VACINAÇÃO CONTRA GRIPE IMUNIZOU 22 MIL PESSOAS EM SALVADOR

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Este ano, os professores fazem parte do grupo que deve ser imunizado...

Mais de 22 mil pessoas já foram vacinadas contra a influenza (gripe) na capital, desde o início da campanha em 18 de abril, o que corresponde a 3,6% do público alvo. 

A meta da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS) é imunizar pelo menos 90% de 673 mil indivíduos para alcançar a cobertura vacinal determinada pelo Ministério da Saúde.

Devem ser vacinadas pessoas a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes, puérperas (mulheres que ganharam bebê nos últimos 45 dias), portadores de doenças crônicas e a população carcerária.

A vacina é considerada a melhor medida de prevenção da doença e pode reduzir em até 45% o número de hospitalizações por pneumonias, e até 75% a mortalidade global por complicações da influenza. 

Em 2017, foram registrados 71 casos de doenças causadas por vírus respiratórios em Salvador. 

Devem ser vacinadas pessoas a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes, puérperas (mulheres que ganharam bebê nos últimos 45 dias), portadores de doenças crônicas e a população carcerária.

A campanha segue até o dia 26 de maio nos postos de saúde do município, de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 8h às 17h. 

Devem ser vacinados os idosos, crianças menores de 2 anos de idade, gestantes, puérperas (mulheres que ganharam bebê nos últimos 45 dias), trabalhadores de saúde, professores das redes pública e privada e pacientes com doenças crônicas.

Confira a lista dos portadores de doenças crônicas com indicação para vacinação:

Categoria de risco clínico

Doença respiratória crônica: 

Asma em uso de corticoides inalatório ou sistêmico (Moderada ou Grave); DPOC; Bronquioectasia; Fibrose cística; Doenças intersticiais do pulmão; Displasia broncopulmonar; Hipertensão arterial pulmonar; Crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade.

Doença cardíaca crônica: 

Doença cardíaca congênita; Hipertensão arterial sistêmica com comorbidade; Doença cardíaca isquêmica; Insuficiência cardíaca.

Doença renal crônica: 

Doença renal nos estágios 3, 4 e 5; Síndrome nefrótica; Paciente em diálise.

Categoria de risco clínico: Indicações

Doença hepática crônica: 

Atresia biliar; Hepatites crônicas; Cirrose.

Doença neurológica crônica: 

Condições em que a função respiratória pode estar comprometida pela doença neurológica; Considerar as necessidades clínicas individuais dos pacientes incluindo: 

AVC, indivíduos com paralisia cerebral, ESCLEROSE MÚLTIPLA, e condições similares; Doenças hereditárias e degenerativas do sistema nervoso ou muscular; Deficiência neurológica grave.

Diabetes: Diabetes Mellitus tipo I e tipo II em uso de medicamentos.

Imunossupressão: 

Imunodeficiência congênita ou adquirida; Imunossupressão por doenças ou medicamentos; Anemia falciforme.

Obesos: 

Obesidade grau III.

Transplantados: 

Órgãos sólidos; Medula óssea.

Portadores de trissomias: 

Síndrome de Down, Síndrome de Klinefelter, Síndrome de Wakany, dentre outras trissomias.

OSTEOPOROSE...O QUE É...SINTOMAS...DIAGNÓSTICOS... EXAMES... PREVENÇÃO ...TRATAMENTOS E CUIDADOS... CONVIVENDO...

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OSTEOPOROSE


Osteoporose é definida como a perda acelerada de massa óssea, que ocorre durante o envelhecimento. Essa doença provoca a diminuição da absorção de minerais e de cálcio.

Três em cada quatro pacientes são do sexo feminino. Afeta principalmente as mulheres que estão na fase pós-menopausa.

A fragilidade dos ossos nas mulheres é causada pela ausência do hormônio feminino, o estrogênio, que os tornam porosos como uma esponja. É a maior causa de fraturas e quedas em idosos.

Os principais fatores de risco de desenvolvimento dessa doença são:

Pele branca;
Histórico familiar de osteoporose;
Vida sedentária;
Baixa ingestão de Cálcio e /ou vitamina D;
Fumo ou bebida em excesso;
Medicamentos, como anticonvulsivantes, hormônio tireoideano, glocorticoides e heparina;
Doenças de base, como artrite reumatoide, diabetes, leucemia, linfoma.

Os locais mais afetados por essa doença são a coluna, o pulso e o colo do fêmur, sendo este último o mais perigoso.
É considerada o segundo maior problema de saúde mundial, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares.


SINTOMAS

Além das fraturas nos ossos e quedas, a perda de massa óssea pode provocar os seguintes sintomas:

Dor crônica;
Deformidades;
Perda de qualidade de vida e/ou desenvolvimento de outras doenças, como pneumonia;
Encolhimento;
Fraturas nas vértebras, provocando problemas gastrintestinais e respiratórios.
As fraturas de quadril podem levar à imobilização da paciente, e requerer cuidados de enfermagem por longo prazo.



DIAGNÓSTICOS

Geralmente, é diagnosticada somente após a ocorrência da primeira queda, pois os sintomas não são perceptíveis.

O principal método para diagnosticar a osteoporose é a densitometria óssea. Esse exame mede a densidade mineral do osso da coluna lombar e no fêmur.

O resultado divide-se em três classificações: normal, osteopenia e osteoporose.

