CIENTISTAS REVELAM MAPA MAIS DETALHADO DO CÉREBRO

#UnidosSomosMaisFortes

21/07/2016

Pesquisadores descobriram que cada metade do cérebro tem 180 áreas, e não 83 como pensavam


Durante anos, os médicos tiveram acesso a mapas confiáveis do corpo e seus órgãos - circulação sanguínea, sistema digestivo, nervos e similares -, mas sempre com uma frustrante zona cinzenta: o cérebro.

Nesta quarta-feira, uma equipe de neurocientistas, especialistas em computação e engenheiros disseram ter compilado o que "poderia ser o mapa mais preciso até o momento" do espaço misterioso que há entre os nossos ouvidos.

Os pesquisadores descobriram cerca de cem regiões, não reportadas anteriormente, da camada exterior enrugada do órgão - chamada de córtex cerebral ou massa cinzenta.

— Estes novos conhecimentos e ferramentas devem ajudar a explicar como nosso córtex evoluiu e os papéis das suas áreas especializadas em saúde e doença — disse Bruce Cuthbert, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, que cofinanciaram a pesquisa, publicada na revista Nature.



Um dia, eles podem permitir "uma precisão sem precedentes em cirurgias cerebrais", acrescentou.

Por mais de um século, inicialmente usando nada além de conjeturas, os cientistas procuraram delinear as diferentes áreas do cérebro e suas funções.

Em 1800, os chamados "frenologistas" dividiram o órgão em seções que controlam certos sentidos e traços de caráter.

A região responsável pelo "espírito combativo" (destructiveness), por exemplo, pairava em algum lugar acima da orelha, enquanto a área relativa ao "amor paternal" ficava na parte de trás da cabeça, e a da "esperança", no topo.

Esta teoria hoje extinta se tornou desacreditada com o surgimento da dissecação e de outros métodos de análise científica.

Como a astronomia

Em 1909, o neurologista alemão Korbinian Brodmann publicou o que é talvez o mais conhecido mapa do cérebro, baseado na descoberta de que diferentes regiões são constituídas por diferentes tipos de células. O mapa de Brodmann, que dividiu o córtex cerebral em algumas dúzias de áreas, ainda é utilizado hoje.

Já se sabe há algum tempo aproximadamente quais regiões controlam os movimentos voluntários musculares, a linguagem, a visão, o som e os aspectos da personalidade, por exemplo. Mas os cientistas ainda discordam sobre quantas regiões do cérebro existem - e mais ainda sobre o que cada uma delas faz.

Antes do novo mapa, havia 83 áreas conhecidas em cada metade do cérebro - um número que agora aumentou para 180, segundo a equipe de pesquisadores.

A descoberta foi possível graças à combinação de dados de diferentes métodos de registro de imagens usados para estudar os cérebros de 210 adultos.

Os pesquisadores então testaram seu novo software em um outro grupo de 210 adultos, e descobriram que ele era capaz de identificar com precisão as regiões mapeadas nos cérebros deles também, apesar da variabilidade individual.

— A situação é análoga à astronomia, onde telescópios terrestres produziram imagens relativamente borradas do céu antes do advento da óptica adaptativa e dos telescópios espaciais — disse o autor do estudo Matthew Glasser, da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington no Missouri.

Confira o vídeo sobre a pesquisa:


VAMOS VENCER O CÂNCER? DESAFIOS E AVANÇOS NO COMBATE À DOENÇA

#UnidosSomosMaisFortes

15/07/2016

Tratamentos mais individuais e exames genéticos para começar a agir antes dos primeiros sinais são algumas armas que têm ajudado a medicina


O check-up de rotina, com exames para verificar os níveis de colesterol e glicose, poderá, em um futuro próximo, incluir a busca por células com DNA alterado. 

A partir de amostras de sangue ou de urina, será possível investigar a existência de células tumorais no organismo. 

A chamada biópsia líquida, que evita procedimentos invasivos e complexos, representa uma das revoluções em curso no combate ao câncer: antecipando-se o diagnóstico — que poderá ocorrer antes mesmo que a lesão apareça — e o início do tratamento, aumentam as chances de sucesso. Em escala reduzida, a técnica está em uso com pessoas que já tiveram câncer — uma eventual volta é detectada precocemente.

O tema esteve na pauta do Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago, um dos mais importantes do mundo, realizado em junho. 

Sergio Roithmann, chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), retornou otimista do evento:

— Em dois a cinco anos, já vamos começar a acompanhar pacientes assim.

Graças aos avanços científicos, especialistas têm se aprofundado cada vez mais na compreensão da enfermidade que se subdivide em mais de cem tipos e se mostra como um dos maiores desafios da medicina: a Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê um aumento de 70% no número de novos casos de câncer ao longo das próximas duas décadas. 

Desvendar o perfil dos tumores e combatê-los com medicamentos que miram mutações moleculares e genéticas específicas constitui parcela significativa do progresso verificado até aqui — as chamadas terapias-alvo ganharam força a partir dos anos 2000. Essa personalização das ações de luta contra a doença, destaca o oncologista Carlos Barrios, tende a se intensificar no futuro.

— Escolhemos o tratamento de forma mais inteligente. 

Não tratamos todo mundo como se todos tivessem a mesma doença — explica Barrios, diretor do Hospital do Câncer Mãe de Deus e professor da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Entre as terapias-alvo, a imunoterapia é considerada uma das abordagens mais promissoras. 

