HEPATITE B CAUSA 25% DE DESCARTES DE CÓRNEA NO RS

27 de setembro de 2012  DESPERDÍCIO NA SAÚDE


Apesar das dificuldades na captação do órgão, número de transplantes subiu 25%, contribuindo para reduzir a fila de espera no Estado.

Especialista defende testes mais eficazes durante a triagem para evitar os resultados falso-positivo.

 

O Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, lembrado hoje, poderia ser marcado pelo fim da espera por córnea não fosse o avanço da hepatite B no país. É o que mostram os levantamentos anuais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciados a partir de 2009 junto aos 44 bancos de olhos que fazem a captação e distribuição de córneas no país.

Em 2010, o Rio Grande do Sul, que está entre os quatro maiores captadores do país, descartou 56% das córneas captadas, totalizando 1.974 unidades. Dos descartes, um em cada quatro foram causados pela hepatite B.

Segundo o Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre (HBO), a Central de Transplantes do Estado constatou crescimento de 24,7% nos transplantes de córneas realizados em 2010 em comparação a 2009. Devido ao índice crescente de doações, o hospital gaúcho conseguiu diminuir pela metade a fila de espera, passando de 930 pacientes em 2009 para 465 em 2012.

Um deles, o agricultor aposentado José Itor de Franceschi, 69 anos, passou pela cirurgia ontem, seis meses após ter o olho esquerdo perfurado por um arame em uma plantação na cidade de Novo Cabrais, na Região Central. Como o olho direito já estava comprometido há dois anos por conta de uma alteração de pressão no nervo ótico, o caso de José era considerado de urgência.

Só quando a gente precisa é que a gente se dá conta do valor que tem uma doação – diz Valesca de Franceschi, mulher de José.

O oftalmologista Elcio Sato, membro da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, suspeita que o alto índice de hepatite B entre os doadores de córnea seja porque os exames de sorologia apresentam muitos resultados falso-positivo. Sato diz que isso poderia ser resolvido com testes mais eficazes na triagem das córneas, como o Nucleic Acid Test (NAT), que reduz a “janela imunológica” em relação aos testes de anticorpos.

A maior causa do transplante de córnea é o ceratocone. A doença provoca o afinamento da porção central da córnea. A causa pode ser úlcera, trauma, alergia, doenças hereditárias e uso prolongado de lentes de contato.

*Colaborou Taís Seibt

daniela.santarosa@zerohora.com.br
DANIELA SANTAROSA*


Conheça a doença

A ENFERMIDADE

Hepatite B ataca as células do fígado:

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É transmitida pelo vírus VHB, que tem predileção por infectar os hepatócitos, as células do fígado

- O vírus da hepatite B pode sobreviver ativo no ambiente externo por vários dias

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O período de incubação dura, em média, de um a quatro meses

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Uma pessoa infectada por ele pode desenvolver as seguintes formas da doença: hepatite aguda, hepatite crônica (ou ambas) e hepatite fulminante, uma forma rara da doença que pode ser fatal.

TRANSMISSÃO DO VHB

- Por via perinatal, isto é, da mãe para o feto na gravidez, durante e após o parto

- Por via horizontal, por meio de pequenos ferimentos na pele e nas mucosas

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Pelo uso de drogas injetáveis e por transfusões de sangue

- Por relações sexuais

SINTOMAS

- Náuseas

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Vômitos

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Mal-estar

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Febre

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Fadiga

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Perda de apetite

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Dores abdominais

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Urina escura

- Fezes claras

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Icterícia (cor amarelada na pele e conjuntivas)

- A hepatite aguda pode passar despercebida, porque a doença ou é assintomática, ou os sintomas não chamam a atenção. Em menos de 5% dos casos, o VHB persiste no organismo e a doença torna-se crônica.

COMO SE VACINAR

- Neste ano, o programa de vacinação se estende até a idade de 29 anos, devendo favorecer ainda mais quem está na fila de córnea.

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Quem quiser evitar a contaminação deve comparecer a um posto de saúde e tomar as três doses da vacina.

PARA DOAR A CÓRNEA

- Quem quer doar a córnea precisa deixar a vontade por escrito: é necessário comunicar a família. Só os familiares podem decidir sobre a doação.
 

 

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