EXAMES

Problema comum nas mulheres após a menopausa, a osteoporose consiste na redução da massa dos ossos, com alterações em sua microestrutura. 

Essa doença torna mais frágil a estrutura óssea da paciente, aumentando a probabilidade de ocorrerem fraturas, que podem ter graves consequências. 

Entretanto, a osteoporose é uma doença silenciosa que, na maioria das vezes, evolui sem sintomas. Mantendo acompanhamento médico regular, é possível identificá-la e iniciar o tratamento o quanto antes.

Densitometria de massa óssea (DMO)

O exame de referência para o diagnóstico da osteoporose hoje é a densitometria de massa óssea. A medida da massa óssea permite determinar o risco da paciente vir a ter fraturas, auxiliando a identificação da necessidade de tratamento. 

Também possibilita avaliar as mudanças na massa óssea com o tempo. O exame é realizado por técnica de DEXA – sigla em inglês para absorciometria por raio X com dupla energia.

O diagnóstico da osteoporose é realizado por meio da avaliação dos antecedentes pessoais da paciente, da avaliação da densidade da coluna lombar e do fêmur proximal, colo femoral e/ou fêmur total e antebraço, segundo os critérios propostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A densitometria óssea vai refletir a situação atual da paciente, sendo necessário fazer comparações com exames anteriores para identificar o ganho ou a perda de massa óssea, identificando a evolução da doença ou a eficácia do tratamento. 

O intervalo entre os exames é definido pelo próprio médico, que leva em conta diversos critérios, como sexo e idade do paciente, a precisão da tecnologia empregada, entre outros. Em geral, são recomendados exames com intervalo mínimo de um a dois anos.

As sociedades americanas National Osteoporosis Foundation (NOF) e North American Menopause Society (NAMS) recomendam a realização da densitometria óssea para:

Todas as mulheres com 65 anos ou mais, e nas que tenham doenças que causam perdas ósseas;

Nas mulheres na menopausa ou em transição, com 50 anos ou mais, que tiverem pelo menos os seguintes problemas:

a. uma fratura após a menopausa ou após os 50 anos (exceto no crânio, face, tornozelo ou dedos);

b. magreza ou IMC ≤ 21 kg/m2;

c. pais com história de fratura no quadril;

d. artrite reumatoide;

E.fumantes atuais;

f. ingestão excessiva de álcool (≥ três doses por dia)

Existem também outras indicações para a solicitação de exames de pesquisa de osteoporose, se você está próximo ou já entrou na menopausa procure seu médico.


PREVENÇÃO

A prevenção da osteoporose é feita adotando-se hábitos saudáveis ao longo da vida. É preciso redobrar a atenção após a menopausa, já que a queda dos níveis do hormônio estrógeno acelera o processo de perda de densidade óssea, demandando maiores cuidados para prevenir a doença.

Acredita-se que cerca de um terço das mulheres brasileiras na pós-menopausa desenvolvem a osteoporose. Apesar disso, 80% das mulheres em idade adulta no nosso país desconhecem a relação entre a menopausa e o aumento dos índices dessa doença, que pode causar fraturas e diminuir muito a qualidade de vida da paciente. Dessa forma, é preciso estar informada para os desafios que envolvem a chegada dessa fase: cuidar da saúde ao longo da vida, e ajustar os hábitos nos momentos em que o corpo pedir maiores cautelas.

Um dos elementos fundamentais para garantir a saúde dos ossos é a prática regular de atividade física desde cedo, o que permite alcançar o pico de massa óssea. Exercícios como caminhada, atividades aeróbicas e também com carga contribuem para aumentar um pouco esse índice, que se mantém com a continuidade das atividades.

Por outro lado, cuidar da alimentação também pode fazer a diferença na prevenção da osteoporose. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é importante ingerir alimentos ricos em cálcio diariamente, numa quantidade de 1.000 a 1.300 mg por dia – o equivalente a cerca de três porções de leite e derivados. Por exemplo: um copo de leite (250mg de cálcio), um copo de iogurte (300mg) e uma fatia de queijo (300mg).

Tomar sol é parte importante no processo de prevenção da doença. Os raios solares são necessários para a produção de vitamina D, substância fundamental na manutenção de um esqueleto saudável. A exposição à luz solar nos horários adequados – pela manhã e ao final da tarde – pode fazer a diferença na produção da vitamina, que também pode ser encontrada em alguns alimentos e suplementos vitamínicos. Num país tropical como o Brasil, tomar sol não é problema – ao sair às ruas para realizar as tarefas diárias, já estamos proporcionando à nossa pele as condições necessárias para produzir vitamina D. Dessa forma, é importante que as pessoas da terceira idade mantenham-se ativas, caminhando ao ar livre e repondo o cálcio através da alimentação e suplementos, quando indicado pelo médico.

TRATAMENTOS E CUIDADOS

Os tratamentos atuais para a osteoporose não revertem a perda óssea completamente. 

Como a osteoporose é frequentemente diagnosticada somente após a instalação da doença, considera-se que uma das melhores estratégias sejam as medidas preventivas que retardam ou evitam o desenvolvimento da doença.

Para isso, durante a juventude deve-se melhorar o pico de massa óssea, reduzir as perdas ao longo da vida e evitar as quedas. As principais indicações são:

Alimentação balanceada, com atenção para o cálcio dietético (leite e derivados);
Uso de medicamentos com ingestão de cálcio e vitamina D;
Exposição moderada ao sol, para que ocorra a síntese da vitamina D;
Prática regular de exercícios físicos, como caminhada – que estimula a formação óssea e previne a reabsorção;

Terapia hormonal (para mulheres).