Ela é aplicada nos casos em que os tumores se desenvolvem devido a uma falha do sistema imunológico (ou quando o próprio tumor provoca esse defeito), com a função de tentar "acordá-lo" — o foco, em vez de mirar o câncer, é reabilitar as defesas do organismo para que cumpram o seu papel original. 

Até o momento, pacientes com câncer de pele (melanoma), pulmão, rim e bexiga têm alcançado bons resultados, mas essa terapêutica ainda não pode ser empregada contra todos os tumores.

— Tem que ter um pouco de calma — aconselha Roithmann. — É um avanço descobrir os mecanismos pelos quais a célula cancerosa foge dos nossos sistemas de defesa e como fazer com que nossos linfócitos consigam voltar a ficar mais ativos, mas ainda não sabemos selecionar os casos em que isso realmente funciona. Tem um aprendizado enorme pela frente — completa.

Redução dos efeitos colaterais ainda é desafio

Compreender melhor os mecanismos de resistência da doença (leia mais abaixo) e aprimorar a combinação de estratégias de tratamento também são tarefas que se apresentam. 

Barrios cita o exemplo de um paciente com câncer de pulmão a quem são prescritos dois agentes imunoterápicos ao mesmo tempo: suas chances de ter uma sobrevida maior se aproximam de 50%, mais do que o dobro do percentual oferecido pela terapia com um único imunoterápico (20% de chance de uma sobrevida mais longa). O ônus de associações desse tipo está relacionado ao aumento da toxicidade: elevando-se a quantidade de medicação, crescem os efeitos adversos.

— O nosso desafio é poder combinar tratamentos e ter mais eficácia, mas com uma toxicidade que seja razoável — afirma Barrios.

Quimioterapia, radioterapia e cirurgia, os tratamentos oncológicos tradicionais, também tendem a continuar sendo aperfeiçoados para que se tornem cada vez mais precisos, permitindo a preservação de funções e o aumento da qualidade de vida dos pacientes. 

No caso da radioterapia, máquinas modernas já permitem a irradiação de áreas menores. Quanto à cirurgia, as intervenções realizadas nas mamas atualmente evoluíram muito em relação às do passado, bem mais mutiladoras.

— O tratamento, que era muito assustador, mudou radicalmente e vai continuar mudando — afirma Roithmann. — Hoje em dia encontramos na rua, no nosso lado, muitas pessoas curadas do câncer. 

Nos EUA, de cada quatro pessoas diagnosticadas, três vão ficar curadas. Teremos que desenvolver tratamentos com menos efeitos colaterais e deixar menos sequelas.

O futuro do tratamento do câncer passa por aqui

TERAPIAS-ALVO

São medicamentos desenvolvidos para grupos de pacientes com características semelhantes entre si. 

Em geral, trata-se de uma mutação genética ou molecular — a terapia-alvo mira exatamente nessa anormalidade, daí o nome (a quimioterapia, por sua vez, ataca as células de forma indiscriminada). O tratamento pode impedir a progressão do câncer, fazer com que regrida ou até alcançar a cura. Existe também o risco de que o tumor não responda. Há medicações administradas na forma de comprimidos e outras aplicadas no hospital.

A primeira droga realmente eficaz nessa frente de pesquisas, que se desenvolveu enormemente a partir dos anos 2000, foi o mesilato de imatinibe, indicado para a leucemia mieloide crônica. A tendência é de que as terapias-alvo continuem avançando, rumo a uma individualização cada vez maior dos tratamentos.

IMUNOTERAPIA

Também considerada uma terapia-alvo, a imunoterapia tem uma diferença fundamental: 

o foco do tratamento, em vez do tumor, é o sistema imunológico, que permitiu o desenvolvimento do câncer por apresentar alguma falha. Quando os processos de defesa se normalizam, podem ser capazes de conter o avanço da doença.

Lançado pelo governo americano, o Moonshot 2020 (referência ao programa Apollo, que levou o homem à Lua na década de 1960), iniciativa ambiciosa que reúne laboratórios farmacêuticos, financiadores, médicos e acadêmicos, deve injetar US$ 1 bilhão na pesquisa de imunoterapias com o objetivo de transformar o setor.

O megaprojeto prevê o sequenciamento genético de 100 mil pacientes, investigando um total de 20 tipos de câncer, para o desenvolvimento de vacinas e outras terapêuticas.

SUPERLINFÓCITOS

Dentro da área da imunoterapia, outro experimento que pode dar origem à futura vacina anticâncer está relacionado à superativação dos linfócitos, que integram o nosso sistema de defesa.

Coletadas do próprio paciente, essas células são modificadas e depois reinjetadas de volta. Chamados de CAR T, os superlinfócitos vêm sendo utilizados com sucesso, nos Estados Unidos, em experimentos de combate a leucemias e linfomas. O próximo objetivo é aprimorar essa investida para que seja possível também aniquilar tumores sólidos, como os de mama, pâncreas e intestino.

VENCER MECANISMOS DE RESISTÊNCIA

Complexo e altamente mutável, o câncer se torna ainda mais desafiador nas recidivas. 

Os médicos tratam o tumor inicial e, quando a doença volta, já apresenta novas características — a enfermidade não pode, portanto, ser atacada da mesma forma. Com mais estudos, a definição do segundo ou do terceiro tratamento se tornará mais eficiente: depois de observar a mutação responsável pela resistência, o médico escolherá a terapia de forma mais inteligente.

