departamento de Psicogeriatria da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), faz uma comparação:

– É como um garçom que está recolhendo os pratos da mesa. Daqui a pouco ele vai ter mais pratos do que os braços dele podem carregar. Perdas consecutivas têm um impacto superpesado.

A depressão atinge, de acordo com os centros para controle e prevenção de doenças (CDCs), nos Estados Unidos, até 5% dos idosos que vivem em comunidade. Os números mais do que dobram em se tratando daqueles internados em hospitais (11,5%) e dos doentes em homecare (13,5%). 
O envelhecimento progressivo da população é um fator importante a ser considerado. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a proporção de pessoas acima de 60 anos vai quase duplicar até o ano de 2050, passando de 12% para 22% do total (de 900 milhões para 2 bilhões de indivíduos).

– Como vamos viver mais, vamos viver mais com a depressão também – comenta Ricardo Barcelos Ferreira, psiquiatra com especialização em psiquiatria geriátrica e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais.

A depressão é mais comum em algumas famílias, repetindo-se de geração em geração, explica o geriatra João Senger. Herdada ou não, está frequentemente associada a alterações neuroquímicas no cérebro, principalmente na velhice. Os quadros depressivos podem ter características peculiares entre os mais velhos. Grande parte dos pacientes não relata, objetivamente, sentir tristeza. Eles tendem a apresentar queixas quanto a dores no corpo, alterações no apetite e no sono, perda ou ganho de peso, falta de ar, diarreia ou constipação, má digestão. Também são comuns sintomas como irritabilidade, ansiedade, perda de interesse, esquecimento e dificuldade de concentração.

– A apresentação é atípica: não podemos ficar esperando que o paciente diga que está triste, chorando, sem ânimo. Ele pode também não se dar conta de que está deprimido. Às vezes, o médico diz que é um quadro depressivo, e o paciente não aceita – destaca Senger.

A personalidade de cada um é determinante para a forma como esse período da existência será encarado, e a capacidade de adaptação a adversidades e mudanças pode ser maior ou menor. Pessoas de baixa autoestima, com uma visão pessimista do mundo ou suscetíveis ao estresse estão mais predispostas à depressão. Aquelas de personalidade mais narcisista, por exemplo, podem encontrar dificuldade para aceitar alterações estéticas como as rugas e a flacidez. Outras, menos maleáveis, talvez sofram com mudanças repentinas, como a perda do emprego.

Traços de personalidade se acentuam – a velhice é uma caricatura do que a pessoa foi, explica Senger. Se você sempre teve o mau humor como um traço marcante, deverá se tornar um idoso mais mal-humorado ainda. Quem sempre foi dócil vai ter essa característica intensificada. Mas o geriatra atenta para ideias equivocadas muito disseminadas que podem prejudicar o diagnóstico e retardar o tratamento de doenças. Costuma-se atribuir certos problemas e dificuldades à terceira idade, como se fossem típicos dessa fase e contra os quais não se pudesse nada fazer: "É da idade", fala-se com frequência.

– Esses termos deveriam ser banidos. Não é "da idade". Envelhecer não é doença. Pode haver uma lentificação, caminhar mais devagar, pensar mais devagar, mas o envelhecimento não faz com que você não consiga mais fazer isso ou aquilo. A limitação e a perda de funcionalidade vêm por doença, não por envelhecer. As pessoas dizem: "Ah, mas com essa idade é normal que não consiga mais fazer isso". Não, não é normal – contesta o geriatra.

Habituadas a seguir um calendário de consultas e exames desde cedo, as mulheres não resistem a procurar um médico quando algo não vai bem. Já para os homens, a tarefa não parece ser tão simples – resistem, ao longo de toda a vida, a bater na porta dos consultórios.

– É mais fácil uma mulher chegar e dizer para o médico "estou com depressão", ou qualquer outra doença, do que os homens. É mais fácil o homem se tornar um alcoólatra do que procurar um laboratório para se tratar – conta o psiquiatra Ferreira, salientando que a depressão é mais frequente entre as idosas. 

Benefícios de uma vida mais regrada

A terceira idade é também reflexo dos hábitos mantidos durante décadas – a boa ou a má alimentação, a prática de exercícios ou o sedentarismo, a exposição cuidadosa ou exagerada e desprotegida ao sol. Para os que foram relapsos, um aviso: há como se ter algum benefício mesmo depois de uma vida inteira desregrada. Praticar exercícios físicos é sempre bom, funcionando também como medida preventiva e de combate à depressão – a liberação de endorfina proporciona a sensação de bem-estar e melhora o humor. Integrar-se a grupos é uma ótima iniciativa.

De acordo com o gosto pessoal, pode-se procurar aulas de dança, canto, trabalhos manuais. Dependendo da natureza da atividade, trabalham-se duas habilidades ao mesmo tempo: um grupo de caminhada propicia, além do exercício, a interação, enquanto a turma que se reúne para jogar canastra está trabalhando também a cognição, importante no combate às demências. Adotar um animal de estimação é outra boa iniciativa. A família pode ajudar orientando o idoso na integração e na escolha dos passatempos. No caso do paciente diagnosticado com depressão, é imprescindível se submeter a tratamento.

– A pessoa que teve um infarto por causa de uma aterosclerose corre mais risco de ter um segundo do que a pessoa que não teve. A que já teve depressão corre mais risco de ter de novo. Se ela não resolve os fatores (que a levaram a isso), vai, daqui a pouco, refazer o quadro frente a outra situação. Não deve ser só um tratamento químico, vou no psiquiatra e ele me dá um remédio. É importante entender por que desenvolveu a depressão, modificar o estilo de vida e evitar episódios futuros – aconselha Sabbi, da APRS.