CONVIVENDO

Para amenizar os efeitos da osteoporose é necessária a ingestão de grande quantidade de cálcio. Para isso, são indicados os seguintes alimentos:

Produtos lácteos
Leite 1 xícara 292 mg
Iogurte 1 xícara 415 mg
Queijo cottage 1 xícara 138 mg
Queijo em geral 28 grs 174 mg
 Vegetais
Espinafre (cozido) 1 xícara 245 mg
Brócolis (cozido) 1 xícara 78 mg
 Peixe
Sardinha (enlatada) 100 g 379 mg
Salmão (enlatado) 100 g 237 mg
 Tofu
Firme 1 xícara 516 mg
Regular 1 xícara 260 mg


COMO ENFRENTAR A DOENÇA DE CROHN E A RECOLITE ULCERATIVA...

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15 fev 2017

A Doença de Crohn afeta o organismo como um todo. Mas dá para controlar seus sintomas. 

As doenças inflamatórias intestinais são cada vez mais comuns e não afetam apenas o aparelho digestivo. Saiba como evitar e tratar esses problemas...

As doenças inflamatórias intestinais — nome que reúne a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa —, estão em ascensão entre adultos jovens. 

“Elas têm aumentado nos últimos dez anos e acredita-se que isso não seja apenas fruto do maior número de diagnósticos”, afirma gastroenterologista brasileira Dídia Cury.

Já foram identificados diversos genes ligados a elas, mas é provável que o estilo de vida favoreça sua erupção e as crises. 

Apesar de ainda não conhecermos os mecanismos exatos, o estresse, o tabagismo e a dieta desbalanceada podem influenciar os sintomas e a gravidade do quadro.

As estimativas mostram que essas enfermidades são muito mais comuns no Ocidente — e, ao que tudo indica, os hábitos deste lado do globo pesam a favor de novos casos. 

Além disso, corre a hipótese de que a adoção demedidas de higiene e de extermínio de micro-organismos (desinfetantes e por aí vai) repercuta negativamente no corpo de pessoas com propensão a tais doenças.


Sem vírus e bactérias para enfrentar, o sistema imune delas passa a descontar na flora intestinal. E aí nasce o incêndio. “Estamos diante de problemas complexos, com diversas manifestações, e que precisam ser acompanhados porque comprometem a qualidade de vida”, alerta Dídia.

Como já adiantamos, um intestino em chamas representa ameaça a outros cantos do corpo. 

“Tanto a doença de Crohn quanto a retocolite podem ocasionar manifestações fora desse órgão”, afirma a cirurgiã do aparelho digestivo Angelita Habr-Gama, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na capital paulista. E, por incrível que pareça, às vezes um sinal na periferia aparece antes mesmo do rebuliço dentro da barriga.

“Há pessoas com dores nas articulações motivadas pelo problema que só apresentam mais tarde os sintomas no intestino”, conta Dídia Cury. Essa situação nos permite imaginar a dificuldade em fazer o diagnóstico precoce.

As doenças inflamatórias não poupam os olhos, o fígado nem os rins. Até cálculo renal elas patrocinam! 

“Nessas condições, há muita perda de líquido por causa das diarreias e um aumento na absorção de oxalato, substância que, na urina, pode se transformar em cristal”, explica o nefrologista Nestor Schor, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp.

O estado nutricional também é abatido. 

Dependendo da região do intestino afetada, temos um prejuízo na absorção de vitaminas e outros nutrientes. São razões de sobra para procurar um especialista se houver suspeita de um dos males.

O diagnóstico

“Para fecharmos o diagnóstico, recorremos a exames de imagem, de sangue e métodos como a colonoscopia”, informa Dídia. Detectado o martírio, a ciência dispõe de meios cada vez mais eficazes para controlá-lo.

É difícil falar na cura dessas doenças, mas estamos aprendendo melhor o papel da flora intestinal e como suas alterações repercutem no processo inflamatório. 

Aliado ao tratamento e ao acompanhamento médico, o estilo de vida pode intensificar o socorro ao intestino — daí a recomendação de seguir um cardápio equilibrado, praticar atividade física, aliviar o estresse e não fumar. “Se o problema está controlado, o indivíduo pode levar uma vida normal”, diz Angelita.

Tratamentos à disposição

Há um extenso arsenal terapêutico contra as doenças inflamatórias intestinais. “Mas a resposta ao tratamento varia muito entre os pacientes”, já adianta Angelita Gama.

A primeira frente de batalha é composta de drogas como as mesalazinas e os corticoides. Quando elas não funcionam, entram em cena os medicamentos imunossupressores.

Se esses deixam a desejar, a solução é recrutar a terapia biológica. “São injeções que anulam uma substância inflamatória em alta no organismo e, assim, domam a inflamação exacerbada no intestino”, explica Dídia Cury. 

“Essas drogas mudam, de fato, o curso da doença.”

Mas e se todos os fármacos falharem? “Nesse caso, a solução se encontra em cirurgias que podem ressecar ou remover a área acometida pelo problema”, afirma Angelita.