BIÓPSIA LÍQUIDA

Um teste genético simples, a partir de uma coleta de sangue, permitirá identificar a presença de células tumorais ou de DNA tumoral. Evitando intervenções mais invasivas (como as incisões para a retirada de um fragmento de pulmão, por exemplo), a biópsia líquida será importante para o diagnóstico e o tratamento precoces, além de facilitar a escolha das terapias mais eficazes quando ocorrerem recidivas. Os médicos poderão começar a agir antes mesmo da manifestação clínica dos sintomas. Será uma arma importante para vencer os mecanismos de resistência: no caso de uma paciente com carcinoma de mama que está reagindo bem ao tratamento, o teste indicará se não há uma dificuldade prestes a se manifestar.

ACESSO A PESQUISAS

Entraves burocráticos ainda impedem que se desenvolvam mais estudos com novas drogas, especialmente no Brasil. 

O receio de se voluntariar como cobaia também impede que mais e mais pessoas tenham acesso a remédios de ponta. Para Carlos Barrios, a possibilidade de participar de pesquisas deve ser um assunto obrigatório nas conversas entre médicos e pacientes: quanto mais cedo o doente tiver acesso ao tratamento, mais rapidamente poderá se aproveitar dos eventuais benefícios. Os experimentos científicos, ressalta o oncologista, são democráticos, podendo acolher pacientes das redes pública e privada:

— A pesquisa pode ser vista como um convênio que dá acesso ao melhor tratamento possível. 

EVOLUÇÃO NO TRATAMENTO TROUXE NOVAS FORMAS DE ENCARAR O CÂNCER

#UnidosSomosMaisFortes

15/07/2016

Antes entendida como uma sentença de morte, doença hoje é tratada de forma mais tranquila



Enquanto o tratamento contra o câncer se aperfeiçoa cada vez mais, vem mudando também a forma como a enfermidade é encarada. 

Atuando na área da oncologia desde o final da década de 1980, o médico Sergio Roithmann recorda uma rotina de consultas em domicílio, no início da carreira, por conta do estado extremamente debilitado em que se encontravam os doentes.

— Peguei o tempo em que era proibido dizer o diagnóstico ao paciente. 

A família ficava sabendo e havia a combinação de esconder porque se achava que o paciente não aguentaria essa tristeza. 

Era uma vergonha ter câncer, uma sentença de morte — conta Roithmann, chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento.

Participação do paciente

Se antes o cirurgião era uma figura central — o tumor precisava ser extirpado a qualquer custo, independentemente do tamanho da intervenção e das sequelas —, hoje a abordagem se tornou multidisciplinar, com equipes compostas por profissionais de diversas especialidades. 

Além do cirurgião, do oncologista e do radioterapeuta, há enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, dentistas.

— O paciente participa, discute, escolhe, luta com a família e com o médico, o que aumenta enormemente as chances de viver melhor e de cura. 

Aprendemos a respeitar mais as pessoas, as necessidades. Perdemos o medo de falar o nome da doença — diz Roithmann.

Quebra de tabus

Com o aumento da expectativa de vida da população e o controle de outras causas comuns de morte (como doenças infecciosas e cardiovasculares), o câncer deve se tornar cada vez mais presente, especialmente em países em desenvolvimento como o Brasil. 

O tema é frequente nos meios de comunicação, e o fato de figuras públicas revelarem seu diagnóstico — como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente afastada, Dilma Rousseff, a apresentadora Ana Maria Braga, o ator Reynaldo Gianecchini —, por vezes exibindo a aparência transformada pelo tratamento, contribui para que o público lide com isso de forma mais tranquila.

Caso mais recente, o ator Edson Celulari, 58 anos, divulgou no mês passado uma foto sem cabelo e informou estar cuidando de um tipo de tumor incomum, que ataca o sistema imunológico. 

"Reuni minhas forças, meus santos, um punhado de coragem... coloquei tudo numa sacola e estou indo cuidar de um linfoma não Hodgkin. Foi um susto mas estou bem, ao lado de pessoas amadas. A equipe médica é competente e experiente. Estou confiante, pensando positivo e com fé sairei deste tratamento ainda mais forte", postou Celulari em seu perfil do Instagram.

— Se eles, que são os superartistas, os superpolíticos, também têm câncer, a população também pode ter. Foi um grande serviço nesse sentido. Toda vez que alguém vem à tona, tem uma contribuição. Desmistifica, deixa de ser um tabu — comenta o oncologista José Bines, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. — As pessoas vivem apesar do câncer — completa.

Estamos próximos da cura?

Especialistas são cautelosos ao falar sobre a descoberta da cura. Carlos Barrios, diretor do Hospital do Câncer Mãe de Deus, explica que a doença é curável se detectada cedo, mas ainda não se pode prever quando o pleno restabelecimento de um paciente com tumor em estágio avançado se tornará uma realidade.

— Os resultados estão sendo melhores. Tem mais gente vivendo com câncer por mais tempo e mais gente sendo curada do que anos atrás. Temos desafios de pesquisa, de acesso, econômicos, mas estamos ganhando a luta. Os pacientes vivem mais, vivem melhor e são curados numa maior proporção — conclui Barrios.

Perspectivas animadoras para o câncer de mama

Menos quimioterapias

O estudo MINDACT, desenvolvido por pesquisadores europeus e americanos e divulgado em abril, mostrou os resultados animadores de uma prática que logo poderá chegar ao dia a dia dos consultórios médicos. 