Quem nunca sofreu de depressão pode ter dificuldade para compreender como se sente o paciente nessas condições. O apoio efetivo da família, destaca Senger, é fundamental.

– Não adianta dizer "o dia está bonito", "mas não lhe falta nada", "você tem que se ajudar". Não ajudamos as pessoas assim. Podemos perguntar: "O que eu posso fazer para ajudá-lo?" – exemplifica o geriatra. – Uma medida importante é fazer com que o idoso perceba que ainda pode ser feliz e valorizar as coisas boas ao seu redor – conclui. 


Prepare-se para se aposentar

Pode-se passar um bom tempo fazendo planos para depois da aposentadoria, aquele que parece ser o período de maior qualidade de vida possível. Viagens, cursos, tardes na companhia dos netos, happy hour com os amigos – dias inteiros dedicados a atividades que proporcionam prazer, sem ser regulado pelo relógio. Para que essa época tenha mais chance de se concretizar como uma fase feliz quando finalmente chegar, é preciso preparação. Do contrário, há grande risco de que o encerramento da carreira profissional acabe se transformando em um gatilho para a depressão.

Não é incomum que até mesmo as relações conjugais sofram abalos quando um dos parceiros, que durante décadas se manteve trabalhando da manhã à noite, de repente começa a ficar o dia inteiro em casa. Se os períodos de aposentadoria do casal coincidirem, aí serão os dois cheios de tempo livre e tendo de conviver intensamente.

– O casamento, que antes se mantinha por conta das outras relações, pode começar a ficar complicado – aponta o psiquiatra Eduardo Hostyn Sabbi.

João Senger observa que as mulheres, com um perfil em geral mais versátil e multitarefas, costumam se adaptar melhor à aposentadoria. Aos homens, às vezes a falta da identidade profissional é sentida de maneira mais profunda, e a brusca mudança no cotidiano pode implicar sérias consequências.

– Se o homem fica sem atividades, geralmente perde sua identidade, o que leva a ter um sentimento de inutilidade frente à vida. Pode se deprimir e ficar com a imunidade baixa, dando abertura ao aparecimento de enfermidades como câncer. É o que chamamos de "câncer do aposentado" – descreve o geriatra.
– É preciso se organizar com antecedência para não ter que passar por aquele período vazio. Se a pessoa não se prepara, é desastroso.

Risco de suicídio é ampliado

A parcela idosa da população tem alto risco para suicídio. Psiquiatra com especialização em psiquiatria geriátrica, Ricardo Barcelos Ferreira alerta que o risco de tirar a própria vida é maior entre idosos do que na população adulta jovem.

– O idoso chega a tentar o suicídio sete vezes mais do que o adulto jovem. Os idosos tentam mais e consumam mais o suicídio do que a população em geral – alerta Ferreira.

Eduardo Hostyn Sabbi adverte que comentários acerca da morte ou do desejo de morrer não devem jamais ser ignorados. Pensar que "quem fala não faz" ou "quem quer se matar se mata", frisa o psiquiatra, são preconceitos que devem ser abandonados. Quem ouve manifestações na linha de "acho que já fiz tudo o que tinha de fazer", "não vale mais a pena viver", "não vejo a hora de a minha viagem ser completada" ou "estou louco que chegue o trem para eu embarcar" deve tomar uma atitude. 

– São pedidos de ajuda – esclarece Sabbi. – Converse, incentive o desabafo. O assunto já estará posto na mesa. Às vezes, só isso já resolve, ou pelo menos se pode dar um encaminhamento.

Além das medidas já citadas, como participar de grupos e manter laços sociais, outros importantes fatores de proteção ao idoso, segundo Sabbi, são conviver com filhos e netos, praticar a religiosidade e manter contato com profissional de saúde, que possa ser acionado em dificuldades regulares e nos momentos críticos.

FATORES DE RISCO, ASPECTOS SOCIAIS, PSICOLÓGICOS E BIOLÓGICOS PODEM IMPACTAR A SAÚDE MENTAL

Histórico familiar de depressão
Dificuldades de mobilidade 
Perda da independência
Problemas de saúde crônicos que requerem tratamento permanente
Insônia
Alterações hormonais
Perda de funções, como audição ou visão
Viuvez e morte de parentes ou amigos 
Aposentadoria ou perda do emprego
Queda nos rendimentos e mudança de status socioeconômico
Solidão ou isolamento social
Disfunções sexuais

Falta de memória pode ser uma pista

Problemas de memória, como a dificuldade para se lembrar de nomes e procedimentos simples ou dos lugares onde objetos foram deixados, podem ser sinal de depressão, e não das temíveis demências. Quadros com queixa de esquecimento na terceira idade são desafiadores para os médicos: uma demência pode começar a se manifestar com um estado depressivo, enquanto a depressão também pode provocar dificuldades de memorização. 

Em geral, quando se trata de depressão com distúrbios de memória, o paciente é medicado, melhora e, consequentemente, atenuam-se os sintomas relativos ao esquecimento. Mas os episódios depressivos, principalmente se estiverem ocorrendo pela primeira vez na vida, podem indicar uma demência.

– Uma pessoa com doença neurodegenerativa apresenta perda das suas capacidades cognitivas, com repercussões inclusive na parte emocional, e uma primeira manifestação pode ser a depressão – explica o psiquiatra Eduardo Hostyn Sabbi.

Diante da constatação de problemas de memória, o idoso deve procurar um especialista para que se possa fazer uma investigação do caso.

– Ainda que demande muitos cuidados, o diagnóstico de depressão é uma notícia "melhor" do que a de uma demência como a de Alzheimer, por exemplo. Com os recursos atuais da medicina, a depressão é potencialmente tratável e tem cura, mas o Alzheimer ainda não – afirma Sabbi.