GOVERNO RETOMA PENTE-FÍNO DO INSS NESTA SEGUNDA-FEIRA

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16 jan 2017

Nesta etapa, serão chamados 530.000 beneficiários com auxílio-doença que estão há mais de dois anos sem perícia médica

Segundo o governo, a revisão nos benefícios gerou até outubro de 2016 uma economia de R$ 220 milhões para a Previdência (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Os aposentados acima de 60 anos agora ficaram de fora da perícia.

O governo reinicia nesta segunda-feira o pente-fino dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

No total, serão chamados 530.000 beneficiários com auxílio-doença que estão há mais de dois anos sem perícia. 

A convocação será feita por meio de carta.

O Programa de Revisão dos Benefícios por Incapacidade foi autorizado pela Medida Provisória 767, publicada no dia 6 em edição extra do Diário Oficial da União. 

O processo havia sido interrompido após o vencimento de uma medida provisória semelhante e não votação pelo Congresso Nacional de projeto de lei com o mesmo tema.

Após receber o comunicado, o segurado terá cinco dias úteis para agendar a perícia pelo número 135.

 O beneficiário que não atender a convocação ou não comparecer na data agendada terá o benefício suspenso. Para reativar o auxílio, ele deverá procurar o INSS e agendar a perícia. Na data marcada para a realização da avaliação, o segurado deve levar toda a documentação médica como atestados, laudos, receitas e exames.

O texto da MP prevê ainda que o ato de concessão ou de reativação de auxílio-doença, judicial ou administrativo, deverá fixar o prazo estimado para a duração do benefício e que, quando isso não for feito, o benefício cessará após 120 dias. Além disso, a MP estabelece um bônus de desempenho para os médicos peritos de 60 reais por perícia realizada.

Em nota, o secretário-executivo da pasta, Alberto Beltrame, disse que o pente-fino é uma ação primordial para redirecionar os recursos previdenciários para quem realmente precisa. 

“Essa medida contribui para melhor governança e gestão de recursos públicos, contribuindo com o esforço do governo federal para equilibrar as contas”, afirmou.

Até outubro de 2016, a revisão nos benefícios gerou uma economia de 220 milhões de reais para o Fundo da Previdência. 

Foram realizadas quase 21.000 perícias, sendo que 16.782 benefícios (80,05%) foram cessados na data de realização do exame, 304 (1,45%) foram cessados, mas houve concessão de auxílio-acidente, 1.520 (7,25%) tiveram data remarcada para cessação, 954 (4,55%) foram encaminhados para reabilitação profissional e 1.289 (6,15%) transformados em aposentadoria por invalidez.

NOVO TRATAMENTO COM CÉLULAS-TRONCO PODE RESTAURAR A VISÃO NOS CEGOS

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Publicado em 13.01.2017

Sem dúvida, o potencial de tratamento das terapias com células-tronco é extraordinário. 

No entanto, há um obstáculo que os cientistas estão trabalhando para superar: certificar que as células sobrevivam no corpo humano tempo suficiente para que funcionem. Agora, os cientistas do Buck Institute, nos EUA, podem ter encontrado uma maneira de fazer isso acontecer.

Em um estudo publicado na revista Cell Stem Cell, os pesquisadores conseguiram observar demonstrações de restauração da visão de longo prazo através de transplantes de fotorreceptores usando células-tronco humanas. 

Eles conseguiram evitar a rejeição do sistema imunológico das células-tronco, bloqueando as respostas imunes habituais que desencadeiam a rejeição delas pelo corpo do receptor.

Originalmente, não estava claro se os fotorreceptores transplantados simplesmente morriam antes de serem eficazes ou se eles eram desligados pelo sistema imunológico do corpo. Deepak Lamba, autor do novo estudo, explica que os cientistas pensavam que o olho e o cérebro estavam isentos de monitoramento pelas células do sistema imunológico. Para descobrir isso, a equipe estudou uma estirpe específica saudável de ratos, mas que não tinha um receptor de células imunes específico chamado IL2rγ. Estes ratinhos imunodeficientes sem receptores IL2 (IL2ry) são incapazes de rejeitar células estranhas transplantadas.

Os ratos mostraram um aumento de dez vezes de células retinais doadoras derivadas de células estaminais embrionárias humanas vivas. As células retinianas transplantadas amadureceram e integraram-se com sucesso nas retinas dos ratos.

“Isso se transformou em uma bela história de restauração de longo prazo da visão em ratos completamente cegos”, diz Lamba. “Nós mostramos que estes ratos agora podem perceber a luz mesmo 9 meses após a injeção dessas células”.

Vendo que os transplantes foram capazes de sobreviver, os pesquisadores precisavam testar se eles realmente funcionavam. Os fotorreceptores derivados de células estaminais foram inseridos numa estirpe de ratinhos cegamente congênitos. 

Medindo a resposta de suas cobaias à luz e aos centros de resposta visual de seus cérebros (para verificar se os sinais do olho estavam atingindo as áreas cerebrais apropriadas), os pesquisadores observaram que os ratos podiam ver novamente.
“Essa descoberta nos dá muita esperança de que podemos criar algum tipo de vantagem para essas terapias de células-tronco para que não seja apenas uma resposta transitória quando essas células são colocadas, mas uma visão sustentada por um longo tempo”, explica Lamba. 

“Mesmo que a retina seja muitas vezes considerada como “imunologicamente privilegiada”, descobrimos que não podemos ignorar a rejeição celular quando se tenta transplantar células-tronco para o olho”.

FIBROMIALGIA OFICIALMENTE RECONHECIDA COMO DOENÇA PELA DGS

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30/12/2016
 
A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou a norma para a fibromialgia, passando a reconhecer oficialmente esta entidade como uma doença. 