No experimento envolvendo pacientes com câncer de mama em estágio inicial, a avaliação do perfil genético dos tumores permitiu uma redução de até 46% na prescrição de quimioterapias.

— Evita-se oferecer às pessoas tratamentos que não vão beneficiá-las. Nenhuma dessas drogas é isenta de efeitos colaterais — diz José Luiz Pedrini, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia e chefe do Serviço de Mastologia dos hospitais Nossa Senhora da Conceição e Ernesto Dornelles, em Porto Alegre.

Ao custo aproximado de R$ 13 mil, o teste já está disponível na Holanda. Pedrini ressalta que um único ciclo de quimioterapia no Brasil pode custar até R$ 8 mil, e há pacientes que se submetem a 18 ciclos. 

A implementação de uma testagem que pudesse evitar sessões inúteis, além de preservar o paciente contra o sofrimento físico e emocional, significaria também uma economia de recursos.

— Se eu fosse gestor de plano de saúde ou do SUS, certamente faria esse investimento — opina o mastologista.

Menos exames

Publicada em maio pela revista científica Nature, uma pesquisa inglesa demonstrou avanços na detecção dos casos de câncer chamados de aleatórios, que correspondem por até 95% das ocorrências no Brasil: trata-se das pacientes que não têm, entre os parentes próximos, registros prévios de tumor de mama. 

São as situações mais desafiadoras para os especialistas, o que torna necessária a rotina de exames periódicos de rastreamento, como a mamografia, a partir dos 40 anos.

Os cientistas identificaram 93 genes que, ao sofrerem mutações, transformam uma célula normal em uma célula doente. 

A descoberta permitirá o desenvolvimento de novas drogas e, provavelmente antes disso, na opinião do mastologista José Luiz Pedrini, o acesso a testes genéticos rápidos — e mais baratos do que os procedimentos disponíveis hoje. 

Em amostras de sangue ou saliva, será possível apontar a presença dos genes "perigosos". 

Mulheres com genoma alterado iniciarão mais cedo o acompanhamento médico, podendo se submeter antes a cirurgias ou tratamentos preventivos. 

As demais estarão liberadas de anos — e até mesmo décadas — de exames de rastreamento desnecessários.

— Vamos fazer mamografia só naquela paciente que tem risco de câncer. 

Se não há nenhum gene alterado, a chance de câncer de mama é nula — justifica o mastologista.

TROMBOSE VENOSA PROFUNDA...COMO INDENTIFICAR, TRATAR E PREVENIR

#UnidosSomosMaisFortes

16/07/2016

Problema ocorre principalmente nos membros inferiores


Geralmente associada a longos períodos em que o corpo fica parado — por isso também conhecida como "síndrome da classe econômica" —, a trombose venosa profunda é uma doença potencialmente grave que pode atingir qualquer pessoa. 

Caracteriza-se pela formação de um coágulo dentro de uma veia, bloqueando o fluxo de sangue. O problema ocorre principalmente nos membros inferiores.

TROMBOSE VENOSA PROFUNDA

COMO IDENTIFICAR

Os primeiros sinais são dor muscular e inchaço, normalmente em uma só perna.

A pele na região afetada também pode mudar de cor, ficando azulada ou avermelhada.

O problema pode ser atribuído a uma destas
três causas:

lesão nas veias (fruto de uma cirurgia ou uma batida forte, por exemplo), diminuição no fluxo sanguíneo (chamada de estase venosa, o que pode acontecer se o corpo fica muito tempo parado) ou alterações na constituição do sangue (a hipercoagulabilidade, que pode ser causada por predisposição genética, tabagismo e uso de contraceptivos, entre outros).

A trombose costuma aparecer primeiramente na panturrilha, mas pode também surgir ou se espalhar para as veias da coxa.

COMO PREVENIR

O mais importante é manter-se ativo e saudável. Pessoas dentro do peso recomendado, que pouco bebem, não fumam e praticam exercícios regularmente têm menos risco de ser atingidas pela doença. 

É fundamental movimentar-se em períodos que pressupõem alguma imobilização, como longas viagens de avião, trem e ônibus ou dias de repouso – após uma cirurgia, por exemplo. 

Breves caminhadas ou curtos movimentos
com foco na panturrilha costumam ser suficientes. 

Recomenda-se evitar ficar parado
na mesma posição por mais de uma hora.

Fatores de risco

Além de ficar sentado em assentos apertados ou deitado por muito tempo, outros fatores que podem levar à trombose são a baixa ingestão de líquidos e o consumo excessivo de álcool. 

Ter tido algum caso da doença na família também aumenta o risco. 

Presença de varizes, obesidade, uso de hormônios e sedativos são possíveis responsáveis pelo problema.

COMO TRATAR

A trombose venosa é tratada, principalmente, com medicamentos. 

Os anticoagulantes, que diluem o sangue, ajudam a desobstruir as veias e evitar que a doença se agrave. São necessários meses de medicação até que a situação melhore.

Consequências

Se não tratado, o coágulo pode se espalhar e, na situação mais grave, chegar ao pulmão, causando uma embolia – quando um vaso sanguíneo do pulmão é obstruído por um coágulo de sangue. 

A embolia pulmonar pode matar.





O QUE VOCÊ NÃO SABE SOBRE ARTRITE REUMATÓIDE

#UnidosSomosMaisFortes

 2016/07/13

Isso vai acontecer a todos para tentar ao longo dos anos irritante dor nas articulações , joelhos e ombros acima de tudo. A famosa " dor óssea ", acusou especialmente de idosos, são causados ​​na maioria dos casos por osteoartrite , doença comum em muitos. É outra vez l ' artrite reumatóide , uma doença que cai assim no grande família de doenças reumáticas inflamatórias e auto-imunes, mas também apresenta em mais jovem e tem características particulares.