SINAIS DE ALERTA
FIQUE ATENTO A SINTOMAS QUE PERSISTEM POR DUAS SEMANAS OU MAIS, NÃO NECESSARIAMENTE EM DIAS CONSECUTIVOS
Tristeza
Ansiedade
Irritabilidade e inquietação
Desesperança e pessimismo
Perda de interesse em atividades antes consideradas prazerosas
Apatia
Cansaço e falta de energia
Dores no corpo persistentes
Má digestão
Insônia ou sono demais
Perda ou excesso de apetite
Variações no peso
Alterações no hábito intestinal e urinário
Pensamentos sobre suicídio ou tentativas de suicídio
Problemas de memória 
Dificuldade de concentração e raciocínio
Sensação de culpa, desamparo e inutilidade

Depressão e outras enfermidades

A saúde mental impacta a saúde física, e vice-versa. Um idoso que tem uma doença grave ou crônica está mais sujeito a desenvolver depressão, e a depressão pode complicar a resposta ao tratamento para outras enfermidades, como um problema cardíaco.

Em sua tese de doutorado, defendida na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o psiquiatra Ricardo Barcelos Ferreira avaliou a prevalência da depressão em idosos. A partir da amostra estudada e da revisão de outros estudos, Ferreira investigou a relação entre algumas enfermidades e a probabilidade de que o paciente desenvolva também depressão. 

PODEM DESENVOLVER DEPRESSÃO

11% a 31% dos diabéticos
17% dos pacientes com tireoidopatia
10% a 25% dos pacientes com câncer
30% a 54% das pessoas que sofrem de dores crônicas (coluna, joelhos, pernas) 
50% dos doentes de Parkinson
19% a 23% dos que sofrem um acidente vascular cerebral (AVC)

> Mais de 20% dos adultos acima de 60 anos sofrem de transtornos mentais ou neurológicos. Demência e depressão são os problemas mais comuns. 

> Cerca de 80% dos idosos, destaca o CDC, têm pelo menos um problema crônico de saúde, e 50% apresentam dois ou mais. 

> A depressão é mais comum entre pessoas que sofrem também com outras enfermidades – como condições cardíacas ou câncer – ou cujas funções se tornam limitadas. 




SUS PASSA A OFERECER NOVO MEDICAMENTO PARA ESCLEROSE MÚLTIPLA...

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01.06.2017

Tratamento estará disponível nas unidades de saúde de todo o País em até seis meses...
Prateleira com remédios na Farmácia Central de Campo Grande. 

Dentro de 6 meses, as unidades de saúde de Campo Grande passarão a fornecer uma nova opção de tratamento para pacientes diagnosticados com esclerose múltipla. 

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (31) pelo Ministério da Saúde, que incorporou na relação de medicamentos o teriflunomida, que pode reduzir surtos e a progressão da doença.

O medicamento é o primeiro a ser fornecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde) da primeira linha de cuidado, por via oral, e deve atender cerca de 12 mil pacientes em tratamento na rede pública, além dos novos casos.

A notícia foi muito bem-vinda neste 31 de maio – Dia Mundial da Esclerose Múltipla - uma iniciativa criada pela Federação Internacional de Esclerose Múltipla para aumentar a conscientização em relação aos mais de 2,3 milhões de pessoas que convivem com a doença.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que acomete o sistema nervoso central, causando desmielinização e inflamação, principalmente entre adultos de 18 a 55 anos. No Brasil, a taxa de prevalência é de 15 casos por cada 100 mil habitantes.

Tratamento - Atualmente, o SUS oferece seis medicamentos para o tratamento da doença: betainterferona, fingolimode, glatiramer, natalizumabe, azatioprina e metilprednisolona.

Ao todo, 277 hospitais estão habilitados como Unidade de Assistência ou Centro de Referência de Alta Complexidade em Neurologia/Neurocirurgia, no Brasil.

Sinal vermelho para doença inflamatória que ataca o intestino...

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Domingo, 28 de Maio de 2017

Estima-se que 5 milhões de pessoas no mundo sejam portadoras de DII. Os médicos Roberto Barretoe Mardem Machado fazem alerta

Como forma de prevenção e de alerta ao World IBD Day (Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal, comemorado em 19 de maio), a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn realiza em todo o país a campanha Maio Roxo.

A ação organizada por especialistas e unidades de saúde tem objetivo de chamar a atenção para as doenças inflamatórias intestinais (DII), em especial para a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, patologias que chegam, muitas vezes, de forma silenciosa, com sintomas que podem durar semanas, meses ou até mesmo anos até que se chegue ao diagnóstico. 

Quem faz o alerta é o Dr. Roberto Barreto, endoscopista, e o Dr. Mardem Machado, protologista especialista em DII.

A doença é uma inflamação séria no trato gastrointestinal com predominância no intestino delgado e grosso. 

“É muito importante uma avaliação multidisciplinar desta doença. 

O diagnóstico começa pela análise clínica e pelo exame médico, complementado por outros exames, nos quais se podem incluir análises laboratoriais ao sangue e fezes, estudos radiológicos e exames endoscópicos que permitem recolher amostras de tecido para estudo mais detalhado. 

Com o trabalho em equipe será mais fácil diagnosticar e tratar precocemente qualquer complicação que possa surgir”, explica Barreto.

Ainda sem causa comprovada, as DII podem estar ligadas a fatores hereditários e imunológicos, podendo ser agravadas pelos hábitos de vida. 

Atingem ambos os sexos indistintamente e o diagnóstico acontece geralmente por volta da terceira década de vida. 

A retocolite ulcerativa e a doença de Crohn constituem as principais doenças nesse grupo, mas não as únicas e ambas comportam-se, muitas vezes, de forma semelhante.

Mardem esclarece que as manifestações da doença inflamatória intestinal são diferentes para a retocolite ulcerosa e para a doença de Crohn. 