Estima-se que, em Portugal, mais de 300 mil pessoas sofram deste problema, avançou à Lusa a presidente da Associação Portuguesa de Doentes com Fibromialgia (APDF), Fernanda Neves de Sá.
Isto é um passo de gigante para mais de 300 mil doentes”, porque significa que “finalmente a fibromialgia está oficialmente reconhecida como uma patologia”, congratulou-se a responsável.

Na norma, publicada no passado dia 27, estão inseridos “todos os pontos de diagnóstico, a forma como os doentes devem ser diagnosticados, acompanhados, e as bases científicas que levaram a DGS a elaborar esta norma”, com obrigatoriedade de cumprimento, explicou a presidente da APDF.

A norma vai agora ser enviada para “todos os centros de saúde e para todos os centros hospitalares”, sendo que todos os profissionais de saúde terão que segui-la.

A partir deste momento, se um médico disser que a fibromialgia não existe, o doente pode fazer uma participação à DGS, porque o profissional está a incorrer no “incumprimento de algo que é obrigatório”, sublinhou Fernanda Neves de Sá.

Por outro lado, adiantou a responsável, o Ministério da Saúde estava a aguardar por esta norma para prosseguir o processo de “aceitação da resolução aprovada pela Assembleia da República”, e publicada em Diário da República em julho de 2015, que recomenda ao Governo a implementação de medidas pelo reconhecimento e proteção das pessoas com fibromialgia.

As estimativas apontam para que a fibromialgia possa atingir cerca de dois por cento da população adulta portuguesa, sendo que as mulheres são cinco a nove vezes mais afetadas do que os homens por esta doença que se inicia, em regra entre os 20 e os 50 anos.

FONTE:http://www.jornalmedico.pt/atualidade/32928-fibromialgia-oficialmente-reconhecida-como-doenca-pela-dgs.html

MULHERES TÊM MAIS PROBABILIDADE DE TER ESTAS DOENÇAS

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30 de dezembro 2016
 
Novo estudo revela que o problema está nos genes e não nas hormonas sexuais...

Oitenta por cento das pessoas que têm doenças autoimunes são do sexo feminino, mas ninguém sabe porquê. Investigadores da Universidade do Michigan acreditam ter encontrado a resposta para esta questão.

Nestes casos, o sistema imunitário ataca inadvertidamente as células saudáveis existentes no organismo.

Psoríase, Crohn e artrite reumatoide são alguns exemplos de doenças autoimunes.
Estudos antigos sobre este assunto focavam-se apenas nas hormonas sexuais, como o estrogénio e a testosterona. 

Agora, este grupo de investigadores decidiu-se estudar o caso através de um novo ângulo, concentrando-se nos genes humanos.
Segundo o jornal Independent, os investigadores analisaram o material genético de 82 homens e mulheres saudáveis e descobriram que existem 661 genes que se manifestam de forma diferente no sexo masculino e no feminino.

Muitos destes estavam ligados ao sistema imunitário e parte às doenças autoimunes.

“Estas conclusões sugerem que os genes sexualmente distintos contribuem para o aumento da probabilidade de desenvolver a doença (…) 

Neste contexto, vemos que ser do sexo feminino é um dos fatores de risco mais fortes para o desenvolvimento da autoimunidade”, revela o estudo, citado pelo Independent.

FONTE:http://sol.sapo.pt/artigo/540742/mulheres-t-m-maior-probabilidade-de-ter-estas-doencas

RISCO IGNORADO

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17 de dezembro de 2016 

DESPREOCUPAÇÃO COM O HIV REDUZ USO DE PRESERVATIVO, E DOENÇAS COMO SÍFILIS E HPV VOLTAM A PREOCUPAR...

As bactérias e os vírus que se aproveitam dos encontros sexuais entre humanos para crescer e multiplicar viveram momentos difíceis nas últimas décadas, mas agora estão no contra-ataque. 

Elas haviam sofrido um golpe duro a partir da década de 1980, quando o terror provocado pela ascensão da aids desencadeou mudanças profundas no comportamento, estimulando uma escolha mais criteriosa de parceiros e o uso de preservativos. 

O foco do sexo seguro era o HIV, mas a camisinha acabou barrando também as infecções por várias outras doenças, como sífilis, gonorreia, clamídia e herpes genital.


A péssima notícia é que essas enfermidades retornaram com tudo...

As contaminações por HIV voltaram a crescer no país, e a sífilis se multiplicou de tal forma que já é considerada uma epidemia (leia mais ao lado). O avanço de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é difícil de medir, porque a notificação dos casos não é compulsória, mas autoridades e especialistas apontam que, se a sífilis e o HIV estão em crescimento, as outras doenças tendem a seguir o mesmo caminho. A culpa é atribuída a um certo menosprezo pelos riscos.

– A gente precisa falar mais sobre isso, porque as pessoas não estão se dando conta – alerta Aline Sortica, coordenadora da seção de DST/aids da Secretaria Estadual da Saúde.

Da mesma forma que foi o medo do HIV que conteve as demais infecções no passado, agora é uma certa despreocupação com o vírus causador da aids que parece ter aberto a porteira para a proliferação de outras doenças. 

Com o desenvolvimento de tratamentos eficazes, o HIV já não aterroriza tanto. Como consequência, houve um recuo no uso de preservativos.