Vamos descobrir algo mais.

O que é artrite reumatóide?


L ' artrite reumatóide (AR) é uma doença reumatológica crônica que afeta as articulações e, particularmente, a membrana sinovial inflamada que aumenta em volume e está indo para cavar dentro da articulação para erodir o osso.

Começando a partir do osso, a inflamação se estende ainda mais para os tecidos circundantes, causando dor, inchaço e trazendo progressivamente ao longo do tempo em deformação óssea. 

Embora afeta principalmente os ossos, o ' artrite reumatóide também pode afetar muitos órgãos, incluindo os rins, olhos, pulmões e coração .

Entre os sintomas mais comuns desta doença é a dor, o inchaço das articulações sem vermelhidão típico de outros tipos de artrite , erupções cutâneas. 

RA afecta principalmente as articulações das mãos, causando diversos graus de incapacidade, até resultar na atrofia completa das articulações. 

Em adição a estes sintomas típicos, a ' a ​​artrite reumatóide , também pode causar problemas que não estão directamente relacionadas com as articulações, tais como mal-estar, anemia , ESR (infecção indicando) elevada, até sintomas mais severos, tais como pleurisia (inflamação das membranas que rodeiam os pulmões ) e secura dos olhos, que também pode conduzir à cegueira .

Quais são as causas?

A artrite reumatóide é uma doença auto-imune, o que significa que algumas células do sistema imunitário não funciona bem e começa a atacar tecidos saudáveis ​​no corpo reconhecendo-as como danificada.

No caso da artrite reumatóide, as células do sistema imunitário atacar a membrana sinovial das articulações e produzir as substâncias que conduzem à inflamação. 

Estas substâncias normalmente produzida no organismo, quando eles atacam o tecido saudável pode danificá-los e, neste caso, vão atacar a cartilagem das articulações.

Recentemente, eles também têm sido estudos que sugerem uma certa dependência de fatores genéticos no aparecimento da doença.

Como você pode curar?

Até algumas décadas atrás, o ' artrite reumatóide foi visto por muitos como a pior forma de artrite , com debilitantes consequências difíceis de manejar. 

Nos últimos 30 anos, no entanto, tem havido inúmeros avanços na busca de tratamentos eficazes contra esta doença. A artrite reumatóide é uma doença incurável até à data, mas existem muitas estratégias e terapias que podem ser usados ​​para aliviar os sintomas e retardar a progressão da doença, cerando para retardar, tanto quanto possível agravamento.

Além da terapia de droga clássico, que emprega drogas anti-reumáticos , os quais variam em função da gravidade e da fase em que a doença é, bons resultados no tratamento da artrite reumatóide foram obtidos com fisioterapia .

Importante neste tipo de doença, é informar o paciente de sua condição, o que é e as várias terapias e tratamentos que podem ajudá-lo a viver com a doença, permitindo-lhes levar uma vida normal.

L ' A artrite reumatóide é uma doença insidiosa, que não é claramente visível a todos e muitas vezes é subestimado por aqueles que não sofrem, levando a banalizar a dor e os sintomas que são contadas por amigos ou parentes que estão sofrendo. 

Aqui estão algumas dicas e truques para ficar ao lado daqueles que sofrem de artrite reumatóide:

1.Não comparar ou banalizar a dor de artrite reumatóide a dor óssea todos que normalmente podemos tentar por várias razões.

2.Não subestime a gravidade da doença. A artrite reumatóide é uma doença que hoje não tem cura: esta condição pode desanimar os sofredores.

3.Oferecer sua ajuda. Viver com esta doença dá a sensação de constantemente ter a gripe, acompanhada de cansaço e fadiga: Ofereça-se para ajudar com as tarefas domésticas ou preparando o jantar para dar ajuda prática na vida cotidiana das pessoas que sofrem de artrite reumatóide, cada pequena contribuição ajuda e se aproxima do outro.

4.Seja o entendimento. Na maioria das vezes a dor de AR virá repentinamente: não se ofenda se o seu amigo se retira no último momento por uma saída planejada há algum tempo, a dor, infelizmente, não dá sinais de alarme.

Viver com esta doença não é fácil, mas existem muitos grupos de ajuda tais como a associação italiana MARICA oferecendo apoio a pessoas que sofrem de doenças reumáticas, incluindo este.

A partilha de experiências e da ajuda dos outros certamente irá ajudá-lo a recuperar uma vida normal e com um sorriso mais, apesar da doença.

FOI USADO TRADUTOR GOOGLE NESSA POSTAGEM...

TERAPIA COM CÉLULAS-TRONCO DÁ ESPERANÇA A QUEM SOFRE COM PERDA DE VISÃO POR CAUSA DA IDADE

#UnidosSomosMaisFortes




11/07/2016

Segundo cientistas dos EUA, um fator imunitário do próprio corpo pode potencializar técnicas contra doenças como a degeneração macular relacionada à idade, que causa a cegueira. Nas atuais, apenas 1% das células-tronco transplantadas sobrevive



Terapias com células-tronco são esperança de pacientes com doenças degenerativas relacionada à idade, por exemplo aquelas ligadas à perda de visão. Nesse caso, porém, os benefícios desse tipo de intervenção são ainda bastante limitados: a combinação da idade avançada com tecidos adoecidos gera um meio infértil para as células usadas, que não conseguem aderir ao sistema ocular. Na revista Science desta semana, cientistas do Instituto Buck de Pesquisa em Envelhecimento, nos Estados Unidos, mostram que a abordagem pode ter um futuro mais promissor apenas com ajuda de um mecanismo natural do organismo. Se calibrado de maneira correta, ele pode potencializar o tratamento.