 “No caso da doença de Crohn, ocorre uma inflamação que atravessa toda a espessura da parede intestinal e que pode ocorrer em qualquer parte do tubo digestivo, desde a boca até o ânus. 

O sintoma mais comum é a dor abdominal, que pode estar associada a diarreia, hemorragia, perda de apetite, perda de peso, fraqueza, fadiga, náuseas, vômitos, febre e anemia. A cirurgia pode ser necessária, mas não cura a doença”, pontua.

Já a retocolite ulcerativa ataca o revestimento interno do intestino grosso causando inflamação, ulceração e hemorragia. 

“Durante uma crise de colite ulcerosa, os pacientes quase sempre apresentam diarreia com sangue associada a cólicas, cansaço, perda de apetite e perda de peso. A remoção do cólon é em alguns casos uma opção terapêutica. 

Podem ocorrer outros sintomas não relacionados diretamente ao intestino tanto na retocolite ulcerativa como na doença de Crohn. 

Nesses sintomas, destaca-se a artrite, com articulações inchadas, doloridas e rígidas; úlceras orais; febre; olhos avermelhados, doridos e sensíveis à luz; erupções cutâneas”, destaca Barreto.

Barreto avalia que a manutenção de uma boa saúde geral e uma dieta equilibrada são formas importantes de reduzir as complicações desta doença, de evitar a perda de peso e a anemia. 

“Não fumar é essencial e permite reduzir o número de agudizações da doença. Uma vez que a doença inflamatória intestinal aumenta o risco de câncer de cólon, é muito importante uma avaliação regular, com realização de colonoscopia, a intervalos definidos pelo médico”, sintetiza.

Sintomas iniciais da RCUI e da doença de Crohn

Os primeiros sintomas da RCUI são evacuações diarreicas que frequentemente têm sangue, desejo urgente de evacuar e odor fétido. 

A diarreia pode se desenvolver lentamente ou começar de maneira súbita, podendo haver também dores articulares e lesões na pele. 

Na doença de Crohn a dor abdominal e a diarreia frequentemente surgem após as refeições.

 São comuns dores articulares (dores nas juntas), falta de apetite, perda de peso e febre. 

Outros sintomas precoces da doenças de Crohn são lesões da região anal, incluindo hemorroidas, fissuras, fístulas e abcessos. 

(Fonte: abcd.org.br)

Sintomas pouco conhecidos da síndrome do ovário policístico (SOP)...

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A síndrome do ovário policístico não apenas afeta a nossa saúde reprodutiva, mas também pode causar problemas maiores relacionados ao nosso estado emocional ou sistema cardiovascular.

Sintomas pouco conhecidos da síndrome do ovário policístico (SOP)

A síndrome do ovário policístico não apenas afeta a nossa saúde reprodutiva, mas também pode causar problemas maiores relacionados ao nosso estado emocional ou sistema cardiovascular.Sintomas pouco conhecidos da síndrome do ovário policístico (SOP)

   
Por alguma razão que ainda não ficou totalmente clara, em um dado momento a mulher pode começar a sofrer uma alteração hormonal que desencadeia, pouco a pouco, o que conhecemos como síndrome do ovário policístico (SOP).


Esta condição ginecológica também recebe o nome de síndrome de Stein-Leventhal.

Estamos diante de um transtorno que afeta entre 5 e 10% das mulheres em idade reprodutiva. Por sua vez, apresenta uma complexa sintomatologia que pode afetar a qualidade de vida em diferentes graus.

Um dos problemas mais complexos e delicados é a clara dificuldade de engravidar.

Além disso, é comum ter que se submeter a processos de perda de peso e administração de contraceptivos orais para regular o problema hormonal associado ao ovário policístico.

Hoje, em nosso espaço, queremos aprofundar um pouco mais sobre o tema e falar sobre a sintomatologia secundária, sobre as pistas não muito conhecidas que poderiam nos alertar a respeito deste transtorno tão comum.

Sintomas associados à síndrome do ovário policístico...

Antes de enumerar um por um os processos relacionados à presença desta alteração hormonal, é necessário entender que não é porque temos diabetes, obesidade, ou um ciclo menstrual irregular que obrigatoriamente iremos sofrer desta doença.

Deve surgir um conjunto de sintomas...

Muitas vezes somos nós mesmas que intuímos que algo “não está bem” em nosso corpo, que algo mudou.

Queremos dizer, antes de mais nada, que não devemos ver estes sintomas de forma isolada. Todos, com maior ou menos incidência, podem nos advertir a respeito da presença do ovário policístico.

No entanto, lembre-se de que para sanar as dúvidas nada melhor do que fazer uma visita ao ginecologista para fazer exames simples.


NOVA TÉCNICA TRAZ ESPERANÇA PARA QUEM SOFRE DE ARTRITE...

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17/05/2017

Cientistas americanos conseguem restaurar, com o uso de molécula essencial para o corpo, a cartilagem de ratos, possibilitando a recuperação dos movimentos. O próximo passo dos pesquisadores será a realização de testes em humanos...

Com o avanço da idade, diversas enfermidades surgem e podem prejudicar a qualidade de vida dos idosos. 

Um dos problemas de saúde mais frequentes nessa etapa da vida é a osteoartrite, que ocorre quando a cartilagem — tecido flexível presente nas extremidades dos ossos — se desgasta, o que dificulta a locomoção.😀


Em busca de estratégias que combatam esse problema, pesquisadores americanos utilizaram a adenosina, uma das moléculas responsáveis pelo armazenamento de energia das células, para tratar roedores diagnosticados com a doença. 

As conclusões da pesquisa, apresentadas na revista Nature Communications, ainda precisam ser testadas em humanos, mas podem ajudar a criar uma alternativa de terapia mais eficaz que as usadas atualmente.