– Os mais jovens não viram a cara do HIV no início da epidemia, não viram as pessoas morrendo de aids. Têm a falsa impressão de que é uma doença menos agressiva. Tivemos um retrocesso. E quando as pessoas deixam de se proteger contra o HIV, a falta de proteção é para todas as doenças. 

Isso tem a ver com o fato de as campanhas de prevenção não estarem chegando a elas e também porque perderam o medo. Vemos no dia a dia que os adolescentes e os adultos jovens estão resistindo muito a usar o preservativo. As profissionais do sexo reclamam que os clientes não estão querendo usar.

Por causa disso,as pessoas estão se expondo. 

Isso não é só população carente. Está chegando no consultório privado também – revela Regis Kreitchmann, professor de ginecologia e obstetrícia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Muitas doenças não dão sinais

Pelas estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem em um ano 937 mil casos de infecção por sífilis, 1,5 milhão por gonorreia, 1,97 milhão por clamídia, 640 mil por herpes genital e 685 mil pelo vírus HPV. 

Como o momento é de multiplicação dessas doenças, é provável que os números sejam ainda mais expressivos. 

Nesse cenário, os profissionais insistem na necessidade do sexo seguro em todas as relações – sejam elas vaginais, anais ou orais.

Também recomendam às pessoas que tiveram qualquer relação desprotegida a realização de exames – nas unidades públicas de saúde, estão disponíveis gratuitamente testes rápidos para HIV, sífilis e hepatite. 

Em caso de diagnóstico positivo para qualquer infecção é fundamental, além de seguir o tratamento, informar antigos parceiros, para que também eles realizem testagens. 

Não apenas por causa dos males que a doença pode causar, mas também porque lesões que elas provocam aumentam o risco de infecção por outros vírus e bactérias, que podem ser ainda mais nocivos.

– É importante que as pessoas estejam muito atentas. Há algumas ISTs que não dão sinais, mas continuam infectando outras pessoas. E quando se detectar qualquer alteração genital, é necessário fazer uma avaliação médica o mais rápido possível – diz o infectologista Paulo Ernesto Gewehr Filho, coordenador do Centro de Imunizações do Hospital Moinhos de Vento.

Gewehr Filho ressalta que a única forma de ter 100% de segurança na prevenção é pelo uso de preservativo. Mas reconhece que há resistências. 
Ele observa que não se trata de uma orientação, mas no caso de o casal insistir no sexo sem preservativo, uma forma de minimizar a possibilidade de infecções é fazer exames ao mesmo tempo, para comprovar que não há presença de qualquer doença.

CONDILOMA ACUMINADO (PAPILOMAVÍRUS HUMANO - HPV)

O QUE É

O condiloma acuminado, causado pelo HPV, é também conhecido por verruga anogenital, crista de galo, figueira ou cavalo de crista. Existem mais de 200 tipos de HPV, e alguns deles podem causar câncer, principalmente no colo do útero e no ânus.

CONTÁGIO

A principal forma de transmissão do HPV é por via sexual, que inclui contato oral-genital e genital-genital.

SINAIS E SINTOMAS

Verrugas não dolorosas, isoladas ou agrupadas, que aparecem nos órgãos genitais, além de irritação ou coceira no local. As lesões podem aparecer no pênis, no ânus, na vagina, na vulva, no colo do útero, na boca e na garganta.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Na presença de qualquer sinal ou sintoma, recomenda-se procurar um profissional de saúde para o diagnóstico correto e indicação do tratamento adequado. A realização periódica do exame preventivo de câncer de colo uterino é uma medida de prevenção. O Ministério da Saúde adotou a vacina quadrivalente, que protege contra HPV de baixo risco (tipos 6 e 11, que causam verrugas anogenitais) e de alto risco (tipos 16 e 18, que causam câncer de colo uterino).

HERPES GENITAL

O QUE É

Causado por um vírus, é caracterizado por dor e lesões na região genital.

CONTÁGIO

O herpes genital é transmitido por meio de relação sexual (oral, anal ou vaginal) sem camisinha com uma pessoa infectada. Em mulheres, durante o parto, o vírus pode ser transmitido para a criança se a gestante apresentar lesões.

SINAIS E SINTOMAS

Após o contágio, os sinais e sintomas podem aparecer em média após seis dias e geralmente são pequenas bolhas agrupadas que se rompem e tornam-se feridas dolorosas no pênis, ânus, vulva, vagina ou colo do útero. Essas feridas podem durar, em média, de duas a três semanas e desaparecem. Outros sintomas são formigamento, ardor, vermelhidão e coceira no local, além de febre, dores musculares, dor ao urinar e mal-estar. Os sinais e sintomas podem reaparecer, dependendo de fatores como estresse, cansaço, esforço exagerado, febre, menstruação, exposição prolongada ao sol, traumatismo ou uso de antibióticos.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Na presença de qualquer sinal ou sintoma de herpes genital, recomenda-se procurar um profissional de saúde para o diagnóstico e indicação do tratamento. A infecção tem tratamento e os seus sinais e sintomas podem ser reduzidos, mesmo que não haja cura.

CANCRO MOLE

O QUE É

É causado pela bactéria Haemophilus ducreyi, sendo mais frequente nas regiões tropicais.

CONTÁGIO

Transmite-se pela relação sexual com uma pessoa infectada sem o uso da camisinha.