Outras equipes de pesquisa já conseguiram transplantar, com sucesso, células-tronco da retina em ratos. Em humanos que têm doenças nessa membrana ocular, contudo, os benefícios são discretos: apenas 1% das células transplantadas sobrevive e consegue se integrar ao olho ao longo do tempo. “Queremos mudar essa estatística”, diz Deepak Lamba, pesquisador-sênior do novo estudo norte-americano. A ferramenta para alcançar as ambições, diz ele, chama-se fator neurotrófico mesencefálico derivado astrócitos 




“Identificamos esse sistema de modulação imunitária que ordena a interação entre células doentes da retina e células imunes para promover a reparação do tecido. Ele causa ativação alternativa das células imunológicas, reparação de tecidos, neuroproteção aumentada e maior sucesso de terapias com substituição de fotorreceptores”, acrescenta Lamba. Na pesquisa, o FNMDA foi injetado com fotorreceptores em ratos com cegueira congênita. Os animais tratados com a substância apresentaram melhor aderência das células-tronco ao tecido nativo e se recuperaram mais rápido.



Os cientistas notaram que o fator fez com que as células do sistema imune recrutadas para gerar a inflamação funcionassem, ao contrário do que foram programadas, como agentes anti-inflamatórios. Essas estruturas são, sobretudo, os macrófagos. Heinrich Jasper, coautor da pesquisa, acredita que, além de auxiliar terapias com células-tronco, o FNMDA pode evoluir para tratamentos preventivos nos estágios iniciais de doenças, de forma que os sintomas não evoluam.



No estudo, o FNMDA foi empregado também para proteger os olhos de três ratos com degeneração de fotorreceptores — cones, que distinguem as cores; e bastonetes, que são sensíveis à luz e participam da visão noturna. “Focar na modulação do sistema imunitário para promover um reparo e uma resposta saudáveis do tecido prejudicado em vez de tratar os processos inflamatórios deletérios é uma nova fronteira na pesquisa do envelhecimento”, acredita Jasper.



Ação alternativa


O FNMDA foi, anteriormente, descrito como um fator neurotrófico que pode proteger a retina; isto é, um elemento associado à sobrevivência neuronal e à comunicação dos sistemas nervosos periférico e central envolvido também na visão. Pesquisas com moscas sem hemócitos, um tipo de anticorpo específico dos insetos, mostraram que o FNMDA não conseguiu reparar tecidos lesionados. O mesmo foi detectado em retinas de mamíferos sem células do sistema imune inato ou que continham macrófagos ineficientes.


“Nós propomos, então, que o papel do FNMDA em promover a ativação alternativa de células do sistema imune seja central para a sua função regenerativa”, diz Lamba. A primeira vez que os autores se depararam com os efeitos desse fator ocorreu durante experimentos com moscas de fruta, cujo sistema imune secretava uma substância especial em resposta a danos na retina: era o FNMDA. Ele atuava em células infamatórias que, após a intervenção do fator, ganhavam características anti-inflamatórias e curativas, promovendo, então, o reparo da retina das cobaias lesionadas.



O mesmo experimento foi realizado em ratos e resultados semelhantes, detectados. Os pesquisadores acreditam que a identificação da ação do FNMDA nas células imunes pode acelerar a descoberta de mais vias de ação da substância. “Estudos mostraram que esse fator tem efeitos anti-inflamatórias em animais com Parkinson, que tem como característica a inflamação neurotóxica. É possível que os efeitos protetivos do FNMDA nessa doença sejam os mesmos que observamos nas retinas. É tentador especular que esse fator seja amplamente requisitado em vários contextos para auxiliar na conversão de macrófagos inflamatórios em macrófagos anti-inflamatórios, que ajudam na reparação dos tecidos”, ressalta Lamba.



Os cientistas admitem que os achados são iniciais e que mais estudos são necessários para determinar a contribuição específica de macrófagos e de outras células em mediar os efeitos curativos do FNMDA. Isso significa que, até chegar à prática clínica, um longo caminho deverá ser percorrido. “Embora nossos achados apontem para a função do macrófago como mediador, não se exclui a possibilidade de outras células estarem envolvidas no processo”, especula o pesquisador-sênior.



Aposta também em biomateriais


“O transplante de células-tronco pode ser a única esperança de reparo e restauração da função visual de indivíduos quando outras opções de tratamento não estão disponíveis. Enquanto progressos significativos foram feitos na geração de neurônios da retina a partir de diferentes fontes celulares; protocolos de transplantação, integração funcional e sobrevivência das células transplantadas na retina ainda precisam ser adequados e formulados. Esses procedimentos podem carecer de suporte estrutural para promover a sobrevivência de longo prazo, além da integração celular. O caminho apontado pelos autores é promissor, e outra estratégia que desponta como opção são os biomateriais. A aplicação potencial dessas estruturas inclui superfícies que promovem a adesão celular e sua diferenciação, além de suporte estrutural para facilitar a aplicação, a integração e a sobrevivência das células. Isso pode ser feito em conjunto com agentes farmacológicos ou até mesmo com fatores como o do estudo para que induziam a regeneração e o reparo da retina.”