Os autores do estudo se basearam em pesquisas anteriores, feitas com cavalos, que mostraram como os condrócitos — células que produzem cartilagem na articulação — eram estimulados pela adenosina.

“Vimos que a ausência da adenosina leva à destruição da cartilagem, embora esses animais (cavalos) tenham um metabolismo peculiar”, justificou  Bruce N. Cronstein, professor de Medicina da Universidade de Nova York e um dos autores do estudo.

No experimento, os cientistas analisaram 12 ratos que não produziam adenosina. Os pesquisadores observaram que as cobaias não se reproduziam e tinham dificuldade em agarrar seus alimentos à medida que ficavam mais velhas. “Depois que fizemos um raio X de suas patas, nós vimos que todos os animais tinham osteoartrite. O que provavelmente os impediu de montar nas fêmeas e se reproduzir”, detalhou Cronstein.

Os cientistas aplicaram adenosina nas cobaias e, posteriormente, observaram uma grande melhora na locomoção dos roedores. 😀

Esse achado sugere que podemos usar essa substância ou agentes semelhantes à adenosina para tratar a osteoartrite, uma forma muito comum de artrite. Até 10% da população dos EUA temosteoartrite, o que acredito que provavelmente seja semelhante no Brasil”, ressaltou Cronstein.

De acordo com o Ministério da Saúde, a osteoartrite atinge cerca de 15 milhões de brasileiros. Dados da Previdência Social mostram que a doença é responsável por 7,5% do total de afastamentos do trabalho.

Segundo os cientistas, a melhora desencadeada pela adenosina ocorreu porque a substância é derivada da adenosina trifosfato (ATP), uma molécula indispensável para a vida, já que armazena a energia necessária para as atividades vitais e básicas das células.

“A ATP é uma das moléculas mais abundantes na célula e é o combustível para funções celulares, ela tem muita influência em todo o corpo. Para entender melhor: os níveis de adenosina no cérebro aumentam durante a noite, ajudando na indução do sono. A cafeína bloqueia os receptores de adenosina no cérebro para mantê-lo acordado”, detalhou o autor do estudo.

Resultado promissor

Sandra Maria Andrade, reumatologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Reumatologia, destaca que o estudo é interessante e detalha como as articulações são influenciadas pela adenosina. “Esse artigo mostra algo novo e promissor: a adenosina como um agente que pode ajudar a estimular os condrócitos. 

Ao serem excitados, eles formam os colágenos, que são os responsáveis pela água que faz a cartilagem funcionar, proporcionando assim o amortecimento”, destacou a especialista, que não participou do estudo. “Durante o envelhecimento, a quantidade dessa água diminui e ocorrem rachaduras, o que marca o início da osteoartrite”, completou.

Com os resultados positivos vistos no experimento em ratos, os autores da pesquisa acreditam que estratégias terapêuticas mais eficazes para a osteoartrite estejam próximas de ser alcançadas. 

Esperamos desenvolver adenosina em laboratório ou agentes semelhantes a ela para serem utilizados nas articulações de pacientes com artrite.

Dessa forma, poderemos prevenir a progressão e possivelmente revertê-la se estiver presente. 

Assim, diminuiríamos a necessidade de cirurgia. A adenosina já é usada na medicina (para o tratamento e diagnóstico de doenças cardíacas), por isso acreditamos que seremos capazes de trazê-la para a área clínica com relativa rapidez”, adiantou Cronstein. 

Poderíamos adiar consideravelmente a necessidade de tratamento das articulações com essa estratégia, que seria feita apenas uma vez, com total eficácia”, ressaltou.

Sandra Andrade também acredita que os achados americanos podem render tratamentos futuros, que seriam muito bem recebidos pela área médica.“É importante evitar esse problema precocemente, hoje temos muitos pacientes que convivem com próteses, seria interessante  ter uma opção melhor do que as usadas atualmente”, destacou a especialista.


CÉLULAS ESTAMINAIS QUE ORIGINAM SANGUE FORAM CRIADAS PELA PRIMEIRA VEZ EM LABORATÓRIO...

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18/5/2017

Foram criadas em laboratório células estaminais que dão origem a sangue humano. É uma revolução no tratamento de doenças do sangue. Mas ainda tem de passar por vários testes até chegar aos hospitais.
Pela primeira vez, foi possível criar em laboratório as células estaminais que dão origem ao sangue humano, noticia a New Scientist.

Trata-se de uma inovação relevante, uma vez que a capacidade de criar sangue em laboratório através dessas células pode assegurar novos tratamentos para pessoas com leucemia e problemas de sangue, utilizando as suas próprias células em vez de precisarem de esperar por um transplante de um dador.😀

As células estaminais são aquelas que, por ainda não se terem diferenciado, podem dar origem a qualquer tipo de célula do corpo humano. 

As que dão origem às células do sangue estão armazenadas na medula óssea: é lá que se formam os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas que compõem o nosso sangue. 

Se esse processo falha — porque a “fábrica” parou de funcionar ou porque as células estaminais foram danificadas, por exemplo, por causa de uma quimioterapia — o sangue não cumpre as suas tarefas de proteção do organismo e de transporte de nutrientes e de oxigénio a todos os órgãos do corpo. E isso compromete a sua sobrevivência.

Até agora, a única forma de corrigir este problema era através de um dador de medula óssea saudável para substituir aquela que já não funciona. 

Como é difícil encontrar um dador compatível, a produção em grandes quantidades e em segurança de células estaminais que dão origem ao sangue humano no laboratório pode contornar esse problema. 

E a solução foi encontrada numa experiência liderada por George Daley, cientista da Escola de Medicina de Harvard.