SINAIS E SINTOMAS

Feridas múltiplas e dolorosas de tamanho pequeno com presença de pus, que aparecem com frequência nos órgãos genitais. Podem aparecer nódulos (caroços ou ínguas) na virilha.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Ao se observar qualquer sinal e sintoma de cancro mole, a recomendação é procurar um serviço de saúde. O tratamento deverá ser prescrito pelo profissional de saúde.

SÍFILIS JÁ VIROU EPIDEMIA NO PAÍS

Em 2005, 1.595 gestantes brasileiras foram diagnosticadas com sífilis durante o pré-natal. Para cada 2 mil bebês que nasceram, uma mãe estava infectada.
Desde então, os números cresceram de forma acelerada. No ano passado, depois de uma década, a quantidade de grávidas com a bactéria chegou a 33.365, um recorde. Havia uma mãe com sífilis para cada 100 bebês nascidos vivos.
Trata-se de uma grave epidemia, com contornos especialmente dramáticos no Rio Grande do Sul. No Estado, a taxa de gestantes identificadas foi quase o dobro da média nacional: duas grávidas para cada 100 bebês, índice superado apenas pelo do Mato Grosso do Sul.
A elevada incidência da doença entre grávidas é reveladora porque é obrigatório realizar o exame de detecção em diferentes momentos da gestação, como parte do pré-natal. Como a sífilis é uma doença insidiosa, que pode passar despercebida e demorar anos até apresentar consequências, grande parte dos infectados não desconfia ter a bactéria, não procura um médico e não é diagnosticada.
Por isso, a incidência da doença entre as grávidas é um bom termômetro do tamanho do problema na sociedade.
– É possível projetar o que acontece entre as gestantes para o resto da população em idade reprodutiva. Em Porto Alegre, a prevalência de sífilis nessa população é de 3%. É muito alto – alerta o professor Regis Kreitchmann.
Identificar a presença da enfermidade durante a gestação é uma prioridade porque ela pode ser transmitida à criança – a chamada sífilis congênita, de consequências muito graves. Aline Sortica, da Secretaria Estadual da Saúde, afirma que 40% dos abortos são decorrentes da doença – a principal causa conhecida.
– Isso significa que muitas das crianças acabam nem nascendo. Quando nascem, podem ter problemas neurológicos, hepáticos e malformações. Também podem nascer sem sintomas e desenvolvê-los nos primeiros anos de vida. Esses bebês têm de ficar internados em UTI neonatal para tratamento e precisam ser acompanhados nos dois primeiros anos de vida.
No ano passado, as estatísticas do Ministério da Saúde indicaram que 19.228 bebês de até um ano foram diagnosticados com sífilis congênita – o dobro do registrado em 2011 e quase quatro vezes mais o número de 2004. O Rio Grande do Sul teve a segunda maior taxa, atrás de Minas Gerais. Muitos dos casos acabam em óbito. Foram 221 mortes de crianças de até um ano em 2015 (13 delas em território gaúcho). Em uma década, a taxa de vítimas fatais triplicou.
– É assustador, porque quando se fala em gestante infectada e em criança com sífilis congênita, isso é só a pontinha do iceberg. Debaixo disso tem muita gente, homens e mulheres, que não foi diagnosticada – afirma Aline.

Falta cuidado na prevenção e no tratamento
Todo esse mal poderia ser contornado com medidas muito simples. O uso de preservativos, para começar, afasta o risco de infecção. E no caso de ela ocorrer, bastaria medicar-se com penicilina para eliminar o vírus e não mais transmiti-lo. Mas as características da sífilis fazem com que ela não seja diagnosticada em uma proporção significativa de casos.
No momento da infecção, é comum surgirem lesões nos genitais. Mas elas são indolores e desaparecem em pouco tempo. No caso das mulheres, podem nem ser notadas. Em uma segunda fase, distante no tempo, manchas na pele podem eclodir. Segundo Aline Sortica, é usual que as pessoas acreditem tratar-se de alguma alergia e não darem maior atenção ao assunto. Depois disso, a sífilis pode passar vários anos sem provocar quaisquer manifestações. Quando finalmente sua presença é notada, já se encontra em estágio avançado, tendo comprometido órgãos, gerado dano neurológico ou provocado a perda da visão. Uma das consequências pode ser a morte.
Combinando esse perfil assintomático com o risco para os bebês, surge uma situação que tira o sono dos médicos. Mesmo quando conseguem detectar a presença do vírus no pré-natal e tratar a mãe com sucesso, o parceiro sexual continua infectado – e volta a passar a sífilis para a mulher grávida.

– Ela acaba tendo um bebê com sífilis porque se reinfectou. 

Isso é bastante comum. Sem cortar a cadeia de transmissão, sem tratar os parceiros sexuais daquela pessoa, ela acaba se infectando novamente – lamenta Aline.
Uma dificuldade, diz Kreitchmann, é que muitas vezes o parceiro infectado resiste a procurar tratamento:
– O médico tem o direito e a obrigação de prescrever o tratamento para o parceiro. Mas ele não quer fazer ou faz incompleto.