Silke Becker, pesquisadora da University College London



EUA AUTORIZA TRATAMENTO EXPERIMENTAL CONTRA ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA

#UnidosSomosMaisFortes
 11-07-2016 


O físico e cientista Stephen Hawking enfrenta a doença desde os 21 anos.


A empresa farmacêutica AB Science anunciou nesta segunda-feira (11) ter obtido a aprovação da Food and Drug Administration (FDA), a agência americana para medicamentos, para o uso compassivo em um único paciente de seu medicamento contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

Chamada de doença de Lou Gehrig ou de Charcot, a ELA é uma enfermidade neurodegenerativa que afeta os neurônios motores, as células do sistema nervoso central que controlam os movimentos voluntários. 

A doença paralisa os músculos do corpo sem atingir as funções cerebrais. O físico britânico Stephen Hawking sofre com um dos tipos da enfermidade desde os 21 anos.

O medicamento desenvolvido pela AB Science é experimental, baseado na molécula masitinib, e será aplicado em um paciente. 

“A FDA recebeu a primeira demanda de uso nominativo a título compassivo do masitinib em ELA e aceitou o pedido, com base nos resultados da análise provisória do estudo em fase 2/3”, afirmou o comunicado da agência americana.

100 mil pessoas afetadas

O uso compassivo significa que envolve um medicamento experimental, aplicado fora dos testes clínicos, para tratar um paciente sofrendo de uma doença grave ou potencialmente fatal, ou ainda uma doença para a qual não existem outros tratamentos alternativos satisfatórios.


A Esclerose Lateral Amiotrófica afeta cerca de 100 mil pessoas no mundo todo, sendo 30 mil apenas nos Estados Unidos. 

Sua origem ainda é desconhecida. Cerca de 90% dos pacientes atingidos pela ELA morrem dentro de 10 anos.

A AB Science conduz atualmente estudos de fase 3 para o masitinib, com indicação para 12 doenças, entre elas o câncer, doenças neurológicas e inflamatórias como Esclerose Múltipla.

10 INFORMAÇÕES SOBRE O TRANSTORNO DE ANSIEDADE QUE PODEM AJUDAR A ELIMINAR O ESTIGMA

#UnidosSomosMaisFortes

11 julho 2016

A ansiedade pode afetar pessoas de qualquer idade, cultura ou gênero, mas afeta mais determinados grupos de pessoas, dependendo da região 

Os transtornos de ansiedade, como transtorno de ansiedade social, transtorno obsessivo-compulsivo, agorafobia, síndrome do pânico e ansiedade em geral são os tipos mais comuns de transtornos mentais nos Estados Unidos.

Estima-se que 18% de todos os adultos americanos sofram de algum transtorno de ansiedade, o que corresponde a um custo de mais de 42 bilhões de dólares por ano.

Os Estados Unidos são peculiares a esse respeito, de acordo com a maior análise global já realizada. 

Algumas regiões do mundo, incluindo os Estados Unidos e também a Europa Ocidental, têm índices mais altos de transtornos de ansiedade em geral. Além do mais, alguns grupos entre os americanos têm maior risco de serem diagnosticado com transtorno de ansiedade.

Olivia Remes, principal autora da análise e pesquisadora do tema na Universidade de Cambridge, analisou 48 dos melhores ou mais abrangentes estudos sobre a prevalência de ansiedade em todo o mundo. 

Ela identificou quais culturas, sexos e faixas etárias são mais suscetíveis aos transtornos de ansiedade. Os resultados também revelaram lacunas na compreensão do problema entre alguns grupos de pessoas.

“Precisamos de muito mais pesquisas com pessoas que se identificam como lésbicas, gays, bissexuais e (LGB), porque a ansiedade é uma questão importante neste grupo”, disse Remes. “Além disso, os aborígenes que vivem no Canadá, nos Estados Unidos, na Nova Zelândia e em outras partes do mundo correm um risco significativamente maior de sofrer de problemas de saúde, mas ainda sabemos muito pouco sobre a saúde mental dessas populações.”

Por que os transtornos de ansiedade são importantes

Apesar de comuns, os transtornos de ansiedade continuam sendo considerados meramente preocupantes, não debilitantes -- condições incapacitantes que exigem tratamento especializado.

Um pouco de ansiedade pode ser benéfico e nos ajudar a nos manter em segurança.

Mas quem sofre de transtornos de ansiedade e não é tratado tem sentimentos avassaladores e incontroláveis de medo, que podem interferir com a vida diária. Saber mais sobre essa condição é uma maneira de ajudar a combater o estigma dos transtornos mentais e de oferecer ajuda para as pessoas que dela necessitam.

“[Os transtornos de ansiedade] podem aumentar o risco de suicídio, incapacitação e má qualidade de vida”, disse Remes. “Se não soubermos quem é mais afetado pela ansiedade, não podemos fazer nada para diminuir fardo humano e econômico associado a esses transtornos.”

Aqui estão 10 conclusões deste estudo global sobre ansiedade:

1. Mulheres têm duas vezes mais probabilidade de ser afetadas pelos distúrbios de ansiedade.

Mulheres apresentaram maior propensão de serem afetadas por transtornos de ansiedade do que os homens, numa proporção de 1,9 para 1, e essa diferença persistiu ao longo do tempo tanto nos países em desenvolvimento como nos desenvolvidos.