A equipa de George Daley começou por recolher células estaminais pluripotentes humanas, ou seja, células com capacidade de formar quase todo o tipo de células que compõem o organismo. 

Estudando os genes das células estaminais, os cientistas encontraram os químicos que davam ordens às células para se diferenciarem em células do sangue humano. 

Encontraram cinco combinações de proteínas que, em células estaminais humanas, comandavam essas células a tornarem-se glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Estava encontrada a “receita” para a criação, em laboratório, de células estaminais produtoras de sangue humano.

Algo semelhante já tinha sido alcançado por outra equipa científica, liderada por Raphael Lis (Colégio de Medicina Weill Cornell), utilizando células estaminais extraídas de ratos adultos. Essas células foram retiradas das paredes dos pulmões dos animais. Após serem estudadas, os cientistas chegaram a uma fórmula com quatro fatores que comanda as células estaminais a diferenciarem-se em células dos pulmões. Isso provou ao cientistas que, para este processo, podem ser usadas células de adultos para formar órgãos novos, algo que se veio a verificar nas experiências de George Daley.

Mas o processo de criação de sangue humano em laboratório através de células estaminais não pode começar já: embora todos os ratos envolvidos nas experiências mais antigas sejam saudáveis até hoje, são precisos mais estudos que comprovem que as células do sangue humano formadas através das células estaminais não possam ser rejeitadas pelo corpo ou dar origem a cancro ou mutações nos órgãos.

ADSE APERTA CERCO A PRIVADOS...DOENTES CRÔNICOS TEM QUE CUSTEAR MEDICAÇÃO

UnidosSomosMaisFortes💪
18/05/2017

ENQUANTO ISSO...NOSSOS IRMÃOS DE LUTA EM PORTUGAL ESTÃO ENFRENTANDO PROBLEMAS COM MEDICAÇÃO..

Associação foi informada por um hospital privado de Braga que vão ter de pagar para levantar medicação até aqui gratuita. ADSE nega ter mudado regras e justifica com maior controlo de erros de faturação ...😡


A denúncia foi feita ontem pela Associação Todos com a Esclerose Múltipla. 

Durante a tarde, a associação diz ter sido informada por um hospital privado de Braga de que os doentes com ADSE seguidos nesta unidade terão de passar a custear 20% da medicação, uma despesa mensal que supera os 200 euros. 

A TEM enviou uma carta aos ministros da Saúde e das Finanças, que tutelam a ADSE, mas também ao parlamento, onde denuncia “o fim dos medicamentos gratuitos a doentes crónicos” e questiona se esta passa a ser a regra em todos os hospitais, incluindo doentes seguidos nas parcerias público-privadas. 

Paulo Alexandre Pereira, dirigente da associação de doentes, lamentou ao i a “insensibilidade” da medida. Para continuarem a ter acesso a medicamentos gratuitos, a alternativa para os doentes é recorrerem ao Serviço Nacional de Saúde, explica, onde terão de marcar consulta, sem que tenham sido informados de qualquer período de transição. 😡

“Dizem--nos que está em vigor. Entre marcar a consulta no SNS, e o processo nestes casos tem de ir à comissão técnica de farmácia do hospital, nunca será imediato. Pode levar uma semana ou seis meses. Mesmo que isto fosse uma medida justa, não dão tempo sequer aos doentes para organizar a sua vida de forma a ter a medicação em tempo útil.”

Contactado pelo i, o presidente do Instituto de Proteção e Assistência na Doença, que desde o início do ano gere a ADSE, rejeitou que tenha havido qualquer mudança recente nas regras de comparticipação de medicação. 

Carlos Liberato Baptista justifica a situação com o facto de haver doentes que estariam a beneficiar de comparticipações adicionais de medicamentos sem terem direito a tal, situação que foi detetada até ao momento em três hospitais, incluindo a unidade de Braga. 

Em causa está medicação do grupo dos antineoplásicos e imunomoduladores que, de acordo com as regras da ADSE, é comparticipada a 100% quando se trate de tratamentos de cancro, a 98% quando forem fármacos utilizados como adjuvantes de quimioterapia, e a 80% fora da quimioterapia. 

Alguns dos medicamentos neste grupo são usados não no cancro, mas em doenças inflamatórias como é o caso da esclerose.

Segundo o i apurou junto de fonte hospitalar, o esclarecimento enviado aos hospitais foi no sentido de doentes que não estejam a fazer tratamentos oncológicos e a quem são receitados estes medicamentos suportarem 20% dos encargos. 

“Essa situação existia face a um menor controlo que este subsistema exercia no passado, situação que agora passou a ter um controlo efetivo”, justifica Carlos Liberato Baptista. A ADSE não esclareceu se existe um limite dos valores que os doentes podem ter de suportar no privado. 

“De salientar ainda que o SNS (através dos seus hospitais) disponibiliza gratuitamente aos doentes com esclerose múltipla a respetiva medicação”, disse ainda o responsável da ADSE.

A LONGA E DIFÍCIL JORNADA DE QUEM PRECISA IMPORTAR MEDICAMENTO À BASE DE CANABIDIOL...

#UnidosSomosMaisFortes😎
27/04/2017

Giovana luta para que a filha Luisa, de 16 anos, tenha acesso aos medicamentos com a substância

Mesmo com aval da Anvisa, importação precisa passar por uma série de etapas que podem dificultar o tratamento dos pacientes.


Desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) facilitou a importação de medicamentos à base de canabidiol, pouco mudou para as famílias que desejam utilizar esses produtos em tratamentos de saúde. 

Mesmo com prescrição e laudo médicos e autorização da agência, conseguir trazer remédios com substâncias como o canabidiol para o país ainda é uma jornada demorada, dificultada pela burocracia e pelos altos custos.