PARECE INOFENSIVO, MAS NÃO É

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou, quatro meses atrás, uma pesquisa feita com mais de 100 mil estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental. Cerca de 30 mil relataram ter tido relações sexuais em 2015. Destes, 33,8% contaram que a última transa havia sido sem preservativo. Em 2012, em edição anterior da pesquisa, o índice do sexo desprotegido era de 28,7%.
Esses números sugerem que o risco das infecções sexualmente transmissíveis está sendo negligenciado cada vez mais, o que só pode ser atribuído à ignorância. Mesmo que existam tratamentos e que na maioria dos casos eles ofereçam a cura, as doenças transmitidas no sexo sem proteção são perigosas.
A mais preocupante, naturalmente, é a aids. Os tratamentos atuais transformaram-na praticamente em uma doença crônica, mas isso não significa que ela se tornou inofensiva.
– O tratamento ainda pode trazer efeitos colaterais. Caso ele seja abandonado ou a doença não seja descoberta, o problema evolui e atrapalha o funcionamento do sistema imunológico, favorecendo o aparecimento de infecções oportunistas. E existe também a questão das neoplasias, que têm incidência maior no paciente com HIV do que na população em geral – cita o infectologista Paulo Ernesto Gewehr Filho.
Também as hepatites dos tipos B e C são ISTs de grande potencial destrutivo, lembra o especialista. Elas podem evoluir para cirrose e, depois, originar um câncer de fígado. O vírus HPV, por seu turno, é o principal causador do câncer de colo do útero. 

No sexo anal, pode levar a tumores no ânus e no reto. O sexo oral também oferece risco: o vírus está relacionado ao câncer de garganta. As neoplasias penianas são pouco comuns, mas também ocorrem.
No caso da gonorreia, a falta de tratamento pode provocar infertilidade no homem e na mulher, além de oferecer risco de contágio nos bebês.
Outra razão de perigo é que qualquer infecção, por menos nociva que seja ou que pareça, multiplica o risco de contrair doenças mais graves.
– Quando a gente tem uma IST, tem risco aumentado de pegar outras. Por exemplo: talvez a infecção mais comum de todas seja o herpes genital. Na maior parte do tempo, o vírus fica dormindo, em estado de latência. Eventualmente, acorda e faz lesão de pele. Rompe a integridade da pele, a barreira de proteção mecânica. E fica mais fácil a pessoa se contaminar na troca de fluidos do ato sexual – diz Gewehr Filho.
Um agravante é que, recentemente, cepas de bactérias causadoras de ISTs vêm se tornando mais resistentes. O caso mais flagrante é o da gonorreia. Na Europa e nos Estados Unidos, foram encontradas bactérias da doença que resistem a grande parte dos antibióticos existentes. Há um risco de que as opções de tratamento se tornem mais restritas.
– Uma tendência em nível mundial é termos cada vez mais casos com dificuldade de tratamento, pela seleção natural das bactérias existentes – alerta o infectologista.

SÍFILIS
O QUE É

Causada pela bactéria Treponema pallidum, pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária).

CONTÁGIO

Pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada ou da mãe infectada para a criança durante a gestação ou o parto.

SINAIS E SINTOMAS

Sífilis primária: ferida no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele), que aparece de 10 a 90 dias após o contágio. Não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.
Sífilis secundária: os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses após o aparecimento da ferida inicial. São manchas no corpo, principalmente nas palmas das mãos e plantas dos pés.
Sífilis latente: fase assintomática
Sífilis terciária: pode surgir de dois anos a 40 anos depois do início da infecção. Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

DIAGNÓSTICO

O teste rápido de sífilis está disponível nos serviços de saúde do SUS. O resultado sai em 30 minutos.

TRATAMENTO

O tratamento de escolha é a penicilina benzatina, mas recomenda-se procurar um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequado.
Sífilis congênita

É transmitida da mãe para criança na gestação. São complicações dessa forma da doença: aborto espontâneo, parto prematuro, má-formação do feto, surdez, cegueira, deficiência mental e morte ao nascer.
UMA SEGUNDA OPORTUNIDADE
A orientação é sempre fazer sexo com preservativo, mas o sistema público de saúde oferece aos brasileiros uma segunda oportunidade, nos casos de relações desprotegidas. Trata-se da profilaxia pós-exposição (PEP), que consiste em uma medicação capaz de impedir a infecção pelo HIV.
Quem se expôs a risco pode procurar uma unidade de saúde para fazer a PEP, mas ela só terá efeito se for iniciada nas primeiras 72 horas após o sexo. A medicação precisa ser tomada por 28 dias.
– É importante que a pessoa busque esse serviço quando tiver alguma exposição sexual. Mas isso não pode ser rotina, é para situações eventuais – afirma Aline Sortica, da Secretaria Estadual da Saúde.
Em 2014, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou dados mostrando que as infecções pelo vírus HIV estavam em queda no mundo – mas tinham voltado a subir no Brasil. O aumento foi de 11% entre 2005 e 2013.

GONORREIA E INFECÇÃO POR CLAMÍDIA

O QUE SÃO

Causadas por bactérias (Neisseria gonorrhoeae causa gonorreia e Clamidia trachomatis, provoca clamídia), costumam estar associada, causando a infecção que atinge os órgãos genitais, a garganta e os olhos. Quando não tratadas, podem causar infertilidade, dor durante as relações sexuais e gravidez nas trompas.

CONTÁGIO

A transmissão é sexual.

SINAIS E SINTOMAS

Dor ao urinar ou no baixo ventre, corrimento amarelado ou claro, fora da época da menstruação, dor ou sangramento durante a relação sexual. A maioria das mulheres infectadas não apresenta sinais e sintomas. Os homens podem apresentar ardor e esquentamento ao urinar, além de dor nos testículos.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Na presença de qualquer sintoma, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico e o tratamento.