2. Os jovens são mais propensos a ter transtornos de ansiedade.

Não importa a cultura estudada, as pessoas com menos de 35 anos estavam mais propensas a apresentar transtornos de ansiedade. Isso era verdade para todos os países pesquisados, exceto para o Paquistão, onde as pessoas de meia-idade apresentaram as maiores taxas de transtornos de ansiedade.

3. Dependência de opiáceos está associada a um aumento do risco de ansiedade.

Globalmente, a presença de sintomas de ansiedade em pessoas que abusam de opiáceos varia de 2% a 67%, enquanto os diagnósticos reais ficam em torno de 29%. Entre os americanos que abusam de opiáceos, esse número é de 16%.

4. Viciados em jogos de azar ou em internet também têm maior probabilidade de sofrer esses transtornos.

Além de abuso de opiáceos, as dependências de internet e de jogos de azar são dois outros comportamentos de risco que parecem estar associados a um aumento nos diagnósticos de ansiedade. Globalmente, 37% dos apostadores patológicos relataram ter transtornos de ansiedade, enquanto estudos sobre vício em internet (principalmente em países asiáticos) constataram que a prevalência de ansiedade é mais de duas vezes maior em pessoas com vício em internet, em comparação com grupos de controle.

5. A ansiedade muitas vezes se parece com outros transtornos mentais e doenças neurológicas.

Pessoas com transtorno bipolar, esquizofrenia e esclerose múltipla correm maior risco de desenvolver transtornos de ansiedade. 

Na Europa, de 13% a 28% das pessoas com transtorno bipolar também sofrem de ansiedade. Em nível mundial, 12% das pessoas com esquizofrenia também têm sido diagnosticadas com transtorno obsessivo-compulsivo.

Finalmente, quase 32% das pessoas com esclerose múltipla, um problema de saúde neurológico, têm transtorno de ansiedade, e mais da metade delas apresenta algum sintoma de ansiedade.

6. Doenças aparentemente não-relacionadas estão associadas a altas taxas de ansiedade.

Pessoas com doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias, diabetes e outras doenças crônicas são mais propensas a sofrer transtorno de ansiedade. Por exemplo, sintomas de ansiedade entre as pessoas com insuficiência cardíaca congestiva variam de 2% a 49%. Pessoas com doença arterial coronariana têm transtorno do pânico em taxas que variam de 10% a 50%.

Os pacientes com câncer, por sua vez, tiveram taxas de ansiedade entre 15% e 23%. Esse risco pode se estender até mesmo aos sobreviventes do câncer e seus cônjuges. Globalmente, as pessoas diagnosticadas com câncer há dois anos tiveram taxas de ansiedade mais elevadas do que grupos de controles saudáveis (18%, ante 14%) e 40% dos cônjuges dos sobreviventes de câncer desenvolveram ansiedade.

7. A ansiedade pode estar presente em pessoas que sofrem de doenças crônicas que não representam risco de vida.

Quem tem diabetes é mais propenso a ter transtornos de ansiedade ou alguns sintomas, em comparação com grupos de controle saudáveis. Este efeito foi mais forte para as mulheres do que para homens. As mulheres com diabetes, por exemplo, apresentaram prevalência de ansiedade quase duas vezes superior à dos homens diabéticos: 55% contra 33%.

8. Uma passado traumático poderia explicar altas taxas de ansiedade.

Pessoas que passam por traumas também podem ter altas taxas de ansiedade. Estudos com veteranos britânicos e americanos que tiveram membros amputados revelaram que a ansiedade afeta de um quarto a mais de metade desses grupos. Globalmente, as pessoas com histórico abuso sexual relataram taxas de ansiedade que variam de 2% a 82%.

9. É importante monitorar a ansiedade durante a gravidez.

Globalmente, as mulheres grávidas e que acabaram de dar à luz têm maiores taxas de transtorno obsessivo compulsivo que a população geral: de 2% e 2,4%, respectivamente, em comparação com 1% da população em geral.

Estudos etíopes e nigerianos mostraram que a ansiedade foi elevada em mulheres durante o período pré- e pós-natal (15% e 14%, respectivamente). O impacto foi particularmente pronunciado entre as mais jovens.

10. Subgrupos vulneráveis são mais propensos a sofrer de ansiedade.

Lésbicas, gays ou bissexuais que vivem em países ocidentais têm taxas de ansiedade mais altas que o normal, e este efeito é mais acentuado entre as mulheres. Estima-se que de 3% a 20% dos homens enfrentem ansiedade, enquanto a estimativa para mulheres varia de 3% a 39%.

Os sintomas de ansiedade também são mais comuns na velhice, especialmente entre aqueles que têm disfunção cognitiva, tais como problemas de memória. Entre os idosos com leve comprometimento cognitivo, estima-se que de 11% a 75% enfrentem algum tipo de transtorno de ansiedade. Isso se estende até mesmo aos seus cuidadores, que se relatam ansiedade na faixa de 4% a 77%.

Remes espera que sua pesquisa chame a atenção para populações mais afetadas pela ansiedade, para que governos e sistemas de saúde possam direcionar recursos de saúde mental, intervenções e esforços de triagem para esses grupos de alto risco.

“Esperamos que nosso estudo aumente a conscientização a respeito da ansiedade como uma questão importante, para que haja mais pesquisas e as pessoas afetadas possam procurar ajuda e receber o tratamento necessário”, disse Remes. 

“Saúde mental é importante para todos e é um direito humano básico.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.