Diante de despesas que se aproximam dos R$ 30 mil por semestre somente com a aquisição dos medicamentos, o caminho de muitos pacientes que têm o canabidiol receitado passa ainda por disputas judiciais, na tentativa de que o Estado pague pelo produto que, para muitas famílias, é símbolo de esperança no combate aos efeitos de graves problemas neurológicos.

Mãe de Luisa, 16 anos, uma adolescente com paralisia cerebral que sofre com um grave quadro de epilepsia, Giovana Varaschin relata que passou por Ministério Público, Secretaria da Saúde, Farmácia do Estado e Farmácia de Medicamentos Especiais em Porto Alegre durante meses atrás de ajuda até decidir entrar com uma ação na Justiça solicitando a importação. 

— A minha filha tem crises convulsivas frequentes, são de seis a oito por dia, e a cada uma parece que o quadro neurológico piora. Se o canabidiol ao menos ajudar a evitar essas convulsões, já vai ser um grande alívio — afirma Giovana.

Nesta semana, ela recebeu a notícia de que o Estado deverá pagar o valor equivalente a seis meses de tratamento com canabidiol para a filha. 

Apesar disso, Giovana considera ter vencido apenas mais uma etapa do longo embate que trava até que comece a aplicar o produto no dia a dia de Luisa (confira o passo a passo ao lado). Ela nunca teve acesso à substância, mas por indicação médica acredita que, com ela, poderá diminuir as crises da filha. Os medicamento à base de Cannabis sativa registrados no Brasil até agora não são indicados para seu caso.

Governo alerta para "eventos adversos"

Extraído da Cannabis sativa, o canabidiol (também conhecido como CBD) tem sido indicado por alguns médicos no combate a convulsões provocadas por diversas enfermidades. Ainda não é tido como cura para essa ou outras doenças, mas relatos de famílias que já conseguiram incluir a substância no tratamento de jovens costumam ser carregados de esperança.

— Meu filho tomou todos os medicamentos que havia no Brasil e foram indicados para o tratamento, mas nada adiantou. Com o canabidiol, conseguimos ao menos reduzir em 80% as crises, o que já ajuda muito. Mas esse é um processo longo, difícil, a que muitas famílias não têm acesso, ou por não saber, ou por não ter condições de pagar — explica Clenir Borges Allende, moradora de Canoas e mãe de Gregori, 13 anos, que sofre com epilepsia severa.

Em uma nota sobre a eficácia do tratamento com canabidiol para crises epilépticas, a Associação Brasileira de Epilepsia (ABE) informou que "são necessários estudos com maior número de pacientes para uma adequada avaliação da eficácia terapêutica desta substância em curto e longo prazos, assim como perfil de possíveis eventos adversos".

Já a Anvisa, que passou a permitir, desde novembro, o registro de medicamentos à base de derivados da maconha no Brasil, salienta que produtos não registrados no país não têm sua segurança e eficácia avaliadas e comprovadas pela vigilância sanitária brasileira. Por essa razão, a agência alerta que produtos à base de canabidiol podem causar reações adversas inesperadas, e orienta os familiares de pacientes a relatarem quaisquer problemas encontrados.

Passo a passo, como é a importação de produtos à base de canabidiol

1) Prescrição

É preciso receber a prescrição da substância para tratamento de saúde por parte de um profissional legalmente habilitado.

2) Autorização

Solicitada pelo paciente ou sua família por meio de um formulário online, a avaliação da Anvisa é feita caso a caso, e é necessária autorização expressa da agência para se poder importar produtos à base de maconha. A autorização excepcional tem validade de um ano.
Tempo médio: entre uma semana e dois meses

* Com prescrição médica e autorização da Anvisa em mãos, já é possível pedir a importação do produto. No entanto, o valor costuma ser bastante alto, e muitas famílias não conseguem dar contas das despesas. Por isso, uma alternativa encontrada é entrar na Justiça, via Ministério Público ou um advogado, solicitando que o Estado arque com esses custos.

3) Processo

Os pacientes costumam argumentar, nos pedidos à Justiça, que a saúde é direito de todos e dever do Estado, que deveria então assumir a responsabilidade pela importação desses produtos a serem usados como forma de tratamento. O Estado, por sua vez, com frequência, conforme advogados, alegaria falta de recursos. A decisão, em cada caso, fica por conta da Justiça.
Tempo médio: cerca de três semanas

4) Decisão judicial

É o juiz que decide se o pedido será concedido ao paciente e, em caso positivo, partindo de orçamentos fornecidos pelo autor da ação, determina o valor a ser pago pelo Estado para a importação. Muitos casos, porém, ainda são negados, segundo as famílias, mesmos após uma decisão anterior favorável.
Tempo médio: cerca de dois meses

5) Importação

O passo seguinte é buscar uma empresa importadora e solicitar o medicamento na quantidade autorizada pela Anvisa e, nos casos que passam pela Justiça, com o dinheiro determinado em decisão judicial.
Tempo médio: de 25 a 30 dias

6) Tratamento

Quando finalmente recebe os produtos cujo uso foi autorizado meses antes, a família do paciente passa a correr contra o tempo: como o aval da Anvisa é temporário e a quantidade receitada varia do pedido de cada médico — tende a ser o suficiente para alguns meses —, a continuidade do tratamento após a aplicação das primeiras doses não é garantida. Assim, o ciclo se reinicia.

Por isso, muitas famílias têm optado por entrar com uma ação meses antes de o estoque que têm para o tratamento acabar, na tentativa de não interromper o uso contínuo dos produtos.

O canabidiol para tratamento de saúde no Brasil

2014
Em maio, em um simpósio sobre o tema em São Paulo, a Anvisa admite pela primeira vez a retirada do canabidiol da lista de substâncias proibidas no país.

2015
A Anvisa retira o canabidiol da lista de substâncias proibidas e o classifica como medicamento de uso controlado.

2016
Em março, é oficialmente autorizada a prescrição médica e a importação — por pessoa física e exclusivamente para tratamento de saúde — de medicamentos e produtos com canabidiol e tetra-hidrocanabinol (THC, também presente na maconha) em sua formulação. Já em novembro, são definidas pela Anvisa regras para a venda de medicamento à base de canabidiol, o que abre caminho, além da comercialização, também para o registro e a produção de medicamentos compostos por maconha no Brasil.

2017
É aprovado pela Anvisa, em janeiro, o registro do primeiro medicamento à base de maconha no Brasil, o Mevatyl, conhecido no Exterior pelo nome comercial Sativex. Em fevereiro, a prescrição de RSHO (Real Scientific Hemp Oil), medicamento à base de maconha, é autorizada pela primeira vez no país para o tratamento de um paciente que sofre da doença de Alzheimer.

Informe à Anvisa efeitos indesejáveis do CBD em: bit.ly/ZH_CBD

AUMENTA O NÚMERO DE TRANSPLANTES NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO...

#UnidosSomosMaisFortes😎
26/04/2017

Programa estadual faz 7 anos, com 8.593 mil transplantes de órgãos e tecidos


O Programa Estadual de Transplantes do Rio de Janeiro (PET-RJ) teve aumento em todos os indicadores de transplantes no primeiro trimestre deste ano. 

Segundo dados divulgados hoje (26) pela Secretaria de Estado de Saúde, os transplantes de coração chegaram a cinco procedimentos em três meses, marca inédita e considerada histórica para o Rio. 

Neste período, no ano passado, houve apenas um transplante de coração. Os transplantes de fígado e de rins também aumentaram: foram 66 e 100 procedimentos, respectivamente, de janeiro a março, contra 42 transplantes hepáticos e 82 renais no mesmo período de 2016.

“Foi maravilhoso”, disse à Agência Brasil o aposentado José Osmar, que era portador da doença de Chagas e não conseguia fazer sequer esforços simples, o que o impedia de participar, inclusive, da vida dos filhos. Quando recebeu um coração compatível, há quatro anos e oito meses, sua vida mudou. “Eu estava entre a vida e a morte e [o transplante] abriu caminho para eu ter oportunidade de viver de novo.”

José Osmar leva agora uma vida normal, pratica atividades físicas quase diariamente e tem até uma coleção de medalhas ganhas em corridas de rua. “Graças a Deus, não sinto nada”, disse. Hoje, aos 45 anos, ele se prepara para disputar a Meia Maratona do Rio de Janeiro, em agosto.

O Programa Estadual de Transplantes foi lançado no dia 26 de abril de 2010 e completa sete anos hoje acumulando 8.593 mil transplantes de órgãos e tecidos, disse o nefrologista Rodrigo Sarlo.  “É um programa sólido. Ao longo desses anos, mais de 8,5 mil transplantes foram alcançados", ressaltou Sarlo, que é coordenador do PET. Entre as ações desenvolvidas no PET, o médico destacou programas de educação e de conforto e sensibilização junto às famílias, recrutamento e treinamento de profissionais, motivação da equipes, reestruturação física e ações específicas para determinados órgãos.

Córneas

Em transplantes de córnea, nos últimos dois anos, o PET bateu recorde, porque foi aproximado o contato entre centros transplantadores e pacientes. Além disso, uma equipe foi direcionada para trabalhar nessa área. Nos três primeiros meses deste ano, houve 153 transplantes de córnea antes os 113 ocorridos de janeiro a março de 2016.

O Programa Estadual de Transplantes tem parceria com outros estados e com universidades e instituições internacionais, destacou Sarlo. Segundo o nefrologista, também o programa Doe+Vida tem contribuído para o sucesso do PET. Desde 2015, as equipes da Coordenação Familiar promovem palestras de conscientização em empresas, instituições e diferentes entidades para debater o assunto. 

No site www.doemaisvida.com.br, as pessoas podem se cadastrar como doadoras e compartilhar essa possibilidade com familiares e amigos.

A Secretaria de Saúde ressalta que, embora não seja um documento legal, porque somente parentes diretos podem autorizar a doação, o cadastro objetiva incentivar as famílias a discutir o assunto e compartilhar a vontade manifestada pela pessoa cadastrada de ser um doador.

Espera

Rodrigo Sarlo informou que o tempo de espera dos procedimentos também diminuiu. No caso dos transplantes de córnea, por exemplo, que tinham uma fila de espera de 10 anos, há cinco anos, o prazo hoje fica entre 1,5 ano e 1,7 ano. “Isso reflete um trabalho árduo, mas, ao mesmo tempo, eficiente”, disse. Há cinco anos, eram pouco mais de 100 transplantes de córnea anuais, e o PET fechou 2016 com 575 procedimentos. Para este ano, a projeção é superar 600 transplantes de córnea.

O secretário estadual de Saúde, Luiz Antonio Teixeira Jr., diz que a conscientização da sociedade quanto à importância de abordar o assunto e autorizar a doação de órgãos em um momento difícil como o da perda de um ente querido, tem impacto direto nos transplantes. “É um ato de amor, totalmente altruísta, e permite uma nova chance para quem precisa de um procedimento como este para sobreviver.”

A fila de espera do PET reúne atualmente 2 mil pacientes para todos os tipos de transplante. 

Segundo Rodrigo Sarlo, o número pode aumentar ou diminuir de acordo com o ritmo de doações de órgãos e também com o ritmo de inscrições. 

No ano passado, o PET registrou taxa de doação em 13.8 PMP (por milhão de habitantes), número que subiu para 15.4 PMP no primeiro trimestre de 2017, alta de 12%.